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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Surpresa, expectativa, obrigação, aversão, mudança...

Para onde vamos?

 

Quando fazemos algo bom, por nossa vontade, uma ou outra vez, sem que a outra pessoa esteja a contar, acabamos por supreendê-la pela positiva.

E como o objectivo de surpreender até foi conseguido, por vezes, atrevemo-nos a fazê-lo mais vezes, mas...

 

Às tantas, do outro lado, gera-se uma expectativa. A outra pessoa começa a habituar-se a esperar uma acção nossa.

E isso leva-nos, de certa forma, a sentir uma "obrigação" de continuar, mesmo que já não seja supresa nenhuma, apenas para não defraudar as expectativas das pessoas.

 

Inevitavelmente, chegaremos a um ponto em que a nossa vontade é não fazer nada, porque criámos aversão àquele tipo de acções. Como se estivessemos numa espécie de "prisão".

 

No entanto, se por algum motivo, se gerar uma mudança que altere essa dinâmica, e nos devolva a liberdade, é provável que se volte a ganhar o gosto pela surpresa.

Mas com cuidado, não vá o ciclo voltar a repetir-se, e cairmos no mesmo erro.

Amarras...

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Não gosto de amarras...

Pelo menos, não daquelas que nos são impostas. Que me fazem sentir presa. 

Prefiro as que me são permitidas escolher, e que me dão a liberdade para permanecer, ou para soltar a corda invisível, quando quiser.

E, ainda assim, raramente sinto necessidade de me soltar dela...

 

Não gosto de âncoras...

E, no entanto, quando atraco, tenho tendência a ficar por longos períodos, até uma vida inteira, sem necessidade de partir para outro destino...

 

 

Começar o ano sem "amarras"

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Os compromissos fazem parte da nossa vida.

Dão um propósito, um sentido, um objectivo.

Dão-nos uma certa responsabilidade.

Funcionam como guia orientador na nossa rotina.

Fazem-nos bem.

 

Mas também podem prender-nos.

Roubar a nossa liberdade.

Atropelar-nos.

Ter um efeito desgastante, e contraproducente.

 

Foi por isso que decidi começar este ano sem "amarras", em relação a projectos com os quais me comprometi há alguns anos, relacionados com a escrita.

E foi uma sensação libertadora.

Não porque não estivesse a gostar do projecto, mas porque sentia que não estava a ter tempo suficiente, e o entusiasmo necessário, presente nos primeiros tempos, para continuar comprometida da forma como estava.

 

Fiz uma pausa, ao fim de quatro anos.

Não é uma despedida definitiva, para já.

É um "passarei por aí, de vez em quando, se, e quando puder".

Mas está-me a saber bem, esta ausência de compromisso e obrigatoriadade!

 

 

O vírus também tira férias no Natal!

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É só o que me apraz dizer sobre as medidas adoptadas para esta quadra festiva.

Vejo tanta gente, e o próprio governo, com uma extrema preocupação com o Natal dos portugueses e das famílias, como se muitas dessas pessoas valorizassem, realmente, o verdadeiro sentido do Natal.

Parece que tem que haver Natal, dê por onde der, ou o mundo acaba. E, então, é ver apertar as medidas antes, para afrouxar nessa época, e voltar depois a apertar.

É quase como quem faz dieta o ano todo, para se estragar no Natal. E, a seguir, corre atrás do prejuízo, com um regime ainda mais intenso para perder os quilos extra, e acabar com o sentimento de culpa.

 

Aliás, o governo dá a ideia de que o vírus tem dias, horas, ou épocas específicas para atacar.

Ora vejamos. Dois feriados em Dezembro, em que o governo fecha as escolas à segunda-feira, e dá tolerância de ponto à função pública, para que possam aproveitar dois fins de semana prolongados. Que, pessoalmente, até deram jeito. Mas não deixaram de interferir com apresentações de trabalhos escolares e testes já marcados.

No entanto, antecipar as férias de Natal dos estudantes, numa semana em que, supostamente, já nem sequer há testes, isso não. Claro que não! 

 

Entretanto, se até aqui as reuniões familiares eram o principal foco de contágio, e deviam ser evitadas, agora no Natal já não há problema. Tudo pelo Natal!

Ainda que com algumas recomendações. Que, obviamente, não serão cumpridas.

Porque, se é para haver Natal, se tudo se fez para salvar o Natal, então há mais é que aproveitá-lo.

E Natal, para aqueles que gostam de o celebrar, é sinónimo de beijos, abraços e afectos. É sinónimo de horas à mesa, a degustar as iguarias e à conversa. É sinónimo de crianças a brincar, e ansiosas pelos presentes.

É sinónimo de aconchego, à lareira.

Nem sei porque é que permitem que os restaurantes abram à noite, sendo o Natal, por norma, uma celebração caseira.

Ah, mas na passagem de ano, esqueçam. Vai ter todas as restrições. Que, afinal, não parecem assim tantas quanto apregoavam.

 

Depois, em Janeiro, logo se vê.

Logo se vê se os portugueses se portaram bem. Se foram responsáveis. Se souberam aproveitar a "liberdade condicional" que lhes foi concedida, ou se voltam para a "prisão", de castigo, por mau comportamento.

Com sorte, pode ser que o vírus também tenha tirado férias de Natal, e dê uma folga ao pessoal, voltando em 2021 ao ataque!

 

Imagem: alvorada

 

Máscaras: obrigatoriedade e liberdade

Vetores de Emoji De Sorriso Usando Uma Máscara Cirúrgica Protetora Ícone  Para Surto De Coronavírus e mais imagens de Amarelo - iStock
"A liberdade consiste em fazer-se o que se deve e não o que se quer. Liberdade significa responsabilidade, é por isso que tanta gente tem medo dela."

Bernard Shaw

 

Quem me conhece, sabe que evitei ao máximo o uso da máscara.

Nunca usei quando era facultativo.

Comecei a usar nos espaços em que era obrigatório, continuando a evitar o seu uso onde ainda era permitido respirar ar puro.

 

E agora? 

Continuo a considerar que o uso da máscara não é a solução por si só, nem um factor determinante para o controlo da pandemia.

Continuo a pensar que pode trazer outros problemas associados ao uso contínuo.

Continuo a não me sentir bem com ela posta.

E é por isso que, sempre que não tenho pessoas perto de mim, na rua, continuo a não usá-la.

 

Mas, a minha liberdade termina onde começa a do outro. 

Por isso, sempre que estou a passar por locais onde estão outras pessoas, ainda que seja de passagem, por alguns segundos, coloco-a.

Porque eu posso não querer usá-la, mas não tenho o direito de prejudicar os outros. Mesmo que eu não acredite muito na sua eficácia, há quem acredite que a máscara protege, e a use para proteger os demais, para me proteger.

Por isso, é meu dever, retribuir esse cuidado.

 

Ainda hoje, li esta passagem d'"Os Maias", e faz tanto sentido no dias que correm:

"Aí está por que em Portugal nunca se faz nada em termos! É por que ninguém quer concorrer para que as coisas saiam bem... Assim não é possível! Eu cá entendo isto: que num país, cada pessoa deve contribuir, quanto possa, para a civilização."

 

Não só pelo uso das máscaras, mas por todos os comportamentos que o bom senso deveria ditar, mas que acabam por ficam perdidos nas intenções, ou regulados pelo egoísmo de cada um.