Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando nos limitamos a olhar para o superficial

Relacionamento superficial - Wellness Hunter

 

Quando nos habituamos a olhar só para o superficial, ficamos cegos ao que se esconde por baixo.

Existem pessoas cuja mente está tão programada para ver apenas a camada visível de cada pessoa, que não consegue decifrar qualquer outra que se encontre abaixo dessa.

Quando as pessoas se focam muito na aparência, numa determinada imagem que têm dos outros, e a que estão habituadas, podem ter esses outros a meio metro de distância que, se não corresponderem a essa imagem, não os reconhecerão.

Basta retirar essa camada, que passarão a ser invisíveis, e indiferentes aos olhos das pessoas que deveriam, à partida, conseguir identificar. 

"A Banca dos Beijos 2", na Netflix

A Banca dos Beijos 2”: Trailer português do filme da Netflix ...

 

O filme estreou na passada semana, e vimo-lo no domingo.

Na sequência do anterior, Elle e Noah são agora um casal de namorados que irá enfrentar a distância, e pôr à prova aquilo que realmente sentem um pelo outro.

Na teoria, mais um filme romântico para adolescentes, igual a tantos outros.

 

Na prática, são várias as reflexões que podemos fazer. E aprendizagens que podemos retirar.

 

Amizade

Quando os amigos iniciam relações com terceiras pessoas, a amizade ressente-se?

É possível manter as amizades, ou agora a prioridade é apenas o parceiro?

Os amigos serão para sempre amigos, se assim o entenderem e, havendo compreensão, é possível conjugar ambas as relações, sem que os amigos se sintam, de um momento para o outro, excluídos, e sem que os respetivos parceiros sintam que estão em segundo lugar, na lista de prioridades.

O segredo consiste em se ser honesto porque, quando assim não é, uma bola de neve de mal entendidos pode levar a que se estrague tanto a relação amorosa, como a de amizade.

 

É possível haver amizade entre pessoas de sexo oposto, sem segundas intenções, e a prova disso são Elle e Lee. Mas para quem está numa relação insegura, e à distância, por vezes surge a dúvida. E a dúvida fica ali a corroer, se não for esclarecida, e se a insegurança não der lugar à confiança.

 

Por muito que os amigos façam planos juntos, poderá haver situações que levam a que se tenha que alterar esses planos, adaptando-os a uma nova realidade. Isso não tem que ser encarado como uma traição à amizade. Se gostamos dos nossos amigos, e os queremos ver felizes, devemos apoiar algo que eles desejem e os faça felizes.

 

Amor

Por vezes, as nossas maiores inseguranças e receios acabam por se transformar na única coisa que conseguimos ver, e na qual queremos acreditar.

É impressionante como olhamos para as coisas e estamos tão cegos. Ou melhor, vemos aquilo que não existe, mas não conseguimos ver aquilo que é.

Ao interpretar aquilo que captámos, o nosso cérebro cria toda uma história que, apesar de não passar de imaginação, o reflexo da insegurança, é aquela que consideramos real e que, se não abrirmos, realmente, os olhos a tempo, poderá acabar por se tornar real.

Agora imaginem se, numa relação, as duas pessoas agirem assim? Não dará bom resultado.

Mais uma vez, o segredo é o diálogo. Se se começam a esconder inseguranças, a mostrar desconfianças, a fazer de conta que está tudo bem, ao mesmo tempo que se mostra que nada está bem, sem se falar abertamente, nem um nem outro saberão o que se passa na cabeça e no coração do parceiro, e poderá interpretar os sinais de forma errada.

 

É preciso muito cuidado, numa relação à distância, com o "espaço" que achamos que devemos dar ao parceiro, porque esse espaço depressa pode parecer, ao outro, um afastamento, um desinteresse, um esfriar da relação.

Por vezes, a boa intenção com que fazemos as coisas, de um lado, pode chegar ao outro com uma interpretação contrária, e negativa, sobretudo se exagerarmos. 

Por outro lado, se esse "espaço" é algo que fazemos de forma forçada, ou propositada, é porque estamos a ir contra aquilo que sentimos, e não nos fará bem. E se o parceiro nunca desejou ou pediu esse espaço, ainda pior.

 

Nem tudo o que parece é. Mas se há confiança na relação, não devemos guardar para nós os problemas pelos quais estamos a passar, só para não incomodar os outros.

 

Vida

Devemos fazer as coisas por nós, e não pelos outros.

Ainda que essas coisas possam incluir os outros.

É válido querer estar mais perto da pessoa que se ama, e planear a vida e o futuro tendo em conta essa vontade, mas não exclusivamente por conta da relação. E talvez seja melhor pensar duas vezes, se essa decisão será a melhor para a nossa vida, para os nossos planos pessoais e profissionais.

Se é o que realmente queremos, ou só nos estamos a desviar, sem querer, mas porque parece o mais acertado?

 

Devemos fazer as coisas por prazer, e não por obrigação, sempre que for possível.

Porque é esse prazer, esse sentir, essa descontração, que nos levará a mostrar o nosso melhor.

Ainda que não seja perfeito, que seja sentido com emoção, porque o resto surge por acréscimo.

Há momentos em que não se pode agir de forma metódica e mecânica.

Há momentos em que não podemos mostrar aos outros aquilo que achamos que eles esperam de nós, mas aquilo que realmente somos.

Até porque as mentiras não duram para sempre, e o nosso verdadeiro "eu" acabará por vir ao de cima.

 

 

 

Nem sempre nos conseguimos adaptar a novas realidades

Resultado de imagem para adaptação heidi

 

Lembro-me sempre da Heidi, a menina órfã que, de um momento para o outro, foi morar com o avô nos Alpes.

A mudança foi grande. Ela não estava habituada àquela vida. Nem àquele homem.

Mas a verdade é que se tornaram grandes amigos, e a Heidi adaptou-se facilmente à vida na montanha, ao ponto de não mais querer sair de lá.

A Heidi era uma menina feliz.

Quando a tia apareceu para a levar dali, para a casa dos pais de Clara, Heidi voltou a ter que se adaptar a uma nova realidade: a vida na cidade, sem árvores, sem passarinhos, sem cabrinhas.

Foi muito mais difícil. Não é que não estivesse a gostar, que a tratassem mal ou não gostassem dela. Mas não era o seu ambiente.

E essa adaptação nunca foi total, levando mesmo Heidi a ficar doente, com saudades de casa, do avô e da sua montanha.

Só a perspectiva de voltar em breve para lá a fez melhorar e, uma vez de volta ao seu mundo, recuperar definitivamente.

 

Hoje em dia, cada vez mais temos que nos adaptar às mais diversas mudanças na nossa vida e, quanto melhor e mais rapidamente o fizermos, melhor para nós.

Por norma, temos uma grande capacidade de adaptação às circunstâncias, a novos mundos, a novas realidades.

Mas existem situações em que tal não é possível. E pessoas que não se conseguem mesmo adaptar.

Nem fisica, nem psicologicamente.

E quando, psicologicamente, não estamos bem, é meio caminho andado para que o corpo se ressinta também.

 

Quando assim é, não vale a pena insistir numa mudança.

Não será caso para desistir logo à primeira, segunda ou, até mesmo, uma terceira tentativa. Mas também não vale a pena passar o resto da vida a chocar contra uma parede que nunca irá cair.

Por vezes, basta voltar ao seu ambiente habitual, para voltar a ser feliz, e sentir-se bem. E não há nada melhor que isso.

À Conversa com a Associação Mentes Sorridentes

 

47143315_307408153201729_8291145644341460992_n.jpg

 

E se fosse possível adquirir uma “ferramenta”, desde a infância, para superar os momentos difíceis que a vida nos reserva?

A Associação Mentes Sorridentes é uma associação sem fins lucrativos, criada com o objetivo de transmitir bem-estar a todos os que nos rodeiam, recorrendo ao mindfulness. 

 

Para ficarem a conhecer melhor o trabalho desenvolvido e os objectivos da associação, aqui fica a entrevista:

 

 

 

 

k15771734.jpg

 

 

Como, e quando, nasceu a Associação Mentes Sorridentes?

 

As Mentes Sorridentes nasceram numa escola pública, na área da grande Lisboa, depois de uma equipa multidisciplinar de professores, psicólogos e médicos ter implementado e avaliado um programa de mindfulness desenvolvido para o contexto educativo.

Ao constarmos os resultados de uma intervenção com apenas 8 semanas, considerámos que tínhamos de levar esta experiência a outras comunidades educativas e a única forma de o fazer era constituirmo-nos como associação sem fins lucrativos.

Temos agora 2 anos de existência e já levámos o projeto a 12 agrupamentos de escolas públicas.

 

 

 

Quais são os principais objectivos da associação?

 

A nossa missão é facultar a adultos, crianças e jovens competências duradouras para a vida, baseadas no mindfulness e na meditação, permitindo-lhes alcançar bem-estar mental e emocional.

 

 

 

Para quem não conhece bem o significado, poderia explicar em que consiste o termo “mindfulness”?

 

Mindfulness é um treino mental que assenta na prática repetida de atos intencionais que vão permitir que os processos regulatórios de córtex pré-frontal diminuam a atividade dos processos automáticos do modo default.

Parar e estar presente é uma competência básica do desenvolvimento do mindfulness. E isto treina-se prestando atenção e tendo consciência do que está a acontecer neste momento, dentro e fora de nós.

Estar “acordado(a)” e disponível para a vida tal como ela é, mais do que fantasiarmos aquilo que achamos que a vida deveria ser.

O mindfulness é, dito de outra forma, uma pausa. 

 

 

 

Na sua opinião, a prática do “mindfulness” é útil em todas as faixas etárias, sejam crianças ou adultos, e nas mais diversas áreas?

 

Os campos a que a meditação e o mindfulness se têm alargado revelam a sua importância – do contexto militar, da saúde e empresarial, à educação; desvendando a ciência a importância do treino da mente em todas as idades.

Entre os inúmeros benefícios atestados, referimos, particularmente, aqueles que investigaram esta última área revelando um aumento de competências que são relevantes para professores e alunos.

Entre estas, encontra-se um aumento da capacidade de atenção (Napoli et al 2005; Sedlmeier et al, 2012), uma menor reatividade emocional e um maior envolvimento em tarefas, mesmo quando ativado emocionalmente (Ortner et al., 2007; Roemer et al, 2015), redução do stress e da ansiedade (Chiesa & Serreti, 2009).

Tem, também, sido encontrado um aumento de respostas compassivas a alguém que está em sofrimento e um aumento da compaixão (Condo net al, 2013; Birnie et al, 2010).

A avaliação do nosso programa Mentes Sorridentes tem confirmado, igualmente, estes dados, salientando-se o incremento do bem-estar em adultos, jovens e crianças.

 

 

 

De acordo com a sua experiência, considera que muitas pessoas ainda vivem muito “presas” ao passado, condicionando de forma negativa o presente, no qual não se conseguem focar na totalidade?

 

O estado natural da mente é, por norma, estar imerso na sua narrativa interior, na narrativa da sua história de vida, preso ao passado ou projetando o futuro.

E o mundo atual potencia ainda mais esse “alheamento” do mundo que nos rodeia a ponto de estarmos atentos apenas a alguns sentidos (caso da visão e do tacto).

Treinar a mente também possibilita o desenvolvimento de novas ligações neuronais, de reforçar caminhos cerebrais que nos ajudam a desenvolver a capacidade de nos relacionarmos com a experiência que vivemos de maneira diferente, de ganhar perspetiva e observar a qualidade subjetiva dos fenómenos internos e externos, em vez de se reforçarem os processos habituais de identificação, que oscilam entre reações de apego e aversão (Hӧlzel et al., 2011; Vago, & Silbersweig, 2012).

 

 

 

 

 

47572562_323867441540261_2322833723743010816_n.jpg

 

 

O nosso bem-estar depende, maioritariamente, do nosso corpo e da nossa mente, e da forma como se interligam entre si?

 

Não é possível separar o corpo da mente. Isto pode ser compreendido com facilidade se nos questionarmos: quando temos de lidar com algum acontecimento difícil na nossa vida, como reage o nosso corpo? Por vezes a garganta aperta, ou o estomago faz um nó, ou as mãos suam. O nosso cérebro é um cérebro emocional e facilmente caímos no ciclo de pensamento, emoção, pensamento. O conceito de bem-estar tem evoluído ao longo do tempo, porém atualmente está correlacionado com vários indicadores, entre eles, a saúde mental. 

O mindfulness é uma forma diferente de estar com a experiência de stress ou ansiedade, tendo consciência do que acontece, nessas alturas, no corpo e na mente, e estabelecendo com isso uma relação diferente, não caindo nos automatismos mentais rotineiros.

Aprende-se a ter consciência dos pensamentos à medida que emergem na mente e a não os confundir com a realidade ou identificar com eles, aprende-se a gerir as emoções difíceis.

 



Existem mais pessoas a procurar este tipo de ferramenta quando estão a atravessar momentos difíceis nas suas vidas e pretendem superá-los, ou há quem queira experimentar apenas por curiosidade?

 

Da nossa experiência, a curiosidade é sobretudo o grande motor que leva à procura do mindfulness. Contudo, não é uma panaceia mágica para todos os problemas. É um treino mental associado a um caminho e a uma atitude de viver intensamente a vida tendo consciência da totalidade da nossa experiência. Existem inúmeras ofertas neste campo e é importante saber discernir o que é mindfulness do que não é.

 

 

 

Hoje em dia, as pessoas vivem, de uma forma geral, sob intenso stress e pressão, e a falta de paciência é uma constante, acabando por prejudicar a sua saúde e as relações com os outros. É possível, através do “mindfulness”, reverter estas situações?

 

Não se trata de uma técnica destinada a reduzir diretamente o stress ou ansiedade, ou para controlar o pensamento.

O mindfulness é uma forma diferente de estar com a experiência de stress ou ansiedade, tendo consciência do que acontece, nessas alturas, no corpo e na mente, e estabelecendo com isso uma relação diferente, não caindo nos automatismos que são habituais nessas situações.

Os resultados científicos atestados neste campo revelam um efeito positivo do treino de mindfulness a nível da diminuição do stress, da ansiedade, ansiedade a testes, e depressão (Beauchemin et al, 2008, Napoli et al, 2005; Semple & Droutman, 2017).

 

 

 

 

47683679_214367972789326_373005574511525888_n.jpg

 

 

Neste momento, a Associação Mentes Sorridentes tem projetos implementados em áreas/ instituições específicas em Portugal, e parcerias com outras associações semelhantes, ou trabalha apenas a nível individual? 

 

As Mentes Sorridentes estão já em 10 comunidades educativas na zona centro e Norte do país. Também contamos com o apoio de algumas empresas privadas que apadrinham escolas e contribuem simultaneamente para o bem-estar dos seus funcionários que realizam exercícios de mindfulness connosco.

Porém, a nível educativo, realçamos a nossa parceria com o Centro de Neurodesenvolvimento do Hospital Beatriz Ângelo, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e a CMLoures que acompanham o projeto nas diversas escolas. A parceria com a Associação Portuguesa para o Mindfulness traduz-se, sobretudo, na adaptação do programa a diferentes realidades e na avaliação do seu impacto. São instituições que nos são particularmente queridas pela confiança que depositam no nosso trabalho.

 

 

 

Para quem estiver interessado, de que forma poderá associar-se, e em que consiste, de uma forma geral, todo o processo que será levado a cabo com os inscritos?

 

Podem acompanhar a nossa associação no facebook: associação mentes sorridentes, em www.mentessorridentes.pt e contactar diretamente connosco em mentessorridentes@gmail.com. Em janeiro e fevereiro de 2019 iremos fazer, em Loures, um curso Mentes Sorridentes para pais e filhos que será divulgado pelos canais acima referidos. Esperamos que venham experimentar “respirar” connosco!

 

 

 

Muito obrigada!

 

 

Nota: esta conversa foi sugerida pela Claudia Oliveira.

Fragmentado - o filme

Imagem relacionada

 

Há muito que queria ver este filme, e sábado foi o dia! 

Confesso que a ideia de haver 23 personalidades diferentes, a viver num mesmo corpo, era bastante interessante.
Infelizmente, as cenas centraram-se em pouco mais de 4 dessas personalidades, colocando as restantes de parte.
Este foi, quanto a mim, o primeiro erro.
Haveria muito mais a explorar, em todas essas "pessoas" que cohabitavam numa só, o que não foi feito.

O mote para o filme foi o rapto, por uma dessas personalidades, de três jovens adolescentes que, quando acordam, se vêem num quarto, fechadas, temendo o pior. Embora o óbvio não tenha acontecido numa primeira fase, saindo um pouco da história habitual, e fazendo-nos ficar a pensar qual será, afinal, o objectivo, o final acabou por não surpreender.

Por falar em final, achei-o demasiado fantasioso e irreal. A forma como caracterizaram a "besta", 24ª personalidade acabada de surgir, não foi a melhor. Poderiam ter, também aqui, escolhido um caminho mais credível, dentro da história e do tema que queriam apresentar ao público.

 

 

Imagem relacionada

 

Desde o início que se percebeu que, das três jovens, Casey era a que tinha mais hipóteses de conseguir escapar, muito por conta de todos os ensinamentos que pai lhe passou na infância. Embora não lhe tenham servido de muito, ao longo da sua vida, até àquele momento. Mas, enquanto as suas colegas agiam sem pensar, lutando pela sobrevivência como os comuns mortais, Casey tentava chegar às personalidades que lhe eram dadas a conhecer, e daí tirar vantagem, algo que acabou por se revelar inútil.

Só havia uma forma de as adolescentes se salvarem, do que quer que lhes fosse acontecer - serem puras! Sendo que a "pureza", no caso deste homem, e das personalidades que nele vivem, tem um conceito diferente, fruto do seu passado, e de tudo o que vivenciou durante o seu crescimento.

Nem a psiquiatra que o acompanhava, apesar de o tentar ajudar e impedir uma tragédia maior, o conseguiu impedir.
No fim, ficamos com uma sensação estranha...A de que, o que tanto nos feriu no passado, foi o que acabou por nos salvar no presente. Devemos, então, ficar agradecidos por isso?