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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

As "ervas daninhas" da nossa vida

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Há pouco tempo, andaram por ali na zona uns homens a arrancar as ervas da rua, que teimam em nascer junto aos muros, nas valetas e por entre as pedras da calçada.

Hoje, reparei que estão lá de novo, crescidas, verdes, viçosas, como se nunca tivessem sido arrancadas.

E na verdade, não o terão sido, mas apenas cortadas. E como todos os “males” que não são eliminados pela raiz, acabam por voltar, muitas vezes mais fortes e mais nocivos.

 

Mas é incrível ver como algo que nunca foi semeado, e que certamente não é tratado nem cuidado, surge sem ninguém estar à espera, e cresce e se desenvolve sem darmos conta. Assim, com a maior facilidade.

Já aquilo que semeamos por nossa autoria, que queremos que dê flor, e fruto, que cuidamos com todos os cuidados, e vigiamos constantemente, na ânsia de ver a nascer e crescer, muitas vezes demora, não vem da forma como gostaríamos que viesse ou, por vezes, nem sequer chega a nascer, morrendo e apodrecendo debaixo da terra.

Irónico, não?!

 

Também nós, ao longo da nossa vida, nos vamos deparando com algumas ervas daninhas. Como já percebemos, elas não pedem licença, nem precisam de muito para surgir. E são tão manhosas que, muitas vezes, se misturam disfarçadamente, para que ninguém se aperceba delas.

Vão convivendo connosco, camufladas, fazendo-nos mal mesmo sem darmos conta disso. Roubando-nos espaço, sugando aquilo que ambicionamos para nós, tornando a nossa vida e existência mais negativa, sem grande esforço.

As coisas já não são fáceis de conquistar por nós mesmos, sem intromissões. Se tivermos inimigos invisíveis, a dificuldade aumenta ainda mais.

 

E, tal como acima referia, não adianta, quando nos apercebemos dessas ervas daninhas, apenas cortá-las, para que consigamos temporariamente, viver em paz.

Porque, mais cedo ou mais tarde (por norma mais cedo do que imaginamos) elas voltam, mais resistentes, mais perigosas, para ficar com tudo o que é nosso, nem que para isso tenhamos que ser sacrificados.

Por isso, há que arrancá-las de vez da nossa vida, e ficar atentos, ao mínimo sinal, para que outras não surjam no seu lugar, com o mesmo objectivo ou intenção e, caso se atrevam, para combatê-las enquanto ainda não têm força suficiente para nos derrubar.

Quem é o grande culpado pelos males do mundo?

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Testemunhas de Jeová - última parte da conversa

(que já ia longa e eu ainda tinha um alguidar de roupa à espera para estender!)

 

 

Sempre que se fala em Deus, há uma questão que vem sempre a lume: 

"Se Deus existe, e é tão bondoso e generoso, porque é que deixa morrer tantos inocentes, sem nada fazer para os salvar?".

E, acto contínuo, respondem-me sempre "mas não é Deus que faz as guerras, que mata as pessoas..."

Pois não! Mas também não faz nada para o impedir!

 

 

Disse-me, um dia, alguém, que havia uma luta constante entre Deus e o Diabo, e que a intenção era manter o equilíbrio. Se ninguém morresse, ou se todos morressem, tudo se desequilibraria.

Claro que, por vezes, a balança pende mais para um lado do que para o outro.

Imaginem alguém a tentar salvar várias pessoas ao mesmo tempo. Para acudir a uma, não consegue fazê-lo com outra.

Este raciocínio tem a sua lógica, e só perde consistência quando se apregoa aos quatro ventos que Deus é todo poderoso e omnipresente...

Adiante...

 

 

Nessa tarde, as senhoras perguntaram-me quem é que eu achava que era o grande responsável pelos males do mundo, e eu não hesitei em responder: o Homem!

Porque somos nós que cá estamos, somos nós, gananciosos, na ânsia de dinheiro e poder, que passamos por cima de tudo e de todos, que começamos as guerras, que matamos, que destruímos os nossos recursos, a natureza que nos rodeia, que provocamos, directa ou indirectamente, catástrofes como incêndios e outras resultantes de alterações climáticas, por obra da poluição para a qual todos os dias contribuímos, somos nós que, muitas vezes, provocamos acidentes, e por aí fora.

No fundo, somos nós, humanos, que cá vivemos, que não sabemos gerir aquilo que temos ao nosso dispôr, que não sabemos partilhar aquilo que conseguimos obter, que só nos preocupamos connosco e agimos naquela de "salve-se quem puder, de preferência, eu!".

Depois, existem, claro, aqueles fenómenos que ninguém sabe explicar, as ditas "causas naturais" pelas quais, eventualmente, ninguém será responsável.

 

 

Ora, assim sendo, tudo isto iliba Deus de qualquer responsabilidade nos males de que somos vítimas. E, não sendo responsável, também não tem por que resolver as coisas por nós.

Mas, lá volta a eterna questão:

"Se Deus existe, se é todo poderoso e omnipresente, se é justo, se é conhecido por castigar os maus, e proteger os bons, porque é que, na prática, não vemos isso?".

Porque é que continuam a partir os melhores, e a ficar por cá os piores? Porque é que o bem é premiado com a morte, e o mal, com a vida?

 

 

 

Nem de propósito, lembrei-me deste poema de Luís de Camões, que a minha filha tem no manual de português:

 

Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.

 

Reflete ou não, a realidade dos nossos dias?!

 

 

 

Os Protegidos - a série

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"Cuidado com aquilo que desejas" é uma frase que se ouve muitas vezes, para exprimir que, algumas vezes, esses desejos podem mesmo tornar-se reais. E, se, e quando isso acontecer, não será, necessariamente, algo de bom.

Um dos desejos que todos nós tivemos alguma vez na vida, ainda que de forma inconsciente, foi o de ter algum poder especial, como o da invisibilidade, saber o que os outros pensam, de voar, e por aí fora.

Mas, como sabemos, todas aqueles que, de facto, pudessem ter algum destes poderes, seria visto como um ser diferente, um espécime raro. Não faltaria quem os quisesse estudar, testar, analisar. E quem se quisesse aproveitar desses poderes para fins menos recomendáveis.

 

 

É esse o mote para esta série espanhola, cuja terceira e última temporada está, actualmente, a ser exibida na SIC K, chegando hoje ao fim. 

Como vemos muitas vezes, só nesta última temporada vamos perceber o que esteve na origem de tudo.

Um cientista, cujo filho se encontra muito doente, com problemas de coração, tenta descobrir uma forma de o salvar, desenvolvendo uma espécie de medicamento, através de uma planta. No entanto, o filho acaba por morrer.

A fórmula é então, posteriomente, utilizada por uma das suas alunas de medicina para tentar curar várias crianças com problemas de coração. Só que esse medicamento, em vez de tratar o problema, tem como efeito colateral o desenvolvimento de poderes sobrenaturais, de acordo com aqueles desejos e pensamentos que tinham em mente.

 

 

Uma organização perigosa tenta comprar a fórmula, e a lista de todas as crianças com poderes, mas não é bem sucedida. A partir daí, começa a caça às crianças e adolescentes de todo o mundo.

Cobra, Sandra, Lucas, Lúcia e Carlitos passam a viver com Mário e Jimena, formando o disfarce da família perfeita e normal, para o mundo exterior. Na verdade, os 5 primeiros têm poderes. Mário é o pai de Carlitos. Jimena tem uma filha com poderes, que foi raptada pela organização, e o seu principal objectivo é recuperá-la ao mesmo tempo que tenta proteger esta nova família, e escapar com vida a tudo isso.

 

 

 

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Ao longo das 3 temporadas, vão surgindo personagens que não se sabe de que lado estão, e que contibuirão para o grande final. 

Apesar do perigo constante, e de terem que lidar com os seus poderes, estes jovens vivem todos os dramas normais da infância e adolescência.

Na última temporada, há uma esperança de cura, que os fará perder todos os poderes, e voltarem a ser normais, deixando de ser perseguidos, podendo voltar para junto das suas famílias. 

Mas nem tudo é tão simples quanto parece, e os obstáculos não darão tréguas.

Jimena, a partir de uma visão da filha, afasta-se dos restantes. Será Júlia, filha do cientista, que terá o papel de guardiã dos Castillo, e de todos os outros que, por culpa do seu pai, estão nesta situação. 

E acabará mesmo por levar esse papel ao extremo, vendo morrer a sua mãe e o seu pai, por uma causa maior: a de não deixar a organização vencer esta guerra.

 

Resta saber se tudo isso servirá para pôr um fim à história, ou se não terá quaisquer hipóteses...

 

 

Destaco ainda a banda sonora da série, a cargo de César Benito, nomeadamente, as músicas Sentimientos e Aparente Normalidad.

 

"Sentimientos" exprime, sem qualquer palavra, todos os sentimentos presentes na série: tristeza, saudade, frustração, revolta, amizade, união, amor, força, família, esperança...

 

 

 

 

 

 

Assim assim, nem mal nem bem

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Conta a minha mãe que, quando eu era pequenina e me perguntavam como ia a vidinha, eu abanava a mão, como que a dizer "assim, assim".

É assim que me tenho sentido por estes dias. 

Não está má, não me posso queixar, podia ser bem pior. Há quem esteja bem pior. Haja saúde, trabalho e algum dinheiro, que já nos podemos dar por felizes.

Mas sinto que também não está muito bem, podia estar melhor. Estou naquele meio termo, à espera de não retroceder, mas também sem conseguir ou saber por/ para onde avançar.

Não gosto quando me vejo em situações que, por mais que queira, não posso prever ou controlar. Não gosto de coisas resolvidas pela metade, ou não resolvidas de todo. Não gosto de não saber para onde me dirigir, ou qual o melhor caminho a tomar.

Gosto de saber com o que posso contar, gosto de manter as coisas sob controlo, gosto na normalidade. 

É quase como o pó que sabemos que está nos móveis, mas no qual não mexemos para não espalhar. Na terra que está no fundo, e que não mexemos para não turvar a água. 

Estou na fase em que a vida agitou o pó e a terra, mas ainda não deixou tudo limpo. Portanto, está tudo um pouco turvo e nublado, não me deixando ver o que o futuro trará. 

Enquanto isso, espero que a poeira assente de novo, ou seja removida definitivamente.

 

 

Quando dois homens se beijam

 

Hoje fui ao banco e, enquanto lá estava, reparei em dois homens que se cumprimentavam.

Uma situação perfeitamente normal, mas o que achei curioso foi o facto de se cumprimentarem com um beijo na cara, algo nada comum nos tempos que correm.

Pareceu-me que deveriam ser irmãos. Ou familiares próximos. Normalmente, este tipo de cumprimento é mais utilizado entre pais e filhos, avós e netos, irmãos, genro e sogro. Ou, pelo menos, tenho essa ideia.

Em quaisquer outras circunstâncias, e habitualmente, os homens costumam cumprimentar-se com um aperto de mão, uma palmadinha nas costas ou, no caso dos mais jovens, com aqueles rituais que só eles entendem!

E pus-me a pensar que, nesta situação específica, e sendo os senhores já idosos, ninguém levou a mal nem viu nisso nada fora do normal neste gesto.

Mas, será que teriam a mesma reação se, em vez destes dois senhores, fossem dois homens novos?

Sim porque, quando são duas mulheres a cumprimentar-se com um beijo na cara, ou uma mulher e um homem, ninguém liga, mas aposto que, se vissem dois homens a cumprimentarem-se dessa forma, começariam logo a pensar que seriam homossexuais.

E, no entanto, é um gesto perfeitamente igual nos três casos. E, ainda que assim não fosse, continuaria a não haver razão para chocar. Afinal, cada um é livre de gostar de quem quer e lhe apetece, independentemente do sexo. E é livre de trocar carinhos ou cumprimentar-se em público, como qualquer outra pessoa.

O mal está nos olhos de quem vê, não nos gestos de quem faz.

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