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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Não a Deixes Ficar", de Nicola Sanders

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Senti-me uma total marioneta, quando terminei a leitura deste thriller.

Ou uma verdadeira bola de pingue pongue, arremessada da "verdade" de um, para a "verdade" de outro.

Num momento, completamente convencida de quem era o vilão da história e, noutro, convencida de que, afinal, tinha percebido tudo mal. 

E a verdade é que nada era como eu estava a interpretar. 

Devemos confiar no nosso instinto? Devemos ficar-nos pela primeira impressão que tivemos? Pelo primeiro julgamento que fizemos?

Se, para quem está de fora, é tão fácil acreditarmos naquilo que nos é servido de bandeja, porque tudo faz sentido, para quem vive a situação, na própria pele, torna-se ainda mais complicado discernir em quem deve confiar.

Há quem seja mestre em manipular a história a seu favor, transformando todas as evidências contra si, em argumentos a seu favor, e justificativos da sua narrativa.

 

Joanne vive com o marido e a filha recém-nascida numa bonita casa.

Embora ela se sinta cansada, e algo entediada, por passar os dias em casa, mostrando vontade de voltar a trabalhar, sob pena de enlouquecer, Joanne estava longe de imaginar o quão feliz era, e quão depressa essa felicidade poderia acabar.

A filha mais velha de Richard, com quem ele não falava desde o casamento, decide fazer as pazes com o pai, e conhecer a madrasta e a meia-irmã.

No entanto, mal chega a casa, Chloe mostra logo ao que veio. Fazer a vida negra a Joanne enquanto, perto do pai, finge ser um anjinho.

E consegue mesmo criar conflitos e pôr, várias vezes, o pai contra a mulher, a quem acusa de estar a ennlouquecer, e a ser injusta com a sua filha.

Já diz o ditado que "o pior cego é aquele que não quer ver". 

 

Richard, parece recusar-se a ver.

Porquê?

Porque a verdade é assim tão abominável, que ele prefere ignorá-la?

Porque, de alguma forma, tem medo da própria filha?

Ou será que ele é tão benevolente com Chloe porque está, ele próprio, a tentar mostrar ser uma pessoa que não é?

É que, tendo em conta tudo o que vamos descobrindo ao longo da história, há que dizer que as atitudes de Richard não fazem qualquer sentido, se realmente a sua intenção é proteger Joanne e Evie.

 

E depois, como não confiar nos animais?

Sempre nos disseram que eles sabem quem é bom, e quem é mau. Que reconhecem.

Então, como duvidar quando Oscar, o cão da família, parece dar-se tão bem com Chloe e, naquele dia, ataca Richard como nunca se tinha visto?

 

Terminado o livro, confesso, ainda tenho dúvidas de qual é a verdade verdadeira!

Apesar de tudo, aparentemente, ficar esclarecido.

 

 

Sinopse:

"Alguém dentro da sua própria casa a quer ver morta… mas ninguém acredita nela.
Joanne sabe a sorte que tem: vive numa casa maravilhosa, leva uma vida tranquila, Richard é um marido fabuloso e Evie, a filha recém-nascida, é tudo com que sempre sonhou. No entanto, essa tranquilidade vai ser interrompida por Chloe, a filha de Richard. A jovem não falava com o pai desde que ele casou com Joanne, há dois anos, mas regressa subitamente para fazer as pazes. Está até disposta a mudar-se temporariamente para ajudar a madrasta com a meia-irmã.
Parece perfeito, mas a adorável Chloe mostra um lado completamente diferente sempre que Richard não está por perto. Joanne vive com um medo crescente, apesar de mais ninguém se aperceber da ameaça. Estará ela a enlouquecer? Terá cometido um erro terrível ao convidar a enteada para viver com eles?
Um thriller psicológico viciante com reviravoltas surpreendentes e chocantes!"

"Nowhere", na Netflix

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Acabadinho de estrear, "Nowhere" foi o filme escolhido para ver este fim de semana.

Não é inspirado em factos reais, mas até poderia ser, tendo em conta a quantidade de pessoas que tentam fugir, clandestinamente, dos seus países, e os enganos e acidentes que acontecem com essas pessoas, pelo caminho impedindo-as, muitas vezes, de chegarem ao destino.

Muitas são as vezes que acabam separadas dos familiares.

Que são presas. Recambiadas de volta. Ou, simplesmente, morrem.

 

Em "Nowhere", vemos Espanha como um país devastado pela escassez de recursos para a sobrevivência da população, em que a solução encontrada, pelo regime, é exterminar crianças e mulheres grávidas.

Mia e Nico já perderam a sua filha, Uma, quando esta foi levada pelos militares e, possivelmente, morta por eles.

Agora, Mia está grávida e, junto com o marido Nico, pagam por uma viagem clandestina para fugir para a Irlanda.

Na confusão instalada pela quantidade de fugitivos a querer entrar, e a necessidade de os dividir pelos vários camiões, o casal acaba separado.

Numa operação de controlo, o regime percebe que o camião onde está Mia transporta fugitivos e, por isso mesmo, extermina-os a todos. À excepção de Mia, que se conseguiu esconder e que, agora, segue sozinha no contentor.

Mas se ela acha que o pior já passou, está enganada.

O pior ainda está por vir.

 

Durante uma tempestade, o contentor de Mia cai ao mar, e é lá que ela fica, à deriva, trancada, até que alguém a encontre, ou morrerá ali mesmo.

É a partir daqui que Mia, a protagonista do filme (um grande papel de Anna Castillo), desenvolve todo o seu instinto de sobrevivência e, ao mesmo tempo, mostra o que o instinto maternal é capaz de fazer para proteger o seu bebé, acabado de nascer, onde nunca imaginou.

Com pouca água, quase nenhuma comida, com um bebé que tem que cuidar e alimentar, isolada, sem forma de pedir ajuda ou comunicar com alguém, e sem saber se sairá dali a tempo, antes que o contentor afunde, Mia vai passar por momentos em que quase se rende às evidências, sobretudo quando acredita que Nico morreu, e a culpa pela morte da sua filha a faz querer morrer também.

 

Anna Castillo "carrega", de forma exímia, o filme às costas.

Excelente interpretação, num filme que vale a pena ver.

No entanto, sinto que o filme não conseguiu estar a 100%. Que lhe faltou qualquer coisa.

Talvez um enquadramento da situação, o porquê de eles estarem a fugir. Fica subentendido, mas não há essa contextualização.

E, quem sabe, mostrar, através dos pensamentos de Mia, o que aconteceu a Uma. Embora haja uma conversa, ficou a faltar visualizar a cena.

Por outro lado, Nico foi quase um figurante, insignificante para a história, e não se percebe que destino teve.

 

Quanto a Mia e Noa, a bebé nascida em alto mar, conseguirão elas sobreviver?

Ou ficarão, para sempre, no oceano?

 

 

Quando vem do coração, tudo sai melhor!

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Vale para tudo.

Qualquer que seja a actividade, missão, profissão, projecto ou tarefa que abracemos, ou a que nos dediquemos, quanto mais o fizermos com alma e coração, melhor será desempenhada, e melhores resultados terá.

Em tudo, é preciso entregarmo-nos por completo.

Deixar as emoções vir ao de cima, e deixarmo-nos guiar por elas.

Deixarmo-nos conduzir pelo instinto, pelo nosso interior.

Deixar o corpo falar por nós.

Sermos nós mesmos.

Até podemos ser muito bons a imitar, a copiar, a seguir os passos do outros, a reproduzir aquilo que já foi feito.

Mas nada se compara àquilo que conseguimos criar, quando o nosso coração toma o comando. 

Porque tudo o que de nós sair será único. Será nosso. Será verdadeiro. Será sentido.

E isso, passará para quem está do outro lado.

 

 

Dos "cães raivosos" que existem neste mundo

Biblioteca de vetores Cachorro bravo desenho, ilustrações Cachorro ...

 

Andam por aí muitos, mesmo que nem sempre os consigamos identificar.

Eles até podem disfarçar, tentar camuflar, mas o instinto está lá e, assim que lhes cheira a "carne", soltam-no, mostrando a verdadeira "raça".

 

Tal como numa luta de cães, juntam-se, na vida, cães treinados e habituados a atirar-se e atacar gratuitamente, só para provar que são os maiores e mais fortes, e cães que nunca participaram numa luta, não percebem o seu propósito e se recusam a fazê-lo, ou se veem obrigados a defender-se, ainda que não queiram.

 

Depois, há os cães que, mal farejam a mínima oportunidade, correm para se alimentar. Há os que precisam disso para se alimentar. E há os que passam bem sem esse tipo de alimento.

E, por norma, são estes últimos que veem mais além, chegam mais longe e ficam, no fim, com o melhor prato. Sem arrancar nenhum pedaço de ninguém.

Animais perigosos ou animais potencialmente perigosos?

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Muito se tem falado, nos últimos tempos, sobre a existência ou não de animais perigosos. A questão prende-se, mais especificamente, com cães perigosos, mas eu prefiro abranger toda a categoria "animais".

 

Ainda no outro dia falava sobre isso com o meu marido, que me dizia que não existem animais perigosos, e que são as pessoas que os tornam agressivos.

Não concordo totalmente com ele. Existem animais que nasceram para ser livres, e viver nos seus próprios habitats. Que são, pelas suas mães/ pais, preparados para sobreviver nesse habitat, a desenvolver o seu instinto, a caçar as suas presas. Aqui não existe "mão humana". Apenas a própria natureza dos animais. Sendo que a maior parte, quando ataca humanos, é por estes estarem no seu território, por uma questão de instinto, sobrevivência, defesa do seu território, protecção. Ou então, quando os humanos tentam mudar a sua natureza, tentando domesticá-los, trazendos para fora do seu habitat, prendendo-os. Até podem conseguir. E um desses animais a que apelidamos de "selvagens" até pode ser bastante meigo para os humanos, e conviver bem entre eles. Mas o risco está presente. Pode não se manifestar, mas está presente.

 

Assim, no que respeita aos animais em geral, a pergunta que coloco é:

Existem animais perigosos, ou animais de raça/ espécie potencialmente perigosa?

É que um animal de raça/ espécie potencialmente perigosa, quando bem educado e treinado, ou devido à sua própria personalidade, pode ser um animal perfeitamente sociável e meigo.

Por outro lado, um animal aparentemente inofensivo, pode virar, de um momento para o outro, uma fera e atacar, sem sabermos bem porquê.

Mas também o próprio ser humano é assim. Quantas vezes não temos conhecimento de actos bárbaros praticados por pessoas de quem nunca suspeitaríamos, e que considerávamos "boas pessoas". Sim, por vezes o bandido é aquele homem de família exemplar, e não o ladrão da esquina, de quem todos suspeitaríamos. 

 

O que acontece, na maioria das vezes, é que o potencial está lá, seja em que animal/ raça/ espécie for, existindo raças/ espécies com maior potencial que outras, e pode permanecer sempre adormecido, sem se dar por ele, ou ser despoletado pelo próprio instinto, por acicatamento, por factores externos à sua personalidade, pelos que o educam e rodeiam, ou por quem lhes tenta fazer mal.

Será, talvez, aí que a "mão humana" entra: na forma como lida, educa e incita ou mantém adormecido esse potencial. E isso dependerá, muitas vezes, do carácter e personalidade do próprio dono, da forma como ele próprio age, da forma como cumpre ou não as regras de segurança para com os demais.

E o que é certo é que não faltam exemplos de animais potencialmente perigosos, que foram capazes de atitudes que muitos humanos nunca teriam, e que já salvaram muitas vidas humanas. E ainda dizem que os perigosos são eles...