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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

As saudades que eu tinha de ouvir música!

(e que eu nem fazia ideia)

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A música e o estado de espírito de uma pessoa quase andam de mãos dadas, uma influenciando o outro, das mais variadas formas.

Ora atenuando, ora exaltando aquilo que estamos a sentir.

Ora levando-nos mais a fundo. Ora puxando-nos para cima.

Ora relaxando. Ora enchendo-nos de energia.

 

Não é que não oiça uma música ou outra.

No trabalho há sempre um rádio ligado.

Nas compras, há sempre uma rádio a passar música.

Até mesmo em filmes, ou séries, há uma banda sonora.

 

Mas ouvir, mesmo, aquelas músicas que quero, em casa, sem mais ninguém por perto, há muito que não o fazia.

Escolher o que quero ouvir, recordar músicas de que já nem me lembrava.

Cantar. Dançar. 

A falta que a música me fazia!

E eu nem sabia como.

 

Pode não ser tudo, pode não resolver os problemas, mas trouxe uma leveza, uma serenidade e uma energia positiva, que há muito não sentia.

Aliando a isso, o belo dia de Primavera que se fez sentir por aqui, pode-se dizer que foi o suficiente para começar esta semana com mais ânimo.

Agora, é evitar afastar, novamente, a música da minha vida. 

Lágrimas que uma folha amparou

(1 Foto, 1 Texto #67)

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Num passeio pelo bosque, a filha pergunta à mãe:

- O que são estas gotas?

- São lágrimas que uma nuvem chorou, e que esta folha amparou.

- E porque chorou a nuvem?

- Porque já estava muito carregada e, quando assim é, tem que aliviar o peso que carrega. 

- Então, agora, já está mais leve?

- Talvez. Ou talvez tenha que chorar mais algumas vezes. Mas, com o tempo, ficará. 

- E como sabemos?

- Quando vires que ela está branquinha como um floco de neve, ou uma bolinha de algodão, por entre o céu azul.

- E porque é que a folha amparou as lágrimas?

- Para se mostrar solidária com a nuvem, e dizer-lhe que não está sozinha.

- Então, vão ficar sempre ali?

- Não, filho. Primeiro, toda a folha ficou molhada. Agora, apenas restam algumas gotas que, daqui a uns tempos, se irão evaporar.

- Isso quer dizer que quando a nuvem estiver leve, também a folha secará?

- Talvez. Vai tudo desaparecendo aos poucos, até que não reste nenhum vestígio daquele momento mais frágil que, um dia, partilharam.

- E a nuvem vai ficar leve para sempre, ou vai sentir-se pesada outra vez?

- É provável que, uma vez ou outra, as nuvens voltem a ficar mais cinzentas, e chorem novamente. Faz parte da vida.

- E a folha, vai estar sempre ali para amparar as lágrimas?

- Esperemos que sim. Que haja sempre uma folha, uma flor, ou um galho para o fazer.

 

Passados uns instantes, a filha volta a questionar:

- Mãe, quando eu for uma nuvem, tu serás a "minha folha"?

Ao que a mãe responde:

- Sempre! 

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

Rodeia-te de pessoas que tragam leveza à tua vida!

12 Things That Lift My Spirit in Dark Times

 

Não escolhemos a pessoas que entram na nossa vida.

Mas podemos escolher aquelas que queremos que permaneçam.

E se a vida já nos faz, por vezes, carregar algum peso, resultante das nossas vivências, não será bom ter, ao nosso lado, pessoas que ainda nos atiram mais peso para cima.

 

Por isso, neste novo ano, rodeia-te de pessoas que gostem de estar contigo, que te façam rir, que te animem, que te façam mostrar o melhor de ti, que te aceitem como és, e que tragam, de alguma forma, leveza à tua vida!

 

O Adoldo

(e como pequenos gestos podem tornar o nosso dia mais leve)

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Faço aquele caminho diariamente.

Várias vezes por dia.

E já se torna tão habitual que, muitas vezes, já nem paro para observar.

Quando a colónia lá andava, não havia dia em que não espreitasse, para ver se via os bichanos.

Depois, a colónia desfez-se.

Há pouco tempo, apareceu por lá um solitário, tigrado, cinzento. Fez-me voltar ao hábito. Mas deixei de o ver. E o hábito perdeu-se.

Ainda mais nestes dias de chuva, em que uma pessoa quer é chegar depressa ao destino.

 

Hoje, um desses dias de chuva, de chapéu aberto e a caminho do trabalho, estive mesmo para seguir em frente.

Não sou muito de acreditar em sextos sentidos, chamamentos e afins, mas algo me fez mudar de ideias, e ir até lá, só naquela...

Para meu espanto, na caixa onde cheguei a ver o tal gato tigrado, estava um cão.

Lindo, aparentemente meigo. Não ladrou, não se assustou, nem se mexeu. Ficou a ver-me falar com ele, e tirar as fotografias. 

Não fazia ideia se estava perdido, abandonado, se era de alguém da zona. Mas nunca o tinha visto antes.

 

Publiquei a foto no facebook, e partilhei num grupo de animais desaparecidos aqui de Mafra. Just in case...

Acho que, quando publicamos algo do género, pensamos sempre que não dará em nada.

Várias pessoas partilharam a publicação.

E chegou até ao dono.

Ao que parece, o cão tinha fugido no fim de semana, voltado para casa mais tarde, e entretanto voltou a fugir.

Não é daqui perto. A casa dele ainda fica a uns 3 km.

Por volta das 10h, já não estava naquele sítio.

Mas deve ter ficado por perto porque, pouco depois, quando o dono foi até lá procurá-lo, ele apareceu.

 

Foi assim que o Adolfo - é esse o nome do fugitivo - voltou para a sua casa, em segurança.

E o meu dia se tornou mais leve, por ter dado um pequeno contributo para este desfecho.

 

 

Perdoar? Para quê? Porquê?

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Por vezes, ao longo da nossa vida, somos magoados por algumas pessoas que, em determinados momentos, fizeram parte dela.

Essas pessoas acabam por sair da nossa vida, nem sempre a bem, mas a mágoa pelo que fizeram, vai permanecendo.

Há coisas que não se esquecem. Que não se perdoam. Será mesmo assim?

 

Por norma, quando alguém, que fez muito mal no passado, está prestes a partir, e quer fazê-lo em paz, tenta obter o perdão daqueles a quem um dia magoou.

Devemos perdoar alguém apenas porque está a morrer? Para lhe dar essa paz que deseja? Essa redenção que procura?

 

Penso que o acto de perdoar ainda é visto de uma forma errada ou, pelo menos, incompleta.

Perdoar não é algo que se faz somente pelos outros, para bem dos outros.

Devemos fazê-lo, sobretudo, por nós.

É que, mais do que libertar os outros da culpa pelos erros que cometeram e lhes dar paz, perdoar liberta-nos a nós, de sentimentos de negativos, de histórias mal resolvidas, permitindo encerrar o capítulo, e seguir em paz, mais leve e positivamente, a nossa vida!

Ao perdoar, colocamos um ponto final no passado, para vivermos com mais harmonia e mais felizes no presente.

E, quanto mais cedo o conseguirmos fazer, mais depressa recuperamos a nossa vida.