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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Inverno em tempo de verão: ainda fazem sentido as estações do ano?

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Se virem por aí alguém com 3 camisolas vestidas, casaco, collants e botas, em pleno mês de Junho, não pensem que é algum extraterrestre - sou apenas eu!

 

 

Estamos a pouco mais de uma semana da chegada do verão, mas as temperaturas mais fazem lembrar os meses de inverno. Pelo menos aqui por Mafra, em que as mínimas andam nos 11/12 graus, e as máximas não passam dos 18/19.

Está sol, é verdade. E, aqui, basta vir o sol para toda a gente andar por aí já de chinelos, calções, e vestidos como se estivesse realmente calor. Ou até uma ida à praia porque, afinal, é verão (ou quase). Mas não está, porque para além do sol, temos um vento descomunal e gelado.

 

 

Assim, acho que, cada vez mais, vou deixar de lado aquele estigma de "ah e tal, é verão, parece mal andar com camisolas de lã e sobretudo". 

Cada vez mais, há dias de calor fora do normal em estações onde era suposto estar frio, e dias de frio fora do normal, em épocas em que deveriam estar temperaturas mais amenas. 

Dentro de toda esta "anormalidade", o mais normal é vestirmo-nos consoante a temperatura que está, e não consoante a época/ estação em que estamos.

 

Aliás, com a constante instabilidade climática em que vivemos, pergunto-me mesmo até quando farão sentido as estações do ano, tal como as conhecemos?

Não Me Deixes Só, de Margarida Freitas

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Não é irónico que, numa época em que as mulheres alcançaram a maior liberdade que poderiam ter, ou alguma vez sonhar, existam cada vez mais sentimentos de dependência, carência, e medo de ficar sozinhas?

Não é irónico que, sendo livres de tomar as suas próprias decisões, como nunca antes foram, e de tomar as rédeas da sua vida, como nunca antes lhes foi permitido, existam mulheres que depositam esse poder nas mãos de um homem por sentirem que, sem ele, nada serão ou conseguirão fazer?

E o mais grave é que a dependência chega a um ponto, em que as mulheres se anulam, em que se rebaixam, em que se deixam pisar, em que suportam tudo e ainda acham que é o que merecem. Pior, a sua mente leva-as a crer que gostam e precisam de tudo aquilo. Que tudo é preferível, do que ficar sozinhas, e enfrentar a vida e o mundo por sua própria conta.

E, mesmo quando encontram algo melhor no seu caminho, acabam por deitar fora, porque sentem falta daquilo a que estavam habituadas, mesmo sabendo que lhes faz mal.

Por carência, por obsessão, por dependência, por medo, por impotência, estas mulheres humilham-se, implorando por algo que, num único momento de lucidez, afastaram da sua vida porque lhes fazia mal.

 

Porque traímos?

Por amor? Por paixão? Por desejo? Por necessidade? Por carência? Por instinto? Por afirmação de poder? Para chamar a atenção? Para esquecer os problemas, ou arranjar mais problemas? Pela aventura?

Uma traição ocorre sempre porque a relação entre o casal não está bem? Ou isso é apenas uma desculpa que encontramos, para justificar o que não tem justificação?

O que nos leva a desejar que nos perdoem uma traição, quando nós próprios não conseguimos perdoar as traições dos outros?

 

O amor torna-nos irracionais? Ou deveria tornar-nos mais sensatos? O amor gera confiança, ou aumenta a desconfiança entre o casal? O amor leva-nos a cometer os actos mais irreflectidos, tanto para o bem como para o mal?

Devem os nossos erros ser desvalorizados e, até, perdoados, em nome do amor? Ou é por esse mesmo amor que esses erros ganham proporções avassaladoras, tornando-os imperdoáveis?  

 

De tudo isto nos fala “Não Me Deixes Só”, de Margarida Freitas, um livro que começa por ser um exercício que a psicóloga recomenda à personagem Margarida Sequeira, de forma a ajudá-la a exorcizar de vez o passado, e a conseguir viver mais feliz no presente, sem receios e sem culpas.

Através desse exercício, ficamos a saber o que levou Margarida a procurar ajuda, e como foi a sua vida até ali. A partir de determinado momento, a história deixa de ser um mero exercício, para se transformar numa espécie de diário, em que acompanhamos a fase mais actual da vida da Margarida, com o homem com quem refez a sua vida, no Brasil, e todas as dificuldades e problemas que a sua relação enfrentou.

Confesso que, a certa altura, comecei a achar a Margarida uma autêntica idiota, que não dava valor ao que tinha, uma mulher embirrante, que não consegue estar bem e tem que arranjar motivos para se chatear e acabar com as relações, instável, imprevisível, impulsiva, orgulhosa. Mas houve momentos em que lhe dei razão, e comportamentos por parte dos seus companheiros, incluindo o mais recente, que também não foram os melhores.

Ainda assim, era como assistir a um extintor a querer apagar o fogo, sempre que ele se acendia mas que, às tantas, de tantas vezes que era utilizado, ficava vazio e juntava-se à chama, para tornar ainda maior e incontrolável o incêndio.

 

Finalmente, quando tudo faria prever um final feliz, e a tão desejada estabilidade emocional e uma família perfeita, a vida encarrega-se de mostrar o quanto pode ser injusta, castigar-nos quando já achávamos que tínhamos as contas acertadas, e trocar as voltas aos nossos desejos, atirando-nos, sem dó nem piedade, para o abismo.

 

Haverá ainda forças, depois de tudo, para recuperar de tamanho estrago? Ou nada mais resta, a que nos agarrarmos, e mais vale deixar-nos levar, ou antecipar o inevitável?

 

Sinopse:

"Saí do quarto, fiquei agitada na sala com o meu choro sufocante, custava-me respirar. Mesmo com o meu grande amor a uma parede de distância, sentia-me só, tão inútil. Os meus pensamentos paralisaram no segundo momento mais doloroso da minha vida, parecia estar a sentir tudo novamente, cada segundo de dor, de desespero. A angústia, a ansiedade, o medo, a pressão… Corri para a casa-de-banho. Vomitei... Tinha o meu corpo a reagir às lembranças."

 

 

Autor: Margarida Freitas

Data de publicação: Novembro de 2017

Número de páginas: 250

ISBN: 978-989-52-0322-2

Colecção: Viagens na Ficção

Género: Ficção

Idioma: Pt

 

Com o apoio de:

Factores e comportamentos de risco

 

 

Não costumo passar muito tempo em frente à televisão. Normalmente, para ver algum programa que me agrade, vou saltitando entre a cozinha e a sala, e apanhando o básico.

Mas nessa noite, estava sentada com a nossa Tica ao colo, e comecei a procurar entre uma infinidade de canais, algum que me agradasse. Parei no canal Odisseia, onde estava a passar um documentário sobre o Camboja, mais precisamente, sobre a pobreza, a educação e a pedofilia e ciberpedofilia.

Embora nos últimos tempos tenha havido um maior desenvolvimento e crescimento económico, devido a um maior investimento, há ainda muita pobreza neste país do sudueste asiático. Essa pobreza que faz com que, muitas vezes, se "vendam" crianças e o seu corpo a qualquer preço.

No Camboja, também a educação não é para todos. Os professores vêem-se obrigados a pedir dinheiro aos alunos pelos seus serviços, uma vez que o ordenado pago pelo estado é muito baixo. Logo, crianças mais pobres não têm possibilidades para tal, e vêem-lhes vetado o direito à educação. 

Por outro lado, assisti a testemunhos de vítimas de abuso sexual, agora institucionalizadas, que estão, de tal forma, traumatizadas e fragilizadas, que se limitam a ir passando os dias, sem qualquer esperança, plano ou projecto para a sua vida.

Ontem, ao espreitar as manchetes dos jornais, detenho-me na do Correio da Manhã, que noticiava o disparo de casos de bebés abandonados em Portugal. Foram detectados casos de abandono em Portimão e em Cascais. Já no Porto, existem pelo menos 12 situações de mães que não têm capacidade para exercer a função parental.

No Hospital Amadora-Sintra duplicaram os casos de bebés rejeitados pelas mães, por motivos de carências económicas. Essas crianças foram encaminhadas para instituições de acolhimento.

Em Sintra, na Praia das Maçãs, uma menina de apenas 3 dias foi entregue pelos pais a uma advogada, encontrando-se, neste momento, internada no hospital de Cascais. Posteriormente, será desenvolvida uma medida de acolhimento institucional, havendo já uma acção de promoção e protecção da menor no Ministério Público do Tribunal de Família e Menores de Sintra. 

Muitas vezes, pode-se atribuir este abandono a imaturidade ou inexperiência dos pais, bem como a baixa competência para assumir a responsabilidade parental. Mas, por norma, predominam os factores sócio-económicos. 

De facto, a situação de crise que o país actualmente atravessa é propícia ao aumento do número de crianças em risco, não só pelas dificuldades económicas dos pais, como também pelo clima de instabilidade que provoca, bem como o aumento de pais com depressão.

Verifica-se também que, nas classes mais desfavorecidas e em meios mais pobres, há uma tendência para recorrer à violência como forma de resolução dos problemas, prevalecendo os maus tratos às crianças.

Por outro lado, factores como a falta de trabalho, o emprego precário ou a dependência de outrem, podem levar a comportamentos de risco.

Aborto - Uma Opção Válida?

 

Juntamente com outras tantas mulheres, ela aguardava sentada, numa cadeira, em pleno corredor, a sua vez de ser chamada.

Aquela espera parecia-lhe uma eternidade e, por momentos, teve vontade de desistir, de sair dali e nunca mais voltar.

Era um ambiente pesado, de semblantes carregados. Ninguém falava com ninguém. Quanto tempo mais ficariam ali?

Nunca ela imaginara que algum dia se encontraria numa situação daquelas, mas agora era uma realidade, e só ela poderia alterar o desfecho desta história.

Tinha uma filha, com cerca de três anos, fruto de um relacionamento que culminou em casamento e cuja vinda, muito embora não tivesse sido planeada mas também não prevenida, trouxe muita felicidade aos pais!

Errar é humano, e erros qualquer ser humano comete. Este tinha sido um desses “erros”, se assim se pode chamar, mas que era muito bem vindo – afinal, era só o antecipar do futuro que ambos desejavam.

Mas agora era diferente. Tinham estado separados durante três meses, o divórcio esteve prestes a ser assinado. Contudo, o que quer que fosse que ainda sentiam um pelo outro falou mais alto, e tentaram uma nova oportunidade.

Só que, numa altura em que predominava a instabilidade emocional e a instabilidade financeira, a última coisa que precisavam era de cometer novamente o mesmo erro! No entanto, foi o que fizeram! Como ela tinha sido burra – sim, porque só pode ser essa a explicação para tal loucura. Estava grávida, e não tinha vontade nenhuma de ser mãe, de trazer outra criança ao mundo para passar o mesmo que a filha tinha passado. Além disso, ela não tinha condições. Nem tão pouco o marido lhas podia dar.

Não foi necessário pensar muito para pôr em cima da mesa a opção do aborto que, por ironia do destino, tinha sido legalizado nesse mesmo ano! Na verdade, apesar de nunca ter pensado alguma vez na vida fazer um, a verdade é que sempre tinha sido a favor do aborto e da sua legalização.

Contra a vontade do pai do bebé, mas apoiada pelos seus pais, e decidida a resolver o quanto antes a questão, até porque não tinha muito tempo até ao limite de semanas permitido, avançou com o processo.

Primeiro, uma consulta com a médica de família, que a encaminhou para um hospital público que, por sua vez, a encaminhou para uma clínica privada. Fez por sua conta uma ecografia, que lhe seria pedida mais tarde. E aguardou que lhe marcassem o dia para comparecer na clínica.

Só que não foi exactamente como ela tinha pensado. A primeira informação que lhe deram, quase fê-la dar meia volta e esquecer o motivo que a tinha levado ali. Não se faziam abortos com comprimidos, apenas por cirurgia, que consistia em “aspirar” o bebé, numa fracção de segundos, sem dor e sempre assistida por profissionais. E ela nunca tinha pensado nessa hipótese. Sempre teve em mente que lhe iam dar uns comprimidos e que o resto aconteceria em casa. Uma cirurgia…isso não era de todo o que tinha imaginado. Assustava-a.

Mas o seu pai estava com ela, e nem mesmo quando, por acaso, ouviu outra mulher já de saída comentar que sentia um vazio muito grande, e observar o estado físico e psicológico em que se encontrava, ele a deixou desistir.

E, assim, estava ela agora sentada com outras mulheres em situações similares, cada uma com o seu motivo, umas mais novas, outras mais velhas, mas todas com um objectivo comum.

Era, de facto, surpreendente a quantidade de mulheres que naquelas horas ali compareceram.

Chamadas por grupos, tinham que passar por diversas fases – uma primeira conversa com o médico, análises, ecografia, consulta de psicologia, e voltar novamente ao médico, que marcaria então o dia, a todas as que mantivessem a sua decisão.

Quando finalmente saiu da clínica, respirou de alívio – alívio por sair daquele ambiente onde esteve fechada tantas horas, e porque estava cada vez mais perto do final.

Dia 14 de Novembro compareceu novamente na clínica acompanhada, desta vez, pelo marido que, mesmo condenando aquela decisão e, provavelmente, contrariado, acedeu a levá-la e trazê-la de volta de carro, em vez de ela ir de transportes públicos.

Novamente à espera, chamaram-na para o vestiário com mais duas ou três mulheres. Já preparadas, levaram-nas para o bloco operatório onde lhes foi aplicada a anestesia. Ela tinha optado pela anestesia geral – assim não daria por nada. E quando acordasse, já estava!

E assim foi. Uns minutos depois, acordou já numa outra sala, de recobro, como se nada tivesse acontecido. Mais um tempo em observação, uma nova consulta de psicologia, um saquinho com antibiótico e anti-inflamatório, e tinha acabado o pesadelo.

Sim, foi essa a sensação que ela teve – novamente, alívio! Como se lhe tivessem tirado um peso das costas. Como se tivesse, desta forma, remediado o erro que tinha cometido.

Era a única solução possível naquela altura, disso não tinha a menor dúvida. Tinha feito o melhor para todos.

Não sei como se sentem as mulheres depois de abortarem – acredito que muitas entrem em depressão, que fiquem tristes, que se sintam culpadas, arrependidas…

Mas ela não – nunca se arrependeu, nunca se sentiu culpada, nunca se deixou abater, e seguiu a sua vida!

Hoje, engravidar não está fora dos seus planos, mas só se a sua vida e as condições o permitirem, porque errar uma terceira vez seria pura burrice, e aborto é uma opção que não se colocaria novamente.      

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