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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Para lá do gradeamento

 

Todas as manhãs vou levar a minha filha à escola. Todas as manhãs, dezenas de outros pais fazem o mesmo.

Mas, para lá da rotina já instalada e diariamente praticada, da correria, da confusão, do trânsito, outro hábito se criou.

Se, nos dias não escolares, a zona está deserta, nos dias de aulas, o gradeamento da escola fica totalmente ocupado pelos pais e mães.

Talvez pelo desejo de observar durante mais alguns instantes as suas crias, para se certificarem que estas ficam bem, que nada lhes acontece, que não fazem disparates, ou por qualquer outro motivo que só a eles diz respeito.

Também eu, logo depois de a minha filha passar o portão, fico a observá-la. E confesso que fico muito mais descansada se ela encontra as colegas da sala ou as amigas. Já aconteceu ela chegar lá, andar à procura das colegas, não encontrar ninguém, e não saber muito bem onde ficar ou o que fazer enquanto não aparecia ninguém.

Nessas alturas, fica mais complicado, para nós cá fora, qual visitantes do Zoo a observar os animais enjaulados lá dentro, pelo gradeamento (é assim que eu me sinto), sairmos dali para ir às nossas vidas, sem um aperto no coração.

E quantas vezes penso “quem me dera que, só hoje, ela não tivesse que vir para a escola, e eu para o trabalho, e tivéssemos o dia só para nós”!

Mas enfim, a vida é mesmo assim, e temos que deixá-los vivê-la, e aprender com ela.

E, afinal, eles provavelmente até estão bem, e nós é que nos preocupamos sem necessidade. Mas isso é um defeito de pais, muito difícil de corrigir! 

Corrupio das Manhãs

Crianças - Para a escola 3  

 

Todos os dias a história se repete: acordo ao som do meu querido despertador, levanto-me (ao fim de alguns minutos a mentalizar-me para tal), e começo a minha rotina matinal!

Com algumas tarefas já adiantadas, espreito para o relógio de parede, por cima da mesa da cozinha - são 7h30m! Está na hora de acordar a minha filhota!

Tal como eu, ainda cheia de sono e tão bem aconchegada, na cama quentinha, que a última coisa que lhe apetecia era de lá sair!

Sempre com o tempo contado ao segundo, saímos finalmente de casa, iniciando a nossa caminhada até à escola.

E como sabem bem esses 20 minutos, em que efectivamente disponho de tempo para conversar com a minha filha!

É certo que preferia uma escola mais próxima de casa, pelo menos naqueles dias em que está frio ou chuva, já que não tenho carro, e autocarros àquela hora não existem. A própria escola só oferece transporte para quem more a mais de 4 quilómetros (não é o caso), e para pagar a uma carrinha, sai dispendioso.

Mas é com imenso prazer e satisfação que a acompanho até ao portão da escola, naquele a que já apelidei de “nosso momento do dia”!

Por entre mães (e pais) que, tal como eu, levam os filhos pela mão, a enorme quantidade de carros que por nós passam e, a muito custo, param nas passadeiras para que possamos atravessar para o outro lado da estrada, outros tantos que tentam estacionar, sair ou entrar do café, ou das empresas e fábricas pelas quais temos que, obrigatoriamente, passar, chegamos finalmente ao destino!

Tentamos visualizar algumas colegas dela no ponto de encontro e, entregando-lhe a mochila, despeço-me com um beijinho e o desejo de que o dia lhe corra da melhor forma!

Ainda fico, por breves instantes, a observá-la do lado de fora do gradeamento, tentando certificar-me de que ficou “bem entregue”!

Sigo então, no sentido inverso, cruzando-me com outras pessoas que ainda vão a caminho da escola, aventurando-me no que mais me parece um “labirinto”, tais são as voltas e manobras que tenho que dar e fazer, no meio de toda aquela confusão, que se gera devido à proximidade de quase todas as escolas da vila!

Até que, já longe daquele corrupio, chego ao meu trabalho, já cansada, confesso, mas feliz e agradecida por aquele pequeno momento que, com a mudança de horário neste ano lectivo, a escola me proporcionou!

Amanhã há mais!