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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Desafio de Escrita do Triptofano #7

Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais mágico do que eu?!

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Mirófones aproveitou que a sua mãe, Vitolina, estava a dormir, para se esgueirar até ao laboratório mágico da progenitora, onde nunca lhe havia sido permitido estar sozinho, e tão pouco tocar em nada. O objectivo era tentar criar uma poção que lhe devolvesse o coração, que lhe havia sido roubado.

 

Mirófones (entusiamado com a ideia): Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais mágico do que eu?!

Espelho: Olha, olha! Acaso és mágico, tu?!

Mirófones (dando um salto, com o susto): Tuuuu... Tu falas?

Espelho: E porque não haveria de falar? Não me fizeste uma pergunta?

Mirófones: Estava apenas a brincar. Sabes, aquela cena da bruxa má, do conto da Branca de Neve.

Espelho: Bem, bruxa má não és. Ao pé dela, és um franganote. E mágico, tão pouco! 

Mirófones: Não importa. Vou olhar para todos estes livros, e descobrir a receita para ter o meu coração de volta. Depois, vou criar a poção, e bebê-la. Não há-de ser assim tão difícil.

Espelho (duvidando das capacidades de Mirófones): Veremos... Boa sorte!

Mirófones: Ora bem. Por onde começo? Letra C... coração... tratar do coração... deve ser isto! 

 

 

Encontrada a receita, e olhando atentamente para os ingredientes

Mirófones: Portanto, três colheres de farinha branca refinada. Onde é que estará isso? Ah, estás aqui! 

Frasco (assim que Mirófones tentou pegá-lo): Não me toques.

Mirófones, apreensivo, tentou novamente, e de novo a mesma resposta.

Mirófones: Mas que raio! Aqui tudo fala? Pois não quero cá saber de frescuras! Vou pegar em ti, e vou abrir-te!

 

Ao fazê-lo, todo o conteúdo saltou para a sua cara.

Mirófones (depois de uns quantos impropérios, provando a dita "farinha"): Hum... olha que até não és má de todo. 

Passados alguns minutos, enquanto tentava reunir os ingredientes em falta, Mirófones ouve uma voz.

Morcego (imaginário): Vou-te comer!

Mirófones (olhando em volta, e vendo um grande morcego pendurado na beirada da janela): Sai daqui!

Morcego: Vou-te comer agora!

 

E Mirófones, assustado com aqueles olhos demoníacos, e dentes afiados que se dirigiam a si, encolheu-se debaixo da bancada. Mas nada aconteceu. 

Mirófones: Já devo estar a alucinar!

E, dito isto, começou a rir dos seus próprios medos, e da figura ridícula que tinha feito. 

 

Mirófones (depois do ataque de riso): Certo. Só falta o chá espirituoso destilado.

Misturou tudo e esperou que a poção ficasse pronta.

Enquanto isso, curioso, decidiu provar um pouco do chá. De repente, viu o seu coração à sua frente.

Mirófones: Ah, malandro! Voltaste!

Coração: (imaginário): Apanha-me, se puderes!

Mirófones: Queres brincadeira, é?! Pois vais ver como elas te mordem!

Começou a tentar apanhar o coração, que o fintava a cada investida, como se estivesse a gozar com ele.

No meio desta luta, sem se dar conta, atirou com alguns balões e tubos, fazendo imenso barulho, até que acabou por, ele próprio, tropeçar na cadeira e cair ao chão. 

 

Ainda atordoado, vê uma "lava" azul a sair do caldeirão, e espalhar-se pelo chão, aproximando-se cada vez mais de si, como se quisesse persegui-lo.

Levantou-se num ápice, e fugiu dali para fora!

 

Vitolina (que entretanto tinha acordado): Mas o que é que se passa aqui?

Mirófones (correndo que nem um louco pela casa fora, até sair para a rua): É o mar! Quer engolir-me! Foge, mãe, que ele está a vir aí!

Vitolina (seguindo-o até à porta):Ensandeceu! Só pode... Mas que raio andaste tu a fazer esta noite?! 

Mirófones: Eu... Eu... Eu só queria ter o meu coração de volta. Ela roubou-mo, e agora não mo quer dar.

Vitolina: Ela? Ela, quem? A tua namorada? 

Mirófones: Sim.

Vitolina: Tolo! 

Mirófones: Fui tentar fazer uma poção mágica, mas não sei se resultou.

Vitolina: Ouve-me com atenção. Não há magia nenhuma no mundo que possas usar contra o amor. Quando se ama, cada um guarda o coração do outro, e cuida dele, como se fosse o seu. Não é roubado, é partilhado. Confiado. A única forma de teres o teu coração de volta, só para ti, é deixares de amar. É isso que queres?

Mirófones: Não...

Vitolina: Então, deixa-te de parvoíces!

 

Ao voltar a entrar em casa, Vitolina vira-se para o filho 

Vitolina: E da próxima vez, não abuses do "pó de macaco" e da aguardente! Fizeram uma bela magia contigo!

E seguiu caminho, dando umas valentes gargalhadas, enquanto o filho subia para o seu quarto, envergonhado.

 

Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano

 

 

Também participam:

Ana D.

Ana de Deus

Triptofano

Maria

Biiyue

Maria Araújo

Bruno

 

 

 

 

 

 

 

Quando os novos manuais escolares chegam a casa!

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É uma alegria!

Um momento mágico!

 

 

Abrir a caixa e tirá-los lá de dentro, novos, brilhantes, impecáveis.

Retirar o plástico dos que vêm embalados, cheirá-los, manuseá-los pela primeira vez.

Abri-los e descobrir aquilo que se irá aprender no próximo ano lectivo, e criar logo ali, consoante as matérias, uma empatia ou antipatia pelas mesmas.

 

 

Plastificá-los, se for o caso, identificá-los com etiquetas, e colocá-los no lugar dos antigos, que agora se arrumam noutra secção, até ver.

 

 

E ali ficam eles, a postos, até setembro. 

Daí em diante, podemos passar a querer vê-los à distância, e tudo pode acontecer com eles, chegando ao final num estado pouco recomendável.

Mas, até lá, vamo-los admirando...

 

Se uma determinada gata não se armar em guardiã, e não nos deixar sequer tocar neles!

A magia que o dinheiro consegue fazer!

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Tal como vos tinha dito, no serviço público de saúde, o meu pai, que neste momento tem uma catarata em estado muito avançado, só teria cirurgia marcada lá para finais de 2018 ou início de 2019.

 

Ontem foi a uma consulta, no serviço privado. Disseram-lhe que tem de ser operado com urgência. Hoje fez análises. Amanhã, exames. Dia 11 consulta com a anestesista e, dia 12, será submetido a cirurgia. 

 

Isto sim, é rapidez!

Uma rapidez que lhe vai custar cerca de 2500 euros!

Mas, ao menos, que pague para ficar bem servido, e volte a ver bem.

À Conversa com Cátia Araújo

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Já aqui vos falei do livro infantil "Elias e o Medalhão Perdido".

Hoje, deixo-vos com a entrevista à autora do mesmo - Cátia Araújo!

 

 

 

 

 

Quem é a Cátia Araújo?

A Cátia é apenas uma miúda crescida, que sentiu a necessidade de partilhar com os outros o mundo de fantasia que a habita.

 

 

Como é que surgiu a sua paixão pela escrita?

Sempre senti um enorme apelo para expressar o que sentia, por vezes das formas mais inusitadas, como quando era pequena e fazia birras fenomenais! Lá fui crescendo, e substituindo as birras pelo desenho. Adorava ver as formas e os traços crescerem numa folha de papel branquinha, enquanto o resto do mundo desaparecia à minha volta. Mas, de facto, nunca tive muito jeito para desenhar e como a minha necessidade de expressão era tão grande, acabei por enveredar pela escrita, como forma de desabafo. O Elias surgiu numa fase da minha vida em que precisava de me alhear da realidade e de tornar tudo à minha volta mais leve e mágico.

 

 

A forma como viveu a sua infância, desenvolveu esse gosto pela escrita, e pela fantasia?

Ainda sou da geração em que não existiam muitos brinquedos e tínhamos de usar o que havia, criando a partir daí uma realidade alternativa. O facto de ter brincado muito na rua com outras crianças terá ajudado a acentuar este lado mais fantasista pois tudo servia para criarmos uma história, objetos ou personagens diferentes. Na rua onde a minha avó vivia muitas vezes existiam castelos para escalarmos ou jornadas perigosas para superarmos, dragões escondidos atrás de árvores ou poções mágicas para fazer com plantas.

Quando era criança contavam-me histórias e eu também lia muito, o que me permitia viajar para outros locais e viver aventuras magníficas. Acho que isso ajudou a integrar esta vertente que, mais tarde, veio a ser desbloqueada e partilhada.

 

 

De que forma vê os avós do seu tempo, e os avós da atualidade, na forma como convivem com os netos e lhes passam valores e saberes, estimulando a imaginação?

Acho que são gerações bastante distintas, mas sempre pautadas pelo amor e aconchego. Penso que, quando era criança, os avós tinham maior disponibilidade para criarem e estarem com os netos e, portanto, essa transmissão de conhecimentos, de valores, era muito fácil e fluída.

Os saberes, as tradições, as histórias e os mitos, já vinham de gerações anteriores e eram transmitidos, sobretudo, de modo oral e quando (apenas) se ouve, sem imagem associada, isso estimula a imaginação e dá espaço e terreno para criar algo novo.

Atualmente acho que as características e a falta de tempo das sociedades modernas, em que andamos todos a correr e os avós trabalham até mais tarde, não estimulam tanto essa veia criativa. Não é preciso imaginar, criar, desenvolver… é mais fácil meter um miúdo a jogar playstation do que lhe contar uma história.

Mas por outro lado os avós da atual geração têm acesso a uma série de recursos que nas gerações anteriores não existia, ou não estava tão explorada, existindo uma transmissão de informação mais rápida.

 

 

A Cátia afirma que tem “a ambição de poder inspirar crianças, jovens e adultos a sonharem e (re)viverem aventuras fantásticas”. As suas histórias são a forma que encontrou de o fazer?

Honestamente espero que sejam um meio de chegar às pessoas que deixaram de sonhar, e que guardaram num cofre bem fechado a sua criança interior, porque acham que “é parvo” ou “infantil” ou “têm outras responsabilidades”.

Somos e seremos sempre crianças, a questão é se a deixamos viver em pleno ou não. Há quanto tempo não fazemos caretas com amigos, ou saltamos numa poça de água? Há quanto tempo não pregamos uma partida ou nos imaginamos super-heróis?

Por isso este livro não tem só como destinatário as crianças, mas também os pais delas, porque está escrito de uma forma divertida, com uma pitada de ironia e sarcasmo que apenas os mais velhos irão compreender e com a qual se irão identificar. Estabelece-se, assim, uma ponte para este imaginário infantil e a vida diária que qualquer adulto tem.

 

 

 

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Em que se inspirou para escrever “Elias e o Medalhão Perdido”?

Sempre adorei mundos mágicos, florestas e seres fantásticos, por isso o Elias acabou por surgir de forma muito natural uma vez que já faz parte do meu universo desde criança. O facto de ser uma adepta confessa da Serra de Sintra e de todo o misticismo que a envolve, com aquela aura especial e única, terá também ajudado nos contornos e contexto espacial da história. As personagens, as suas características e as expressões que lhes estão associadas foram sendo criadas a partir do meu quotidiano, do que ia ouvindo na rua, nos pequenos detalhes que ia observando nos transportes públicos, nas dinâmicas familiares e com amigos, o que acabou por humanizar muito as personagens: umas são distraídas, outras vaidosas, outras arrogantes e por aí fora. Facilmente qualquer pessoa se revê neste livro.

 

 

Este livro é o primeiro de várias aventuras que o Gnomo Elias ainda irá viver?

Este será o primeiro de várias aventuras que o Elias irá viver juntamente com os seus amigos. Aliás, o segundo livro já está em andamento.

 

 

Escrever livros infantis é a linha que quer seguir na escrita, ou ambiciona chegar a outro tipo de público – juvenil ou mesmo adulto?

Neste momento pretendo expandir o universo do Elias, com novas aventuras, locais e personagens. Sinto que o Elias chegou até mim por algum motivo e compete-me dar-lhe voz e expressão. Enquanto assim for faz-me sentido continuar nesta linha, mas no momento em que nos deixe de fazer sentido continuarmos juntos, poderemos seguir caminhos diferentes.

 

 

A Cátia é licenciada em Ciências da Educação. Na sua opinião, é uma área que complementa, de alguma forma, a escrita, e vice-versa?

Acho que ajuda sobretudo a ter uma visão mais ampla, mais alargada, a sair “do quadrado” e a ver a realidade com outros olhos.

 

 

Considera que, a nível da educação, a criatividade e a imaginação das crianças tendem a ser estimuladas ou reprimidas?

Ainda temos uma educação muito restritiva e castradora, onde as crianças são pouco estimuladas para criarem e desenvolverem novas formas de expressão.

Tudo tem de seguir uma determinada ordem e formato, é tudo muito baseado na repetição e memorização de conteúdos e não tanto na exploração ou no imaginário infantil.

Aos poucos começa a sentir-se uma maior abertura nesta vertente, com novas formas de atuar e pensar, mas ainda temos um longo caminho para percorrer.

 

 

Que feedback tem recebido por parte dos leitores, relativamente a este livro que lançou em janeiro deste ano?

Até agora o feedback tem sido bastante bom! As pessoas gostam da história que tem uma tónica divertida e das personagens, onde acabam por se rever de alguma forma.

 

 

Para quando uma próxima obra?

Este primeiro volume ainda terá de chegar a mais crianças e a mais pais, de modo a que o Elias e os amigos se possam dar ainda mais a conhecer! De qualquer forma o segundo volume já está em andamento!

 

 

Que mensagem gostaria de deixar às crianças deste mundo?

Que não tenham pressa de crescer! Que todos os dias façam festinhas a dragões ou uma nova poção com o que encontrarem, de preferência com a ajuda dos vossos pais!

 

 

Muito obrigada, Cátia!

 

 

*Esta conversa teve o apoio da Chiado Editora, que estabeleceu a ponte entre a autora e este cantinho.