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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Se não querem atear o fogo, não acendam o fósforo!

Resultado de imagem para atear fogo

 

Já não é a primeira vez que me deparo com uma situação destas, e é algo que me irrita profundamente.

Uma associação de protecção de animais partilhou, na sua página do facebook, uma publicação acerca de um gatinho que foi devolvido, pela família que o tinha adoptado há uns meses, apelando a que se tentasse encontrar um novo lar para o bichano.

Até aí, tudo bem. Tinha até começado a escrever um comentário, quando li melhor a publicação, e deparei-me com esta solicitação:

 

"Pedimos que em vez de comentários sobre a devolução nos ajudem de forma construtiva a encontrar a família 5 estrelas que este patudo precisa."

 

E, assim, apaguei o comentário que estava a escrever.

Mas houve quem se quisesse manifestar:

 

"...concordo que devemos tentar arranjar um lar para este menino o quanto antes, mas mesmo assim devem colocar o nome destes adotantes na lista de maus, ou melhor, péssimos adotantes para que este tipo de situações não se repita."

 

E que resposta é que recebeu?

Esta:

 

"Mas agora vamos começar a colocar cruzes vermelhas na testa de quem faz algo errado??? É isso que quer que lhe façam a si quando fizer algum erro na sua vida? Nem sabe o que se passou e nem temos que saber!! Temos sim, se pudermos, ajudar e mais nada!"

 

Ora, se não querem atear o fogo, não acendam o fósforo!

Se não querem que as pessoas se insurjam contra estas situações, que comentem, que critiquem, que condenem este tipo de actos, não os exponham.

Se o mais importante, como dizem, é encontrar um novo lar para o animal em questão, ajudando como pudermos, evitem falar do que gerou essa necessidade.

Porque raio têm que anunciar, com tanta indignação, o que os adoptantes fizeram com o animal, criticando, condenando e mostrando a sua própria revolta se isso, perante a situação do amimal em causa, é assim tão irrelevante? 

 

A publicação da associação:

"Devolvido…
Devolvido como uma peça que se leva para experimentar e depois afinal já não se quer..
Adotado em outubro, então um bebe com 3 meses, o Pokemon foi devolvido ontem com 7 meses.
Porquê? Não interessa, nestas situações a razão nunca tem razão.
O seu nome revelou-se uma verdadeira maldição - o jogo passou de moda e o interesse arrefeceu. Mas este tigrado não é virtual, é um ser vivo com emoções, com sentimentos, não é algo que desaparece por se desligar o botão…
Com mais de metade da sua pequena existência vivida numa casa imaginam a revolta deste menino? Não tivemos coragem de o colocar numa situação em que também ele pode entrar em depressão, por isso encontra-se muito provisoriamente em casa de uma voluntária.
É um gato meigo e brincalhão que precisa de encontrar a sua verdadeira família, que precisa com urgência de um lar.
Procuramos adotantes responsáveis, alguém que ame o Pokemon para o resto da vida e não apenas uns meses, alguém que entenda que estes animais têm sentimentos, que sofrem a sério com o abandono…
O Pokemon não está castrado nem testado mas assumiremos esses custos.
Só queremos que este menino encontre a felicidade que lhe foi prometida e depois roubada."

 

Compreendo que estarmos a deixar a nossa opinião não resolve o problema principal, que é o de se encontrar uma nova família para este gatinho. Mas, se a própria associação o faz, não teremos também nós, o direito de o fazer? E os outros o dever de a respeitar?

Arrancaram a palmeira!

 

Depois de, há quase dois anos, a terem descascado, resolveram arrancá-la de vez!

Não faço ideia há quanto tempo a palmeira existia, mas desde a minha infância que estava habituada a vê-la, dia após dia, cada vez que passava naquela rua.

Ao fim da tarde, a combinar com o mar e o pôr-do-sol ao fundo, ou em dias de temporal, com as suas folhas a abanarem com as rajadas de vento, era algo que pertencia ali.

E agora, de repente, sem ninguém esperar, tiraram-na. Estou indignada! Aquela palmeira fazia parte do património da vila (pelo menos para mim), e foi com muita pena que a vi ser, literalmente, cortada, arrancada pela raiz e destruída.

Mas, enfim, a pobre coitada deve ter sido mais uma vítima dos cortes que o governo aplicou à geração grisalha. Qualquer dia, nem as ameixoeiras escapam!

Salvação ou naufrágio?

 

Feliz ou infelizmente, não percebo nada de política. Nem tenho intenções de perceber, embora devesse.

Por isso mesmo, a minha maneira de ver as coisas reflecte unica e exclusivamente uma mera opinião.

Opiniões que também outras pessoas emitem, e que têm oscilado entre os elogios (poucos) e as críticas (muitas), tanto ao anterior governo, como ao actual.

O actual primeiro ministro, na sua campanha eleitoral, prometeu muitas coisas para logo em seguida, já eleito, se contradizer em todas elas. Terá sido pura estratégia política? Ou encontrou um cenário mais negro do que esperava? Não sei...

Quando Sócrates deixou o cargo de primeiro ministro, a maioria do povo o criticou por ter deixado o país neste estado. Hoje, esse mesmo povo preferia ter cá o Sócrates de volta, no lugar de Passos Coelho. Dizem algumas pessoas que "pelo menos o Sócrates nunca nos foi aos bolsos!".

A verdade é que a crise que hoje enfrentamos tem raízes mais profundas e começou a ser cultivada muito antes destes dois governantes. Também é verdade que, pela nossa experiência, sabemos que qualquer um que venha a assumir o poder terá a mesma política ou pior, que o que lá está agora.

A questão que se coloca, e para a qual ainda não consegui encontrar resposta, é quanto às "boas intenções" de Pedro Passos Coelho.

Imaginemos uma empresa que, embora com alguns problemas, se tem vindo a afirmar no mercado e conseguido manter-se estável. Imaginemos um gerente que, em nome da resolução desses problemas, expansão da sua empresa, maior reconhecimento ou, quem sabe, para proveito próprio, acaba por tomar decisões erradas, e pôr em risco a viabilidade da empresa. Apesar disso, os funcionários estão razoavelmente satisfeitos, até porque lhes foram concedidas algumas regalias...No entanto, quando começam a vislumbrar, ao longe, a possibilidade de a empresa "afundar", as coisas mudam. O gerente não está a desempenhar correctamente a sua função e é preciso que outro o substitua.

Vem então um novo gerente, intitulado de "salvador", e começa a tomar uma série de medidas que ninguém entende, a cortar daqui e dali, a despedir funcionários, a reduzir os ordenados dos que ainda lá ficam e, de repente, o novo gerente passa de bestial a besta, e a besta anterior a bestial! Afinal, mesmo com a empresa em risco de falir, os funcionários nunca foram antes afectados. E agora são.

Não sei se Pedro Passos Coelho será o salvador do nosso país, ou se estará apenas a seguir pelo caminho que o levará ao naufrágio. Quero acreditar que não. Que o que agora está a ser feito é o procedimento necessário e possível, em consequência de uma má gestão anterior, mesmo que por isso seja odiado por todos. De qualquer forma, a serem boas as intenções do governo, as mesmas não lhe dão o direito de agir até ao extremo oposto. Há limites. E falta, acima de tudo, clareza. Respostas concretas. Resultados visíveis.

Estamos a fazer sacrifícios mas não sabemos exactamente para quê. Estão-nos a tirar tudo e mais alguma coisa, mas não sabemos em que é que isso ajuda o país. E, como sempre, apenas aos mais pequenos exigem sacrifícios, porque nos grandes não se lhes pode tocar.

Tenho a certeza que, se um gerente chegasse ao pé dos seus funcionários com toda a frontalidade e explicasse a real situação da empresa, explicasse que medidas teria que tomar para a salvar e, depois, na prática, os funcionários constatassem que os seus esforços estavam a dar frutos, a indignação não seria tão grande.

Se o próprio gerente se incluísse nos mesmos sacrifícios e trabalhassem em conjunto para o mesmo fim, os protestos não se fariam sentir. 

Agora, se um gerente apresenta medidas implacáveis, explicadas por meias palavras, com promessas vagas que raramente são cumpridas, e os funcionários, apesar dos seus esforços, não vêm resultados, parecendo que a empresa continua a caminhar para a falência, e que os sacrifícios só estão a servir para beneficiar o gerente e afins, é perfeitamente normal que a revolta esteja presente, e se manifeste cada vez com mais força!

A lei do silêncio

 

De há uns tempos para cá, são vários os casos, que se têm sucedido, de violações na Índia. Em comum, têm o facto de terem conseguido gerar uma onda de indignação e revolta. Já para os familiares das vítimas, há uma certeza - as condenações por tais crimes tarde ou nunca virão.

Muito comuns no país em questão, esse crimes são muitas vezes abafados para proteger a honra da família ou por medo de represálias. A questãoé que a cultura indiana culpa a vítima nas questões relacionadas com crimes sexuais. O governo e os agentes policiais alegam que a maioria dos violadores não pode ser processada na Índia, porque, são conhecidos das mulheres atacadas, que muitas vezes, na sua opinião, estão "a pedi-las" devido ao facto de circularem na rua a qualquer hora. Ou seja, as próprias mulheres, são acusados pela violência sexual praticada pelos homens contra elas, enquanto os violadores não são responsabilizados.

Por tudo isto, as mulheres que vão à polícia são aconselhadas a não apresentarem queixa.

Por outro lado, o sistema indiano de combate ao abuso sexual é inadequado. Não há garantia de protecção para as crianças e as pessoas acabam por perder a pouca fé que lhes resta. Muito dificilmente, um menor abusado sexualmente (ou parente da vítima) denuncia o caso ou pede ajuda. Mas, quando isso acontece, as autoridades indianas, em vez de tratarem esses casos com sensibilidade, costumam frequentemente humilhar e voltar a traumatizar às vítimas, que são desprezadas ou ignoradas pela polícia, por médicos ou por outras autoridades.

Não é pois, de admirar, que para muitos indianos a sua paciência e passividade tenha acabado. Nem são de estranhar os protestos e as manifestações cada vez mais violentas para exigir que o governo garanta a segurança das mulheres e crianças, e pare de tratar os violadores com impunidade.

Já está mais que na hora de quebrar o silêncio!

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