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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Máscaras e chuva não combinam

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Nas férias, tive que ir dar umas voltas, precisamente num dia em que estava a chover.

Fui com a minha filha.

Chapéu de chuva aberto, máscara na mala. Com o vento que estava, se levasse a máscara posta, ficava logo molhada.

 

Assim, de cada vez que queria entrar em algum lugar, tinha que fazer ginástica a segurar o guarda-chuva, ao mesmo tempo que punha a máscara, fechava o guarda-chuva e entrava. Para depois tirar a máscara e guardá-la, para poder abrir o guarda-chuva.

Depois de repetir este processo várias vezes, chego a casa e verifico que, mesmo assim, a máscara ficou molhada, numa parte.

 

Hoje, a chuva voltou.

E, com ela, as manobras para colocação da máscara sem a molhar.

Com o regresso às aulas, já estou a imaginar os alunos a entrarem e saírem da escola, aos molhos, à chuva, com máscara. A maioria até anda quase sempre à chuva. Vão ter que ter um grande stock de máscaras para irem trocando.

E vai dar confusão certa!

Os "fiscais" da comunidade

Vigiar e produzir - Época Negócios | Inteligência

 

Existem pessoas que vivem a sua vida.

E outras, que se dedicam a fiscalizar a vida dos outros.

 

Desde que chegou até nós a pandemia, são vários os "polícias comunitários" que estão atentos ao que os restantes fazem, ou deixam de fazer, que criticam, que afiam a língua, à falta de melhor entretenimento. 

Porque fulano saiu sem máscara, porque saiu à rua quando devia estar em casa, porque sicrano foi ao café.

E que querem, à força, interferir com a liberdade dos outros.

 

Ontem, vinha eu dos correios para o trabalho quando, em sentido inverso, se aproxima uma idosa, de máscara e, às tantas, diz ela:

 

"Estas senhoras é que fazem bem. Não é preciso cá máscaras nenhumas. Isto é só uma fantasia. Elas é que sabem."

 

Ao mesmo tempo em que dizia isto, que me pareceu a mim uma crítica, a mim e a quem mais vinha na rua sem máscara, tocava ela própria na máscara, com as mãos, chegando mesmo a baixá-la, talvez para que a ouvíssemos melhor.

 

Não liguei, nem respondi.

Não valia a pena explicar à senhora que não é obrigatório usar máscara na rua e que, mais importante que isso, é manter a distância.

 

Nem tão pouco dizer que, nem há dois minutos atrás, tinha estado quase meia hora, com a máscara colocada, nos correios, depois de outra meia hora, na Câmara Municipal, locais onde se deve usá-la, e que o que mais queria naquele momento, era respirar livremente onde, e quando podia.

 

E menos ainda que, em vez de estar a criticar, e baixar a máscara para falar, ou tocar nela onde não é suposto, devia ter seguido o seu caminho, com a máscara colocada, como ela aprecia, e evitar colocar-se a si, e aos outros, no perigo em que não quer que os outros a coloquem!

 

 

 

 

A relva não é mais verde do outro lado!

 

Não é raro queixarmo-nos da nossa vida, e de tudo o que dela faz parte. Também é frequente, em determinados momentos, invejarmos as vidas, os acontecimentos, a sorte e a felicidade das outras pessoas. Fazendo lembrar aquele ditado que diz que "a relva é sempre mais verde do outro lado" - aquele onde nós nunca estamos!

Mas não é, de todo, verdade. E, com um outro ditado, é fácil derrubar essa teoria "quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro"!

Porque nem tudo aquilo que parece, é. E, muitas vezes, o quadro bonito que os nossos olhos vêem, representa somente isso - uma pintura que mascara a realidade. Ou somos nós que nos deleitamos tanto com a superfície, que não queremos observar mais a fundo para perceber o que a pintura representa.

 

Isso acontece, frequentemente, em vários aspectos e a vários níveis como, por exemplo, em relação aos nossos filhos.

Por vezes, damos por nós a desejar que eles fossem mais como esta ou aquela criança que conhecemos. Porque é mais calma, porque é mais desembaraçada, porque não faz birras, porque se entretem sozinha, porque não tem mau feitio... Mas desengane-se quem pensa que os filhos dos outros não têm defeitos. Porque têm! E é perfeitamente normal!

Faz parte de todos nós. Cada um é como é e, se há certos aspectos que se podem melhorar, outros pertencem ao nosso carácter e não os podemos alterar.

E digo isto porque, nestas semanas, em que tenho convivido mais com crianças além da minha filha, constatei isso mesmo. Há crianças que tendem a portar-se bem e a ser bem educadas quando lidam com pessoas que não conhecem bem e com quem não têm confiança. Mas isso não significa que, no seu ambiente familiar, na sua zona de conforto, sejam assim. Por outro lado, há crianças que lidam com essas mesmas pessoas estranhas como se de colegas da mesma idade se tratassem, embora aparentem ter uma boa educação. Há crianças cuja espontaneadade revela inocência, e outras autoridade.

A verdade é que, nem os nossos filhos são tão maus, nem os dos outros tão bons como queremos acreditar. E quem diz os filhos, diz tudo o resto. Apenas temos que valorizar mais os aspectos positivos, aceitar os defeitos e sentirmo-nos gratos por tudo o que temos!