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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Unorthodox, da Netflix

Unorthodox | Trailer principal | Netflix | CA Notícias

 

Ester Shapiro, mais conhecida por Esty, é uma jovem judia que foge do seu marido, e da comunidade hassídica de Williamsburg, em Nova Iorque, onde cresceu e foi educada, em busca de liberdade e independência, algo que não lhe é permitido ter, enquanto mulher, e esposa.

 

A série mostra um pouco da cultura, dos costumes, das crenças e tradições, e da vida dos judeus hassíricos, nomeadamente, a escolha do marido, todo o ritual que envolve o noivado, a preparação da noiva, e a própria cerimónia do casamento, bem como o funcionamento da vida conjugal.

 

Muito focados no seu próprio mundo, os judeus são proibidos de qualquer contacto com o mundo exterior e, uma coisa tão usada por nós, como a Internet, e tão simples, como fazer uma pesquisa num motor de busca, é um bicho de sete cabeças, para eles.

 

As mulheres servem para cuidar do lar, e procriar. E, por isso, não precisam de educação escolar. Apenas a educação para o casamento, para a satisfação do futuro marido e para a sua condição de esposa.

Não existe apenas o casal. O casamento é com a família toda.

Não existe privacidade, ou cumplicidade.

Existem regras, deveres, expectativas, e muita pressão sobre as mulheres.

 

Esty não aguentou. Tal como a mãe, muitos anos antes.

Não era feliz, não era compreendida.

Ela queria mais, e sentiu que tinha que fugir dali. Tal como a mãe o fizera.

 

Apenas com a roupa do corpo, o pouco dinheiro que conseguiu reunir, e a ajuda da sua professora de música, Esty chega a Berlim, onde vive a mãe, que ela pensa que a abandonou em criança.

Só que, agora, Esty tem que encarar uma nova realidade, um novo mundo, nova formas de ver as coisas e as pessoas, e viver.

Apesar de ter a sorte de encontrar um bom grupo de amigos, Esty é uma estranha, grávida, num mundo que pode ser duro com aqueles que não estão preparados para ele.

 

E a sua família judaica não irá facilitar. O marido viaja, com o primo, para Berlim, com a intenção de levar a mulher para casa. E não descansará, enquanto não o conseguir.

Estará Esty disposta a cortar com o passado, e a lutar pelo que foi procurar?

 

Uma minissérie de 4 episódios, que recomendo!

 

 

 

O Rapaz do Pijama às Riscas

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No sábado, a minha filha escolheu este filme para vermos.

Não é, por certo, o género dela, mas ela queria vê-lo, e eu aproveitei para lhe explicar um pouco como funcionavam as coisas naquele tempo, como pensavam os alemães, o que faziam aos judeus, para que serviam os campos de concentração.

Pelo menos, não está, neste momento, na mesma total ignorância que Bruno, a personagem principal deste filme, que achava que o campo de concentração era uma quinta, que os lavradores vestiam pijamas, e que poderia fazer amigos entre as crianças que por ali estavam. 

Por falta do que fazer, e porque não tem ali quaisquer amigos ou entretimento, Bruno escapa-se por uma janela de um barracão nas traseiras da casa, para explorar tudo à sua volta, indo parar à vedação do campo de concentração, onde conhece um menino judeu - Shmuel.

É incrível a ingenuidade de Bruno, talvez herdada da mãe, que só mais tarde percebe quem é, realmente, o marido e o que faz ali.  Mas, se o objectivo era fazer o expectador sentir empatia por Bruno, isso nem sempre é conseguido. Aliás, houve uma parte em que me apeteceu pregar-lhe dois pares de lambadas.

Porque, afinal, na maioria das vezes, filho de rico nunca chega a perceber verdadeiramente quem não nasceu com a mesma sorte, e tende a mostrar o seu carácter egoísta e medroso, quando mais se exigia coragem.

Até na parte final, Bruno vê a entrada no campo de concentração, disfarçado com o seu "pijama às riscas", como uma aventura na qual vai tentar ajudar Shmuel a encontrar o pai deste. E, mal começa a ver as coisas complicarem-se, quer voltar atrás, para a sua vidinha, para a sua segurança.

Mas Shmuel relembra-o do motivo porque ali está, e da ajuda que lhe ofereceu, levando Bruno a ganhar coragem, e seguir em frente. Só não sabia as consequências que daí adviriam.

Disseram que era apenas um banho que iriam tomar. Na verdade, estavam numa câmara de gás, a caminho da morte.  

 

E se, de repente, fossemos os responsáveis pela morte do nosso filho? Se fizessemos a ele o mesmo que fazemos àqueles que não consideramos "gente"? 

Mudaria alguma coisa na nossa consciência? Ou seguiríamos adiante, lamentando a perda como um dano colateral, numa missão nobre pela salvação da raça superior?

 

Chegará o pai de Bruno a tempo de impedir aquele genocídio, que ele mesmo, à semelhança de outros tantos, ordenou?