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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Como é possível ainda não ter estes livros na minha biblioteca?!

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Na semana passada, a minha filha disse-me que, este ano, iam dar "O Maias" na disciplina de Português.

Disse-lhe que ia gostar de ler. Eu gostei. Não o li enquanto estudante. Talvez seja por isso.

Há uns anos, o meu marido precisou de fazer um trabalho sobre uma cena do livro, e nessa altura fiquei com a ideia de que, algures no meio dos meus livros, eu tinha esse. Mas não.

Como ele se desenrascou com o excerto na net, não liguei mais.

Agora, acho que está na altura de comprar.

 

Mas não nos ficamos por aqui.

A minha filha vai também dar "Frei Luis de Sousa" e "Amor de Perdição".

O primeiro não tinha a certeza se tinha, ou sequer se tinha lido, mas o segundo li, e achei que tinham-me oferecido mais tarde o mesmo.

Revirei os livros todos, e nada.

Mandei vir também.

 

Como é possível eu, que adoro ler, não ter ainda estes livros, clássicos da literatura portuguesa, na minha biblioteca?! 

Encontro com o Destino, de Lesley Pearse

Bertrand.pt - Encontro com o Destino

 

No início de 2020, li "Até Sempre, Meu Amor", da mesma autora, e ficou a vontade de ler uma continuação da história.

Queria ver o crescimento de Camellia, a descoberta da verdade, e como ela reagiria a tudo.

Queria ver a felicidade brindar a Ellie, para variar.

E, quem sabe, assistir a um pouco mais da nova Bonny, nas décadas seguintes.

 

Lesley Pearse fez a vontade a todos os leitores que partilhavam do mesmo desejo, e brindou-nos com tudo isto em "Encontro com o Destino", onde vamos reencontrar Ellie, Bonny e Edward, entre outras personagens presentes no início da história das duas amigas, mas também acompanhar o crescimento e as dificuldades que, também Camellia, terá que enfrentar durante longos anos.

 

Na verdade, tudo começa com a morte de Bonny, um aparente suicídio que irá desencadear todos os acontecimentos seguintes na vida de Camellia.

A determinado momento, poderemos até pensar que a história poderá estar a repetir-se, mas não.

Camellia tem a sua própria história e percurso, também com altos e baixos, mas será, maioritariamente, um percurso solitário, de descoberta da verdade sobre as suas origens, sobre a sua família, e sobre si mesma.

 

A nova Bonny, com a qual nos surpreendemos no final do livro anterior, durou pouco tempo. Talvez a morte inesperada de John tenha accionado o gatilho para a velha Bonny que, nos últimos anos, estaria longe de ser a mãe que outrora fora.

Quanto a Ellie, a felicidade continuou a passar longe dela. Apesar da fama alcançada com os seus filmes, e reconhecimento enquanto actriz, faltava-lhe o principal - aquela de quem tinha abdicado, pelo bem estar desta, e pelo seu próprio sonho.

O preço pago foi demasiado alto, e as repercussões não se fizeram esperar.

 

Com a morte de Bonny, Camellia descobre que John não era o seu verdadeiro pai e, através das cartas guardadas pela mãe, vai dar início a uma busca pela verdade, mal sabendo ela que, também Bonny, não era a sua mãe biológica.

 

Em "Encontro com o Destino", vamos acompanhar a vida de Camellia ao longo de 9 anos, desde os seus tempos como empregada numa padaria, às noites num clube londrino como acompanhante, como secretária num hotel de luxo, ou chef de restaurante, como ladra.

De menina gorda a mulher elegante. De inocente, a experiente.

Vamos acompanhar as amizades, as paixões, as relações destrutivas, o amor verdadeiro mas proibido.

E, claro está, a descoberta de toda a verdade sobre quem é, de onde vem, e quem é a sua família.

Haverá surpresas, alegrias, mas também momentos tristes.

 

Pessoalmente, não gostei da transformação que fizeram à personagem do Edward. Suponho que alguém teria que desempenhar aquele papel e, quem melhor que ele, para tal? Mas prefiro ficar-me com a imagem com que me despedi dele, no livro anterior.

 

Como quase todos os livros de Lesley Pearse, também este tem um número considerável de páginas - 736 - mas que é devorado num instante.

E fica assim fechada, definitivamente, esta história de mulheres tão diferentes entre si mas, no fundo, com desejos comuns - ser amadas, ser felizes, ser diferentes...

Poder-se-á dizer que este "Encontro com o Destino" é um "Até Sempre, Ellie!", "Até Sempre, Bonny!", "Até Sempre, Camellia!".

  

"Inveja": como Sandra Brown consegue sempre surpreender-me!

Inveja, Sandra Brown - Livro - Bertrand

 

Já aqui falei que os livros da Sandra Brown costumam seguir uma linha contínua, e é disso que gosto nesta autora.

No entanto, por vezes, ela arrisca noutros atalhos.

O ano passado, tinha referido o quanto Sandra Brown me tinha surpreendido com um estilo diferente.

Este ano, voltou a fazê-lo, com a sua última obra "Inveja"!

 

Embora se assemelhe mais ao género habitual, a autora mudou a forma de nos apresentar a história.

E, se o início me entusiasmou, pouco depois comecei a pensar que seria o primeiro livro dela a não me cativar como os restantes.

Felizmente, algumas páginas depois, conseguiu voltar a prender-me e, a partir daí, não mais parei.

 

"Inveja".

Um sentimento tão pouco nobre, sentido por tanta gente, muitas vezes sem sentido, e que pode levar a acções e consequências graves, quando desmedida e levada ao extremo.

E é sobre inveja esta história de dois amigos que, um dia, deixaram de o ser.

Um deles, sobrevive para contar a história.

O outro...

 

E se, de repente, a verdadeira história vier à tona?

E se, de repente, as personagens de um mero livro, representarem pessoas reais, acontecimentos reais, e o desfecho que a vida real irá ter, se todo o plano correr como planeado?

Claro que, como todos os planos, também este terá as suas falhas, e os seus imprevistos, que poderão mudar todo o curso da história.

 

 

Sinopse:

Arrebatada com o manuscrito que acabou de receber, Maris Matherly-Reed, editora de ficção, tenta entrar em contacto com o seu autor, um homem envolto em mistério. E Parker Evans, em reclusão numa ilha remota é - compreensivelmente - um indivíduo complexo e insondável.

Apesar da garantia de um contrato de edição, o escritor parece relutante em dar continuidade à sua história, precisando do encorajamento constante de Maris. E é assim que a editora vai tendo, capítulo a capítulo, vislumbres de um relato tenebroso: a trágica viagem de três amigos que partem numa excursão noturna de barco da qual regressará apenas uma pessoa…

À medida que o texto vai avançando, porém, Maris não deixa de se perguntar se haverá alguma verdade nas palavras que está a ler. Perturbada também com a crescente atração que sente por Parker, resolve voltar para Nova Iorque e descobrir se, de facto, não passará tudo de ficção... Mas a morte de uma pessoa que lhe é próxima só parece confirmar a presença de um assassino - uma pessoa disposta a tudo para conseguir o que quer...

 

Os livros são como as laranjas

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Depois de bem espremidos, nem sempre a quantidade e qualidade do sumo que deitam são as melhores.

Tal como as laranjas bonitas, grandes e gordas, muitas vezes, nem chegam para meio copo de sumo, também muitos livros, apesar de inicialmente apelativos, pouco conteúdo têm. 

Tal como as laranjas bem tratadas, com todos os cuidados e requisitos obrigatórios para garantir a qualidade, acabam por não ter qualquer sabor, também alguns livros não trazem nada que nos faça gostar e querer mais.

Da mesma forma, tal como as laranjas pequenas, que nascem naquelas árvores que nunca foram tratadas, mas que, afinal, são as verdadeiras laranjas, e cheias de sumo, também muitos livros, apesar de não se dar muito por eles, nos podem surpreender!  

 

Eliana - história de uma obsessão, de Élvio Carvalho

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A nossa mente tem uma forma muito peculiar de funcionar.

São tantos os mecanismos que ela utiliza, com as mais variadas intenções, que se torna difícil, a quem quer que seja, conseguir entrar nela e encontrar a chave certa para desbloqueá-la. Descobrir todos os seus segredos e mistérios, com alguma certeza de que não está apenas a enganar quem o faz, sem o perceber.

Se até mesmo a nós, a mente ludibria e manipula tão sabiamente, a ponto de não sabermos o que é real, ou apenas imaginado por ela.

 

Em “Eliana – história de uma obsessão”, cabe ao Dr. Albuquerque utilizar as ferramentas que tem ao dispor, para desbloquear a mente de Henrique, e perceber a verdadeira história por detrás do assassinato, do qual é o principal suspeito.

Se, para nós, leitores, faz todo o sentido a versão que ele conta, para a polícia, trata-se de uma história louca, de alguém que se quer passar por tal para se safar ou que, na verdade, não está mesmo no seu perfeito juízo, não distinguindo a realidade de pura invenção, obsessão ou desejo que tudo fosse diferente.

 

Para todos os que a conheceram, Eliana morreu num acidente de carro, há 5 anos. Nunca foi encontrado o corpo. Mas ninguém duvidou que estivesse morta.

O ex-namorado seguiu com a sua vida, e está agora numa relação com Maria, a irmã de Eliana, que espera um filho seu.

Tudo corria bem, até ao momento em que Henrique se torna suspeito de ter assassinado Paloma, uma estudante espanhola, com quem foi visto, no dia do crime, naquilo que parecia uma discussão entre ambos.

De onde conhecia, Henrique, Paloma? Teria sido uma situação ocasional? Ou algo mais?

 

Henrique acaba por contar a sua versão de tudo o que aconteceu nos últimos dias e quem é, na verdade, Paloma, explicando quem a poderá ter matado, e porquê.

Mas nada, nem nenhum dos testemunhos ou factos comprovados até ao momento, bate certo com esta história mirabolante.

Ainda assim, sem uma confissão, e sem provas concretas, a inspectora terá, mais cedo ou mais tarde, que libertar Henrique, que afirma não ter cometido o crime.

 

Em várias sessões, o Dr. Albuquerque acabará por conseguir que Henrique retome o controlo da sua mente, e perceba como as coisas realmente aconteceram, levando-o a, finalmente, confessar o crime, e a encerrar o caso.

Uma coisa é certa. Sabemos que Henrique não matou Paloma, e sabemos, por fim, quem o terá feito.

Só uma dúvida permanece: terá sido toda a história, realmente, uma invenção provocada pela obsessão de Henrique pela falecida ex-namorada, uma rasteira da mente para o enganar, ou teria, no fundo, contado a verdade, tal como nós mesmos a conhecemos, logo no início da história?

Seria aquela mulher, agora encontrada morta, Paloma, ou Eliana?

 

Gostei da forma como o autor dividiu a história em duas partes, e me fez voltar a reler tudo só para ver se, também eu, não estaria a ficar louca!

Se não teria lido mal, ou se me tinha escapado alguma coisa, deixando sempre aquele bichinho da dúvida.

É uma história que prende, que cativa, que nos entusiasma, porque também nós queremos saber a verdade.

Se há muita coisa que não bate certo na versão final de Henrique, o que nos leva a crer que ele sempre disse a verdade desde o início, e só depois alterou a sua versão, também há um ou dois factos que nos levam a pensar que, talvez, tudo tenha sido mesmo imaginação.

 

Sinopse

"Uma jovem de 22 anos é levada para Espanha por uma rede de tráfico de seres humanos e forçada a prostituir-se durante mais de três anos. O ex-namorado fica em apuros quando é encontrado um corpo, cuja descrição corresponde à dela."

 

 

Autor: Élvio Carvalho

Data de publicação: Novembro de 2019

Número de páginas: 392

ISBN: 978-989-52-7015-6

Colecção: Viagens na Ficção

Idioma: PT