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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quem por aí viu ontem o halo lunar?

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Já tinha lido que, ontem, ao início da noite, os planetas Júpiter e Vénus iriam estar muito próximos um do outro, mais próximos que o habitual, num fenómeno a que apelidam de conjunção.

E, quando saí do trabalho e olhei para o céu, lá estavam eles, bem juntinhos.

 

No entanto, o que me chamou mais a atenção, foi o enorme círculo que estava à volta da lua.

Nunca tinha visto. Não com aquela dimensão.

Até chamei o meu marido para observar.

Infelizmente, não consegui tirar nenhuma foto de jeito, que desse para ver bem.

E, ao fim de algum tempo, desapareceu.

 

 

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Fui pesquisar, e percebi que se tratou de um "halo lunar", um fenómeno óptico que acontece quando a luz da lua passa por minúsculos cristais de gelo, suspensos na atmosfera, resultando num anel de luz que pode atingir uma ára até 44 vezes maior do que a lua.

 

O principal responsável pela formação dos anéis ao redor da Lua são dois tipos de nuvens: cirrus e cirrostratus, sendo que ambas estão a temperaturas bastante baixas (especialmente as cirrus) e, portanto, a maior parte de sua composição é de cristais de gelo. 

 

Na cultura popular, dizem que é sinal que vem aí chuva, ou tempestade. 

Há, inclusive, um ditado que diz "Círculo na lua, água na rua”!

 

 

Halo solar: o que é, como ocorre, halo lunar - Brasil Escola 

 

Esta é a imagem que reflecte o que vimos ontem, embora o de ontem parecesse maior, por estar mesmo em cima de nós.

Das coisas menos boas que ultrapassamos, mas que deixam marca...

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No outro dia, dizia-me o meu marido, que ainda lhe custava aceitar a morte da minha mãe, e perguntava-me se eu também me sentia assim.

Penso que, a partir de uma determinada idade, comecei a ultrapassar melhor as coisas menos boas.

A passar à frente.

A não andar a remoer as feridas.

A perdoar.

A aceitar o que não pode ser mudado, e para o qual não há volta a dar.

 

Por isso, sim, aceitei a morte da minha mãe. 

Não penso nos "se's". 

Não há culpas para apontar.

Era inevitável, dada a doença dela e, se assim se pode dizer, "ainda bem que não esteve cá muito tempo a sofrer".

 

Agora, o que é, igualmente, inevitável, é a marca que a perda dela deixou em mim.

Segui em frente.

Não ando por aí a chorar pelos cantos.

Não entrei em depressão, em negação, em luto permanente.

Não me tornei uma pessoa revoltada, amarga ou inconformada.

 

Continuo a viver a minha vida.

Brinco. Rio.

Superficialmente, sou a mesma pessoa de antes.

Mas, quando se vai mais fundo, nota-se que, algures, uma pequenina parte de mim se desligou. Escureceu. Morreu, também...

 

É apenas um pequeno pedacinho.

Como uma peça que não afecta, em nada, o funcionamento geral do equipamento, porque não depende apenas dela. 

Mas nota-se que esse pedacinho de mim que, felizmente, é apenas isso porque ainda não tive grandes perdas que, em alguns momentos, fica mais visível.

Como uma nuvem que anda por aí a passear pelo céu e, só quando passa pelo sol, e o tapa, se dá por ela. 

 

Desde que a minha mãe morreu, em determinadas ocasiões, não sempre, e nem sempre por algum motivo específico, dou por mim mais cabisbaixa. 

Noto que tenho mais dificuldade em sorrir. Em sentir ânimo. Noto que, algumas vezes, estou em esforço. 

Não que esteja propriamente triste. 

Mas estou ali como que num plano intermédio, de onde saio, e volto a entrar, quase sem me aperceber.

 

Não é por se apagar uma luz, entre tantas que permanecem acesas, que se fica na escuridão.

Mas, de vez em quando, há ali uma sombra que paira...

 

 

 

Duas forças, contrastes, equilíbrio...

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Um dos grandes segredos da vida é saber vivê-la com equilíbrio.

Saber que essa vida é feita de diversas dualidades, de inúmeros contrastes, que se complementam entre si, e não poderiam existir separadamente. Porque, sem uma das partes, não saberíamos reconhecer ou dar valor à outra.

Como se costuma dizer, só sabemos o que é a alegria, porque conhecemos a tristeza. Só damos valor às coisas boas, porque sabemos como nos custam as más. Só conhecemos o bem, depois de saber como se manifesta o mal. O positivo é contrabalançado pelo negativo. A morte é contrabalançada com a vida. E por aí fora.

 

São duas forças distintas que, muitas vezes, medem forças tentando, uma, levar a melhor sobre a outra. Há momentos em que existe um claro domínio de uma sobre a outra. Momentos em que uma delas avança, fazendo a outra recuar. E outros em que as posições se invertem. Mas, quando equilibradas, anulam-se entre si, e permitem viver em harmonia, em equilíbrio, aproveitando o melhor de uma, não esquecendo os ensinamentos da outra.

 

A nossa vida não é sempre um céu azul, limpo, e um sol brilhante. Tal como também não é sempre um céu escuro, cinzento e carregado, que não nos deixa ver nada, para lá dessas nuvens negras.

O mar, não é sempre calmo e sereno. Também tem dias em que mostra toda a sua força, agitação, poder.

A própria natureza regenera-se. Tem fases em que está em todo o seu esplendor, e outros em que começa a esmorecer.

O ser humano não é diferente.

Só tem que saber compreender e encontrar o seu equilíbrio, neste mundo e vida feita de desiquilíbrios!