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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A minha vizinha do lado

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Depois de um casal discreto e simpático que estreou a casa e por lá ficou apenas um mês, logo chegou uma nova inquilina para a casa ao lado da minha.

O T1, com paredes comuns à minha casa, é agora ocupado por uma mulher, mais nova que eu, e três filhas, com idades entre os 6 e 10/11 anos, penso eu.

 

 

Todos os dias, de manhã cedo, e à noite, ouço, quando estou na cozinha, casa de banho ou no quarto da minha filha, algo a deslizar e bater contra a parede.

Deduzi que, ou são camas desdobráveis, que montam e desmontam, e encostam à parede para não ocupar espaço, ou então que os seus móveis devem ter rodas, e andam por ali a desviá-los de um lado para o outro, consoante o sítio para onde querem ir, e acabam por chocar contra a parede.

A maior parte das vezes, já sei que vem aí encontrão, porque ouço o som do deslizamento. Outras, ainda assim, apanho sustos porque o estrondo é maior do que eu supus.

Não sei se a senhoria, no andar de cima, também ouve. Se sim, já deve estar preocupada com o estado em que estarão as suas ricas paredes.

É bem feito! Por vezes têm que calhar com alguém assim, para deixar de reclamar com os outros!

 

 

Quase todos os dias, oiço a vizinha, também de manhã cedo ou à noite (horas a que, pelos vistos, estamos as duas em casa), a gritar e ralhar com as miúdas, e uma ou outra a chorar.

E só penso "coitada, sozinha a criar três filhas pequenas, não deve ser fácil". 

 

 

Vamos ver por quanto tempo aqui ficarão.

O outro lado

 

“Todos, à minha volta, andam preocupados, cansados, stressados…todos, em meu redor, estão sem paciência, irritados, chateados…todos eles, alternam entre a tristeza e a alegria momentânea…todos me pedem o melhor de mim, todos querem o melhor para mim…compreendo isso…

Mas alguém sabe como eu me sinto? Já alguém se colocou no meu lugar? Já algum de vocês tentou imaginar o que vai dentro de mim?

Não sou a aluna nem a filha perfeita, mas de uma maneira geral, gosto da escola, da minha professora e dos meus colegas. Até daqueles que me chateiam, por vezes, a cabeça!

A grande maioria das vezes, custa-me levantar cedo para ir à escola. Algumas, não me apetece mesmo ir. É tão bom ter uns dias de férias para brincar e me divertir, para ver televisão ou simplesmente ficar em casa com a mãe!

Mas gosto de aprender, gosto das minhas actividades de inglês, gosto de brincar com as minhas amigas e dançar no recreio, ao som das mais variadas músicas!

Agora, assim de repente, tudo isso me foi tirado…Há mais de um mês que me vejo privada das brincadeiras, do convívio, da dança, da aprendizagem, de todas aquelas pessoas que faziam, igualmente, parte do meu dia-a-dia.

Todos os meus colegas estão lá, seguindo as suas vidas, e eu…eu, estou aqui fechada em casa, sozinha…não no verdadeiro sentido da palavra, mas é como me sinto…sinto que fiquei cá atrás, quando todos avançaram…sinto-me vazia…

Passar uns dias no hospital, embora não tenha sido mau, também não se pode considerar uma estadia de férias de verão num hotel. Andar de casa para o hospital, e do hospital para casa, não é propriamente o meu passeio favorito.

A minha mãe…eu sei que ela está a fazer um grande esforço para conciliar o trabalho dela, e ainda me ensinar, em casa, aquilo que os meus colegas estão a aprender na escola durante todo este tempo. Sei que ela não quer que eu saia prejudicada desta situação e que, por isso mesmo, é exigente comigo.

Mas eu também sou humana! Também tenho sentimentos! Também tenho o direito de me sentir triste, frustrada, desanimada, fragilizada…Também tenho o direito de gritar para todos que me deixem em paz e parem de fazer exigências…E também tenho o direito de chorar….Talvez assim me compreendam…talvez assim parem, e consigam olhar para o outro lado…o meu lado!”

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