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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Pieces of a Woman, na Netflix

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Pieces of a Woman aborda a gestação, o momento do parto e a perda de um filho, com as implicações que esse acontecimento refletem em cada um dos pais, família mas, sobretudo, do ponto de vista da mãe.

Aquela que viu o seu corpo transformado ao longo dos meses. Que sentiu todas as dores. Que pôs a sua filha no mundo. Que a teve nos braços e experimentou minutos de felicidade para, logo a seguir, a perder, e o seu mundo desmoronar.

Aquela cujo corpo continua a comportar-se como se houvesse um bebé para alimentar e cuidar.

Aquela a quem todos olham com pena, a quem querem consolar, muitas vezes, sem qualquer tacto. Aquela a quem são exigidas determinadas reacções e acções, sem lhe perguntar o que ela realmente sente e quer, ou precisa.

 

Sou mãe.

Tenho uma filha.

Não quero sequer imaginar a dor de a perder.

Não será mais fácil para quem perde os seus filhos poucas horas depois de nascerem, do que seria para quem com eles teve oportunidade de conviver e ver crescer.

Por isso, não consigo imaginar a dor de Martha. Mas seria normal que, enquanto mãe, me sentisse solidária com a sua dor.

Pois, por muito boa que tenha sido a actuação da protagonista, ela não conseguiu despertar a minha empatia.

“Estive” com ela no momento do parto. Identifiquei-me. Quase senti as dores como ela mas, a partir daí, foi-me totalmente indiferente no resto do filme.

 

Toda a história do filme tem, por base, um parto caseiro.

Por opção do casal ou, talvez, mais de Martha que, como vimos, não tinha muita vontade de abdicar do parto no aconchego do seu lar, para ter a sua filha num hospital.

Não condeno a sua escolha.

Sei, por experiência própria, como pode ser stressante, e ficar marcado como uma má experiência, um parto na maternidade, quando não existe privacidade, quando não conseguem (ou não querem) perceber as nossas dores, a necessidade de ter alguém ao lado, o facto de, uma coisa que é normal para quem lá trabalha, ser especial para quem o vive na pele, sem ser encarada e tratada como apenas um número, alguém fraco que só sabe gritar e queixar-se. Como pode ser invasivo, quando decidem levar avante procedimentos sem questionar a grávida. Quando, para terem menos trabalho e preocupações, e “despacharem o serviço”, decidem dar uma “ajudinha” da qual muitas mães preferiam abdicar, se lhes fosse perguntado.

E é por isso que algumas grávidas preferem ter os seus filhos num ambiente familiar, de forma o mais natural possível, rodeadas de quem lhes quer bem, vivendo o momento de forma tão tranquila quanto possível.

 

Mas…

Um parto num hospital, será, à partida, mais seguro. Se houver algum problema, estão no sítio certo. Existem os meios, e uma equipa de profissionais. Poupa-se tempo, por vezes precioso. E o transporte desnecessário de casa até ao hospital.

Isso não significa que o desfecho fosse diferente.

Por mil e uma razões, a bebé poderia estar, à partida, condenada. Poderia ter havido, como há tantas vezes, erros médicos no parto, na vigilância, no acompanhamento, no procedimento de expulsão.

No entanto, fica sempre a dúvida se não teria sido diferente…

Não sei se Martha, de alguma forma, se culpa por ter insistido nessa escolha, e ter resistido quando a parteira lhe falou da ambulância e do hospital. Ou por achar que há algo de errado com o seu corpo e, por isso, não conseguiu salvar a filha. Talvez se culpe, e seja por isso que não quer iniciar um julgamento contra a parteira que a assistiu. A sua mãe, certamente, fá-lo. E como não pode julgar a filha, decide virar-se para a parteira, a quem acusa pela morte da neta.

 

Penso que outro dos motivos para não ter criado empatia com Martha, é o facto de ela se mostrar, aparentemente, tão indiferente, tão fria, tão controlada, sem exteriorizar qualquer emoção, ainda que ela exista, e a esteja a corroer por dentro. 

Ao mesmo tempo que não quer saber de quem também está a sofrer.

Sim, uma mãe é uma mãe. Mas porque tem a dor do pai que ser tão desvalorizada, como se não se pudesse comparar à dor de uma mãe? Como se o pai fosse incapaz de sentir, de sofrer. E de compreender.

Como disse há dias, num outro post, perante uma desgraça, ou a família se une, ou desmorona.

Aqui, começou a desmoronar-se, sem retorno.

Eventualmente, Martha conseguirá, algum dia, juntar os seus pedaços, e seguir em frente.

 

Achei o filme demasiado longo.

Achei que poderia ser melhor explorado. 

Não me emocionou.

Não cativou.

Não marcou.

E não o veria novamente.

Partilhar o guarda roupa entre mãe e filha

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Se, há uns anos, a minha filha ainda usava botas, com o tempo, as mesmas foram sendo substituídas por ténis.

Enquanto eu usava e, dali a uns tempos, tinha que comprar novas, ela deixou de usar, e foram ficando esquecidas nas caixas debaixo da cama.

Hoje, está tempo de chuva. Tenho roupa clara vestida, mas as únicas botas que tenho são pretas (ainda não renovei o calçado de inverno).

 

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Lembrei-me que, em tempos, vi numa caixa, umas botas dela, castanhas. Ainda estão em condições de usar. Foi só limpá-las. Servem-me, e são confortáveis. Acho que vão ficar para mim.

Aliás, vinha pelo caminho a pensar que hoje estou totalmente reciclada, com coisas que eram da minha filha, que ela já não usa, e despachou para mim.

As calças, cinzentas, estão boas, nem largas, como algumas que tenho, que assim ficaram com o uso, nem demasiado apertadas, que me impeçam os movimentos.

 

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A camisola, que ela adorava na altura em que foi comprada, e com a qual chegou a fazer a sessão fotográfica para o book, há uns anos, é agora passado para ela, mas presente para mim.

E o casaco, que até faz conjunto com a camisola, também me deu, porque não tem intenção de usar mais.

O seu estilo agora é outro. E quem ganha sou eu que, assim, fico com roupa nova sem gastar dinheiro!

 

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Mas não sou só eu que uso as coisas dela.

No outro dia, quis usar um macacão preto que tinha comprado para as duas, mas não tinha sandálias a condizer. Como disse, ela é miúda de ténis. E nem quando a convidei para ir à sapataria comprar sandálias, quis ir.

Por isso, a solução foi usar as minhas, que comprei este verão.

No baile de finalistas do 9º ano, levou um vestido meu, dos meus 20 anos.

Por vezes, lá vai um casaco ou outro.

E, para dormir, já várias vezes me assaltou a gaveta das T-shirts e pijamas. Segundo ela, tenho umas T-shirts giras.

 

E assim, apesar de não sermos irmãs nem amigas, com a vantagem de termos um corpo muito parecido e calçar números próximos, vamos partilhando o guarda roupa entre nós.

 

Nunca estaremos preparados para a morte

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É aquilo que de mais certo temos na vida.

Sabemos que chegará. Sabemos que nada a impedirá.

Mas, ainda assim, nada, nem ninguém, está preparado, nem nos prepara, para quando ela chega.

Porque, o momento em que estivermos totalmente preparados para ela, será o momento em que já nos conformámos, em que perdemos a esperança, em que baixamos os braços e deixamos de lutar.

 

Por isso mesmo, nunca estaremos preparados para a morte dos nossos entes queridos.

Como os nossos pais.

Pai, é pai. Mãe, é mãe. São eternos, no nosso pensamento.

Estarão sempre lá para nós, tal como nós, para eles. Aguentam tudo, são valentes, são rijos, são sobreviventes. São o nosso apoio, o nosso abrigo, os nossos conselheiros.

Por vezes são chatos, rabujentos, dão trabalho, dão-nos preocupações. Mas não o fazemos tantas vezes, também nós, enquanto filhos?

E, no entanto, não deixamos de os amar, e eles a nós.

Por isso, por muito que a vida nos vá dando indícios de que as coisas estão diferentes, de que as probabilidades estão a aumentar, de que o tempo está a fugir pelos dedos, de que algo se pode aproximar, ignoramos, fingimos não ver, ou acreditamos, sinceramente, que é apenas um mau pensamento, numa má fase, e que tudo voltará a ficar bem.

A morte dos meus pais é algo que, felizmente, ainda não me surge muito no pensamento. Penso sempre que ainda têm muitos anos pela frente.

 

Mas já vi muitos pais, e mães de pessoas que me são próximas, ou nem tanto, deixarem este mundo. Muitas vezes, cedo demais. Para alguns, já seria um desfecho previsível. Para outros, nem tanto.

E, seja em que circunstância for, nunca é fácil. É sempre um choque, uma sensação de punhalada, de vazio, de inconformismo.

Podemos tentar confortar, de todas as formas que conseguirmos, os filhos e familiares que ficam, mas nenhum gesto ou palavra, por mais sincera e sentida que seja, apaga a dor da perda.

Só quem passa por isso, saberá.

O mais próximo que tive de alguém a falecer na família, foi a minha tia e madrinha. E custou-me, na altura.

Mas mãe, é mãe. E pai, é pai. É diferente.

 

O maior consolo, para um filho que perde uma mãe, ou um pai, é saber que, em vida, esteve sempre lá para eles. Que não deixou nada por dizer. Nem por fazer.

Que viveram e partilharam os melhores momentos que poderiam ter vivido, e partilhado.

Acreditar que, onde quer que estejam, estarão bem. Que já fizeram o que tinham a fazer neste mundo, e agora resta-nos continuar o seu legado, até chegar a nossa vez. 

E que um dia, quem sabe, se reencontrarão.

 

Hoje, soube que partiu a mãe de uma blogger desta plataforma, com quem tenho uma relação meramente virtual, mas que já considero de amizade - a Joana.

Este texto é dedicado a todos aqueles que já perderam os seus pais e, especialmente, para a Joana, a quem desejo muita força, neste momento tão triste para si e para a sua família.

 

Um beijinho, Joana! 

Um abraço apertado, e muita força e coragem

 

Filhos, quem os entende?!

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A sair de casa, a caminho da escola:

 

Filha - Mãe, está a chover

Eu - Mas é só uns pingos, achas que vale a pena abrir chapéu?

Filha - Tu é que sabes... Se eu ficar constipada a culpa é tua!

Entretanto, começa a chover um pouco mais e abro o chapéu.

 

 

Perto da escola:

 

Filha - Ainda é cedo, não quero entrar já. Ficamos aqui um bocadinho.

Eu - Pois, mas eu ainda tenho coisas para fazer.

Filha - Então, se queres ir vai, que eu fico aqui à chuva...

 

Dei-lhe a mochila, a carteira, e fomos andando até próximo do portão.

Dá-me um beijo e diz-me adeus.

 

Eu - Espera que eu acompanho-te até ali ao portão, para não ires à chuva.

Filha - Quero lá saber. Eu quero ir à chuva mesmo!

Parvoíces de uma segunda-feira à noite

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Mãe e filha na cozinha, a primeira a tentar despachar-se, e a segunda sem pressa nenhuma de o fazer!

Como a minha filha tinha ido no dia antes ao concerto do Anselmo Ralph e estávamos a cantar as músicas dele, deu-nos para inventar letras:

 

Para a música "Aplausos para Ti", e porque eu já tinha arrumado o sumo, a pensar que ela não iria beber mais, a minha filha inventou esta.

 

Aplausos para ti

Foste arrumar o Ice Tea

E agora, o que é que eu bebo?

(Agora) o que é que eu bebo?

 

Uns tempos depois, à espera que ela comesse a sopa para lavar o resto da loiça, foi a vez de eu me aventurar em "Promete".

 

Então promete

Que vais comer a sopa toda

Não posso mais esperar, não

Diz-me que não vais deixá-la arrecefer, não

 

E, pronto, foi isto!