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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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O Dia Em Que Te Perdi, de Lesley Pearse

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“O Dia Em Que Te Perdi “ refere-se a uma irmã que, de um momento para o outro, perde o seu irmão gêmeo, a única pessoa com quem podia contar na vida.

Mas poderia aplicar-se às várias perdas que ambos foram tendo nos últimos meses.

 

 

O dia em que perderam a mãe, enviada pelo pai para uma clínica especializada em pessoas com doenças mentais, após uma tentativa de suicídio que, felizmente, foi travada a tempo.

O dia em que perderam o pai, que os entregou em casa da avó para que se distraíssem e não pensassem tanto na mãe, enquanto ele cuidava da sua vida sem os filhos.

O dia em que perderam a sua casa, onde sempre tinham vivido e crescido.

E, finalmente, o dia em que Duncan desaparece.

Diz-se que os gêmeos pressentem tudo o que se passa ou acontece um com o outro, seja algo bom, ou mau.

Mas, será isso o suficiente para os ajudar?

 

 

Ainda assim, nem só de perdas é feita a história de Maisy e Duncan.

Existem pessoas que passaram a fazer parte das suas vidas, que os transformaram pela positiva, que lhes deram aquilo que nunca o pai nem a mãe, nem tão pouco a avó, conseguiram dar, e que cuidaram deles e os amaram como mais ninguém.

Apesar dos seus próprios problemas. Apesar de terem todos os motivos para estar de mal com a vida.

 

 

Esta nova história da Lesley Pearse, muito diferente de tudo o que a autora tem escrito até hoje, aborda o tema da pedofilia, misturada com sadismo.

A vida de aparências.

A educação rígida e desprovida de demonstração de sentimentos.

A excessiva protecção, associada a uma inexistente comunicação entre pais e filhos.

 

 

Quando Duncan desaparece, Maisy e Grace parecem ser as únicas verdadeiramente interessadas em procura-lo, e a não desistir de o encontrar, apesar de os meses irem avançando sem notícias. Apenas elas parecem conhecer verdadeiramente Duncan, a ponto de saber que ele não fugiria de livre vontade.

E serão elas a fazer o trabalho que a incompetente polícia não consegue levar a cabo.

Mas será isso o suficiente para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de Duncan, e salvá-lo, sem perderem, elas próprias, a vida?

Duas Mulheres, Dois Destinos, de Lesley Pearse

Foto de Marta E André Ferreira.

 

Como afirmei há alguns dias, estava com algum receio de ler este livro porque, mais uma vez, a temática da guerra estava presente.

Ainda assim, arrisquei. E não me arrependo.

A autora conseguiu, desta vez, deixar a guerra para segundo plano, e focar-se noutros aspectos da história.

 

Ruby e Verity são duas crianças totalmente desconhecidas uma da outra e que, por mero acaso, se encontram lado a lado a observar a mesma cena, dando início a uma conversa banal, mas que levará a uma futura amizade.

Ruby é filha de uma prostituta alcoólica, e só conhece a pobreza e o abandono. Verity, de boas famílias, vive com todo o conforto que o privilégio garante.

Mas a vida consegue pregar partidas e surpresas que ninguém esperaria e, um dia, no meio do azar, a sorte bate à porta de Ruby, afastando-a de um meio onde não teria futuro, e dando-lhe esperança numa vida melhor. Enquanto isso, o mundo de Verity desmorona, e ela terá que ser muito forte para o que aí vem, sobretudo depois de a sua melhor amiga lhe enviar a mensagem "Morreste para mim", pondo assim um ponto final numa amizade que se julgava ser para sempre.

 

Enquanto Ruby tem um bom emprego, uma mãe adoptiva que a ama, e até o namorado dos seus sonhos, Verity vai ter que arranjar forma de se sustentar, depois de perder a mãe, a tia, e não ter qualquer dinheiro para a ajudar. E terá ainda que se desprender das garras do homem que sempre julgou ser seu pai, e que a vai obrigar a passar pelas situações mais degradantes que se possam imaginar.

 

Que futuro estará reservado a estas duas adolescentes, que se vão tornando mulheres? Poderá a amizade entre as duas ser retomada? Conseguirá, do final, alguma sobreviver e ser feliz?

 

Sobre esta mesma temática, confesso que não foi dos livros mais cativantes que já li mas, ainda assim, recomendo!

És o Meu Destino, de Lesley Pearse

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Este livro faz parte de uma espécie de trilogia, que começou com Sonhos Proibidos e continuou em A Promessa, pelo que deveria ser lido logo em seguida.

Não foi o meu caso, que já li os dois primeiros há alguns anos e, embora me recorde do essencial da história de Belle e Étienne, senti que houve muitos pormenores de que já não me recordava.

Neste livro, Belle cede o protagonismo à sua filha Mariette (pequena rebelde), que faz juz ao nome que lhe escolheram, e ao seu significado!

 

Mariette é uma miúda, quando a vemos pela primeira vez. Nesse dia, quase se afoga, por conta da sua teimosia, e vontade de mostrar que sabia velejar sozinha, como o pai lhe tinha ensinado.

Anos mais tarde, em plena adolescência, consegue desenvencilhar-se de uma situação que poderia ter outras consequências mais graves, igualmente por conta da sua mania de achar que sabia tudo da vida, e que tudo correria como ela esperava.

Embora lhe tenha saído um peso de cima, não conseguiu evitar os comentários que começaram a circular sobre ela.Temendo que a sua filha ficasse marcada naquele lugar, e sabendo que ela não teria por ali grandes oportunidades quanto ao seu futuro, os pais decidiram enviá-la da Nova Zelândia para Inglaterra, onde moravam os seus padrinhos, de forma a impedi-la de se meter em mais sarilhos e, ao mesmo tempo, dar-lhe a oportunidade de poder ter uma vida melhor, que ela tanto ambiciona.

 

O que se vai passar daí em diante será uma sucessão de acontecimentos capazes de derrubar a maior parte das pessoas, tanto a nível físico, como psicológico, mas que vão levar Mariette a encarar, de outra forma, a vida e as pessoas que a rodeiam, e a mostrar que a herança de garra e fibra de que os seus pais eram feitos, está-lhe no sangue.

Quando não se tem nada, tudo o que vier é bem vindo. Quando se chega ao fundo, o único caminho é subir. Se é verdade que só damos valor ao que é importante, depois de o perdermos, Mariette é a prova disso. Toda a sua vida ela quis sair daquela terra que nada tinha para lhe oferecer, e deu por si a desejar poder voltar para lá, ou nunca ter de lá saído.

Mas é com os erros que aprendemos, é com as provações que o nosso melhor desperta, e é com a experiência que adquirimos maturidade.

 

Em plena guerra, Mariette teve a sorte de escapar com vida, quando todos à sua volta morreram por conta dos bombardeamentos.

E, felizmente, a autora não colocou esta personagem a fazer de enfermeira para cuidar dos feridos, como tem feito com outras personagens, em outras histórias. 

Gostei da surpresa do destino que ela traçou para Mariette, e da sua missão ao longo dos anos que duraram a guerra.

Só achei desnecessário ter puxado o assunto do passado dos pais, sem que depois tenhamos visto Mariette conhecer toda a verdade, tendo o assunto sido adiado para um dia...

 

No regresso a casa, à sua terra, às suas origens, algo que ela nunca pensou ser mais possível, como receberão os pais esta nova Mariette, e as terríveis marcas que a guerra lhe deixou?

Poderá Mariette ainda ser feliz, mesmo que tudo esteja diferente, que todos tenham mudado, e que ela nunca mais possa fazer as coisas que mais gostava, e que a faziam amar aquela terra?

De Amor e Sangue, de Lesley Pearse

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Lesley Pearse escreve sobre mulheres, isso já não é segredo!

E esta história não poderia deixar de ter a sua protagonista feminina - Hope.

 

Confesso que começo a ficar um bocadinho farta das mesmas temáticas nas histórias desta autora. Gostava que ela apresentasse uma história diferente, e que surpreendesse.

Estava a ler este livro e a pensar: ainda há pouco tempo li um livro em que a mulher tinha trabalhado como enfermeira, ajudado a lutar contra doenças e a melhorar as condições dos doentes. E, depois, lembrei-me - foi noutro livro da Lesley Pearse!

Da mesma forma, as guerras, os feridos, e a assistência a estes, estão quase sempre presentes. Admito que se torna maçador, em cada livro que lemos, estarmos a levar com o mesmo assunto.

Em quase todas as obras da autora se poderia aplicar o ditado "Deus escreve certo por linhas tortas" porque, se não fosse todo um passado de tormento, não haveria agora um presente e futuro tão feliz.

 

O que torna, então, esta história interessante, e uma boa leitura?

Hope é filha de Lady Harvey e do seu amante, o capitão Pettigrew. Como tal, não é desejada pela mãe, porque provocaria um escândalo saber-se que tinha traído o seu marido, e tido uma filha fora do matrimónio. O destino era matá-la, mal nascesse.

Mas Nell levou a menina para ser criada pela sua família, como se fosse sua irmã. Apenas Bridie e Nell sabiam a verdade.

Enquanto Hope cresceu junto de uma família pobre, mas que lhe deu todo o amor que podia, Rufus, o herdeiro dos Harvey, foi criado com tudo a que tinha direito, mas sem amigos, e com pais ausentes, sempre em discussões. Da infância até ao presente, ficou a amizade entre Hope e Rufus, mesmo sem sequer desconfiarem que eram irmãos.

 

Esta história aborda a forma como a homossexualidade era encarada naquela altura; a obediência e dever de permanecer casada com o marido, independentemente de ser um homem autoritário e violento, mesmo que isso implique o afastamento da restante família; o egoísmo e egocentrismo da alta sociedade,que só pensa em futilidades e no seu próprio sofrimento, sem se preocupar com quem esteve sempre ao seu lado.

E mostra como, apesar de tudo, por vezes, os valores e a preocupação com uma sociedade mais justa se sobrepõem, em algumas das pessoas nascidas em berço de ouro, à forma como foram educados para desprezar a criadagem e classes mais pobres.

Podemos também ver aqui uma abordagem à depressão pós parto, à depressão, e de certa forma, à loucura.

E como, para salvar aqueles que mais amamos, vamos buscar forças e coragem que nem sabíamos que as tínhamos.

 

Hope diz, mais para o fim, em resposta ao comentário do seu pai, que afirmou que tudo poderia ter sido diferente, se tivesse sabido que ela existia "se tivesses sabido, eu teria sido criada por uma ama, porque tu estarias sempre fora, nas guerras, e não teria tido todo o amor de uma família, como tive, e não seria a mulher que hoje sou".

 

De Amor e Sangue acompanha Hope, desde o seu nascimento, até à idade adulta, e todo o percurso que teve que fazer, até se voltar a juntar à família que a criou, e à que apenas mais tarde descobriu que tinha.

 

Uma Mulher em Fuga, de Lesley Pearse

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Há algumas coisas que são comuns em quase todos os livros da Lesley Pearse:

 

- a personagem principal feminina é sempre uma mulher de garra, forte, que apesar de todas as provações pelas quais passa, consegue sempre seguir em frente

- a temática da guerra

- o tempo que passa entre o início da história, e o seu final, que nos leva a viver vários anos seguidos, em poucas horas

 

"Uma Mulher em Fuga" conta a história de Rosie, uma menina de 8 anos que vive com o pai e os irmãos mais velhos, totalmente negligenciada, tendo a seu cargo cuidar dos homens da casa, e da própria casa.

Quando o pai leva Heather para cuidar de Rosie e de May Cottage, tudo parece melhorar para todos, até ao dia em que Heather desaparece sem deixar rasto.

Todos pensam que ela fugiu de Cole e dos filhos, por não aguentar mais lidar com eles. Mas, o que a fez deixar o filho, Alan, para trás, nas mãos daqueles odiosos rapazes e de um homem violento?

 

Só quando Thomas, irmão de Heather, a vai procurar anos mais tarde, percebe que algo de estranho se passou, e que Rosie e Alan não estão seguros naquela casa, denunciando o pai deles por maus tratos.

Rosie ganha, então, coragem, e ajuda Alan, contando depois ao pai tudo o que viu e sabe, o que lhe vale uma valente tareia, que quase a leva à morte.

Com o pai e irmãos presos, sobretudo depois de se descobrir dois cadáveres no terreno da casa, Rosie é levada para uma família de acolhimento temporário, dando início a uma jornada que a levará a viver situações desconcertantes e esmagadoras, das quais só com muita força e determinação conseguirá sair.

 

E, mais uma vez, surge a questão: será que tudo na nossa vida acontece por uma razão, e temos que passar pelo pior, para depois podermos saborear o melhor?

Estaria o destino de Rosie já traçado, ou foi ela, com as suas decisões, que traçou o seu próprio destino?

Onde estará Rosie, 11 anos depois de a termos visto pela primeira vez?

 

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