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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Um email inesperado!

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Hoje abri a minha caixa de mensagens e, qual não é o meu espanto, quando vejo um email da Dr.ª Domingas!

A Dr.ª Domingas é uma médica que, na altura em que a minha filha esteve internada, estava a fazer estágio no Hospital de Torres Vedras.

Já lá vão quase três anos desde que a minha filha foi internada por causa daquela estranha e desconhecida (para mim) doença de nome Púrpura de Henoch Schonlein.

E, para além das várias enfermeiras, e do enfermeiro chefe, todos os dias recebíamos a visita da Dr.ª Domingas, com quem a Inês conversava e ria, e fazia rir!

Nessa altura, tirei umas fotos que mais tarde enviei para a Dr.ª Domingas. E foi ao ver essas recordações do tempo em que estagiou em Torres Vedras, e da Inês, que ela me enviou agora este email:   

 

"D. Marta

 

Sou Dra. Domingas que esteve a fazer estágio em Torres Vedras.

 

Esta noite estive a ver as recordações de Torres vedras e vi estas fotos da Inês.

Espero que ela esteja boa e que esteja a correr tudo bem para a senhora e para a família.

 

Despeço com um abraço e beijinhos para vocês.

 

Domingas"

 

É bom saber que há recordações que ficam para sempre, que há pessoas que, ao fim de tanto tempo, ainda nos lembram e são lembradas, e que têm estes pequenos gestos que nos deixam felizes!

Obrigada por tudo, Dr.ª Domingas!

 

 

Eclâmpsia

 

Até há umas semanas atrás não fazia a mínima ideia de que esta doença existia. Até que uma conhecida minha foi parar ao hospital, dando à luz uma bebé (que infelizmente, devido ao parto prematuro acabou por falecer), e ficando durante algum tempo nos cuidados intensivos, precisamente com este diagnóstico.

Trata-se de uma doença hipertensiva, induzida pela gravidez, de causa desconhecida, que ocorre normalmente depois da pré-eclâmpsia.

Na pré-eclâmpsia, há um aumento da tensão arterial, usualmente a partir das 20 semanas de gestação, e presença de pelo menos 300mg de proteínas na urina. Estes sintomas podem ser acompanhados por piora rápida e/ou súbita dos edemas (inchaços) normais da gravidez, que podem estender-se às mãos e face, sensação de falta de ar, distúrbios da visão, dores de cabeça, tonturas ou sonolência, náuseas e vómitos, e/ou dor forte na região abdominal.

A síndrome HELLP (hemolisys elevated liver enzymes low platelets), é uma forma grave de pré-eclâmpsia, caracterizada por destruição dos glóbulos vermelhos, enzimas do fígado elevadas e plaquetas baixas.

A eclâmpsia, semelhante mas de maior gravidade, caracteriza-se, além dos sintomas acima referidos, por crises convulsivas, dores musculares e/ ou inconsciência.

O diagnóstico é feito através de análises sanguíneas e à urina, e avaliação da tensão arterial, sendo o único tratamento curativo, o parto. Enquanto este não ocorrer, há que controlar a tensão com recurso a medicação, repouso e dieta sem sal podendo, em casos mais graves, ser necessário o internamento.

A eclâmpsia pode provocar descolamento prematuro da placenta ou má irrigação da mesma, parto prematuro, recém-nascido com baixo peso ou sofrimento fetal.

A sua presença indica que, após a estabilização do quadro, se deve induzir o parto uma vez que, não o fazendo, poderão surgir complicações graves com risco de morte. Nos casos de idade gestacional baixa (menor que 32 semanas) pode-se recorrer à cesariana.

Embora de causa desconhecida, como acima referi, existem, no entanto, alguns factores de risco:

- primeira gravidez

- história anterior de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia

- gravidez gemelar

- hipertensão

- diabetes

- problemas renais

- lupus

- obesidade materna

- gravidez na adolescência ou com mais de 35/40 anos

- gestantes com doenças auto-imunes

A melhor forma de prevenção é o acompanhamento contínuo desde o início da gravidez, permitindo o diagnóstico e tratamento precoces de problemas como a pré-eclâmpsia, evitando que esta se desenvolva para eclâmpsia.

Uma semana complicada

 

Afinal a picada de insecto não era picada de insecto! Era púrpura de Henoch Schönlein!

Faz hoje uma semana que voltei ao hospital com a minha filha. Do carro ao hospital, tivemos que a levar ao colo. E depois de lá estarmos, teve que ser transportada numa cadeira de rodas, porque já não conseguia andar.

Assim que a médica a viu, disse logo do que se tratava e, embora essa ideia me tivesse passado repentinamente pela mente na noite anterior, foi com choque que ouvi aquela expressão "vai ficar internada".

E agora? O que é que eu faço? Nunca tinha ouvido falar de tal doença que, ao que parece, é mais comum do que se pensa. Não tinha levado nada, não estava minimamente preparada para essa situação.

Em poucos minutos, estava a minha filha deitada na cama, a enfermeira a dar-me o livro com o regulamento do hospital, eu a fazer uma lista de objectos, roupa e tudo o que iria precisar para passarmos alguns dias no hospital, telefonemas para a família, enfim...

Felizmente tanto a médica que a seguiu, como as enfermeiras e até as auxiliares foram excelentes, e ajudaram a que esta semana tivesse passado melhor.

Ontem, veio a tão esperada notícia - a Inês podia ir para casa! Já estava bem melhor e, como tal, não havia necessidade de permanecer no hospital.

A única coisa que lamento é não ter sido convenientemente informada sobre os cuidados pós-alta. Na verdade, quando perguntei se a minha filha podia levar uma vida normal, ir à escola, praticar desporto, comer de tudo, a médica disse que sim.

Mas, afinal, ainda não pode fazer nada disso. Tem que estar em casa, em repouso, até à consulta da próxima semana, como se estivesse no hospital.

Bastou vestir a roupa para sair do hospital e andar um bocadinho, para novas lesões lhe surgirem nos pés e ao longo das pernas. Hoje, apareceram também nos pulsos, mãos e cotovelos. E queixa-se com dores de barriga.

O pesadelo está longe de terminar...

  

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