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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O "público-alvo"

(e os danos colaterais)

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"Público-alvo é um grupo de pessoas que compõem o perfil de consumidores para o qual um determinado negócio se destina."

 

É quase impossível não pensar neste termo, no dia a dia, uma vez que, cada vez mais, existem diversos "públicos-alvo", para diferentes produtos, tais como livros, e situações, como cursos, formações profissionais, e por aí fora.

Já o "público-alvo" propriamente dito, pode estar relacionado com a idade, com gostos pessoais, com categorias profissionais, com hobbies, e tantas outras características, que levam a que se chegue à conclusão que, lançando algo será, aquele grupo específico, o principal interessado.

 

Claro que isso não significa que os restantes não possam ter interesse nesse mesmo produto/ negócio.

Então, nesse caso, se o grupo escolhido é o "público-alvo", o que se poderá chamar aos restantes?

Eu atrever-me-ia a dizer que os restantes são os "danos colaterais"!

Aqueles a quem não era, inicialmente, dirigido mas, por uma falha do alvo, ou por poder a mais da "arma", acabaram por ser atingidos.

No bom sentido, claro!

 

 

For Life: viver num mundo movido por interesses e alimentado pelo poder

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Vivemos num mundo movido, maioritariamente, por interesses, e nem sempre interesses colectivos mas, muitas vezes, individuais.

E para eles contribui, quase sempre, o poder daqueles que os podem satisfazer, concretizar, levar a cabo. Ou para os travar, aniquilar, impedir.

Se uns têm a sorte de o poder estar do seu lado, outros, têm-no constantemente contra si. Sobretudo, se os interesses de uns, chocam com os de outros. Quando não podem coexistir.

Quando assim é, por muito que tentemos quebrar esse ciclo, mudar o rumo dos acontecimentos, inverter as situações, torna-se complicado.

É difícil vencer qualquer batalha que seja e, quando achamos que, por uma vez que seja, a vitória nos coube, logo a vida se encarrega de mostrar que não ganhámos coisa nenhuma.

 

For Life conta a história de um homem condenado injustamente, por um crime que não cometeu, a prisão perpétua. Porque não quis assinar nenhum acordo, em que se desse como culpado, sabendo que era inocente.

Obstinação? Ingenuidade? Coragem? Quem sabe…

Foi usado como “bode expiatório”, como “exemplo” de justiça, com fins e interesses políticos de uns, e pessoais, de outros. Não é que tivessem, particularmente, algo em concreto contra a sua pessoa, mas era preciso arranjar um culpado, e ele estava mesmo ali a jeito.

Ao longo dos anos em que esteve preso, Aaron Wallace viu a mulher trocá-lo pelo seu melhor amigo e a filha engravidar. Ainda assim, manteve o seu foco em formar-se em direito e ir ajudando os seus colegas de prisão, com o objectivo final de pedir um novo julgamento para si mesmo e provar a sua inocência, derrubando o responsável por tê-lo colocado lá dentro, e recuperando a família.

 

Sabemos que a vida na prisão não é fácil. Grupos rivais, rixas e, lá está, mais uma vez, interesses, podem ser um factor a favor, ou contra. Nem sempre a imparcialidade é bem vista, ou aceite. Algumas vezes, se não estamos do lado de alguém, então é porque estamos contra.

Depois, há todo um sistema paralelo, em que nem os guardas e os directores não gostam de se meter, ou interferir.

Os que se atrevem, angariam inimizades, e há sempre quem aguarde, na plateia, o momento em que cometam erros, em que caiam, em que fracassem, em que as circunstâncias os derrubem. Nem que seja preciso dar um empurrãozinho.

 

De qualquer forma, contra tudo e todos, umas vezes com sucesso, outras nem tanto, Wallace vai superando os desafios, as contrariedades, levantando-se depois das rasteiras que, volta e meia, o atiram ao chão, e seguindo rumo ao objectivo.

Para isso, conta com a ajuda de alguns colegas da prisão, da mulher, que ainda o ama, da filha, que quer ver o pai fora da cadeia, da directora da prisão, e de um antigo promotor público, agora seu mentor jurídico e amigo.

No entanto, há quem não tenha interesse em que Aaron consiga alcançar aquilo a que se propôs, e se empenhe ao máximo para mantê-lo para sempre atrás das grades. De cada vez que Aaron acende um fósforo, logo alguém se encarrega de apagá-lo.

Ainda assim, ele consegue mesmo acender a fogueira!

Só que, lá está. Nem tudo corre como queremos e, agora, Aaron terá de escolher entre manter a fogueira acesa, correndo o risco de queimar todos aqueles que ama, ou apagá-la ele mesmo, perdendo tudo aquilo pelo qual lutou, e resignando-se ao que sempre recusou.

O poder, por mais voltas que se dê, uma vez contra nós, sempre contra nós.

 

 

 

Morar com os senhorios por perto

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Seja por baixo, em cima ou ao lado, morar numa casa arrendada com os senhorios por perto nunca dá bom resultado!

Pelo menos quando eles querem implicar.

 

 

No outro dia estávamos a tentar consertar a porta da dispensa, que se estava a soltar toda, pregando a folha à madeira. Deu para desenrascar.

Já com a porta da entrada, não me atrevo a mexer. Várias vezes avisei o senhorio que a porta, e a própria fechadura, não estavam boas, e que era melhor chamar o carpinteiro.

O senhorio ia lá, dava uns retoques, um spray e ficava utilizável. Pediu-me para avisar se voltasse ao mesmo.

 

 

Agora está pior. Para a fechar é preciso bater com ela com força, e como os vidros perderam a massa, a qualquer momento podem saltar.

Falei com o senhorio novamente. Ficou então de ir lá ver e, se fosse o caso, chamar um carpinteiro.

Nisto, vem a mulher lá de dentro de casa, perguntar o que se passava. O marido explicou.

Ela ficou muito admirada, como se não fosse normal uma porta se estragar, danificar, ficar velha e precisar de arranjo. Talvez pense que as coisas duram para sempre, como novas!

Mas se o espanto dela me deixou boquiaberta, ainda mais estupefacta fiquei quando se sai com esta:

 

"Ah, então era por isso que estavam aí a martelar no outro dia?

Até estive para dizer ao meu marido para ir lá baixo ver o que é que estavam a fazer!"

 

Desculpe?!

Ao que parece, não se pode fazer nada na minha casa (enquanto pagar renda é minha) sem que ela queira meter o bedelho e aprovar ou reclamar daquilo que fazemos.

 

 

O marido é um homem impecável, apesar de não estar com muita vontade de gastar dinheiro, mas não se mete naquilo que fazemos. Já a mulher, cruzes, até para pôr um prego na parede tenho que pedir autorização daqui a pouco.

Deve pensar que tem ali uma grande casa!

Se se preocupasse menos com o que andamos a fazer, e se preocupasse mais com o poço de humidade que é a casa, com as rachas nas paredes onde se infiltra a água, com o salitre das paredes, que se desfazem ao mínimo toque, ganhávamos todos mais!

 

 

Como perder totalmente o interesse num programa

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Fui uma fiel seguidora, nos últimos anos, do programa The Voice Portugal.

Conseguiu manter-me ligada a ele a cada domingo à noite, mesmo quando no dia seguinte acordava cheia de sono para ir trabalhar.

Nenhum outro programa me tinha feito mudar de canal e trocar. Até este ano...

 

 

Sim, este ano, ainda comecei a vê-lo, apenas para constatar que o programa (tal como provavelmente a maioria deles) está viciado, esgotado, sem nada de novo: as mesmas injustiças, os mesmos discursos, as mesmas desculpas esfarradas, os mesmos interesses, e um objectivo que é tudo menos aquele que apregoa.

Aos poucos, comecei a optar por assistir ao Casados à Primeira Vista, e gravar o The Voice para ver mais tarde. Mas nem me dou a esse trabalho. O pouco que vou vendo e lendo, permite-se ficar por dentro do que se passa, e acentuar mais a pouca vontade em perder tempo a segui-lo.

 

 

Mudem os apresentadores, mudem os mentores, mudem a dinâmica, sejam genuínos e espontâneos, e talvez voltem a conquistar audiências.

Aliás, acho que qualquer programa do género (incluindo o Casados à Primeira Vista, que já soa mais a encenação) teriam a receita de sucesso na novidade, aliada à espontaneidade. Porque é isso que mais agrada ao público.

Até lá, será sempre a diminuir, até acabarem de vez com o programa.