Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

This is how I feel...

 

O início de ano lectivo é sempre, para mim, uma mistura de emoções. 

Embora não seja eu a estudante, sofro mais de stress pré e pós começo de aulas que a minha filha.

Mas, nos outros anos, quando volto a entrar na rotina, vejo que tudo corre bem, e que os meus receios eram infundados, volta a tranquilidade que dura até ao final das próximas férias de verão.

Pois este ano ainda não consegui encontrar essa tranquilidade. Os receios não me abandonaram. Não entrei na rotina, porque ainda não há uma. Em casa o ambiente está estranho, até a nossa gata anda estranha.

Com horários diferentes todos os dias, e a vir almoçar a casa, é difícil conseguir acompanhamento para ela a todas as horas, mas tenho tentado.

Sinto-me mais segura se ela for acompanhada do que sozinha. De manhã, tenho sido eu a levá-la à escola, e ao almoço, quando dá, vou buscá-la. E tenho a certeza que ela se sente melhor assim também.

Estou a fazer por ela aquilo que gostava que tivessem feito comigo quando estive na mesma situação. Não que os meus pais não quisessem o melhor para mim, mas naquela altura era normal irmos sozinhos e desenrascar-mo-nos. E não havia a insegurança e as modernices que há hoje.

Sei que estaria mais à vontade se ela almoçasse na escola, já para não falar que ela na escola come tudo e em casa arma-se em esquisita, e é uma preocupação estar sempre a pensar e fazer refeições diferentes e que lhe agradem, mas ainda não há cacifos e não faz sentido levar os livros e material para um dia inteiro, e andar com tudo a reboque durante horas.

Mas ir buscá-la e levá-la nos primeiros horários da manhã e na minha hora de almoço, implica passar menos tempo em casa, e o que passo, é a correr. E a nossa Tica já se apercebeu disso. Anda melancólica, isola-se, prefere passar os dias e as noites em cima da caixa no corredor e espera que alguém se lembre de brincar um bocadinho com ela. E, mesmo assim, não brinca tanto.

Já a minha filha, diz que estes primeiros dias correram bem. Mas tem andado sem apetite. O lanche da manhã, tem comido à tarde, o lanche da tarde passa a jantar, ou então janta só, sem ter lanchado.

E nos primeiros dias, cheguei eu a casa ansiosa para que ela me contasse as novidades, para lhe dar o meu apoio, incentivá-la e dar-lhe mimos, mas só conseguiu que me chateasse com ela. Depois, lá acalma e faz o que lhe digo, e aí corre tudo bem.

À noite, antes de me deitar, tenho ficado por uns instantes no quarto dela, até ela estar quase a adormecer. Sabe-lhe bem a ela, e a mim!

Por outro lado, sinto-me impotente e frustrada quando vejo que, na mudança para o 5º ano, lhe "tiraram" as melhores amigas. Sei que ela tem que se habituar a isso, e que agora pode fazer novas amizades com as actuais colegas mas, até lá, oiço coisas que não me agradam, como ter ficado as duas horas em que não teve matemática e compareceu apenas com uma professora de substituição, a olhar para o horário e a fazer tempo, porque as colegas da turma do 4º ano que ficaram nesta turma já tinham formado um grupo (excluindo-a), os rapazes estavam a fazer outras brincadeiras que não lhe interessavam, e os outros não podiam fazer muito barulho.

Como mãe, custa-me. Faz-me lembrar a mim própria, que passava quase o tempo todo isolada, ou só com uma amiga ou outra, quando elas se lembravam de mim, ou quando eu andava com elas para não estar sozinha. 

E como vou incentivar a minha filha a criar amizades e a não se isolar quando eu, que deveria ser o exemplo, não o fiz e ainda hoje nem sempre sou capaz de o fazer? 

Ao menos o pai dela não tem que se preocupar com nada disto, está mais longe, só está com ela pouco mais que um dia por semana, não vai a reuniões, não foi à apresentação, e acho que tanto lhe faz se a filha tem um 3 um 4 ou uma negativa. Ela fica com a parte boa, eu com o trabalho duro.

Ainda assim, apesar de todas estas emoções, preocupações e angústias, sinto-me feliz, porque estou presente em cada etapa da vida dela, e porque tento dar o meu melhor para a ajudar a ser feliz!

 

 

O luto e a perda

 

O que é o luto? A roupa escura que se veste por respeito ao falecimento de alguém? Pode ser. Mas não se resume a tão pouco.

O luto é, sim, um conjunto de reacções a uma perda, seja ela de que natureza for, com diferentes formas de expressão em cada cultura, e com determinadas características.

No início, normalmente, ocorre a negação da perda. Segue-se o choque (muito embora, na minha opinião, possa acontecer o inverso - primeiro o choque, e depois a negação).

As pessoas entram num processo que pode incluir, entre outros sentimentos, estado de choque, raiva, impotência, hostilidade e solidão. É normal sentirem-se sozinhas e isoladas, até porque elas próprias se isolam e querem ficar sozinhas.

A fase seguinte caracteriza-se por uma profunda tristeza. Há uma tendência para relembrar a perda. Essas recordações, intercalando as agradáveis e desagradáveis, são muitas vezes acompanhadas de tristeza e choro, que vão diminuindo com o passar do tempo, à medida que as pessoas se vão reorganizando, ainda que com recaídas. 

A última fase é a aceitação da perda.

Nem todas as pessoas vivem da mesma forma cada uma destas fases, cuja duração é igualmente variável em função do tipo de perda e da pessoa que a experiencia. Mas, por norma, todas passam por elas. E por mais que os outros lhes tentam dar ânimo, força, palavras de conforto ou qualquer outro tipo de ajuda, embora sejam gestos benvindos, nem sempre vão minorar os efeitos devastadores da perda, nem aquilo que as pessoas estão a sentir. Penso mesmo que, muitas vezes, o silêncio é de ouro. Quem acompanha estas pessoas pode sentir um certo desconforto, nervosismo ou constrangimento, evitando falar do assunto, porque não sabe o que dizer nem o que fazer. 

Mas o mais importante, é mostrar interesse, sensibilidade e disponibilidade. Estar presente, de forma sentida e sincera.

Sim, porque existem algumas pessoas que só estão presentes em corpo. Que vão a funerais para pôr a conversa em dia com familiares e conhecidos, para ver quem leva o quê vestido, se foi de preto ou de branco...Que falam ao telemóvel e trocam mensagens em plena igreja...Que marcam presença só para "inglês ver"...Que se aproximam para tudo menos apoiar, ou apoiam com interesse...Que nem se aproximam, ou logo se afastam só porque não sabem o que dizer...E, definitavamente, não é esse tipo de ajuda que as pessoas precisam. 

A solidão na velhice

Quando falamos em solidão, temos que ter em conta que ela não escolhe sexo, classe social, e nem mesmo idade.

Cada vez mais, a solidão deixa de ser algo que afecta exclusivamente os idosos, para se instalar também nas camadas mais jovens.

No entanto, no seguimento das tristes notícias que nos têm chegado, sobre idosos que faleceram sozinhos em casa, é sobre esse tema que me quero debruçar hoje.

De facto, são muitas as pessoas que, ao chegarem à velhice, acabam por se sentir isoladas, desamparadas ou negligenciadas.

Algumas, porque simplesmente não têm família, amigos ou alguém que possa olhar por eles vendo-se, assim, abandonados à sua sorte.

Outras, mesmo tendo familiares ou conhecidos que os poderiam ajudar, rejeitam essa possibilidade, porque consideram que são ainda capazes de se valer a si próprios.

Há ainda aquelas que, ao longo de toda a sua vida, foram afastando quem lhes queria bem, com atitudes, gestos e palavras, acabando entregues à solidão.

Nesses casos, quem fica responsável por essas pessoas? Quando as relações com a família estão cortadas, deverão ser os vizinhos a ter essa preocupação, por uma questão de solidariedade? Existem associações ou entidades que possam prestar assistência a estas pessoas, sem fins meramente lucrativos?   

Por outro lado, nem todas as famílias têm disponibilidade para acompanhar o envelhecimento dos seus familiares.

E é aqui que se levantam outras questões: devem estes idosos ser colocados em instituições onde, à partida, terão um melhor acompanhamento a todos os níveis, ou será uma egoísta transferência de deveres da família para uma instituição? O que leva a família a optar por esta solução privando, muitas vezes, o idoso do relacionamento familiar? Será, na verdade, uma solução válida, ou puro abandono de responsabilidades? E até que ponto estarão essas instituições preparadas para fazer face às necessidades dos idosos?

Como em todas as decisões, também nesta deveria imperar o bom senso, e as reais necessidades dos nossos idosos.

Optar por colocar um idoso num lar apenas porque nos dá trabalho e não temos paciência para o aturar, não deixa de ser um acto de egoísmo. Mas se não tivermos realmente disponibilidade para o acompanhar a tempo inteiro, e pudermos deixá-los com que possa fazê-lo, para benefício do próprio, será uma atitude racional. Nem sempre as soluções que podemos escolher serão as melhores, mas são as possíveis.

Penso que, sempre que possível, devem ser os próprios idosos a tomar essa decisão voluntariamente, quando o possam fazer. Há instituições muito boas e onde eles se podem sentir mais acompanhados do que em casa, fazer amizades, participar em diversas actividades e sentir-se em família.

Mas convém não esquecer que existem outras, em que os idosos não passam de um número, de uma mensalidade a mais a receber, em que apenas lhes é proporcionada uma cama, alimentação e pouco mais. E não são raros os casos de maus tratos e falta de condições.

Eu, pessoalmente, vejo a instituição como uma hipótese a considerar só mesmo em último caso, mas espero nunca ter que recorrer a ela porque, enquanto puder, quero os meus pais ao pé de mim.

De qualquer forma, quem optar por essa solução, deve acompanhar, sempre que possível, os seus familiares, manter-se informado sobre a forma como são tratados, e constatar que realmente se sentem bem.

Acima de tudo, é uma questão de amor – de cuidar e zelar pelo bem-estar e qualidade de vida daqueles que, um dia, já o fizeram por nós!

A Solidão

 

 

“Gosto de estar sozinha…mas não gosto de me sentir sozinha”

 

Talvez algumas pessoas não compreendam porque, tantas vezes, desejo estar sozinha, porque gosto e me sinto bem sem companhia. E eu respondo: porque estou quase sempre acompanhada! No trabalho ou em casa, são raros os momentos em que não tenha companhia. E depois faz-me falta estar algum tempo sozinha, dedicar-me a mim, aos meus pensamentos, às minhas reflexões, e até àquelas tarefas que se fazem melhor quando não estamos acompanhadas.

Por outro lado, compreendo que, quem passe a maior parte do seu tempo sozinho, goste de se rodear de pessoas e conviver, de forma a compensar esse isolamento.

Eu própria gosto muito de conversar, conhecer pessoas e conviver com aquelas com quem me identifico, tal como adoro a companhia das pessoas que fazem parte da minha vida.

Mas há uma diferença entre estar sozinha e me sentir sozinha.

Na verdade, posso passar a minha vida toda acompanhada por inúmeras pessoas e, ainda assim, me sentir completamente só.

A solidão, é mais do que um sentimento de querer companhia de alguém, é uma profunda sensação de vazio, uma carência de algo novo que nos transforme.

Estarmos sozinhos, em algum momento da nossa vida, por circunstâncias da vida ou por opção, pode ser uma experiência positiva, saudável e enriquecedora.

No entanto, quando nos sentimos sozinhos, sentimos que não temos ninguém com quem partilhar a nossa vida, que não temos ninguém que nos compreenda, ninguém que nos ame…A partir daí, começamo-nos a sentir inseguros, inúteis e insignificantes, a nossa auto-estima baixa e ficamos com a sensação que não fazemos falta a ninguém.

A falta de amizades verdadeiras, de pessoas com quem nos possamos identificar de alguma forma, a perda de alguém, o afastamento do nosso círculo social, ou a falta de profundidade dos relacionamentos, pode levar as pessoas à solidão. Solidão essa que, por sua vez, pode desencadear a depressão.

Tenho momentos em que me sinto sozinha, em que penso como era bom ter feito mais amizades ao longo da minha vida, em que me condeno por não ter muitos objectivos nem ser ambiciosa, em que me apetece conversar e nem sempre tenho alguém para me ouvir, alguém que me compreenda e aos meus sentimentos…

Mas, nesses momentos, penso na minha filha, nos meus pais (que moram mesmo aqui ao lado), na minha família mais chegada, no meu namorado, nas poucas amizades que tenho, e chego à conclusão que não tenho por que me sentir sozinha, porque não estou!

 

  • Blogs Portugal

  • BP