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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"A Primeira Mentira Ganha", de Ashley Elston

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O problema, quando lemos muitos livros semelhantes, é que os seguintes podem perder o interesse pela previsibilidade da história, do enredo, das personagens e dos acontecimentos.

Não foi o caso deste, que me surpreendeu bastante, e conseguiu cativar do início ao fim, sem adivinhar nada do que ali estava a acontecer!

 

Evie foi contratada para fazer mais um serviço, e o seu alvo é Ryan.

Tal como nos serviços anteriores, ela vai recebendo instruções, em momentos diferentes. Por isso, apesar de já fazer parte da vida de Ryan, com quem namora, e de ter enviado algumas informações para o seu chefe, ela não sabe bem o que é suposto descobrir, e o que é suposto fazer.

No entanto, o seu chefe, que já não estava muito satisfeito devido ao fracasso do trabalho anterior, parece decidido a lixar a vida de Evie, mostrando que é ele que está no comando, e ela, nas suas mãos.

Mr. Smith acredita que Evie o enganou e traiu, e que tem na sua posse documentos e informações que o podem incriminar. 

Então, arranja forma de culpar Evie pelo assassinato de Amy, um dos anteriores alvos, entregando à polícia provas comprometedoras.  

Para se livrar da acusação, Evie deve entregar-lhe tudo o que guardou no cofre do banco.

Sem poder usar a sua verdadeira identidade e, aparentemente, encurralada, Evie tem pouco tempo para decidir o que fazer, e como sair ilesa de toda esta situação.

Ainda tem alguns contactos, pessoas que a podem ajudar, mas será suficiente?

 

O que posso dizer é que o jogo não começa ali, na corrida contra o tempo para se safar da prisão ou da morte certa.

O jogo, começou muito antes, e alguns jogadores nem faziam ideia disso!

Os dados, há muito, foram lançados. Resta esperar para ver quem chega à meta, e quem fica pelo caminho.

Vale a pena ler!

 

 

Sinopse:

"Evie Porter tem tudo aquilo com o que uma mulher sonha: o namorado perfeito, uma casa incrível e um grupo de amigos divertidos.
Só há um problema: Evie Porter não existe.
Até hoje, Evie não conhece Mr. Smith, o seu misterioso patrão, mas sabe que o novo trabalho não vai ser parecido com os anteriores. Sente-se próxima do seu alvo, Ryan, e começa a sonhar com uma vida diferente. Porém, Evie tem de se manter focada e não pode dar-se ao luxo de cometer nenhum erro - sobretudo depois do que se passou da última vez.
A única verdade que tem como certa, e nós também, é esta: Evie Porter não é Evie Porter. E só há uma coisa que sempre considerou sagrada: nunca revelar a sua identidade. Mas tudo pode mudar quando a verdade sobre si começa a vir ao de cima.
Naquela cidade, ao lado de Ryan, na casa perfeita, com os amigos ideais, Evie Porter vai ter de estar um passo à frente de quem a pode desmascarar e destruir a possibilidade de uma vida perfeita. Não há problema: Evie sempre gostou de desafios, e este vai ser o maior de sempre. Que comece o jogo."

Mentiras que se contam

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Ah e tal, o pensamento positivo atrai coisas positivas.

Ah e tal, fé e confiança são meio caminho andado para coisas boas acontecerem.

Ah e tal, isto e aquilo dão sorte.

Pois...

Mentiras que se contam!

 

Naquele dia, nada resultou.

Nem positivismo. Nem fé. Nem confiança.

Nem rezas. Nem rituais. Nem torcidas.

Nem amuletos da sorte. Nem mantras.

 

Naquele dia, o Universo estava, simplesmente, do contra.

Aliás, os sinais já tinham começado na véspera.

E continuaram ao longo daquele dia, até ao momento da verdade.

Que, obviamente, correu mal.

 

Naquele dia, a sorte não esteve do seu lado.

Ah e tal, foi como tinha de ser.

Da próxima vez será melhor.

Estava destinado.

Pois...

Mais mentiras que se contam!

 

A culpa foi do imprevisto do dia anterior.

Ou do tempo, que decidiu chover.

Ou do trânsito, que complicou.

Ou do dia que escolheu.

Ou da hora em que saiu à rua.

 

Foi de si.

Foi dos outros.

Foi de tudo. 

Mas, no fim, porque não, mais uma mentira: a culpa foi da banana!

 

"Vinagre de Sidra", na Netfllix

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A série é baseada na verdadeira Belle Gibson, uma influenciadora australiana que enganou meio mundo com a sua falsa história de cancro, desde as suas seguidoras, a todos os que com ela colaboraram, quer na aplicação, quer na publicação do seu livro de receitas, e cometeu fraude através da angariação de fundos para doar a instituições, fundações e pessoas com cancro, que nunca viram qualquer dinheiro. 

 

Na série, Belle é representada como alguém que precisa constantemente de ser gostada, de ser validada e aceite pelos demais, nem que para isso tenha que inventar as histórias mais mirabolantes, que suscitem pena, apoio, empatia, solidariedade.

E nada melhor para comover, e mobilizar, alguém do que uma pessoa sofrida, guerreira, lutadora, sobrevivente, que lida com a maternidade,  problemas graves de saúde e, ainda assim, empreendedora, inovadora.

 

A verdade é que Belle é uma manipuladora nata, uma sanguessuga que se alimenta de quem está à sua volta.

Mas o mérito de ser uma excelente actriz de drama, ninguém lhe pode tirar!

 

No entanto, o que fica da história, para lá da mentira, é a realidade do cancro.

O perigo de promessa de uma cura.

A falsa esperança que, muitas vezes, se deposita nessa cura, em alternativa à medicina tradicional.

E, nesse sentido, é muito mais fácil ligarmo-nos às histórias de Milla e Lucy que, embora fictícias, são bem mais comoventes, e nos fazem questionar tudo e todos.

 

Como se sente alguém que enfrenta um cancro.

Como se sente a família, perante esse diagnóstico de alguém que amam, e como lida com isso.

Apoiar as decisões de quem as deve tomar, ainda que sejam erradas?

Ou ficar contra, com todas as consequências emocionais que isso acarreta?

 

Milla foi diagnosticada com um cancro no braço.

A solução proposta pelos médicos foi, obviamente, a cirurgia - amputar todo o braço, para que o cancro não se espalhasse.

Ela recusou.

Procurou tratamentos alternativos.

Frequentou retiros. Fez terapias holísticas.

Rendeu-se a enemas de café, dieta dos sumos, comida vegan.

Tornou-se uma fonte de inspiração. 

Deu palestras, criou um blog, publicou um livro.

Mas nem tudo correu como ela esperava e, por vezes, os erros pagam-se caro...

 

Lucy tinha cancro da mama.

Começou a seguir Belle, e a recusar o tratamento de quimioterapia que, até então, andava a fazer.

Ela não queria mais aquilo.

Mas o marido não a apoiou. Ele só queria que ela vivesse. 

Ela foi para um retiro. Afastaram-se.

Terá sido a melhor decisão?

 

Tantos planos que ficam por concretizar, tanto que fica por viver.

Tantos sonhos desfeitos. Tantas vidas destruídas.

Tanto sofrimento, esperança e desespero.

Como é que alguém pode, sequer, brincar com isso?

 

"Vinagre de Sidra" tem 6 episódios, algo confusos, porque andamos sempre a alternar entre diferentes anos, ora para trás, ora para a frente, ora para algures no meio.

Mas vale a pena ver.

 

Imagem: netflix

 

 

Frase típica de um potencial agressor "Ah e tal, eu não ia mesmo agredir!"

Mulher agride amiga por ter ficado com seu ex-marido | Cambira Notícias

 

Quantas vezes, no meio de uma discussão, uma das partes envolvidas exalta-se mais, e "parte para cima" da outra, com uma atitude agressiva, como se, de facto, fosse agredir fisicamente a outra?

Se houver mais pessoas presentes, e nessas situações, a primeira coisa que fazem é colocar-se ao meio, entre uma e outra, para que as coisas não escalem, e os ânimos acalmem.

 

Depois, quando questionadas essas pessoas, quantas vezes não dizem: "Ah e tal, não acredito que fulano fosse mesmo agredir...".

Tretas!

Quando alguém se mete, se coloca no meio, agarra a pessoa que está mais exaltada, tenta separar as partes ou qualquer outra atitude do género, é porque, realmente, acreditou que as coisas poderiam descambar e, além de ofensas verbais, ocorrer agressões físicas entre elas.

 

Da mesma forma, depois de passada a tempestade, quando questionadas as partes envolvidas, é típico do potencial agressor afirmar: "Ah e tal, eu não ia mesmo agredir!"

Outra mentira descarada!

É óbvio que, não fossem outros colocar-se no meio, provavelmente, a agressão aconteceria mesmo.

Porque, nesses momentos, as pessoas estão a reagir a quente. Não pensam. Não estão a medir os seus actos.

Qualquer um de nós, até a pessoa mais pacífica, pode agredir numa situação dessas.

 

E acredito que, quando algumas pessoas dizem que ficam pior quando alguém se coloca no meio para separar, ou para as agarrar, o que querem mesmo dizer é que ficam fulas porque as estão a impedir de fazer aquilo que estavam prontas a fazer.

 

 

"Jogos Cruéis", de Jodie Picoult

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"Quando menti, acreditaram em cada palavra. E quando contei a verdade ninguém me deu ouvidos."

 

Como é que uma verdade se transforma numa mentira, e uma mentira se transforma numa verdade que, um dia, voltará a ser mentira?

Simples. Ou talvez não...

Se contarmos uma verdade em que seja difícil acreditar, seja por que motivo for, tendem a pensar que mentimos.

No entanto, se aquilo que, até então, parecia inacreditável, voltar a ser contado, por outros, se calhar até é verdade.

E, ao ver que, finalmente, se acredita na verdade, se calhar, se se contar uma mentira como se fosse verdade, também será credível. E acaba por ser.

Até que se torna sistema e, como tal, desacredita-se.

Por isso, da próxima vez que alguém contar a verdade, ela voltará a ser encarada como mentira.

Confuso, não?

 

Mas é à base da verdade, e da mentira, que se faz esta história da Jodi Picoult, em que um homem, Jack, acusado de um crime sexual, que afirma não ter cometido, cumpre uma pena reduzida conseguida por acordo, e se vê, agora em liberdade, a ter que reconstruir a sua vida, com o estigma de abusador, que afirma não ser.

Sem ter ninguém à sua espera, nem sítio para onde ir, acaba por ficar em Salem Falls, onde é contratado por Addie, para trabalhar no seu restaurante.

 

E é em Salem Falls que a sua vida vai voltar a ficar virada de pernas para o ar, quando uma outra asolescente o acusar de a ter violado.

Com um crime semelhante no cadastro, uma condenação anterior, as coisas não lhe são favoráveis.

Ninguém ali o conhece, e não tem por que acreditar num estranho.

Nem mesmo Addie, que entretanto se apaixonou por Jack, acredita na sua inocência. Afinal, vendo bem, ela também não o conhece.

 

E se nem mesmo os seus amigos, colegas de trabalho, e a própria mãe, acreditaram nele, da primeira vez...

Aliás, a mãe de Jack, lidando diariamente com vítimas de agressões sexuais e violência doméstica, não acredita que uma mulher minta sobre algo assim. Logo, o seu filho, é culpado.

Já Addie, tem alguma dificuldade em pensar que alguém mentiria sobre algo tão traumático que ela própria, naquela idade, experienciou. 

 

Na noite em que Gilliann afirma ter sido violada, Jack tinha sido agredido, tinha discutido com Addie, e tinha estado a beber num bar.

Na hora do crime, ninguém pode afirmar que o viu, ou esteve com ele.

Jack não se lembra de nada.

Mas afirma, novamente, a sua inocência.

Chega mesmo a dizer que nunca esteve naquele sítio.

 

Só que, na verdade, ele esteve no local onde ocorreu a violação.

Ele teve contacto com a alegada vítima.

E há sémen no interior da coxa dela.

 

Restam poucas dúvidas sobre o que poderá ter acontecido, até porque as amigas de Gillian confirmam a história.

No entanto, estas adolescentes têm andado a fazer coisas estranhas.

Armadas em "bruxas de Salem Falls".

A querer experimentar os seus poderes para salvar. Mas também para destruir quem se atravesse no seu caminho, ou considerem que merece um castigo.

Essas coisas estranhas envolvem rituais, feitiços, amarrações e drogas.

Drogas que provocam alucinações.

 

Ainda que as provas sejam reais.

Inconclusivas, mas reais.

 

Sabemos que, da primeira vez, Catherine mentiu, acusando Jack de algo que ele não fez.

Será que Gillian está a fazer o mesmo?

Ou, desta vez, aconteceu mesmo?

 

Não direi que este é o melhor livro da autora porque, para mim, existem um ou dois melhores.

Mas é, sem dúvida, muito bom!

É um livro que mostra como uma pequena mentira pode causar danos irreparáveis da vida de alguém.

E como situações, que nunca deveriam acontecer, implicam consequências para quem sofre os abusos, que depois se reflectem no seu próprio comportamento, para com os outros.

É também uma história que mostra como seguir em frente, por mais difícil que seja.

Sobre perda, e superação. 

Sobre resiliência. E perdão.

Tive algum receio de que a autora fosse por caminhos que, para mim, deixariam de ter interesse. Mas, felizmente, isso não aconteceu.

 

Para quem tiver curiosidade, existe um filme, baseado nesta obra, estreado em novembro de 2011, e estrelado por James Van Der Beek , Sarah Carter e Amanda Michalka.