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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Contradições

(livros)

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Há umas semanas, encomendei, aproveitando uma promoção, três livros novos.

Como o meu marido diz, sou uma "devoradora" de livros, e já tinha lido tudo o que tinha em casa, recebido no último Natal. 

Os livros chegaram, e mantiveram-se na caixa.

 

É contraditório, mas a minha vontade de pegar num deles e ler é tão grande, quanto a de não pegar e deixá-lo estar ali, porque sei que, quanto mais depressa os ler, mais depressa fico sem livros para ler!

 

Ganhou a primeira.

O primeiro dos três já vai a meio, comigo a aproveitar todos os bocadinhos de tempo livre para avançar mais umas páginas.

Vamos ver quanto tempo consigo deixar os restantes a "marinar"...

 

Porque livros nunca são demais para aqueles que gostam de ler

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Se és daquelas pessoas que gosta de ler, mas não pode andar sempre a gastar dinheiro em livros, nem tem tempo para ir à biblioteca, a Fátima tem a solução ideal - um giveaway de livros!

 

E porquê?

Porque ela pode!

Porque o seu blog celebra 7 aninhos de existência.

E porque ela é nossa amiga, e não quer que fiquemos em abstinência prolongada de leitura!

 

Só têm que:

1 - ir a este post manifestar a vossa vontade em participar no sorteio

2 - fazer um post em que mencionam o blog da Fátima e o sorteio, convidando quem vos lê a juntar-se ao giveaway.

3 - responder à pergunta que ela faz neste post

 

Serão sete os livros sorteados:

Nada menos que um milagreMarkus Zusac

Explicação dos pássarosAntónio Lobo Antunes

O olhar de SophieJojo Moyes

Lembranças macabrasTess Gerritsen (livro de bolso)

Uma Cançãode embalarMary Higgins Clark (livro de bolso)

RelicárioDouglas Preston e Lincoln Child (livro de bolso)

A Princesa de geloCamilla Läckberg (livro de bolso)

 

Sim, eu sei que não tenho sorte nenhuma nestas coisas e que, provavelmente, nenhum deles virá para mim.

Mas a Fátima é uma boa vizinha aqui do bairro, que sigo há muito tempo e com quem tenho algumas coisas em comum, e que sabe como desafiar uma pessoa, não só a ler, como também a escrever (a pergunta foi bem pensada)!

Por isso, mesmo que não sejam um dos felizes contemplados, vale a pena participar!

 

 

O Regresso, de Nicholas Sparks

Bertrand.pt - O Regresso

 

Regresso...

Aquele momento em que descobrimos que tudo está exactamente como deixámos...

Ou aquele em que percebemos que tudo mudou, e já nada é como o recordávamos.

Seja qual for a situação, o impacto está presente em qualquer regresso, porque nos recorda o nosso passado, num presente que agora vivemos e que, quem sabe, poderá mudar o futuro.

Memórias doces, que nos voltam à mente com saudade e nostalgia... ou mais amargas, que preferíamos que tivessem ficado enterradas.

Em qualquer dos casos, o regresso representa sempre um desafio a superar.

 

Trevor regressa a New Bern, após a morte do seu avô, com o objectivo de por ali ficar o tempo necessário para ver o que é preciso ser feito na casa que este lhe deixou, e até se mudar para Baltimore, onde se inscreveu num internato de psiquitria.

Pelo caminho, conhece a estranha Callie, uma adolescente de poucas falas, e ainda menos dada a confianças com estranhos que, curiosamente, tinha uma ligação ao seu falecido avô.

E Natalie, uma delegada do xerife de New Bern por quem se interessa, e cujo interesse parece ser recíproco mas, ao mesmo tempo, Natalie mostra não querer ser vista com ele, e fugir sempre que pode, dando a entender que esconde algo, que não quer que Trevor saiba.

 

Confesso que a parte que mais me surpreendeu nesta história foi aquela que nos dá a conhecer melhor o mundo das abelhas, a sua importância para a vida humana, a forma como as colmeias se organizam, como se produz o mel e os diferentes sabores que este pode adquirir, consoante a localização das colmeias. Ou como uma picada de abelha pode ser benéfica para a saúde. Que tipo de abelhas há, e qual a função de cada uma na sua sociedade.

 

Cuidar das abelhas era um dos passatempos preferidos do avô de Trevor, cuja morte parece ter deixado por resolver um enigma, aparentemente, impossível de resolver, uma vez que as suas últimas palavras não fazem qualquer sentido, e ele não está cá mais para ajudar a desvendar.

No entanto, Trevor não é homem de desistir facilmente das coisas. E, se não pode concentrar as suas energias no campo do romance, será nesse mistério que as empregará, tendo a oportunidade de, com o seu regresso, terminar aquilo que o avô tinha começado, e deixado subitamente por terminar, com a sua partida.

 

Outro dos pontos fortes da história é o dilema em que se encontra Natalie.

Não é uma situação fácil, e nenhuma decisão será a melhor, a mais correcta, a mais justa, a que a fará mais feliz. 

Resta esperar...

Saber esperar...

E acreditar que, um dia, tudo se resolverá naturalmente, por si só, e ela será, enfim, livre.

Quem sabe, num outro regresso...

 

"A Última Saída", de Federico Axat

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O meu marido apanhou este livro numa promoção do Continente.

Quando mo mostrou, o nome e a capa não me soaram estranhos. E até lhe disse "acho que tenho esse livro na minha lista de livros a comprar", o que confirmei mais tarde ser verdade.

Assim, não precisei de comprar para o ler.

Só tive que esperar várias semanas, para ele acabar de o ler, e poder começar eu.

 

Peguei então nele no sábado. 

Ia ao cabeleireiro, e é sempre uma boa opção levar um livro para me entreter naquelas mais de duas horas.

Comecei a ler, mas não me entusiasmou. Às tantas, guardei-o na mala.

Passei o resto do tempo em conversa com a cabeleireira.

Ao chegar a casa, perguntou-me o que estava a achar do livro, e disse-lhe que estava muito desiludida. Muita fantasia, muita confusão. Não faz o meu estilo.

E ele respondeu-me:

"É mesmo assim. A primeira parte tem esse efeito em todos os leitores. Mas vais ver que, à medida que fores avançando, não vais querer parar de ler, e vais gostar."

 

Lá continuei.

E ele tinha razão!

Portanto, quem tenha interesse em ler, considerem a "Primeira Parte" do livro uma espécie de Cabo das Tormentas, que é preciso ultrapassar, no caminho para chegar à Índia. É a parte mais difícil da viagem. Depois, a viagem torna-se mais apelativa e emocionante.

 

Posto isto, temos o protagonista, Ted, que aparentemente está prestes a cometer suicídio quando uma visita inesperada lhe estraga os planos.

O motivo para tal acto parece ser o tumor cerebral que lhe foi diagnosticado. Ainda que esteja a ser seguido por uma psicóloga, para o ajudar a lidar com o problema, Ted parece ter tudo premeditado ao pormenor, e querer pôr fim à vida.

 

Entretanto, vão sendo apresentadas outras personagens, que não percebemos muito bem onde encaixam. Descobrimos que o seu casamento tinha acabado. E ficamos curiosos para saber o que raios é, afinal, um opossum, um animal que está sempre a surgir na vida de Ted.

Embarcamos naquela teoria da conspiração, de que estão todos contra ele até que...

Ups, nada é o que pensámos ser até ali.

 

E é a partir da "Segunda Parte" que a trama ganha balanço, e começamos a querer descobrir tudo o que aconteceu para Ted chegar àquele ponto da sua vida em que agora se encontra, e onde e qual a chave que abre a porta para o que ele guarda na mente, e não consegue, de forma alguma, desbloquear.

Laura parece ter um papel fundamental, para fazê-lo sair de cada um dos ciclos em que se encontra, e partir para o próximo, num caminho em que não convém voltar atrás, mas que pode ser assustador, sabendo que, no fim do mesmo, está a verdade que o seu cérebro o fez esquecer.

E, ainda assim, aquela verdade que se descobre pode ser apenas "a verdade dele", que mascara a verdadeira realidade. 

 

O que é certo é que, atrás de cada fantasia criada pela nossa mente, pode existir uma base real, uma realidade que foi inconscientemente distorcida.

Ler este livro fez-me pensar naquelas pessoas que estão mentalmente aprisionadas, num estado de sofrimento por não se lembrarem de quem são, do que fizeram, sem capacidade para distinguir a realidade da ilusão, sem memórias dos seus últimos dias, num limbo entre a sanidade e a loucura. No tal círculo central, que separa as duas metades do campo, e no qual ninguém quer, nem pode, estar, eternamente.

Ted está no círculo, e precisa de sair dele. À medida que o tempo passa, mais perto fica da metade do campo que lhe trará a sanidade mental de volta.

Mas, conseguirá ele lidar com a verdade?

Conseguirá Laura olhar Ted da mesma forma, e continuar a querer o melhor para ele, depois de descobrir a verdade?

 

No labirinto que é a nossa mente, há apenas uma única saída, que temos que encontrar, para conseguirmos sair dele, sem ele nos prender para sempre, e nos perdermos para sempre.

 

Reler "Os Maias", e encontrar semelhanças com a sociedade actual

Os Maias - Livro - WOOK

 

Tenho andado a reler "Os Maias", mas é como se estivesse a ler a primeira vez. Já não me lembrava de nada.

E é curioso ver como, apesar de tantos anos passados, a sociedade actual não é assim tão diferente daquela que é retratada no romance de Eça de Queirós.

Ainda assim, para quem critica as gerações de agora, as do século XIX não eram muito melhores e, nesse aspecto, conseguimos descobrir diferenças, para melhor.

 

Um dos aspectos que me saltou logo à vista (não sei se foi só na edição que li), é o uso constante de estrangeirismos, como "bric-à-brac", "dog-cart", "fumoir", "soirées", "robe de chambre", "shake-hands", "abat-jour", "chic", "grog", "highlife", "chut", "break" e tantos outros.

Confesso que tive que ir procurar o significado de algumas dessas palavras usadas, porque não fazia a mínima ideia do que eram. 

E ainda dizem que, hoje em dia, com a adopção de tantos estrangeirismos, já quase não sabemos falar português!

 

Na segunda metade do século XIX, época em que se passa a história, nem a nobreza, nem a burguesia, tinham muito interesse em fazer algo que fosse pelo país. Falavam, descontentes, do que havia de ser mudado, de revoluções, mas a única revolução que se atreviam a fazer era gastar dinheiro em futilidades, para depois ostentá-las, para reforçar o seu estatuto, quer fosse a remodelar uma divisão da casa, ou a comprar uma vestimenta nova. A maioria, deixava-se levar pela corrupção, pela mesquinhez. Davam pouco valor à cultura.

 

A juventude representava a esperança, a mudança, o futuro.

Mas o meio envolvente foi mais forte que todos os planos, projectos, intenções.

Carlos da Maia formou-se em medicina. Montou um consultório e um laboratório. Queria escrever artigos para revistas, e um livro sobre medicina. Consultou meia dúzia de pessoas, até se deixar levar pela ociosidade.

João da Ega formou-se em direito, mas nem sei se chegou alguma vez a exercer.

O passatempo preferido destas pessoas era andar atrás de mulheres, comer e beber, passear, divertir-se em noitadas, jogos de cartas, enfim... Houvesse dinheiro, e tudo o resto se esquecia. Era uma vida caracterizada pela boémia.

Nesse aspecto, sinto a juventude de hoje mais lutadora, mais empenhada nas suas causas, mais ansiosa de vencer na vida. Ou talvez seja porque a maioria já não tem tudo dado de bandeja, e tem que conquistar o seu dinheiro, o seu prestígio, o seu nome.

 

E as mulheres?

Já nessa altura elas traíam os maridos!

Muitas delas tinham amantes, normalmente, mais jovens, das mesmas classes sociais, e muitas vezes amigos dos maridos.

Provavelmente, naquele tempo, as traições deviam-se ao facto de precisarem de aventura nas suas vidas, dado o papel reduzido que tinham enquanto mulheres e esposas, cuidadoras do lar, dos filhos e dos maridos, e por falta de amor aos maridos, arranjados em casamentos por conveniência ou impostos, com homens com idade para serem seus pais.

Mas, se antes tudo era feito de forma clandestina, para que não viesse a público, e manchassem a sua honra, hoje é feito às claras, sem quaisquer consequências e, por isso, mais falado.

 

Falar d'"Os Maias" é falar do romance entre Carlos da Maia e a sua irmã Maria Eduarda.

Um romance condenado, que afastou para sempre estes dois amantes. 

Curiosamente, foi um romance que não me convenceu. Achei mais bonita a relação de Carlos com a filha de Maria, do que com a própria.

Acredito que Maria Eduarda amasse, realmente, Carlos. Já ele, pareceu-me mais um capricho do momento, uma paixão que, com o tempo, tenderia a acabar, e levá-lo-ia a traí-la, com outras.

E se Maria parece ter refeito a sua vida, resignando-se ao possível, dadas as circunstâncias, fica a dúvida se Carlos voltará um homem diferente, disposto a, finalmente, dar algum sentido e utilidade à sua vida, ou se permanecerá perdido numa vida boémia, juntamente com o seu amigo João da Ega, e os seus pares.