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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O que fazer com o reembolso do IRS? Comprar livros!

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Ao longo dos últimos dias, foram várias as publicações que vi, com sugestões para aplicar o valor recebido do reembolso do IRS.

Desde pagar dívidas, a guardar para as férias que se aproximam, de fazer uma poupança a longo prazo, a guardar para livros e material escolar, são várias as hipóteses.

Eu, optei por utilizar uma pequena parte do meu reembolso para uma das coisas que mais gosto: livros! 

Livros: aquele momento em que parece que nos saiu a lotaria!

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Sabem aquele momento em que achamos que já lemos os livros todos que temos em casa e, por mero acaso, descobrimos que, afinal, ainda existe por lá um livrinho pronto a ler, de que já nem nos lembrávamos?

É quase como descobrir que o nosso bilhete da lotaria tem prémio, ainda que pequeno!

 

Foi essa a sensação que tive quando, ao ler um post de uma blogger aqui no Sapo, me lembrei de que tinha comprado esse livro de que ela falava, que ainda estava dentro da caixa onde tinha vindo, e eu já nem me lembrava que o tinha. Para mim, já tinha lido todos os livros novos.

 

Agora, é arranjar um tempinho para usufruir deste inesperado "prémio"!

Culpa, de Jeff Abbott

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Não é à toa que sou fã de Jeff Abbott, e ele mostrou, mais uma vez, que é merecedor dessa lealdade e preferência.

E que é possível, haja talento e imaginação, inovar e escrever algo totalmente diferente daquilo a que me tem vindo a habituar, e continuar a manter a fasquia alta, superando as expectativas.

 

 

Jeff Abbot é, por norma, sinónimo de espiões, perseguições, adrenalina, acção, muito mistério.

Mesmo que mudem as personagens, e a história seja outra, estes ingredientes não faltam.

Mas, por vezes, presenteia os leitores com algo um pouco diferente, ainda que mantendo o estilo.

Aconteceu com Beijo Fatal, que li há precisamente um ano (ele há coincidências), e voltou a acontecer agora, com Culpa!

 

 

Viver com a culpa de algo que fizemos já é mau. Viver com a culpa de algo que sabemos que não fizemos, mas de que somos acusados, é péssimo. Mas, viver com a culpa de algo de que não sabemos se somos ou não culpados, embora todos nos apontem o dedo, porque, simplesmente, perdemos a memória e não njos lembramos de nada, deve ser terrível.

 

 

Como o autor faz ver, a determinado ponto do livro, quando uma pessoa sofre de amnésia e não se lembra de nada da sua vida, todos aqueles que lhe são próximos, e mesmo todos aqueles que nos querem mal, podem reescrever a nossa história à sua maneira, e como mais lhes convém, brincando com a nossa vida como se fossemos marionetas nas suas mãos. Contando mentiras, fingindo algo que não são, ocultando segredos...

 

 

Jane e David eram amigos, vizinhos e colegas de escola.

Um dia, tiveram um acidente de carro. Ele morre. Ela sobrevive. Mas acordou sem memória. Não se recorda dos últimos três anos da sua vida, nem do acidente.

No local onde tudo ocorreu, um bilhete de suicídio escrito por ela. E duas vidas destruídas. Uma pela morte. A outra pela rejeição, pela hostilidade e pela culpa de ter arrastado para a morte o seu amigo.

Todos lhe viram as costas, e quem está ao seu lado parece não o fazer pelos motivos certos.

 

No dia em que faz dois anos que tudo aconteceu, surge uma mensagem que se mostra fundamental, ainda que o objectivo não fosse esse, para a descoberta de toda a verdade.

Alguém parece saber o que, de facto, se passou naquela noite. Alguém que pode ilibar Jane e, ao mesmo tempo, apontar para outro culpado: "Todos vão pagá-las!".

As vítimas desta vingança sucedem-se, desde os paramédicos que auxiliaram Jane, aos amigos que viram os seus nomes presentes nos relatórios policiais.

Jane acha que pode ser Perri, mãe de David. E esta acha que só pode ser Jane, ou a sua mãe, a autora dos posts e mensagens, sob o nome de Liv Danger.

 

Os amigos de Jane parecem todos esconder algo dela.

A sua mãe parece querer interná-la à força.

 

Mas Jane não se irá deixar intimidar, e dará início à sua própria investigação, para chegar à dura verdade sobre o que verdadeiramente aconteceu, se o acidente foi mesmo uma tentativa sua de suicídio, ou se foi provocado por alguém que poderá estar mais próximo dela do que imagina.

 

E se a resposta a arrastar para a morte? À morte a que conseguiu escapar há dois anos atrás?

 

Depois da saga da personagem Sam Capra, tinha algum receio de não me entusiasmar por um novo livro diferente do autor, mas ele conseguiu calar-me, surpreender-me, e ficar ansiosa pelo próximo!

O Dia Em Que Te Perdi, de Lesley Pearse

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“O Dia Em Que Te Perdi “ refere-se a uma irmã que, de um momento para o outro, perde o seu irmão gêmeo, a única pessoa com quem podia contar na vida.

Mas poderia aplicar-se às várias perdas que ambos foram tendo nos últimos meses.

 

 

O dia em que perderam a mãe, enviada pelo pai para uma clínica especializada em pessoas com doenças mentais, após uma tentativa de suicídio que, felizmente, foi travada a tempo.

O dia em que perderam o pai, que os entregou em casa da avó para que se distraíssem e não pensassem tanto na mãe, enquanto ele cuidava da sua vida sem os filhos.

O dia em que perderam a sua casa, onde sempre tinham vivido e crescido.

E, finalmente, o dia em que Duncan desaparece.

Diz-se que os gêmeos pressentem tudo o que se passa ou acontece um com o outro, seja algo bom, ou mau.

Mas, será isso o suficiente para os ajudar?

 

 

Ainda assim, nem só de perdas é feita a história de Maisy e Duncan.

Existem pessoas que passaram a fazer parte das suas vidas, que os transformaram pela positiva, que lhes deram aquilo que nunca o pai nem a mãe, nem tão pouco a avó, conseguiram dar, e que cuidaram deles e os amaram como mais ninguém.

Apesar dos seus próprios problemas. Apesar de terem todos os motivos para estar de mal com a vida.

 

 

Esta nova história da Lesley Pearse, muito diferente de tudo o que a autora tem escrito até hoje, aborda o tema da pedofilia, misturada com sadismo.

A vida de aparências.

A educação rígida e desprovida de demonstração de sentimentos.

A excessiva protecção, associada a uma inexistente comunicação entre pais e filhos.

 

 

Quando Duncan desaparece, Maisy e Grace parecem ser as únicas verdadeiramente interessadas em procura-lo, e a não desistir de o encontrar, apesar de os meses irem avançando sem notícias. Apenas elas parecem conhecer verdadeiramente Duncan, a ponto de saber que ele não fugiria de livre vontade.

E serão elas a fazer o trabalho que a incompetente polícia não consegue levar a cabo.

Mas será isso o suficiente para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de Duncan, e salvá-lo, sem perderem, elas próprias, a vida?

O meu coração entre dois mundos

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Não adianta gostar de alguém pelas suas diferenças se, depois, na prática, não sabemos aceitar essas diferenças nem conviver com elas.

Se apenas são valorizadas a sós, mas são motivo de vergonha quando acompanhados.

Quando amamos alguém pela sua essência, não pedimos que ela esconda, camufle, oculte essa essência.

Não exigimos que essa pessoa se anule, apenas para agradar aos outros.

Que deixe de ser a pessoa genuína que é, para se tornar em alguém que finge ser algo que não é.

 

 

Raras vezes, os nossos patrões são nossos amigos. Tão pouco confiam em nós. E menos ainda podemos confiar neles. É uma relação profissional, mesmo que queiram fazer parecer o contrário. E, quando pactuamos com os seus segredos, regra geral, acabamos por ser prejudicados por esses segredos, por uma questão de lealdade para com quem não revela a mínima consideração por nós.

 

 

A distância pode dar cabo de uma relação. Da mesma forma, os ciúmes, a insegurança, a fraqueza, a incerteza quanto aos sentimentos.

Da mesma forma, uma nova cidade, pessoas diferentes, novas oportunidades, um outro mundo, podem transformar as pessoas, ainda que de forma subtil e, muitas vezes, sem perder a sua essência mas sim, revelando-a em todos os sentidos antes adormecidos, e isso pode assustar quem sempre conheceu apenas uma das facetas da nossa personalidade.

É possível, ainda assim, o amor sobreviver?

 

 

Poderemos amar duas pessoas fisicamente iguais, achando que estamos, de certa forma, a dar continuidade a uma história que ficou a meio, que foi interrompida sem final?

Ou estaremos a enganar-nos a nós mesmos?

Ninguém é igual a ninguém, nem subsitui ninguém. Não existem duas histórias iguais, nem dois amores iguais.

 

 

No meio do caos, de toda a desilusão, das injustiças, da falta de esperança, podem surgir as melhores surpresas, as maiores descobertas, os verdadeiros amigos, a luz que faltava para nos guiar àquilo que verdadeiramente queremos, ao que sempre sonhámos.

 

 

Quando partimos, é impossível o nosso coração ficar dividido entre dois mundos: aquele a que sempre pertencemos, e que é o nosso porto de abrigo, a nossa raíz, o nosso berço, e aquele a que agora pertencemos, que nos acolhe, que nos transforma, que nos faz desabrochar.

 

 

 

É sobre tudo isto que Jojo Moyes fala na continuação da comovente história de Louisa Clark, desta vez em Nova Iorque, a trabalhar como assistente de uma mulher rica, a milhas de distância de Sam e da sua família, com um admirador que a faz lembrar de Will, uma velha antipática com um cão raivoso que lhe metem medo, e a acusação de que é uma ladra, que a levará ao despedimento, e a sentir-se completamente só e sem rumo. 

Conseguirá Louisa reerguer-se depois desta rasteira do destino? Ou estaria este percalço escrito no destino, para que pudesse abrir os olhos para tudo o resto?

Haverá ainda uma opotunidade para Louisa em Nova Iorque?

Conseguirá ela, finalmente, deixar de servir e ajudar os outros, para viver a sua própria vida?

 

 

Um romance que, todos os que seguem a história, não devem deixar de ler!

 

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