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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Sobre a "telenovela" Bárbara/ Carrilho...

 

Não sei quem fala a verdade e quem mente...

Não sei quem é o bom e quem é o mau...

Mas há uma coisa que eu sei: até agora, Bárbara pouco ou nada falou, comentou ou declarou, remetendo-se antes ao silêncio para, segundo ela, proteger os filhos. A grande maioria das notícias que gira à volta da separação do casal, são insultos, revelações duvidosas e acusações de Carrilho à mãe dos seus filhos e, até então, sua mulher.

E isto pode não significar nada, ou pode ser apenas uma questão de educação (ou falta dela). Mas, para mim, estas opções podem ser muito reveladoras do carácter de cada um deles.

Alguém que está de consciência tranquila e sabe qual é a verdade, não precisa de apregoá-la aos quatro ventos, não precisa de dizer ou provar nada a ninguém que não seja quem de direito. Já quem tenta justificar o injustificável, denegrir a imagem de outro para salvar a sua própria, e "lavar a roupa suja em praça pública" parece querer tapar o sol com a peneira.

Como diz o velho ditado "quanto menos se fala, menos se erra, e se a palavra é de prata, o silêncio vale ouro"! 

Bullying - Uma Dura Realidade

 

Tenho uma filha! A menina que sempre desejei!

E como qualquer mãe galinha, tenho um desejo enorme de a proteger de tudo e de todos os que a possam magoar, seja de que maneira for.

Claro que só quero o melhor para ela, mas nem sempre protegê-la do mundo, criando uma redoma à sua volta, é a melhor forma de o demonstrar.

Há que deixá-la viver, experimentar, enfrentar as dificuldades e prepará-la para que, sozinha, sem estar na sombra de outros, consiga sobreviver nesta selva em que vivemos – desenvolvendo a sua autonomia, as suas capacidades, o seu poder de luta, aprendendo a se defender, se necessário for, e a resolver os seus problemas.

Com algumas reservas minhas, mas ao mesmo tempo ciente de que seria benéfico para ela, começou a frequentar o Jardim de Infância com 4 anos e hoje, com 7, está no 2º ano, numa escola pública onde, juntamente com ela, se encontram mais de 600 crianças.

Tal como neste vídeo, todos os dias ela se levanta, veste aquela roupa que tão carinhosamente escolhi para ela, toma o pequeno-almoço e vai para a escola.

Pelo que me apercebo, não tem muitas amigas, embora para ela todas as colegas sejam amigas. Até mesmo aquelas que a rebaixam, ou só a querem por perto por interesse.

Mas não me preocupa o facto de ter poucas amigas. Eu também não tive muitas. Na verdade, apenas duas, que me acompanharam durante os vários anos em que estudei.

Preocupa-me sim, que ela venha a ter inimigas! Não por algo que ela tenha feito de mal, até porque para quem pratica o “bullying”, não existe uma motivação aparente e, muitas vezes, quando a há, nem sempre está directamente relacionada com a vítima.

Outras, como foi o meu caso, surgiram na sequência de uma resposta que, provavelmente, aquelas pessoas não esperavam ouvir.

Ia para o 10º ano, tal como uma das minhas amigas que era da mesma turma que eu – éramos “caloiras” e não conhecíamos ninguém naquela escola.

Ao contrário daquelas três raparigas, que frequentavam o 11º ano e já conheciam meio mundo.

Sempre muito tímidas e não gostando de confusões, guerras ou discussões, tivemos um ano bastante complicado, em que a violência psicológica foi presença constante.

Cada vez que as avistávamos, ainda que bem longe, já os nervos davam sinal, e só queríamos que aquele instante que se aproximava passasse depressa.

Desde insultos, a comentários depreciativos, e até mesmo uma vez em que entraram na nossa sala de aula para nos danificarem o material escolar, os sentimentos que mais habitavam dentro de nós eram pavor, medo, ansiedade…

Dia após dia, éramos “empurradas” para aquele ambiente hostil, que muitas vezes nos levava ao desespero, e a pensar em desistir de estudar, só para o pesadelo acabar.

Felizmente, esta violência caracterizada pela prática de actos intencionais e repetidos, neste caso em grupo, foi apenas psicológica. Nunca houve agressões físicas.   

Mas não são poucos os casos em que somos vítimas de vários tipos de práticas, não só físicas (agredir, bater), mas também verbais (gozar, insultar, apelidar), materiais (roubar, destruir pertences ou danificando objectos pessoais), psicológicas (intimidar, ameaçar, perseguir, aterrorizar), e até mesmo, mais recentemente, virtuais!

Praticados em grupo, ou por uma só pessoa, estas situações ocorrem com maior frequência nas escolas, sempre fora da visão dos adultos, e normalmente as vítimas não reagem, nem tão pouco falam sobre as agressões de que foram vítimas.

Os agressores têm, geralmente, personalidades autoritárias, uma absurda necessidade de controlar ou dominar e são, algumas vezes simultaneamente, agressores e vítimas.

Contudo, não é um problema exclusivo das escolas, podendo acontecer em qualquer meio, como no local de trabalho ou entre vizinhos.

E as consequências não se fazem esperar – dor, angústia, irritação, ansiedade, stress, nervosismo e tristeza anormais, podendo, nos casos mais graves, levar à depressão, problemas psíquicos e até mesmo ao suicídio.

É importante não ignorar, não nos convencermos que tudo isto faz parte da vida e que há-de passar, mais cedo ou mais tarde.

Mais grave ainda que ser uma vítima de “bullying”, é vermo-nos sozinhos, é não sabermos a quem recorrer, a quem pedir ajuda, com quem conversar. É vermos as pessoas esconderem a cabeça na areia como avestruzes, ou virarem costas, como se de um perfeito disparate, inventado por alguém que apenas pretende chamar a atenção, se tratasse.

Lembro-me de não querer continuar a estudar, de pensar em desistir. A minha amiga fez apenas o 10º ano e ficou por aí. Já eu, fui “obrigada” pelos meus pais a continuar – passei para o 11º ano, o que significava ter que enfrentar durante um ano inteiro, e completamente sozinha, aquele inferno.

Muito embora o meu pai sempre me tenha dito que a melhor forma de lidar com esse tipo de pessoas é ignorando, não mostrando medo, nessa altura eram as últimas coisas que eu conseguia fazer.

Mas ter o 11º ano ou ter o 9º, ia dar no mesmo. E os meus pais queriam o melhor para mim, queriam que eu estudasse, para no futuro ter melhores oportunidades. Para isso era necessário ter, pelo menos, o 12º ano! Como hoje lhes agradeço essa imposição!

Felizmente, aquele ano passou-se, tal como passou o seguinte (muito melhor porque nessa altura já as ditas raparigas tinham deixado a escola secundária).

Hoje, olhando para trás, quando as vejo casadas e com filhos, penso se de facto teriam consciência daquilo que tanto gostavam de fazer, ou se seria uma rebeldia da adolescência.

Hoje, não procuro detectar uma situação semelhante em cada esquina, mas tento ficar atenta, para que a minha filha não venha a passar pelo mesmo que eu.

Para que, se um dia isso acontecer, eu possa compreendê-la, ajudá-la, e dar-lhe todo o meu apoio, na luta contra esta dura realidade!

 

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