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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

À Conversa com a Associação Mentes Sorridentes

 

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E se fosse possível adquirir uma “ferramenta”, desde a infância, para superar os momentos difíceis que a vida nos reserva?

A Associação Mentes Sorridentes é uma associação sem fins lucrativos, criada com o objetivo de transmitir bem-estar a todos os que nos rodeiam, recorrendo ao mindfulness. 

 

Para ficarem a conhecer melhor o trabalho desenvolvido e os objectivos da associação, aqui fica a entrevista:

 

 

 

 

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Como, e quando, nasceu a Associação Mentes Sorridentes?

 

As Mentes Sorridentes nasceram numa escola pública, na área da grande Lisboa, depois de uma equipa multidisciplinar de professores, psicólogos e médicos ter implementado e avaliado um programa de mindfulness desenvolvido para o contexto educativo.

Ao constarmos os resultados de uma intervenção com apenas 8 semanas, considerámos que tínhamos de levar esta experiência a outras comunidades educativas e a única forma de o fazer era constituirmo-nos como associação sem fins lucrativos.

Temos agora 2 anos de existência e já levámos o projeto a 12 agrupamentos de escolas públicas.

 

 

 

Quais são os principais objectivos da associação?

 

A nossa missão é facultar a adultos, crianças e jovens competências duradouras para a vida, baseadas no mindfulness e na meditação, permitindo-lhes alcançar bem-estar mental e emocional.

 

 

 

Para quem não conhece bem o significado, poderia explicar em que consiste o termo “mindfulness”?

 

Mindfulness é um treino mental que assenta na prática repetida de atos intencionais que vão permitir que os processos regulatórios de córtex pré-frontal diminuam a atividade dos processos automáticos do modo default.

Parar e estar presente é uma competência básica do desenvolvimento do mindfulness. E isto treina-se prestando atenção e tendo consciência do que está a acontecer neste momento, dentro e fora de nós.

Estar “acordado(a)” e disponível para a vida tal como ela é, mais do que fantasiarmos aquilo que achamos que a vida deveria ser.

O mindfulness é, dito de outra forma, uma pausa. 

 

 

 

Na sua opinião, a prática do “mindfulness” é útil em todas as faixas etárias, sejam crianças ou adultos, e nas mais diversas áreas?

 

Os campos a que a meditação e o mindfulness se têm alargado revelam a sua importância – do contexto militar, da saúde e empresarial, à educação; desvendando a ciência a importância do treino da mente em todas as idades.

Entre os inúmeros benefícios atestados, referimos, particularmente, aqueles que investigaram esta última área revelando um aumento de competências que são relevantes para professores e alunos.

Entre estas, encontra-se um aumento da capacidade de atenção (Napoli et al 2005; Sedlmeier et al, 2012), uma menor reatividade emocional e um maior envolvimento em tarefas, mesmo quando ativado emocionalmente (Ortner et al., 2007; Roemer et al, 2015), redução do stress e da ansiedade (Chiesa & Serreti, 2009).

Tem, também, sido encontrado um aumento de respostas compassivas a alguém que está em sofrimento e um aumento da compaixão (Condo net al, 2013; Birnie et al, 2010).

A avaliação do nosso programa Mentes Sorridentes tem confirmado, igualmente, estes dados, salientando-se o incremento do bem-estar em adultos, jovens e crianças.

 

 

 

De acordo com a sua experiência, considera que muitas pessoas ainda vivem muito “presas” ao passado, condicionando de forma negativa o presente, no qual não se conseguem focar na totalidade?

 

O estado natural da mente é, por norma, estar imerso na sua narrativa interior, na narrativa da sua história de vida, preso ao passado ou projetando o futuro.

E o mundo atual potencia ainda mais esse “alheamento” do mundo que nos rodeia a ponto de estarmos atentos apenas a alguns sentidos (caso da visão e do tacto).

Treinar a mente também possibilita o desenvolvimento de novas ligações neuronais, de reforçar caminhos cerebrais que nos ajudam a desenvolver a capacidade de nos relacionarmos com a experiência que vivemos de maneira diferente, de ganhar perspetiva e observar a qualidade subjetiva dos fenómenos internos e externos, em vez de se reforçarem os processos habituais de identificação, que oscilam entre reações de apego e aversão (Hӧlzel et al., 2011; Vago, & Silbersweig, 2012).

 

 

 

 

 

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O nosso bem-estar depende, maioritariamente, do nosso corpo e da nossa mente, e da forma como se interligam entre si?

 

Não é possível separar o corpo da mente. Isto pode ser compreendido com facilidade se nos questionarmos: quando temos de lidar com algum acontecimento difícil na nossa vida, como reage o nosso corpo? Por vezes a garganta aperta, ou o estomago faz um nó, ou as mãos suam. O nosso cérebro é um cérebro emocional e facilmente caímos no ciclo de pensamento, emoção, pensamento. O conceito de bem-estar tem evoluído ao longo do tempo, porém atualmente está correlacionado com vários indicadores, entre eles, a saúde mental. 

O mindfulness é uma forma diferente de estar com a experiência de stress ou ansiedade, tendo consciência do que acontece, nessas alturas, no corpo e na mente, e estabelecendo com isso uma relação diferente, não caindo nos automatismos mentais rotineiros.

Aprende-se a ter consciência dos pensamentos à medida que emergem na mente e a não os confundir com a realidade ou identificar com eles, aprende-se a gerir as emoções difíceis.

 



Existem mais pessoas a procurar este tipo de ferramenta quando estão a atravessar momentos difíceis nas suas vidas e pretendem superá-los, ou há quem queira experimentar apenas por curiosidade?

 

Da nossa experiência, a curiosidade é sobretudo o grande motor que leva à procura do mindfulness. Contudo, não é uma panaceia mágica para todos os problemas. É um treino mental associado a um caminho e a uma atitude de viver intensamente a vida tendo consciência da totalidade da nossa experiência. Existem inúmeras ofertas neste campo e é importante saber discernir o que é mindfulness do que não é.

 

 

 

Hoje em dia, as pessoas vivem, de uma forma geral, sob intenso stress e pressão, e a falta de paciência é uma constante, acabando por prejudicar a sua saúde e as relações com os outros. É possível, através do “mindfulness”, reverter estas situações?

 

Não se trata de uma técnica destinada a reduzir diretamente o stress ou ansiedade, ou para controlar o pensamento.

O mindfulness é uma forma diferente de estar com a experiência de stress ou ansiedade, tendo consciência do que acontece, nessas alturas, no corpo e na mente, e estabelecendo com isso uma relação diferente, não caindo nos automatismos que são habituais nessas situações.

Os resultados científicos atestados neste campo revelam um efeito positivo do treino de mindfulness a nível da diminuição do stress, da ansiedade, ansiedade a testes, e depressão (Beauchemin et al, 2008, Napoli et al, 2005; Semple & Droutman, 2017).

 

 

 

 

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Neste momento, a Associação Mentes Sorridentes tem projetos implementados em áreas/ instituições específicas em Portugal, e parcerias com outras associações semelhantes, ou trabalha apenas a nível individual? 

 

As Mentes Sorridentes estão já em 10 comunidades educativas na zona centro e Norte do país. Também contamos com o apoio de algumas empresas privadas que apadrinham escolas e contribuem simultaneamente para o bem-estar dos seus funcionários que realizam exercícios de mindfulness connosco.

Porém, a nível educativo, realçamos a nossa parceria com o Centro de Neurodesenvolvimento do Hospital Beatriz Ângelo, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e a CMLoures que acompanham o projeto nas diversas escolas. A parceria com a Associação Portuguesa para o Mindfulness traduz-se, sobretudo, na adaptação do programa a diferentes realidades e na avaliação do seu impacto. São instituições que nos são particularmente queridas pela confiança que depositam no nosso trabalho.

 

 

 

Para quem estiver interessado, de que forma poderá associar-se, e em que consiste, de uma forma geral, todo o processo que será levado a cabo com os inscritos?

 

Podem acompanhar a nossa associação no facebook: associação mentes sorridentes, em www.mentessorridentes.pt e contactar diretamente connosco em mentessorridentes@gmail.com. Em janeiro e fevereiro de 2019 iremos fazer, em Loures, um curso Mentes Sorridentes para pais e filhos que será divulgado pelos canais acima referidos. Esperamos que venham experimentar “respirar” connosco!

 

 

 

Muito obrigada!

 

 

Nota: esta conversa foi sugerida pela Claudia Oliveira.

Fragmentado - o filme

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Há muito que queria ver este filme, e sábado foi o dia! 

Confesso que a ideia de haver 23 personalidades diferentes, a viver num mesmo corpo, era bastante interessante.
Infelizmente, as cenas centraram-se em pouco mais de 4 dessas personalidades, colocando as restantes de parte.
Este foi, quanto a mim, o primeiro erro.
Haveria muito mais a explorar, em todas essas "pessoas" que cohabitavam numa só, o que não foi feito.

O mote para o filme foi o rapto, por uma dessas personalidades, de três jovens adolescentes que, quando acordam, se vêem num quarto, fechadas, temendo o pior. Embora o óbvio não tenha acontecido numa primeira fase, saindo um pouco da história habitual, e fazendo-nos ficar a pensar qual será, afinal, o objectivo, o final acabou por não surpreender.

Por falar em final, achei-o demasiado fantasioso e irreal. A forma como caracterizaram a "besta", 24ª personalidade acabada de surgir, não foi a melhor. Poderiam ter, também aqui, escolhido um caminho mais credível, dentro da história e do tema que queriam apresentar ao público.

 

 

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Desde o início que se percebeu que, das três jovens, Casey era a que tinha mais hipóteses de conseguir escapar, muito por conta de todos os ensinamentos que pai lhe passou na infância. Embora não lhe tenham servido de muito, ao longo da sua vida, até àquele momento. Mas, enquanto as suas colegas agiam sem pensar, lutando pela sobrevivência como os comuns mortais, Casey tentava chegar às personalidades que lhe eram dadas a conhecer, e daí tirar vantagem, algo que acabou por se revelar inútil.

Só havia uma forma de as adolescentes se salvarem, do que quer que lhes fosse acontecer - serem puras! Sendo que a "pureza", no caso deste homem, e das personalidades que nele vivem, tem um conceito diferente, fruto do seu passado, e de tudo o que vivenciou durante o seu crescimento.

Nem a psiquiatra que o acompanhava, apesar de o tentar ajudar e impedir uma tragédia maior, o conseguiu impedir.
No fim, ficamos com uma sensação estranha...A de que, o que tanto nos feriu no passado, foi o que acabou por nos salvar no presente. Devemos, então, ficar agradecidos por isso?

Só cansaço, ou algo mais?

 

No outro dia, a propósito de uma cena da telenovela da noite, em que um jornalista sugeria a outro beber uma bebida energética, para se aguentar desperto e com energia, comentei eu com a minha filha que, também eu, andava a precisar de um Red Bull! Ou de umas vitaminas.

É que a minha energia anda mesmo muito reduzida, principalmente aos feriados e fins de semana :)

Se tiver que acordar cedo, durante a semana, ou mesmo ao fim-de-semana, e tiver várias coisas para fazer, até canso quem me vê a trabalhar, ou a andar de um lado para o outro.

Mas se me deixo dormir até mais tarde, parece que o meu botão de ignição não liga. E quando liga, o corpo anda a fazer tudo muito lentamente, em velocidade caracol!

Sabem aquela sensação de quererem que o corpo mexa, e ele não o faz? Aquela sensação de apagão total, em que os olhos ainda abriram e ponderaram assim ficar, mas logo se fecharam? Pois é assim que eu ando!

Ontem acordei, pela terceira vez nessa manhã, pouco depois das 11h. Levantei-me, para me ir deitar no sofá a ver televisão. Levantei-me do sofá para me ir sentar na cozinha a almoçar, e de lá voltei para o sofá, até às 17h. E só a essa hora é que me obriguei a fazer tudo o que tinha a fazer, e já com alguma energia.

Hoje, acordei cedo, mas sinto-me mais enérgica!

Será que vou ter que me levantar cedo todos os dias, daqui em diante, para não ser afectada pelo cansaço?

 

 

Preconceito, rótulos ou pura realidade?

 

Como disse um dia Albert Einstein "É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito".

Até mesmo aquelas pessoas que afirmam não ser nada preconceituosas têm, por vezes, pensamentos ou atitutes que demonstram que não é bem assim.

Mas, o que será que nos leva a rotular determinados grupos, a demonstrar preconceito por determinadas pessoas? Será pura ignorância, valores errados que lhes foram incutidos, um perfeito absurdo, ou apenas a constatação da realidade?

É verdade que não devemos julgar o todo pela parte. Cada pessoa é como é, diferente de todas as outras, e pessoas boas e más existem em todos os grupos sociais e culturas. Não somos melhores nem piores que ninguém.

No entanto, porque é que, por exemplo, os ciganos, são tão temidos e ninguém gosta deles? Não será porque, frequentemente, vemos os mesmos envolvidos em confusões ou em cenas de violência? O mesmo acontece em relação aos ucranianos. Mas isso acontece com todos, não é só com eles. 

As mulheres brasileiras, por exemplo, foram muitas vezes rotuladas de "destruidoras de lares". Mas será que os homens portugueses só começaram a trair as suas mulheres quando chegaram cá as brasileiras? Duvido muito!

Um outro exemplo são os bairros em que a maioria dos habitantes são pretos. Muitas pessoas evitam frequentar estes bairros com receio de assaltos, violência e outro tipo de crimes. E associam estas pessoas a delinquentes, jovens em risco, gente que não faz nada na vida porque não quer, que anda no mundo da droga.

Eu própria tenho amigas que são negras, com quem me dou bem e, de uma forma geral, não tenho nada contra quaisquer outras raças, mas será que me sentiria segura num bairro destes?

E quando falamos de ex presidiários? Ou pessoas que, um dia, cometeram determinados crimes? O meu marido estava no outro dia a ver um filme em que havia dois jovens - o primeiro, rico mas cego, cujo único problema era sofrer de bullying; o segundo, pobre, já tinha efectuado alguns furtos mas estava a tentar endireitar a sua vida, e ajudava o primeiro nas suas competições. Ficaram amigos. No entanto, quando supostamente desapareceu um relógio de ouro ao primeiro, o seu pensamento foi de que poderia ter sido o seu amigo a roubar-lhe o dito relógio. É um pensamento automático, involuntário ou não, mas que chega antes que o possamos evitar. Afinal, o relógio estava apenas caído no chão. 

E o mesmo acontece a quem já esteve preso por determinado crime. Se o fez uma vez, é provável que faça uma segunda.

Mais recentemente, temos o caso dos refugiados e dos terroristas. Mesmo sabendo, até por todos os casos de que já ouvimos falar na televisão, que um terrorista pode ser um americano que pegou numa arma e se lembrou de matar não sei quantas pessoas só porque sim, um inglês que estava deprimido e resolveu andar à facada a toda a gente, ou até mesmo um português, quem sabe nosso vizinho ou conhecido, que afinal era um violador ou serial killer, ainda assim talvez nos sintamos mais seguros num ambiente onde não estejam vários muçulmanos. Porque, embora não queiramos pensar que em cada muçulmano há um terrorista com uma bomba prestes a explodir escondida, a verdade é que esse pensamento é, muitas vezes, mais forte que nós e damos por nós a querer sair dali depressa.

Ou seja, embora todo e qualquer preconceito seja uma forma de discriminação e violência, existem aqueles que são totalmente infundados e sem cabimento, outros que resultam de rótulos que foram sendo atribuídos ao longo dos anos, talvez por situações que já aconteceram com membros desses grupos sociais ou culturas, e que servem agora para julgar o todo pela parte, e aqueles que se baseiam em factos reais e concretos.

Se é possível erradicar de vez estes preconceitos? Acredito que possamos tentar ser mais tolerantes, compreensivos e evitar julgar as pessoas sem as conhecer, ou formar juízos de valor tomando o todo pela parte. Mas não me parece que seja possível eliminá-lo de vez. Porque, mesmo sem querer, há-de vir sempre aquele pensamento, aquela desconfiança, aquela insegurança que, embora nem sempre resulte em atitudes preconceituosas directamente contra as pessoas em causa, está lá, mesmo que apenas na nossa mente.

 

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