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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando as aparências contam mais que tudo o resto

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Estava a ter início o estado de emergência, quando começaram a fazer alguma coisa neste edifício.

Pelo que soube, havia um comodato à Santa Casa da Misericórdia mas, como nunca chegaram a fazer nada, o edifício voltou para as mãos da Câmara Municipal, que entendeu que era urgente a intervenção, uma vez que estamos numa zona que até tem ao lado uma igreja e um palácio históricos, e não era estético.

Além disso, era usado para fins menos próprios, pelo que era preciso cortar o mal pela raiz.

E eu pensei "Mais vale tarde, que nunca. Ao menos, que dêem um uso ao edifício". 

Assim, como podem ver, toda a frente foi pintada, as ervas do quintal arrancadas, todo o lixo retirado e, apesar de não se conseguir ver, levaram o mobiliário velho que lá havia dentro.

Para evitar intrusos, entaiparam portas e janelas, à excepção de uma lá no alto.

Só que, para já, foi mesmo só isso que fizeram.

 

 

Edifício da Misericórdia de Mafra palco de actividades marginais ...

 

Durante anos, este edifício esteve assim: degradado, abandonado, esquecido. Servia para actos de vandalismo, para morada de drogados e sem abrigo, para colónia de gatos, para depósito de lixo.

Agora, é verdade, tem outro aspecto. Está mais bonito. De cara lavada. 

Mas falta tudo o resto.

De que adianta esta bonita aparência (que mais dia menos dia tende a desaparecer), se o edifício ficar, de novo, mais uns quantos anos sem qualquer uso ou utilidade?

Só para ficar bem na fotografia? 

 

 

Imagens: Marta e jornaldemafra

A primeira reunião escolar de 2016

 

Ontem foi dia de reunião e, infelizmente, o tema que dominou não foi nada bom. 

Depois das informações da praxe e entrega das pautas de avaliação, o professor perguntou se algum dos pais tinha algo a dizer, que dissesse respeito à turma em geral.

Uma mãe, aproveitou essa ocasião para "largar a bomba" e informar todos os presentes que o seu filho está a ser vítima de bullying por parte dos rapazes da turma, por causa de um problema que ele tem, e que chegou a um ponto em que já está farto, e nem sequer quer continuar a ir à escola. Sai da escola cheio de nervos e dores de cabeça, e chora, mas tem aguentado tudo porque "tem medo de ser rejeitado pelos colegas" e, por isso, prefere deixar eles fazerem o que bem entendem só para que não o excluam.

Uma situação complicada que acho bem a mãe ter denunciado, mas não sei se terá escolhido o melhor momento, local e ocasião para o fazer.

Em primeiro lugar, porque o deveria ter feito primeiro junto do director de turma, logo que teve conhecimento da situação. Como muitos pais referiram, este tipo de situações tem que ser resolvido o quanto antes, e os pais devem agir de imediato, não deixando arrastar a situação.

Ah e tal, quis esperar pela reunião para estarem todos os pais presentes, não tinha o contacto de nenhum dos pais, não tinha o contacto do representante dos encarregados de educação. Mas nada disso justifica que a terrível situação que o filho vive seja adiada. Claro que se põe a questão de a criança não falar por medo de piorar a situação, por medo de represálias, por receio de não ser aceite. Mas será que calar ou fugir resolvem a situação? 

Em segundo lugar, porque acusou os rapazes da turma, com os respectivos pais presentes, mas sem nomear nomes, pelo que só deixou os pais em alerta e sem saber se o seu filho é um dos envolvidos ou não. Acho que era desnecessário. Se ela sabe quem são, e pelos vistos, sabe, porque ficou de enviar um email com os nomes para o director de turma quando chegasse a casa, o lógico seria pedir ao director de turma para chamar os pais desses alunos, e resolver a questão com eles, e eles com os filhos. Mesmo que a turma tomasse depois conhecimento, poderia expôr os factos, sem mencionar nomes, e frisar que o assunto estava a ser resolvido com os respectivos pais.

Ainda assim, foi bom ela ter denunciado esta situação, porque ficámos a saber que não é um caso único, apesar de esses outros, aparentemente, terem sido resolvidos com sucesso.  

Para além do choque da denúncia, o que mais me irritou foi um pai que se sentou ao meu lado e que, à semelhança da última reunião, passou o tempo todo no telemóvel ou lá o que era, mostrando uma enorme falta de respeito pelo que ali se estava a falar. E, no final, ainda me pediu emprestada uma caneta para assinar a pauta porque não tinha nenhuma.

Outra coisa que me irritou foi a passividade do professor perante a denúncia. Parece-me que é mesmo a sua maneira de ser, mas ficou ali calado a ouvir a mãe, depois vários pais começaram a falar e a debater o assunto, e o professor pouco intervinha. É certo que o professor disse que ia tratar do assunto, agora que ficou a saber, mas esperava vê-lo de imediato a dizer à mãe, e a todos nós, exactamente o que ia ser feito e de que forma iam ajudar o filho, até mesmo para futuros casos com outras crianças.

Em vez disso, pediu à mãe se podia ficar para o fim, para falarem sobre isso, e falou apenas um pouco sobre o bullying em geral. Ou seja, falou de forma básica do que era importante, mas queria tê-lo visto mais activo.

E, depois de umas quantas tentativas falhadas de prosseguir com a reunião para outros assuntos, porque não se impunha e alguns pais intervinham novamente para voltar ao tema anterior, lá deu por finda a reunião, pedindo apenas aos pais dos alunos com planos de intervenção para permanecerem na sala. 

Crianças em risco

Imagem lusonoticias

 

 

“Ruth era a professora. Daniel, o aluno. Um dia, ele adormeceu na aula. Os colegas começaram a gozar com ele. A professora impôs-se, e avisou que não o iria admitir. Ela viu para além do que estava visível. Corajosa e determinada, Ruth foi falar com o irmão de Daniel, que vivia em péssimas condições, e ofereceu-se para ajudar o menino. Não foram apenas aulas depois do horário de aulas. Foram vários os dias passados a dar a Daniel a educação que mais ninguém lhe deu, roupa, comida, uma casa e, acima de tudo, o amor de uma verdadeira família. Ruth nunca tivera filhos. Daniel era como um filho. E para os filhos, quer-se sempre o melhor. Foi por isso que sempre lhe disse que, quando crescesse, Daniel poderia ser o que quisesse, e que deveria lutar pelo seu futuro e pelos seus sonhos. Infelizmente, o irmão de Daniel exigiu que Ruth lhe entregasse de volta o seu irmão. Foi uma separação dolorosa, ainda mais sabendo que o pequeno iria voltar a sofrer às mãos daquela gente. Mas nada se podia fazer…No entanto, soube-se mais tarde que Daniel que tornou professor, tal como Ruth!”

 

Esta é apenas uma história, com um final feliz. Mas poderia ser a realidade de muitas crianças. E cada um de nós pode fazer a diferença na vida de uma criança, se assim o desejarmos.

Crianças em risco sempre existiram mas, felizmente, existem hoje mais meios e formas de prevenir, ou intervir, de modo a ajudar essas crianças.

É óbvio que existem entidades próprias que atuam na prevenção e intervenção, mas cabe também a cada um de nós, enquanto cidadão(ã), dar o nosso contributo, antes que seja tarde demais.

Como?

Oferecendo a nossa ajuda das mais variadas formas, consoante os casos e as necessidades das crianças em risco.

Quantas crianças não tomam as suas refeições em casa da família de amigos ou vizinhos. Mas o apoio pode vir através de fornecimento de material escolar, vestuário ou medicamentos, por exemplo.

Denunciando situações de risco - para além de um dever cívico, a comunicação de situações que ponham em risco a vida, e a integridade física ou psíquica da criança, constitui uma obrigação de todos os cidadãos, de acordo com a Lei de Proteção de Crianças de Crianças e Jovens em Perigo.

As comunicações ou denúncias poderão ser feitas junto da CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) da área de residência, junto de entidades policiais como a GNR ou PSP, ou ainda junto dos tribunais.

 

O artigo foi escrito para a Blogazine, e poderá ser lido na íntegra aqui (pág. 16/17).

Ainda estou atónita!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem, quando saí do trabalho e fui a pé para casa, deparei-me com um cenário que me deixou atónita: dois miúdos, talvez irmãos, um à volta de 5 anos e outro um pouco mais velho, no contentor do lixo!

Mais precisamente, o mais novo dentro do contentor do lixo, em tronco nu, e o mais velho pendurado no lado de fora.

O que ali estariam a fazer não sei. À procura de comida? De alguma outra coisa? De coisa nenhuma? Estariam a brincar ou num qualquer acto de rebeldia? Não faço ideia.

Mas não fui a única a ficar nesse estado. Estava lá um senhor a conversar com eles, a perguntar o que estavam ali a fazer e a mandá-los sair e ir para casa, que aquilo não era sítio para eles estarem.

Já no início da semana tinha havido uma situação lamentável. Um homem, com problemas mentais, de quem aparentemente ninguém quer saber (embora saibamos que tem família), e que costuma andar por aqui a pedir, começou a urinar muito descontraidamente em plena praça pública, para quem quisesse ver. Mesmo ao lado de uma pastelaria, no passeio, onde as pessoas caminham.

É incompreensível que quem de direito não tome medidas para evitar estas situações. E, se quem poderá intervir não o faz, somos nós que temos que o fazer?

Talvez...Mas, de facto, perante situações destas, o que é que podemos fazer?

 

 

 

Obesidade Infantil

 

A obesidade infantil é, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, um dos problemas de saúde pública mais graves do século XXI, sendo prioritária a sua prevenção. O sobrepeso e a obesidade são o quinto factor principal de risco de disfunção no mundo. De uma forma geral, a obesidade infantil é mais frequente nos meios urbanos, embora também esteja presente nos meios rurais.  

A nível físico, as crianças obesas tendem a desenvolver problemas como diabetes, doenças cardíacas ou má formação do esqueleto. É raro que cause risco de vida na infância, mas a esperança de vida é drasticamente reduzida. Pode agravar patologias respiratórias e alérgicas, provocar dores nas articulações e dificultar ou impossibilitar a prática de exercício físico em contexto escolar.

A nível psicológico, estas crianças são frequentemente vítimas de bullying por parte dos colegas levando, por vezes, ao isolamento e/ ou depressão.

Quanto aos factores que podem levar à obesidade, estes podem ser biológicos, psicológicos ou comportamentais, incluindo, nestes últimos, os maus hábitos alimentares, o sedentarismo e a diminuição do número de horas de sono.

Relativamente aos hábitos alimentares, temos uma das dietas mais saudáveis e equilibradas – a chamada dieta mediterrânica. No entanto, a expansão do fast-food e do comércio de junk food, tem alterado e invertido de forma significativa, a prioridade das crianças no que respeita à escolha dos alimentos. De facto, estes alimentos industrializados conseguem ser bastante apelativos, levando as crianças a preterirem outros mais saudáveis.

É verdade que, nos últimos anos, temos assistido a iniciativas positivas como o Regime de Fruta Escolar, que visa a distribuição de frutas e produtos hortícolas, nos estabelecimentos de ensino público, aos alunos que frequentam o 1.º ciclo dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, ou as mais recentes orientações da Direcção Geral de Educação para bufetes escolares.

Mas a educação alimentar das crianças não pode ser uma tarefa exclusiva das escolas. Deve começar em casa, pelos pais e familiares próximos, e logo desde o dia em que nascem. A influência dos pais na alimentação dos filhos é determinante. Sabemos que os filhos tendem a seguir os exemplos e hábitos dos pais, que nem sempre são os melhores. Nesses casos, de nada servirá aos pais quererem que os filhos se alimentem saudavelmente, se eles próprios não o fazem. Por outro lado, os pais devem estar atentos e proporcionar refeições saudáveis aos filhos, o que nem sempre acontece devido não só à falta de tempo como, muitas vezes, à falta de informação ou certos mitos. 

A minha filha, por exemplo, nasceu com 3,020Kg distribuídos por 47 cm. Ao fim de duas semanas, como eu não tinha leite suficiente para ela, começou a beber leite artificial. Talvez por isso, sempre teve um peso ligeiramente acima do ideal, embora colmatado com o crescimento. Ao longo de 9 anos, o peso aumentou, mas a altura também. Não se pode considerar que tenha excesso de peso, muito menos será obesa. Mas tenho consciência que, se a deixasse comer à vontade, não seria bem assim. É normal que as crianças, tal como nós, gostem de comer “porcarias”. O meu papel é moderar esse consumo, e tentar que ela faça uma alimentação equilibrada, pelo menos enquanto estiver comigo. 

O sedentarismo é também uma realidade cada vez mais presente na nossa sociedade, e entre as crianças e jovens. Antigamente, as crianças brincavam na rua, saltavam, pulavam, jogavam à bola, corriam…Hoje, apesar de já haver, logo no 1º ciclo do ensino básico, actividades extracurriculares físico-desportivas (facultativas), e de algumas crianças frequentarem actividades físicas fora da escola, grande parte delas prefere substituir essas actividades por algumas horas de jogos em consolas, ou comodamente sentadas em frente à televisão ou computadores. Para tal, mais uma vez, contribui em muito a falta de tempo e disponibilidade dos pais, bem como a insegurança que estes sentem ao deixarem os filhos na rua.

A falta de sono ou as poucas horas que as crianças dormem também podem levar ao aumento da obesidade. Há estudos que provam uma estreita ligação entre o sono e o apetite sendo que, à medida que o primeiro reduz, o segundo aumenta, devido a alterações das hormonas que controlam a fome. E, quanto menos dormem, mais tempo têm para comer, e menor é a probabilidade de serem fisicamente activas, havendo um menor gasto de energia.

Por todas estas razões, se pode concluir que o combate à obesidade infantil passa, sobretudo pela prevenção. É preferível evitar a obesidade numa criança, do que tentar eliminá-la depois de instalada! E essa prevenção, passará pela intervenção por parte de todos aqueles que tenham, directa ou indirectamente, influência sobre essas crianças!