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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"E Às Vezes Dou Por Mim"

 

“E Ás Vezes Dou Por Mim”, que podem ver e ouvir a partir de hoje, é o primeiro avanço para o novo disco de Cristina Branco, intitulado “Menina”, que será editado a 16 de setembro.

Este tema tem composição de Filho da Mãe (instrumental) e André Henriques (letra), dos Linda Martini. Já o vídeo, foi realizado por João Pedro Moreira (Buraka Som Sistema, Regula, 5-30, entre outros).

 

 

 

O álbum apresenta várias novas colaborações na carreira da fadista, como é o caso deste single.

Falamos também de nomes como Cachupa Psicadélica, Peixe, Nuno Prata, Ana Bacalhau, Kalaf (Buraka Som Sistema), Jorge Cruz (Diabo na Cruz), Luis Severo (Cão da Morte), entre outras parcerias já repetentes como o caso de Mário Laginha, Pedro da Silva Martins e António Lobo Antunes.

“Menina” será editado a 16 de Setembro, tem produção de Ricardo Cruz, e conta com o trio de músicos composto por Bernardo Moreira (contrabaixo), Luis Figueiredo (piano) e Bernardo Couto (guitarra portuguesa).  

O Festival Bons Sons (Cem Soldos) e a Festa do Avante servem de antecipação a uma digressão em teatros nacionais e internacionais que se inicia em Outubro.

 

Mãe espanca abusador da filha!

Imagem do Correio da Manhã

A primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Grande mãe!".

E grande filha, também!

Falava no outro dia a cartaforadobaralho, sobre o facto de não haver mais denúncias de abusos por a sexualidade  ser ainda um assunto tabu.

Pois aqui neste caso não houve tabus. Uma menina de sete anos, depois de abusada, pela segunda vez, por um vizinho de 18 anos, contou tudo à mãe.

A mãe, não descansou enquanto não encontrou o violador e, assim que o apanhou, agrediu-o violentamente!

Ao que parece, a menina e esse vizinho costumavam brincar com outras crianças na rua.

Esta segunda violação aconteceu, de acordo com o Correio da Manhã e O Saloio, no passado fim de semana, numa localidade bem perto de mim:

"Segundo informação que recebemos posteriormente, esta situação teve lugar na Enxara dos Cavaleiros, povoação da freguesia de Enxara do Bispo, no município de Mafra."

Feita a queixa às autoridades, o jovem foi identificado e detido pela Polícia Judiciária de Lisboa, e encontra-se em prisão preventiva.

Diz uma amiga minha que "hoje em dia, ninguém está livre".

E eu pergunto-me: sabendo que realidades destas podem acontecer a qualquer criança, como é que nós, enquanto pais, conseguimos gerir, por um lado, o incentivo à autonomia e, por outro, a insegurança que os rodeia?

 

 

 

Quando os filhos têm vergonha dos pais

 

Depois de algumas horas fechados na sala de aula, chega finalmente a hora do recreio!

Os rapazes vão jogar à bola, enquanto as raparigas se juntam em grupinhos, a conversar ou a brincar com aquelas coisas que trouxeram de casa.

Observo com mais atenção, e descubro uma menina sentada num banquinho, afastada das outras crianças, a comer o seu lanche que a mãe, carinhosamente, lhe preparou.

Vejo no seu olhar, e na sua expressão, que está triste. Ela gostava de estar com as outras meninas. Mas as outras meninas não querem estar com ela.

Afinal, porque haveriam de a incluir naquele grupo de amizades? Quem é ela?

Ela é, apenas, a filha daquele homem que trabalha todos os dias para poder alimentar e dar o que pode à sua família, daquela mulher que, quando não está a trabalhar, fica em casa com os seus filhos, e vai levá-los e buscá-los à escola naquele velho Renault Clio que, provavelmente, não se importariam de trocar por outro mais novo, houvesse dinheiro para tal. Mas não há, e afinal de contas, é preferível ter aquele do que não ter nenhum.

Ela é, apenas, uma menina que não veste roupa de marcas famosas. Certamente, muitas das suas roupas nem novas são – foram dadas por outras pessoas a cujos filhos já não serviam. Embora os pais lhe possam comprar uma ou outra peça naquelas lojas mais baratinhas, ou numa qualquer feira.

Num meio onde vivem, em maioria, crianças filhas de pais ricos, com dinheiro, donos disto e daquilo, não é fácil ser pobre, não usar roupas de marca, andar num carro velho, e não ter brinquedos de última geração!

Aquela menina, é uma menina a quem os colegas põem de parte, por todos esses motivos Uma menina que todos os dias ouve os colegas chamarem-lhe as mais variadas coisas, que todos os dias é insultada e enxovalhada.

É uma menina triste e solitária, que só desejava ter amigas como qualquer outra criança, que só desejava brincar e ser aceite pelos colegas, que só desejava não ser discriminada pelas condições de vida que os pais lhe podem proporcionar…

Uma menina que, como qualquer ser humano, tem sentimentos…

E pergunto-me? Será a pobreza motivo para ter vergonha dos pais? Será uma justificação válida para tal?

Ou deve, pelo contrário, ser um motivo de orgulho para os filhos, saber que tudo o que têm, nem sempre muito, foi conseguido com muitos sacrifícios, esforço e dedicação dos seus pais, para que nunca lhes faltasse o essencial?

Não nos devemos sentir gratos quando, por exemplo, uma mãe abandonada pelo companheiro ainda grávida, cria a seu filho sozinha, trabalhando de sol a sol, muitas vezes passando fome para que não falte alimento ao filho, juntando todo o pouco dinheiro que conseguiu na sua vida para pagar os estudos ao filho e vê-lo formado em medicina?

É triste quando esse filho não reconhece tudo o que foi feito por ele, quando esse filho tem vergonha da própria mãe, quando finge não a conhecer e mente a todos sobre a sua família, quando esse filho só pensa no seu próprio bem-estar e comodidade, quando esse filho tem nojo da comida que a mãe, dentro das suas possibilidades, lhe pode pôr no prato, quando esse filho tem vergonha da casa pobre onde vive, não percebendo que ter um tecto para o acolher e abrigar, já é uma bênção.

Esse sim, é um bom motivo para se ter vergonha – não da pobreza material dos pais, mas da pobreza de valores morais de filhos!

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