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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Adolescência, autoestima e redes sociais

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O que é que estas três coisas têm em comum?

Estão, cada vez mais, ligadas entre si.

 

 

É sabido que uma baixa autoestima pode levar uma pessoa a problemas físicos e emocionais. E, se aos adultos, já traz consequências nefastas, aos adolescentes os estragos podem ser ainda piores.

Eles estão numa idade em que precisam de ser aceites, precisam que gostem deles e da sua imagem, precisam de amizades e grupos com os quais conviver e viver aventuras. Não é fácil sentirem-se excluídos, não estarem dentro da norma, serem diferentes.

 

 

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Por exemplo, uma adolescente que veja as amigas começarem a ter amigos rapazes, a ver que estes se interessam por elas, ou até perceber que as amigas já namoram, e que nada disso acontece no seu caso, vai sentir-se à margem. Para compensar, por achar que talvez tenha defeitos, não seja bonita nem tenha qualidades que cativem os rapazes, e que nunca ninguém gostará dela, ou qualquer outro motivo, vai tentar encontrar aprovação e elogios que lhe elevem a autoestima, e a façam acreditar que também consegue o mesmo que as outras.

As redes sociais são um dos meios mais eficazes para o conseguir. Conhecem rapazes de qualquer lugar, muitos com perfis falsos, com os quais mantêm conversas que resultam, muitas vezes, em pedidos de fotografias que as adolescentes enviam, na esperança de receber os tão almejados elogios. Fotografias que podem pôr em risco a sua vida, ser usadas de forma abusiva e divulgadas entre outros, ou até para fins criminosos.

 

 

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Como se costuma dizer, a culpa não é só deles. Eles "deitam a escada", só sobe quem quer. E elas querem muito. Vale tudo por um "és linda", "és perfeita", "tens um corpo fantástico", "és uma querida" e por aí fora. Ainda que metade desses elogios possam ser falsos. E sendo que, na maior parte das vezes, mesmo verdadeiros, escondem segundas intenções. 

Mas isso somos nós, adultos, que compreendemos. As adolescentes não têm ainda essa noção, e para elas essa subida da autoestima é fantástica, ignorando que podem vir a pagar um preço bem alto por ela.

 

 

Da mesma forma, funcionam todos esses desafios e jogos sem sentido que se vão fazendo nas escolas, ou em directo nas redes sociais, e que já resultaram em mortes para os adolescentes que os aceitaram, porque não queriam ser diferentes, porque queriam fazer uma coisa espectacular e ser famosos, porque queriam, de alguma forma, ser aceites e fazer aquilo que, supostamente, os adolescentes normais fazem. O que não percebem, é que os adolescentes normais não precisam de fazer nada disso.

 

 

Mas tudo isso só saberão se tiverem um grande suporte emocional por detrás, que ajude estes adolescentes a viver esta fase da sua vida sem correr riscos desnecessários, elevando-lhes a autoestima e incutindo-lhes confiança em si próprios, mostrando-lhes o valor que têm, e o que os torna diferentes mas especiais à sua maneira.

Caso contrário, descobrirão, agora ou somente mais tarde, quando atingirem uma outra maturidade, ou quando forem atingidos pelas consequências dos seus actos.

 

 

É certo que, já nos meus tempos de adolescência, existiam perigos e situações semelhantes, mesmo sem redes sociais, que nem sonhávamos que viessem a existir. 

No entanto, hoje, as redes sociais funcionam, cada vez mais, como uma bola espelhada, que reflete a luz em várias direcções, multiplicando os efeitos de algo que, por si só, já é grave.

Educação Física com peso na média de acesso ao Superior

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Podem vir com todos os argumentos que quiserem, e mais alguns, que vou continuar a dizer em alto e bom som:

 

"NÃO CONCORDO!"

 

E não digo isto apenas pelo facto de, eu própria, não gostar de educação física e ter sido muito fraquinha à disciplina. Digo-o, porque penso que não faz qualquer sentido, nos moldes em que o querem fazer, e pelos motivos que invocam.

Que me digam que a educação física é importante para combater a obesidade ou o sedentarismo, ou para promover a saúde, posso aceitar, ainda que não concorde a 100%. Que, como tal, achem importante a mesma ser obrigatória nas escolas o que, mais uma vez, não concordo, também consigo compreender. Que considerem que a educação física tem sido uma disciplina desvalorizada face a todas as outras, e que não é levada a sério, igualmente - não concordo, mas aceito.

 

Mas se querem que a mesma tenha sucesso, e seja valorizada, comecem por revolucioná-la!

 

 

 

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Chega destes programas que têm, obrigatoriamente, que ser seguidos pelos professores e que, desde há décadas até hoje, se mantêm inalteráveis, e em nada motivam os alunos. Chega de impingir sempre as mesmas modalidades, os mesmos exercícios. É preciso inovar, cativar, modernizar. Fazer com que os alunos passem a gostar e a querer praticar. Nunca, impôr!

 

Por outro lado, não faz qualquer sentido um aluno, cuja área a seguir nada tem a ver com a educação física, depender desta disciplina para a sua média de acesso ao ensino superior. Ah e tal, existem outras disciplinas que também não são necessárias e,ainda assim, todas elas contam para a média. Pois é, e muitas delas também não deveriam contar. Mas o que está aqui em causa é a educação física, que já tinha deixado de contar (e bem). E não faz sentido qualquer aluno que vai para um curso em nada está ligado ao desporto, ver a sua média afectada por esta disciplina. Faz sentido, sim, para quem pretenda seguir a área.

 

Dizia o meu marido, acérrimo defensor da educação física (ou não tivesse a tirar a licenciatura em Ciências do Desporto) que concorda com a medida e que, agora sim, os alunos se vão começar a esforçar para tirar boa nota na disciplina. 

Não concordo!

Quem não tem jeito para a educação física ou, simplesmente, não gosta, não se vai esforçar numa disciplina na qual não consegue dar mais. Vai, antes, passar a gostar ainda menos da mesma, e dedicar-se às outras em que tem mais facilidade.

 

Dizia ele também: "a educação física é precisa para tudo". Errado! Eu não preciso de saber fazer o pino para fazer uma conta de somar. Não preciso de saber fazer uma flexão para escrever uma carta. Não preciso de jogar bem andebol para fazer preencher impressos. Da mesma forma que uma tradutora não precisa de dar grandes saltos em comprimento para traduzir um filme. Um economista não precisa de dar 10 voltas a uma pista, para exercer a sua função. E por aí fora!

 

Segundo o lema do SIMPÓSIO que ocorreu no fim-de-semana "+ (Mais) EXERCÍCIO, > (Maior) SUCESSO ESCOLAR, M3 (Melhor) FUTURO", vários especialistas sublinharam a importância do exercício físico para a melhoria das funções executivas e cognitivas dos alunos.

No entanto, se formos analisar as pautas das notas da grande parte dos alunos pode verificar-se que, aqueles que têm melhores notas a outras disciplinas, têm notas mais baixas a educação física e, por outro lado, os melhores alunos a educação física têm mais dificuldade e notas mais baixas às restantes disciplinas. Não é, portanto, indispensável para o sucesso escolar.

Fala-se também muito de integração na sociedade através da prática de actividade desportiva, da ocupação dos jovens que, assim, se mantêm focados no desporto, evitando meter-se em problemas. Ora, isto para mim não é mais do que conversa para crianças e jovens em risco. Nunca precisei da educação física para me integrar, pelo contrário. Nunca precisei dela para me manter ocupada.

 

Ah e tal, a educação física é importante no combate à indisciplina. Mais uma vez, discordo! Sempre houve educação física nas escolas, e há cada vez mais indisciplina nas mesmas. Não vejo em que é que o facto de ser obrigatória, ou contar para nota e média interfira com o comportamento dos alunos.

 

Ah e tal, a educação física torna as pessoas mais calmas e ponderadas. Discordo! Conheço praticantes de desporto que são tudo menos pessoas calmas, e explodem à mínima coisa.

 

 

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Ah e tal, é a única forma de chegar a todas as crianças, jovens e até adultos, e unir todos, sem lugar para discriminação ou bullying. Isso é muito bonito em teoria. Na prática, as coisa não são assim tão bonitas!

 

Ah e tal, o que interessa é os alunos esforçarem-se, e tentarem fazer os exercícios. Mentira! Pode funcionar assim com alguns professores, mas não será por isso que os alunos terão uma boa nota. E com outros professores, ou faz, e faz bem, ou leva a nota de acordo com o que não faz/ não consegue fazer. Ou, como eu, leva uma positiva apenas porque parecia mal, face às restantes notas boas que eu tinha!

 

Por tudo isto, se querem realmente que a disciplina de educação física tenha maior valor e seja levada a sério, melhorem a oferta, criem um novo conceito para a disciplina, levem os alunos a "querer" fazer as actividades, a gostar das actividades, e não a praticar, pura e simplesmente, por obrigação.

Acho bem que quem gosta e se sinta bem, pratique qualquer actividade à sua disposição, mas essa decisão, e o esforço e empenho que colocamos nessa actividade, tem que partir unicamente de nós, e não de factores impostos por terceiros.

Não queiram fazer das médias e notas o "bode expiatório" para levar a cabo uma mudança que nada tem a ver com os alunos, e que em nada os virá a beneficiar. Porque esta guerra é entre professores, profissionais da área e Ministério da Educação.

 

 

 

 






 

 

Quantos mais jovens terão que morrer...

 

...para se pôr um ponto final nas praxes estúpidas e sem sentido que todos os anos se repetem?

Sim, todos os anos, por esta altura, se fala das praxes. E todos os anos, se ouvem vozes que defendem as praxes, vozes que defendem que certos comportamentos não podem ser considerados praxe, e vozes contra qualquer tipo de comportamento que provoque danos, sejam eles praxe ou não mas, curiosamente (coincidência ou não), sempre envolvendo caloiros e veteranos das universidades.

Ah e tal, são uma forma saudável de integrar os caloiros na vida universitária. Sim, algumas podem até ser. Todas aquelas que contribuam para a formação cívica dos caloiros, para a sua real integração no ambiente de uma universidade, para um espírito de equipa, entreajuda e solidariedade.

Mas não me parece que humilhar, subjugar, mandar, agredir, ameaçar ou maltratar, se enquadrem nessa categoria.

Não me parece que obrigar estudantes a enterrarem-se na areia e beber álcool sem parar, se enquadre num tipo de praxe útil para alguém, que não mentes perversas e sem qualquer carácter.

A tragédia do Meco resultou na morte de vários jovens, sem que se tenha apurado qualquer culpado. A culpa morreu, literalmente, na praia.

Melhor sorte teve a jovem de Faro, que foi levada para o hospital em coma alcoólico. Mas podia ter corrido muito mal.

E não me venham dizer que ninguém foi para lá obrigado, e que só participa quem quer. O problema não está em quem participa, de livre vontade ou não. O problema está em quem teve a ideia de praticar tais actos!

Até quando isto vai continuar a acontecer?

Até quando vão permitir que isto aconteça?

Quantos mais acidentes resultantes das praxes serão necessários?

Quantos mais jovens terão que morrer?

 

imagem www.dn.pt

 

 

É importante conhecer, e não apenas reconhecer

Já está disponível a revista BLOGAZINE n.º 3, dedicada ao tema Multiculturalismo!

Leiam e descubram a cozinha típica de algumas regiões, danças tradicionais, novos destinos para viagens e passeios, e muito mais.

 

Aqui fica o o texto que escrevi, para a área da Acção Social:

 

"É importante conhecer, e não apenas reconhecer

Sabias que, entre os 10 milhões de habitantes de Portugal, estão identificadas mais de 150 nacionalidades?

Portugal é um país cada vez mais multicultural.

A maioria dos imigrantes é oriunda dos países africanos de língua oficial portuguesa, e do Brasil, que se sentem, provavelmente, mais confortáveis em vir para o nosso país pelo facto de partilhar a mesma língua, o que facilita a adaptação.

No entanto, nos últimos anos, temos acolhido muitos imigrantes dos países de Leste, que vivem problemas financeiros nos seus países de origem e veem, em Portugal, uma fuga, pois conseguem aprender português com facilidade e aceitam, muitas vezes, os empregos que os portugueses não querem ocupar. 

Já do continente asiático, os imigrantes são, sobretudo, naturais da China que parecem encontrar, em Portugal, um mercado promissor. 

Ou seja, todas estas culturas se cruzam no nosso país e, de certa forma, estão unidas por dificuldades e sonhos comuns.

Mas nem sempre esta diversidade cultural é vista com bons olhos, havendo quem defenda que, se a promoção do multiculturalismo continuar, Portugal acabará por perder a sua identidade cultural. 

Pior, há quem acredite que estes imigrantes vêm para o nosso país agravar ainda mais a crise que por cá vivemos. Porquê? Porque o governo lhes facilita a vida. Porque vêm “roubar” postos de trabalho aos portugueses. Porque vêm para cá criar conflitos e provocar desordem, cometer crimes e sabe-se lá que mais, gerando sentimentos de desconfiança e tensão.

Assim como há quem acredite que eles chegam cá e se adaptam facilmente, sem necessitar da ajuda de ninguém.

No dia-a-dia vemos diversos imigrantes, aparentemente, integrados na nossa sociedade. Mas, será que é mesmo assim?

Havendo diversas culturas juntas num mesmo local, as mesmas são “obrigadas” a conviver e a relacionar-se. Mas acabam por formar pequenos grupos que são, muitas vezes, marginalizados pelos habitantes do país que os acolhe, levando ao isolamento e a atos de racismo e xenofobia.

Portugal foi considerado um dos países com melhor política de integração e inclusão de imigrantes. Mas da teoria à prática vai uma grande diferença. E não basta só tolerar, mas sim, compreender, aceitar as diferenças, os costumes, os valores de cada cultura.

Cabe a cada um de nós fazer a nossa parte para integrar os imigrantes que aqui procuram uma melhor oportunidade de vida, da mesma forma como gostaríamos de ser acolhidos, integrados e aceites, se um dia tivermos que emigrar para outro país qualquer.

No fundo, o fundamental é que haja respeito entre as diversas culturas. Quem sabe não podemos, através do multiculturalismo, tornarmo-nos numa sociedade mais rica."

 

O texto integral pode ser lido nas páginas 11 e 12 da Blogazine.

Ainda sobre as praxes, e a tragédia do Meco

 

Integração dos caloiros? Ou degradação da juventude actual, nomeadamente dos senhores praxantes?

 

 

Desde que surgiu a possibilidade de a tragédia do Meco ter sido originada por praxes, que não se fala de outra coisa. São inúmeras as notícias, os posts, os comentários e opiniões que se expressam, e se fazem ouvir sobre o tema. Este, será apenas mais um, mas não podia deixar de falar sobre ele.

Antes de mais, sou totalmente contra qualquer tipo de praxe.

Ah e tal, mas nem todas as praxes são iguais. Pode até ser. Acredito que haja excepções, como em tudo na vida. Duas pessoas diferentes em locais diferentes, podem ter experiências diferentes, ter sido tratadas de maneiras diferentes. Até num mesmo local isso pode acontecer. E é sobre essa experiência que falam. 

Mas as praxes, como as conhecemos, caracterizadas por demostração de poder dos veteranos sobre os caloiros, por humilhação, maus tratos físicos e psicológicos, por bullying, por brincadeiras parvas sem sentido que em nada ajudam os novos alunos a se integrar, incutindo-lhes apenas medo, levando-os a isolarem-se ainda mais e, muitas vezes, a faltar às aulas, essas sempre houveram, e continuarão a haver. Por mais legislação, controlo ou proibições que hajam. Porque quem não faz às claras, faz às escondidas. Quem não faz dentro, faz fora. 

Esta tragédia do Meco, como se não tivessem havido outras mais ao longo dos anos, pode ter servido para trazer novamente o tema das praxes para a praça pública, para nos obrigar a relembrar que nem tudo está a funcionar como deveria, e que há muitas coisas que se passam nas universidades que nem sequer temos conhecimento. Afinal, como diz o ditado, "quem vai no convento é que sabe o que vai lá dentro". 

Pode até contribuir, dada a mediatização do momento, para os ditos veteranos andarem mais calminhos, mais discretos, menos severos. Até mesmo para, em alguns casos, as praxes cessarem temporariamente. Mas acabarem de vez, duvido muito.

E por muito que digam que quem não quer ser praxado, não é, não acredito. Podem até recusar uma praxe, mas pode sair pior a emenda que o soneto. E quem estuda, muitas vezes longe de casa, num sítio onde não conhece ninguém, precisa de se sentir minimamente integrado, confiante, confortável, concentrado nos estudos, motivado. Não receoso, ameaçado, humilhado, oprimido, com vontade de desistir.

 

Relativamente aos estudantes da Lusófona, tenho algumas dúvidas se foram vítimas de praxe. 

A mim parece-me que pertenciam todos à comissão de praxes, que combinaram passar o fim de semana fora, e que se envolveram, de mútuo acordo, num qualquer ritual que terminou da pior forma possível. Custa-me acreditar que uma única pessoa dominasse outras seis, e que estas, estando a ser realmente praxadas, em vez de se revoltarem e agirem contra uma só, se deixassem mandar.

O que se passou realmente, ninguém sabe. E a pessoa que o poderá esclarecer, provavelmente, não falará.

Mas, se se concluir que o "dux", único sobrevivente e acusado de ter provocado a morte dos colegas, ameaçou, de alguma forma, seis colegas ou as suas famílias, obrigando-os a ir passar um fim de semana fora, que todas as acções que foram realizadas por eles e observadas por vizinhos, foram realizadas sob ameaça, que os seis colegas foram obrigados, sabe-se lá como, a ir para a praia e aproximarem-se da zona de rebentação e que, só e apenas por terem sido obrigados e ameaçados, acabaram por morrer, então acredito que tenha sido uma praxe.

Até lá, não me parece ser o caso... 

 

 

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