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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Amigos improváveis da vida real

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Em tempos, houve um programa de televisão que juntou jovens e seniores, desconhecidos entre si, a viver na mesma casa, numa espécie de experiência social, para ver até que ponto poderiam dali sair "amizades improváveis".

Não sei, passados alguns anos, se algumas delas ainda sobrevivem, ou se já não existe contacto.

 

No entanto essas amizades, ditas improváveis podem, de formas e em contextos diferentes, surgir na vida real.

É assim que encaro a amizade, ainda recente, construída entre três jovens e um senior, cujos caminhos se cruzaram num supermercado: a minha filha, funcionária de uma das lojas do dito supermercado, duas outras moças que, em representação do novo ginásio que ia abrir, tiveram ali numa banca a angariar clientes para o mesmo, e um senhor com os seus oitenta's, que todos os dias ali vai às compras.

 

Começaram a falar e, hoje em dia, são uma espécie de avô e netas emprestadas.

Conheci o senhor um destes dias. É muito caricato, engraçado, divertido.

Tem filhos, e netos, mas talvez no dia a dia se sinta sozinho, e encontrou naquelas miúdas um pouco de atenção.

 

Quem vê de fora, pode ficar de pé atrás. O que um homem daquela idade quer de miúdas que podiam ser suas netas? E o que querem elas ao conviverem com um homem daquela idade? É legítimo. 

Mas quem está por dentro, percebe que não há ali nenhum aproveitamento, nem segundas intenções.

Acredito que ele as vê mesmo como netas. E elas, a ele, como um avô.

 

Há um cuidado. Uma preocupação. Há um carinho genuíno.

O senhor esteve dois ou três dias sem lá aparecer no supermercado, e a minha filha ligou para ele para saber se estava tudo bem.

Há dias, combinaram um almoço de Natal, que a minha filha e a amiga pagaram a meias (uma vez que o senhor está sempre a pagar-lhes coisas) e trocaram, entre todos, lembranças de Natal.

 

Costumo dizer à minha filha que perdeu um avô, e agora ganhou um avô emprestado!

E é bonito ver que nem toda a geração actual está perdida. Que ainda surgem amigos improváveis, na vida real, quando e com quem menos se espera.

Adolescência

a série de que todos falam

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Acho que posso afirmar, sem andar longe da verdade, que esta é a série do momento!

Aquela de que todos falam, que todos comentam, sobre a qual todos têm algo a dizer.

E, opinião quase unânime, uma excelente série.

Que todos deveriam ver: pais, filhos, alunos, professores.

E que até chegou ao parlamento britânico, reacendendo o debate acerca da influência, nos jovens, das redes sociais.

 

Quanto a mim, digo-vos que comecei a ver a série e, a meio do segundo episódio, desisti!

Não estava a cativar nada, não me estava a passar mensagem nenhuma. Em bom português "uma grande seca". 

Qualquer coisa era bem vinda, e me distraía daquilo que estava a fazer um esforço para ver.

 

Não sei se por, no fundo, nada daquilo ser uma novidade para mim.

Oiço muitas pessoas dizerem que é um choque de realidade, um soco no estômago.

Mas, a verdade, é que vemos situações do género a toda a hora. Cada vez mais adolescentes perdidos, influenciados de forma negativa pelas redes sociais, vítimas de bullying, da crueldade dos seus pares.

E sim, como se costuma dizer, até "no melhor pano cai a nódoa".

Os pais fazem o melhor que podem (os que fazem) com aquilo que têm. Também a sua vida não lhes permite, mna maioria das vezes, um maior acompanhamento dos filhos. E, ainda que assim fosse, não podem controlá-los a todo o instante. Saber o que lhes vai na cabeça. Prever as suas acções.

Claro que, quando há cumplicidade, diálogo, compreensão, abertura e disponibilidade, tudo pode ser diferente. Mas não é uma garantia absoluta. 

E, também, nas melhores famílias, pode acontecer aquilo que nunca, ninguém, pensaria.

Por outro lado, os pais podem exercer, eles próprios, mesmo sem o saberem, uma influência negativa nos filhos. Seja pela exigência em relação a eles, e eles, pelo receio de desapontar, ou envergonhar.

Todas as fases são complicadas, e a adolescência não é excepção. Aliás, incidentes, crimes, começam a ser cada vez mais frequentes até na infância.

Portanto, como dizia, nada isto é surpresa ou novidade.

 

Mas, como sou teimosa, e porque queria ver aquela que, para mim, é uma das cenas mais bem conseguidas da série - a conversa de Jamie com a psicóloga - recomecei a ver, de onde tinha parado.

A série começa a melhorar para o final do segundo episódio, o que ajudou a terminar de vê-la (até porque são só 4 episódios).

 

E só vos digo: uma vénia para a interpretação de Owen Cooper e Erin Doherty!

Sobretudo, para Owen que, com apenas treze anos, fez um trabalho fenomenal no seu primeiro papel, na sua primeira cena gravada.

 

Quanto à história em si, Jamie é um rapaz de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola, esfaqueando-a até à morte.

Não percebi o porquê de todo aquele aparato policial para deter o rapaz, como se se tratasse de um bandido extremamente perigoso, de um qualquer cartel de droga, ou algo semelhante. 

Sim, é um assassino. Mas também é apenas um jovem. Que estava em casa, com a sua família. Assustado.

 

Por outro lado, é fácil perceber a "culpa" que, um acontecimento como este, gera em todos ao redor.

Nomeadamente, no Inspector Bascombe que, de repente, perante tudo o que presencia na escola, decide aproximar-se do seu enteado, tentando estar mais presente, percebê-lo melhor.

É um começo, sim. É positivo.

Mas não é isso que o vai levar, de uma hora para a outra, a tornar-se o melhor amigo, o confidente. Não é de um momento para o outro que vai conseguir perceber toda a complexidade dos jovens, dos seus problemas, das suas interações, dos seus receios, das suas dinâmicas, e do que os leva a cometerem determinados actos.

 

Posto isto, pode-se dizer que "Adolescência" é mais um alerta, mais uma chamada de atenção, mais uma oportunidade de reflectirmos sobre aquilo em que o mundo se está a transformar.

Nos jovens que estamos a criar, a educar, nesse mesmo mundo louco. Em toda a rede de suporte e apoio (ou falta dela) que os (e nos) empurra para determinados caminhos.

Mas, como digo, não é a única.

 

A culpa?

Essa pode ser de todos, em geral. E não é de ninguém, em particular.

No fundo, morre solteira.

É a dura realidade dos nossos dias, reflectida, mais uma vez, no ecrã e na ficção.

 

 

 

 

 

Fazer pela vida

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Quando vejo jovens adolescentes de 15/ 16 anos já com planos bem definidos do que querem para a vida, o que vão estudar, o que querem fazer, para onde querem ir (ainda que possam não vir a concretizar, pelos mais diversos motivos), custa-me, depois, ver outros jovens, com 19/ 20 anos, que parece que pararam no tempo.

Que não estudam. Que não trabalham. Que vivem às custas dos pais/ avós.

Que ficam à espera que (nem sei bem do quê) a sorte lhes bata à porta.

 

Uma coisa é tentar, e não conseguir.

É procurar, e não lhes ser dada uma oportunidade.

É esforçar-se, ainda que o resultado não seja o esperado.

Outra, é ficar a ver a vida a passar, sem tomar qualquer iniciativa.

Faz-me confusão que jovens, nestas idades, não queiram ganhar o seu dinheiro, nem que seja para gastar com eles próprios. Que não queiram essa independência financeira, sobretudo quando não há ninguém na família com grande suporte nesse sentido.

 

Não gostam de estudar? Paciência. Se não conseguem pela via normal, vão pela alternativa. O 12º ano é cada vez mais indispensável para se arranjar trabalho.

Querem um determinado trabalho mas neste momento não dá. Aceitem outro, temporariamente.

Mas vão à luta.

Não se fiquem pelo pensamento, sentadinhos no sofá, à espera que a comida, a roupa, o dinheiro e o emprego de sonho apareçam miraculosamente.

Agora é que é o momento.

De fazer pela vida, porque a vida não se faz por ninguém.

"Surviving Summer", na Netflix

Surviving Summer | Netflix Media Center 

 

Cruzei-me com esta série da Netflix, este verão embora, para dizer a verdade, já tivesse ouvido falar antes.

Só que nunca estive para aí virada.

Em Julho, comecei a vê-la. Apetecia-me algo com praia, mar, sol.

E devorei-a!

10 episódios vistos num instante, e eu logo a pesquisar se haveria uma próxima temporada.

Ficou a dúvida.

 

Qual não é a minha surpresa quando, há umas semanas, percebi que ia estrear, este mês, a segunda temporada!

Com apenas 8 episódios, ainda foi vista mais depressa que a primeira.

E sabe a pouco.

 

"Surviving Summer" pode ser interpretado no sentido literal - sobreviver ao verão - ou numa analogia com a personagem principal - Summer Torres!

Porque a Summer é um verdadeiro furacão por onde passa, não deixa ninguém indiferente, mexe com todos, mete-se onde não é chamada, e em apuros, e pode fazer estragos, sem querer, mas que deixam marca.

No fundo, é apenas uma adolescente a tentar lidar com a indiferença e distanciamento da mãe em relação a ela, da forma que encontra para o fazer - ser rebelde e, talvez assim, chamar a atenção da mãe.

Expulsa de várias escolas, ela é enviada, de castigo, para casa de uma antiga amiga da mãe, na Austrália, para passar umas semanas.

É lá que conhece Bodhi e Poppy, duas amigas de longa data e surfistas, que competem em diversos campeonatos com vista à vitória e projecção da sua carreira, nessa modalidade.

E revê Ari, com quem conviveu quando eram crianças, antes de se mudar para Nova Iorque, e por quem se vai apaixonar.

 

Summer é a minha personagem favorita.

Ela é tudo. Ela dá tudo.

Ela não tem medo. Ela diverte-se, e ri da sua própria inabilidade. Porque o que importa é ser feliz.

Ela arrisca. Ela atira-se aos tubarões, e dá o corpo às balas, mesmo quando a culpa não é sua.

Ari, pelo contrário, é aquela personagem que nos faz quase dormir, de tão morno que é.

Às vezes dá vontade de lhe dar uns abanões, a ver se acorda. E não melhora, na segunda temporada.

 

Gosto do Marlon, um brasileiro que faz de tudo para conseguir vencer, tem umas atitudes que nos fazem detestá-lo, mas a sua personagem vai evoluindo, e ele vai aprendendo, mudando.

Desta segunda temporada, também gostei muito do Bax, um adolescente meio rebelde (não tanto como é apresentado), que formaria uma boa dupla com Summer.

Já entre Poppy e Bodhi, sem dúvida prefiro a Poppy mas, ainda assim, em vários momentos, tanto uma como a outra, me irritam bastante.

Poppy, por se pressionar, e cobrar, demasiado, por ser demasiado intensa no surf, e perder com isso, por não conseguir, simplesmente, desfrutar.

E Bodhi porque não se impõe. Porque deixa que os outros decidam por ela. Porque quer agradar a todos. Porque nunca mostra aquilo que vale, porque há sempre alguma coisa a tramá-la.

 

Na primeira temporada, Summer, cujo hobbie preferido é o skate, irá cimentar novas amizades em Shorehaven, e aprender a gostar de surf.

Nem sempre terá as melhores atitudes, por vezes não pensa nas consequências, e tem algumas dificuldades em gerir o que está a sentir. Mas, lá está, outras vezes, é precisamente ao quebrar as regras, e ser irreflectida, que ajuda os seus amigos, e consegue o que quer.

Na primeira temporada, Summer terá que tentar convencer a mãe, uma mulher que se refugia no trabalho para não lidar com a filha, a dar-lhes, às duas, uma nova oportunidade. Para resolverem as suas diferenças, e recuperarem o tempo perdido.

Por outro lado, fica em aberto uma possível relação entre Summer e Ari, apesar de passarem os meses seguintes separados.

 

Nesta segunda temporada, Summer está de volta, desta vez na companhia da mãe, para participar num campeonato de surf.

Ela treinou muito no último ano, e quer mostrar que valeu a pena o esforço. 

Tal como os amigos de Shoreheven, ela quer competir, agora a sério. Como a sua mãe, um dia, o fez.

Continua a mesma estouvada, a mesma desbocada. 

Vem fazer uma surpresa, mas quem acaba surpreendida é ela. E não pelos melhores motivos.

 

Por entre amizades beliscadas, competições, e amores nem sempre correspondidos, terão que perceber o que é realmente importante, e merece ser preservado.

Quem são, realmente, os amigos.

Se são, verdadeiramente, uma equipa unida.

Uma família unida.

E se ainda há esperança, para todos eles.

 

Mais uma vez, o final fica em aberto, havendo espaço para uma terceira temporada que, a vir, só em 2024.

Mas vale a pena ver, enquanto isso, as duas temporadas disponíveis.

 

 

Eu não vou às JMJ, mas elas vêm até mim!

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O conselho era unânime: mantenham-se afastados da confusão, evitem idas a Lisboa!

Mas a verdade é que nem precisamos de ir a Lisboa, nem às JMJ, que elas vêm até nós.

É certo que Mafra não fica assim tão longe, mas não pensei que, de repente, fossemos "invadidos" por tantos jovens.

 

Ontem, à hora de almoço, passei por um grande grupo que, reunido em círculo, faziam uma espécie de jogo, ritual ou lá o que fosse, numa língua que não me apercebi qual era. Mas que faziam barulho, faziam.

Hoje, estava a ir para o trabalho de manhã e, a subir a mesma rua que eu, iam também dezenas de peregrinos, a maioria jovens, em vários grupos.

Provavelmente, iriam para algumas actividades.

Desta vez, apercebi-me que muitos eram espanhóis e italianos.

 

A minha filha também confirmou que ontem, tanto o supermercado onde trabalha, durante o dia, como o McDonald's, à noite, estavam a abarrotar de peregrinos. Sobretudo, espanhóis.

Alguns foram, inclusivé, à sua loja.

 

A mim não me diz muito este evento.

Prefiro passar bem ao lado dele.

 

Mas parece que, a par com os peregrinos que vêm para, realmente, participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, há outros que se aproveitam da maré para outros fins.

Para já, as JMJ estão a ficar marcadas pelos 195 peregrinos que não chegaram ao destino, e por outros tantos, a violarem os torniquetes de segurança para aceder às plataformas dos comboios no Cais do Sodré.

E ainda vamos para o segundo dia...