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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Memórias Esquecidas", de Jodi Picoult

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Uma memória esquecida é uma vida que nos foi roubada, ou uma nova vida que nos foi oferecida?

Descobrir quem, um dia, fomos, mudará aquilo que, hoje, somos?

Qualquer pessoa tem direito a conhecer a sua verdadeira história. A saber a verdade sobre o seu passado.

No entanto, por vezes, é colocado demasiado peso nessas revelações. Como se elas pudessem mudar todo o seu futuro.

Não é que não mudem. Mas nem sempre essa revelação corresponde à expectativa, fantasia ou ilusão que criámos. 

Não raras vezes, as pessoas desejam voltar atrás e não saber de nada.

No entanto, uma vez revelada a verdade, não há forma de a voltar a esconder.

 

Quando era apenas uma criança, Andrew levou a sua filha para longe da mãe, contando-lhe mentira atrás de mentira, para iniciarem uma nova vida, com novas identidades, e uma nova história.

A questão que se coloca é: tinha motivos válidos para tal, ou foi uma decisão leviana?

O que leva um progenitor a privar o seu filho da presença e cuidados do outro progenitor durante anos, e a privar este do contacto e presença na vida de um filho?

Elise, a mãe, ficou vinte e oito anos sem saber onde estava a sua filha.

Delia, a filha, ficou vinte e oito anos a pensar que a mãe tinha falecido num acidente, e que só tinha o pai.

Andrew, o pai, passou vinte e oito anos à espera do dia em que a polícia lhe bateria a porta, e o levaria preso, acusado do rapto da sua filha de quatro anos.

Se ele fez o que considerou que qualquer pai deveria fazer, ou se se convenceu disso, para que pudesse seguir em frente com o plano, sem duvidar ou se condenar, só ele saberá.

Se Delia, ou Elise, o perdoarão por isso, só elas poderão dizer.

Mas quando lhe perguntam se voltaria a fazer o mesmo, ele não hesita em afirmar que sim, faria tudo de novo.

 

O que ele, certamente, não esperava, era conhecer a realidade da vida nas prisões, e de como uma pessoa tem de fazer de tudo para sobreviver. Matar, ou morrer. Alinhar, ou lutar. 

E ele já não vai para novo. Nunca foi um criminoso.

A condenação parece óbvia.

O seu advogado de defesa, que será o seu futuro genro, não tem muito a que se agarrar para o evitar.

Só Andrew poderá mudar tudo: contando a verdade, ou lançando mais uma mentira.

Como quem faz um truque de magia.

Mas não têm, todos os truques de ilusionismo, uma verdade escondida?

 

Uma história que faz as mães e os pais pensarem o que fariam se estivessem em situações semelhantes, e como agiriam, da mesma forma que questiona, enquanto filhos, o que quereriam que os pais fizessem.

 

 

As citações que mais me marcaram:

"Às vezes, vemo-nos a caminhar pela vida vendados e tentamos negar que fomos nós quem amarrou a venda."
 
 
"Há lições que não podem ser ensinadas: têm simplesmente de ser aprendidas."
 
 
"São precisas duas pessoas para que uma mentira funcione: a pessoa que a conta e aquela que acredita nela."
 
 
"Às vezes, quando não fazemos perguntas, não é por recearmos que alguém nos minta descaradamente. É por recearmos que nos digam a verdade."
 

 

Sinopse:

"Delia Hopkins tinha seis anos quando o pai a deixou ser sua assistente num espetáculo de magia. " Aprendi muito nessa noite… Que as pessoas não se evaporam no ar". Uma lição que agora, já adulta, confirma todos os dias: a profissão de Delia, na verdade, é encontrar pessoas desaparecidas com a ajuda do seu cão fiel. Gosta do trabalho e também da vida que leva. Apesar de ter perdido a mãe quando ainda era criança, foi criada pelo pai com amor e agora está prestes a casar com o companheiro com quem vive há muito tempo e de quem tem uma filha. Mas, na véspera do casamento uma coisa inesperada e chocante acontece: o seu pai é preso pela polícia sob a acusação de ter raptado Delia à mãe que esta julga ter morrido num acidente de automóvel.

Numa dramática inversão de situações e de emoções, privada das suas certezas e do seu passado, Delia inicia uma busca dolorosa da verdade que lhe escapa, porque cada um tem a sua verdade, e porque às vezes amar e proteger uma pessoa também pode obrigar a mentir..."

"Para a Minha Irmã", de Jodi Picoult

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Esta deve ser uma das poucas histórias que, de certa forma, nos deixa de "pés e mãos atados", sem conseguir tomar partido, com absoluta convicção, de nenhum dos lados. 

Sabemos o que está errado. Sabemos o que é errado. Sabemos quem está mal. 

Mas...

Como podemos julgar? Como podemos condenar?

Quem não faria tudo o que pudesse para salvar um filho?

O problema é, a que preço?

 

O que implica, e como se repercute, em toda a família, toda a dinâmica estar centrada na filha doente. Tudo depender, e ocorrer, em função dela.

Enquanto isso, há um filho, claramente, negligenciado, "chutado para canto", como se fosse, nem digo uma personagem secundária, mas um mero figurante.

E há uma filha, na qual depositam todas as esperanças de cura, feita à medida, por encomenda, e da qual, ano após ano, desde o seu nascimento, vão "roubando" um pedacinho, como sanguessugas, até não haver mais o que retirar.

Ou até não ser mais preciso. 

 

Kate, a filha doente, é uma sobrevivente. 

Talvez, como dizem, esteja apenas à espera que os pais lhe permitam partir mas, como eles insistem tanto que ela se mantenha viva, ela faz o que pode, e o que não pode, para não os defraudar, e vai aguentando tudo, com resiliência.

Uma resiliência que Anna sempre demonstrou, também, porque, afinal, era a sua irmã, e estava nas mãos dela ou, literalmente, no corpo dela, salvá-la.

Mas chegou a um ponto em que, para ela, se calhar, chega. 

Se calhar chega, de nunca lhe perguntarem como ela se sente. De nunca lhe pedirem autorização. De a usarem. De não pensarem, por uma vez que seja, nela.

 

Compreendo o lado dos pais.

Viram naquela filha a única hipótese de salvarem a outra, à partida, sem grandes riscos para a dadora, e com o mínimo benefício que fosse, para a receptora, prolongando um bocadinho mais a sua vida.

Compreendo que uma mãe, perante uma filha com uma doença com esta gravidade, esqueça tudo o resto e apenas esteja focada em não deixar a filha morrer.

Mas ela tem outros filhos!

O pai, por outro lado, é uma pessoa mais sensata, mais razoável. Apoia a mulher, mas questiona-se sobre o que estão a fazer. Se será certo. Se deveriam fazê-lo.

É a pessoa que consegue agir com alguma lucidez, e discernimento, apesar do drama que também é dele.

 

Obviamente, nenhuns pais vão pedir permissão a um bebé, ou uma criança, para algo que ela própria não sabe bem o que é.

Mas a verdade é que a pessoa mais afectada, Anna, também tem direito ao seu corpo. A não ser invadida. A não ser usada sem o seu consentimento. A não pôr a sua saúde em risco, por menor que seja esse risco, sem estar devidamente informada, e querer, ainda assim, fazê-lo.

A não ver a sua pessoa, e a sua vida, anuladas, porque o que importa é, apenas e só, Kate. 

É disto que se trata.

E, chega um momento, em que é preciso parar.

 

Com um processo de emancipação em curso, interposto por Anna, e a pressão e culpabilização constante da mãe para que ela mude de ideias, toda a história se vai desenrolando, entre reuniões, tutora e advogados, sem sabermos qual será a decisão final do juiz.

E confesso que, depois de tudo, não gostei do final.

Para mim, não fez sentido.

Mas, afinal, também a vida é assim.

 

 

Sinopse:

"Luke Anna não está doente, mas até parece estar. Aos treze anos, já fez inúmeras cirurgias e transfusões para que Kate, a sua irmã mais velha, possa combater a leucemia que a afeta desde a infância. Anna foi concebida para ser dadora de medula compatível com Kate, uma vida e um papel que ela nunca questionou...até agora. À semelhança da maior parte dos adolescentes, Anna começa a questionar quem realmente é. Mas, ao contrário da maioria dos adolescentes, sempre foi definida em função da irmã. E é então que Anna toma uma decisão impensável para a maioria das pessoas, uma decisão que faz com que a sua família desmorone e que pode ter consequências fatais para a irmã que ela adora.

Para a Minha Irmã questiona o que significa ser um bom pai ou mãe, uma boa irmã, uma boa pessoa. Será moralmente defensável fazer qualquer coisa para salvar a vida de uma criança, mesmo que isso implique desrespeitar os direitos de outra? Valerá a pena tentar descobrir quem se é de facto, quando essa pergunta nos faz gostarmos menos de nós próprios? Deveremos seguir o nosso coração, ou deixar-nos conduzir por outros?"

"Um Clarão de Luz", de Jodi Picoult

BNP - Bibliografia Nacional Portuguesa 

 

Não sei se pelo momento em que escolhi lê-lo, ou se mesmo por culpa da história, este é um livro que me tem custado ler. O que nem é hábito, tendo em conta a autora.

No início, lia 2 ou 3 páginas, e tinha que parar, porque ficava cheia de sono.

Passados uns dias, lá tentava novamente.

 

Acreditem que, só quando cheguei quase a meio do livro, é que percebi que a história se estava a desenrolar do fim para o início, o que ainda torna tudo mais confuso.

Para além de haver várias situações e conversas paralelas misturadas e, às tantas, eu já nem sabia se aquela passagem era de uma personagem, ou de outra, e como é que tudo aquilo se ligava e fazia sentido.

Tinha tudo para ser cativante, pela temática, e foi por isso que foi um dos felizes contemplados a ir lá para casa. 

Mas digo-vos: não é um livro que entusiasme. Atrevo-me a dizer que chega a ser penoso insistir na sua leitura, e tentar chegar ao fim, porque não capta a atenção, não me mantém presa, e leva-me, constantemente, a dispersar e querer ler outra coisa qualquer.

 

Quanto à história?

Ah, sim!

Um homem, armado, invade uma clínica de saúde reprodutiva, e faz reféns todas as mulheres e funcionários que se encontram lá dentro, acabando por ferir, mortalmente, alguns deles.

O motivo?

Ao que parece, a filha dele fez ali um aborto, sem ele saber e, agora, de certa forma, procura vingança.

Embora a realidade seja muito mais complexa do que isso.

E, para complicar, uma das reféns é, precisamente, a filha do agente destacado para mediar as negociações com o atirador.

Tem tudo para correr mal.

Pelo meio, os motivos que levaram aquelas mulheres, àquela clínica, e os seus diferentes, mas nem por isso, menos válidos, pontos de vista sobre a mesma temática - o aborto, e os direitos das mulheres. E onde estes se cruzam com os eventuais direitos de um embrião/ feto/ bébé, ser humano que está a crescer na barriga das mães.

 

 

SINOPSE
 

"Um dia quente de outono começa como qualquer outro no Centro - uma clínica que presta cuidados de saúde reprodutiva a mulheres. Como habitualmente, os seus funcionários acolhem as pacientes que ali se encontram para aconselhamento e tratamentos. de repente, pelo final da manhã, um homem armado entra nas instalações e começa a disparar, causando feridos e fazendo reféns.

O agente de polícia Hugh McElroy, especialista em negociar a libertação de reféns, estabelece um perímetro de segurança e traça um plano para comunicar com o atirador. ao olhar sub-repticiamente para as mensagens recebidas no seu telemóvel, apercebe-se, horrorizado, de que Wren, a sua filha de apenas quinze anos, se encontra no interior da clínica.

Wren não está só. Ela vai partilhar as horas seguintes, sob um clima de grande tensão, com outras pessoas: uma enfermeira em pân ico, que tem de se autocontrolar para salvar a vida de uma mulher ferida; um médico que põe a sua fé à prova como nunca antes acontecera; uma ativista pró -vida, que se tinha feito passar por paciente e é agora vítima da mesma raiva que ela própria sentia; uma jovem que quer abortar. e o próprio atirador, completamente transtornado, a querer ser ouvido.

Uma narrativa que equaciona a complexa temática dos direitos das mulheres grávidas e dos direitos dos seres que elas estão a gerar, além de refletir sobre o significado de ser boa mãe e bom pai.

Um romance desafiador, absorvente e apaixonante."

"À Procura do Amor", de Jodi Picoult

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Este foi dos livros que menos gostei da autora.

Nem parecia uma obra dela.

A forma como a história é contada, ora por uma personagem, ora por outra, e com recuos e avanços à toa, torna-se confusa, e pouco apetecível de ler. É que nem do presente para o passado, ou do passado para o presente. É conforme calha.

Então, temos alguém no destino que, no capítulo seguinte, ainda está a meio caminho para, logo em seguida, ainda nem ter partido mas, afinal, já estar de volta enquanto, adiante, ainda permanece no mesmo sítio.

 

Depois, penso que ficou muito por abordar, em temas que já foram falados, noutras obras, de forma muito mais aprofundada.

Temos, como a autora já nos habituou, a parte animal, que aqui se centra nas baleias, mas não cativa.

Depois, a ligação entre dois irmãos, que acaba por ser o que mais se destaca. 

Jane vê, em Joley, o seu "porto seguro", o seu conselheiro, a pessoa a quem recorre quando não sabe o que fazer. Apesar de ser mais velha. E de, noutros tempos, ter sido ela a protegê-lo.

 

Tudo o resto, não se compreende,

Uma mulher, Jane, que, no passado, foi vítima de agressões por parte do pai e, agora, adulta, vê-se, ela própria, agressora, quando bate no marido. Mas há tudo o que a levou a isso. Será que ela se pode tornar em alguém como o pai? A mim parece-me que não tem muito a ver.

Uma mulher que, segundo ela, foi molestada sexualmente pelo pai, sendo que isso em nada afectou o seu relacionamento com o actual marido mas, de repente, anos mais tarde, a faz chorar quando está prestes a ter relações sexuais com alguém por quem se apaixonou.

Uma mulher, que começou a namorar aos 15 anos, e que agora, adulta, considera que pode ter uma paixão por um homem 10 anos mais novo, mas que não compreende, nem aceit,a que a sua filha, de 15 anos, se possa apaixonar  por um homem com a mesma diferença de idades, mas no sentido oposto.

Uma mulher que percorreu quase um país inteiro para fugir do marido (ou dela própria), com a filha de ambos, algo que já tinha feito uma vez, quando o marido a agrediu, e depois volta para ele, e para a casa, como se nada fosse, para um novo recomeço. Como uma espécie de castigo, ou punição, por todo o sofrimento que causou. Uma espécie de solidariedade: já que a filha não pode ser feliz com quem ama, ela também não.

E se tivesse pensado nisso antes, não teria evitado tudo o que aconteceu? 

Não poderiam, agora, estar as duas felizes?

O egoísmo é tramado.

 

Um homem e amigo, Sam que, por conta dessa mulher, Jane, põe em causa a amizade, o comportamento e as intenções do seu amigo Hadley, como se não o conhecesse.

Um homem que prefere afastar quem sempre esteve ao lado dele, só porque a mulher por quem está apaixonado lhe pede isso como condição para a ter, ainda que temporariamente.

 

Uma filha, que não tem grande ligação com o pai, e cuja mãe, ainda que indirectamente, contribui para o fim abrupto do seu relacionamento, volta com eles para casa para formarem a família feliz, como se nada tivesse acontecido.

 

Um irmão, Joley, que sente uma ligação e um amor estranho pela irmã.

Um amor que quer exclusividade, que é possessivo mas, ao mesmo tempo, vivido à distância, dando-lhe liberdade, porque sabe que ela o procura sempre. 

Um amor que abdica. Que não prende. Mas que está sempre lá.

 

Um homem, Oliver, que põe a sua investigação e trabalho sobre as baleias à frente da família. À frente da mulher, e da própria filha.

E, ainda assim, se elas saem da sua vida, corre mundo para as levar de volta para casa, porque as ama, e não pode viver sem elas. Mas não é isso que ele tem, de certa forma, feito?

Ou o facto de elas estarem lá, é suficiente para achar que são uma família?

 

No fundo, aquilo que Jane fez, e para o qual arrastou Rebecca, foi entrar na vida de outras pessoas, virá-las do avesso, deixar um rasto de dor, sofrimento e morte, e todos infelizes, para logo em seguida partir, de volta à sua vida habitual. Até que algo a faça fugir de novo...

E Oliver encarregou-se de levá-las de volta, onde pertencem, de onde nunca deveriam ter saído, deitando por terra o "grito" que foi dado por ambas, com a sua fuga.

O que se retira desta história é que de nada serve ter vontade própria, querer mudar de vida, arriscar, querer ser feliz, porque outros valores se sobrepõem.

Realidade? Ou desculpa para a falta de coragem?

 

Não gostei da forma como a história se desenrolou, e muito menos do seu final.

Soa a retrocesso. Ao regresso a um passado não muito distante, que se queria já enterrado, e ultrapassado.

Ninguém fica junto por causa dos filhos. Ou não deveria ficar.

Ninguém fica junto sem se amar realmente. Ou não deveria ficar.

Não em pleno século XXI.

E no meio deste casamento entre Jane e Oliver que, bem vistas as coisas, se calhar até se merecem um ao outro, quem pagou foram todos os outros, que serviram de meros figurantes.

 

Este é daqueles livros que, se quiserem ler, devem fazê-lo antes dos restantes da autora, para que a recordação seja das excelentes obras que escreveu, e não desta, que deixa muito a desejar.

 

 

 

"Tempo de Partir", de Jodi Picoult

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Dos melhores livros que li da autora, até agora, pela forma como conduziu toda a história e me surpreendeu no final!

Ao contrário dos últimos que tenho vindo a ler, nesta história não há advogados nem processos em tribunal.

Mas há animais.

Elefantes!

Um estudo aprofundado sobre eles, a forma como se relacionam entre si, como se organizam em manadas e, bem a propósito, de como fazem e vivem o luto.

Ah, e claro, como não poderia deixar de ser, ou não estivéssemos a falar de elefantes, da sua memória.

 

Jenna é uma miúda de 13 anos, que vive com a avó.

O seu pai está internado numa clínica psiquiátrica desde o dia em que a mãe desapareceu, e ocorreu um acidente no seu santuário de elefantes, que vitimou uma das tratadoras.

Já passaram vários anos, e Jenna não sabe se a mãe está viva ou morta e, se vive, porque nunca a procurou, porque não a foi buscar? Será que a abandonou? Será que não a amava?

Disposta a gastar as suas economias para tentar descobrir o que aconteceu com a mãe, Jenna envolve-se com Serenity, uma médium caída em desgraça que, um dia, já foi famosa, e o detective Virgil, que estava encarregado do caso da sua mãe na época. 

 

À medida que vão investigando, e descobrindo pistas, mais dúvidas surgem, e mais certezas se começam a formular.

Afinal, nem tudo era o que parecia, e nem todos se davam assim tão bem como aparentavam.

Entre a mediunidade de Serenity, e a objectividade de Virgil, Jenna tenta encontrar uma explicação lógica, que lhe diga onde, e como, está a mãe, ainda que isso seja declará-la uma assassina.

Vamos conhecer melhor a Alice, mãe de Jenna, a sua missão, e a sua investigação que, em determinado momento, se misturam com o trabalho desenvolvido por Thomas, que viria a ser seu marido e pai da sua filha.

 

A determinado momento, Serenity explica que existem alguns mitos sobre a vida após a morte, e a reunião dos entes queridos é um deles. Por norma, o que acontece é que, quem está mais evoluído espiritualmente, segue adiante, enquanto os outros ficam mais atrás e, como tal, a probabilidade de se juntarem é pouca.

Explica ainda que existe uma diferença entre fantasmas e espíritos, sendo que os primeiros são aqueles que vagueiam num plano transitório, porque ainda não estão prontos para seguir em frente, ou têm algo por resolver neste mundo, enquanto os espíritos já passaram esse nível.

E afirma que os espíritos não se manifestam para a pessoa viva de forma a que esta os reconheça, mas da forma como querem ser lembrados.

 

Ao longo da história, vamos ver que muito do que ela diz bate certo mas, por outro lado, também há situações que contrariam essas teorias.

O que é certo, é que todo o enredo nos leva numa direcção e, quando chegamos ao final, é quase como se nos virassem de cabeça para baixo, e percebêssemos que estávamos a ver o "filme" todo ao contrário!

Afinal, quem está vivo? E quem está morto?

Quem morreu? E quem matou? 

Quem é bom? E quem é o vilão?

 

Só vos digo uma coisa: teria adorado conhecer a Maura!

Este livro aumentou, sem dúvida, ainda mais o meu fascínio pelos elefantes :)