Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Eu não vou às JMJ, mas elas vêm até mim!

JMJ-2023.jpg 

 

O conselho era unânime: mantenham-se afastados da confusão, evitem idas a Lisboa!

Mas a verdade é que nem precisamos de ir a Lisboa, nem às JMJ, que elas vêm até nós.

É certo que Mafra não fica assim tão longe, mas não pensei que, de repente, fossemos "invadidos" por tantos jovens.

 

Ontem, à hora de almoço, passei por um grande grupo que, reunido em círculo, faziam uma espécie de jogo, ritual ou lá o que fosse, numa língua que não me apercebi qual era. Mas que faziam barulho, faziam.

Hoje, estava a ir para o trabalho de manhã e, a subir a mesma rua que eu, iam também dezenas de peregrinos, a maioria jovens, em vários grupos.

Provavelmente, iriam para algumas actividades.

Desta vez, apercebi-me que muitos eram espanhóis e italianos.

 

A minha filha também confirmou que ontem, tanto o supermercado onde trabalha, durante o dia, como o McDonald's, à noite, estavam a abarrotar de peregrinos. Sobretudo, espanhóis.

Alguns foram, inclusivé, à sua loja.

 

A mim não me diz muito este evento.

Prefiro passar bem ao lado dele.

 

Mas parece que, a par com os peregrinos que vêm para, realmente, participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, há outros que se aproveitam da maré para outros fins.

Para já, as JMJ estão a ficar marcadas pelos 195 peregrinos que não chegaram ao destino, e por outros tantos, a violarem os torniquetes de segurança para aceder às plataformas dos comboios no Cais do Sodré.

E ainda vamos para o segundo dia...

Privacidade: um direito inviolável ou a chave para salvar alguém?

privacidade.jpg

 

A privacidade é um direito que nos assiste, e que ninguém tem permissão para invadir, ou violar.

Por norma, quando alguém o faz, é quase sempre para fins menos dignos, por motivos pouco altruístas, mas por puro egoísmo, curiosidade, desconfiança, lucro, ou outros igualmente condenáveis.

Mas, e se essa invasão for essencial, não para benefício próprio, mas para ajudar a salvar alguém? Justificar-se-ia invadir a privacidade, violar esse direito?

 

Quando uma mãe, após o suicídio do seu filho, lê o diário escrito por este, e percebe que estava ali a possível chave, que poderia ter, quem sabe, evitado o que veio a acontecer, o que pensa ela?

Que a resposta esteve sempre ali.

 

Mas ela não queria estar a invadir a privacidade do filho e, por isso, nunca leu o diário, nunca soube como ele se sentia, nem o que o atormentava e, como tal, não conseguiu ajudá-lo a ponto de evitar o pior.

Deveria ela ter quebrado a confiança?

Deveria ela ter invadido a privacidade?

Agradecer-lhe-ia, o filho, por tê-lo feito?

Seria garantido que essa invasão seria útil, e impediria o suicídio?

Não sabe... Mas sabe que, não o tendo feito, pode ter contribuído para o desfecho, pela inação.

 

Parece-me a mim que, nos dias que correm, a privacidade é muitas vezes violada sem motivos válidos e, poucas vezes, invadida por razões que o justifiquem.

O que levanta outra questão: existem razões ou motivos que justifiquem essa invasão?

Ou é, imperiosamente, um direito inviolável?