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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Quem Matou Sara - segunda temporada, na Netflix

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A primeira temporada de "Quem Matou Sara" deixou perguntas por responder, para as quais vamos obter resposta nesta segunda temporada.

Mas, da mesma forma que um puzzle, que podemos montar de várias formas e, em cada uma delas, nos dá uma imagem diferente, também a história em torno de Sara tem mais do que uma forma de montar, e contar.

Por vezes, estamos a olhar para a imagem de um determinado ponto, e é só aquilo que vemos mas, quando nos desviamos, ou quando mudamos a posição da imagem, ela mostra-nos uma segunda imagem, aparentemente oculta.

Assim é a série "Quem Matou Sara"!

 

Nesta segunda temporada, vamos perceber mais claramente quem é Diana, a Caçadora, e quais os motivos que a levaram a encarnar esta personagem, bem como o objectivo de estar a fornecer a Alex algumas das pistas sobre a morte da irmã.

E qual o papel de Clara, agora infiltrada entre Chema e Lorenzo.

A busca pelo culpado da morte de Sara continua, apesar de agora se saber que ela sofria de esquizofrenia, e que era a própria a afirmar, no seu diário oculto, que queria morrer.

Alex terá a ajuda do médico que acompanhou a sua irmã para compreender melhor a doença, e o segredo que a sua mãe e a sua irmã sempre lhe esconderam.

Ficamos também a saber de quem é o cadáver enterrado no quintal da casa de Sara.

E haverá mais umas quantas reviravoltas que nos vão fazer olhar para cada uma daquelas personagens com outros olhos, e de uma outra perspectiva.

 

"Quem Matou Sara" é uma história de vingança, e de justiça, feita pelas próprias mãos. 

Mas é preciso ter cuidado.

Por vezes, estamos a atirar ao alvo errado e, depois, podemos ficar com sangue nas mãos, de pessoas inocentes, que nada tiveram a ver com as mortes que estamos a tentar vingar.

 

De qualquer forma, descobertos mais alguns segredos que não tinham sido desvendados até aqui, conseguimos perceber também, no final desta segunda temporada, quem matou Sara.

Ou talvez não...

A última cena volta a deixar tudo em aberto, e promete um novo mistério, para uma terceira temporada.

E a pergunta que se coloca já não é tanto "Quem Matou Sara", mas antes "Será que Sara está mesmo morta?"!

 

 

"7 Dias sem...", de Monika Peetz

Bertrand.pt - 7 Dias Sem...

 

Tinha este livro na minha lista há mais de um ano.

Foi ficando para trás porque havia sempre outros que eu queria mais.

Há pouco tempo, aproveitando as promoções, mandei vir.

Porque não? Era uma história diferente e, de vez em quando, é o que precisamos para intercalar com as leituras habituais.

 

No entanto, quando comecei a lê-lo, pensei logo "Porque é que fui comprar o livro?". Não me estava a cativar. Estava a achá-lo muito sem graça, sem conteúdo. Curiosamente, da mesma forma que se sentiram as cinco amigas - Eva, Caroline, Judith, Kiki e Estella - nos primeiros dias de isolamento num castelo para uma terapia de jejum. Um certo arrependimento, e uma vontade de desistir daquela ideia estúpida, que lhes estava a fazer mais mal que bem. No caso do livro, de uma história que não parecia ter muito a oferecer.

 

Mas continuei. Já que o comprei, mais vale lê-lo até ao fim.

E assim fizeram as amigas. Já que ali estão, e que começaram, agora é levar o desafio adiante.

O objectivo era umas férias invulgares para relaxar, purificar e adelgaçar, no isolado Hotel do Castelo de Achenkirch. Sem telefone, internet, homens, exigências familiares e obrigações profissionais. E, praticamente, sem comer!

A parte dos telefones e internet não foi cumprida na íntegra, porque continuavam a usar os telemóveis. 

Relaxar também não foi fácil, com todos os problemas pendentes que cada uma delas tinha, a juntar a alguns outros membros irritantes do hotel.

Mas a maior provação foi, sem dúvida, aguentarem-se à base de chás, água e sopas, durante todo o dia, ao longo de 7 dias. E sem muito com que ocuparem a mente e o estômago, sem variedade de actividades nos primeiros dias. Embora os dias seguintes tenham quebrado essa monotonia, com caminhadas, passeios, exercícios físicos ou outras terapias.

 

A história, e as férias das amigas, tem como base a busca de Eva pelo seu pai, que nunca conheceu e tão pouco sabe quem é, mas que acredita ser o dono do hotel onde irão ficar instaladas.

Mas outros segredos serão desvendados pelo caminho.

E percebemos que nem sempre é bom a verdade vir à tona, se essa verdade que tanto ansiamos para nós, prejudicar outras pessoas, que nada têm a ver com ela. Por vezes, há motivos para ela ter ficado enterrada no passado: para que não possa fazer estragos no presente, e no futuro. Ou talvez seja o facto de no-la esconderem, e fazerem tanto mistério sobre ela, que nos leva a querer ainda mais sabê-la, e a originar consequências mais desastrosas.

 

Outro dos temas que gostei de ver abordado foi a traição nas relações, quando estas envolvem amizades também. 

O marido de Caroline traiu-a com Judith, uma das suas melhores amigas (para além de o ter feito com outras mulheres também). Ainda assim, Caroline perdoou Judith por esse deslize, e continuaram amigas, algo que os próprios filhos tiveram dificuldade em perceber - como é que se pode continuar amigo de alguém que traiu a nossa confiança? 

Pode-se perdoar um(a) amigo(a) que nos atraiçoa, da mesma forma que um(a) companheiro(a)? É mais fácil? Mais difícil? É possível perceber se foi algo intencional, ou involuntário? 

 

O que é certo é que, apesar dos atritos que por vezes surgem entre as amigas que, afinal, são humanas, a amizade entre elas prevalece acima de tudo, ajudando-se e apoiando-se umas às outras.

 

No final, as amigas das terças, como são apelidadas, estão divididas entre o desejo de, finalmente, voltar à vida normal, e deliciar-se com um belo prato de comida a sério, e uma certa nostalgia daqueles dias e daquela rotina a que já se estavam a habituar, e a gostar.

Todas elas aprenderam alguma coisa, cresceram, tomaram decisões e, pasmem-se, emagreceram!

E nós, ficamos com vontade de passar lá uns dias também.

Da mesma forma, terminado o livro, e respondendo à pergunta que tinha feito no início, valeu a pena ler até ao fim, e não me arrependo de o ter comprado, precisamente, porque é diferente. 

Primeiro estranha-se, depois entranha-se, e até se gosta!

 

 

 

O estranho caso da lente de contacto misteriosa

Dúvidas Comuns Sobre as Lentes de Contato - Tua Saúde

 

Ontem, ao final do dia, estava eu na casa de banho, quando olho para o chão e vejo uma lente de contacto.

A única pessoa que usa lentes de contacto, lá em casa, sou eu. E, que desse por isso, ainda tinha as duas postas nos olhos!

A lente não estava seca, nem rígida, como seria de supôr, uma vez que é o que acontece quando ficam algumas horas fora do líquido. Dava a entender que tinha sido usada recentemente.

 

Olhando melhor para a lente, e confirmando que não poderia ser minha, porque efectivamente tinha-as postas, e são de um diâmetro ligeiramente maior que aquela perdida, suspeitei que pudesse ser uma lente que comprei uma vez para a minha filha, e que ela nunca chegou a usar.

 

Mas o mistério permanecia?

Ainda que fosse essa lente, ela já tinha ido para o lixo há uns valentes meses, senão mesmo mais de um ano.

E, ainda que tivessemos mandado para o lixo e ela, por milagre, tivesse caído fora do saco, como é que se mantinha assim, intacta, durante tanto tempo?

Como é que, em todas as semanas que varro e lavo o chão, nunca apareceu? E ontem pareceu estar ali, estrategicamente, à vista?

 

No dia anterior, a minha filha tinha ouvido uns barulhos estranhos.

Num dos dias anteriores, a nossa gata parecia agior de forma estranha, inquieta, como se estivesse a ver alguma coisa que mais ninguém via.

 

Portanto, a minha mente só conseguiu conjecturar duas hipóteses:

a) Temos um espírito zarolho a vaguear lá por casa 

b) Temos um possível ladrão vesgo que deixa provas incriminatórias

 

Ainda tive para guardar a dita lente num saquinho de provas, e enviar para análise laboratorial!

Mas depois, acabei mesmo por deitar no lixo.

Acho eu...

 

Manifest, na HBO

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E se, de repente, 3 horas se transformassem em 5 anos?!

 

Se, de repente, enquanto para nós tivessem passado apenas 3 horas, para aqueles que deixámos, tivessem passado cinco anos?

Se estivessemos exactamente iguais mas, os restantes, tivessem avançado no tempo, crescido e seguido com as suas vidas, achando-nos mortos?

Se, em pouco mais de 3 horas, tivessemos perdido as pessoas que mais amamos, sem o saber?

Se, num momento, todos estivessemos juntos e, apenas com uma simples decisão, nos separássemos por cinco anos?

Se, num momento, tudo estivesse bem e, no seguinte, tudo estivesse mal mas, ainda assim, fosse o necessário para que tudo pudesase acabar bem?

Confuso? Sobrenatural? Misterioso?

Sim, tudo isso.

A fazer lembrar a série Lost. Com mais perguntas, do que respostas.

 

Comecei a ver esta série por insistência da minha filha.

Ela já me tinha falado sobre Manifest, e percebi que tinha algum mistério e fantasia a mais, algo que, se não for equilibrado, acaba por estragar.

A verdade é que são muitos os mistérios por desvendar neste mundo, nem todos explicáveis, ou para os quais não há conhecimento suficiente para explicar e, como sempre, se algo não se pode explicar, tendemos a crer que é pouco provável que exista.

Entre esses mistérios está, por exemplo, o tempo. A paragem no tempo, duas linhas de tempo paralelas, as viagens ao passado e/ou ao futuro. Na mesma linha, as premonições, os "chamamentos", o destino, algo mais forte que nós. Uma voz que não escolhemos ouvir, uma missão que não escolhemos aceitar.

Uma dádiva, ou um fardo?

Um sonho, ou um pesadelo?

Vida, ou morte?

Como encarar esta nova existência?

 

Como explicar que nos poderá ter sido dada uma segunda oportunidade que, em nada, parece melhor que a que estávamos a perder?

Como explicar que, aquilo que tornou a nossa vida um inferno, pode ser um dom, capaz de ajudar outras pessoas?

Como acreditar que tudo tem uma explicação, tudo está interligado, tudo tinha que acontecer assim mesmo?

Deus? Ciência? Tecnologia? 

 

Michaela, Ben, os seus pais, Cal, Olive e Grace iriam apanhar o mesmo avião mas, um contratempo e uma promoção inesperada leva Michaela, Ben e Cal a apanhar o voo seguinte ao dos restantes.

Assim, Grace e a filha Olive, bem como os pais de Michaela e Ben, partem primeiro. A diferença entre voos seria de apenas algumas horas.

No segundo voo, o avião apanha turbulência, mas logo volta ao normal. Ou achavam eles. Michaela tenta enviar uma mensagem ao noivo a dizer que aceita casar com ele, mas está sem rede. O avião para no meio da pista. Há polícia por todo o lado. Algo não está bem.

Afinal, todas aquelas pessoas foram dadas como mortas. Há cinco anos atrás. 

Há cinco anos que aquele avião deveria ter chegado, e não chegou.

 

Agora, aqueles que seguiram no primeiro voo, que sentiram a passagem do tempo, e tiveram que lidar com as perdas dos familiares, têm agora que lidar com o regresso destes, vivos, numa vida onde talvez não haja espaço para eles.

Grace tem outra pessoa, ainda que não tenha coragem de contar ao marido, Ben. A filha de ambos, Olive, é uma adolescente, enquanto o irmão gémeo, Cal, continua igual.

Michaela fica a saber que o seu noivo, Jared, casou com a sua melhor amiga. E que a sua mãe morreu de cancro.

Como assim? Como aconteceu tudo isso em apenas 3 horas. Pois, não foram 3 horas, mas 5 anos!

Numa história em que ninguém é culpado das circunstâncias em que agora se encontram, não será fácil gerir passado e presente.

Quanto ao futuro, esse está reservado para todos os passageiros daquele maldito/bendito voo 828 que, agora, têm grandes desafios pela frente, causados pelo fenómeno sem explicação, de que foram vítimas.

Resta saber se isso vai ajudá-los e ajudar terceiros, dali em diante, ou se ainda vai trazer mais confusão e caos às suas vidas.

Será, esta uma verdadeira segunda oportunidade, no sentido positivo? Ou uma vida ainda pior que a anterior, que nunca desejariam para si, se tivessem podido escolher? 

 

 

"A Última Saída", de Federico Axat

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O meu marido apanhou este livro numa promoção do Continente.

Quando mo mostrou, o nome e a capa não me soaram estranhos. E até lhe disse "acho que tenho esse livro na minha lista de livros a comprar", o que confirmei mais tarde ser verdade.

Assim, não precisei de comprar para o ler.

Só tive que esperar várias semanas, para ele acabar de o ler, e poder começar eu.

 

Peguei então nele no sábado. 

Ia ao cabeleireiro, e é sempre uma boa opção levar um livro para me entreter naquelas mais de duas horas.

Comecei a ler, mas não me entusiasmou. Às tantas, guardei-o na mala.

Passei o resto do tempo em conversa com a cabeleireira.

Ao chegar a casa, perguntou-me o que estava a achar do livro, e disse-lhe que estava muito desiludida. Muita fantasia, muita confusão. Não faz o meu estilo.

E ele respondeu-me:

"É mesmo assim. A primeira parte tem esse efeito em todos os leitores. Mas vais ver que, à medida que fores avançando, não vais querer parar de ler, e vais gostar."

 

Lá continuei.

E ele tinha razão!

Portanto, quem tenha interesse em ler, considerem a "Primeira Parte" do livro uma espécie de Cabo das Tormentas, que é preciso ultrapassar, no caminho para chegar à Índia. É a parte mais difícil da viagem. Depois, a viagem torna-se mais apelativa e emocionante.

 

Posto isto, temos o protagonista, Ted, que aparentemente está prestes a cometer suicídio quando uma visita inesperada lhe estraga os planos.

O motivo para tal acto parece ser o tumor cerebral que lhe foi diagnosticado. Ainda que esteja a ser seguido por uma psicóloga, para o ajudar a lidar com o problema, Ted parece ter tudo premeditado ao pormenor, e querer pôr fim à vida.

 

Entretanto, vão sendo apresentadas outras personagens, que não percebemos muito bem onde encaixam. Descobrimos que o seu casamento tinha acabado. E ficamos curiosos para saber o que raios é, afinal, um opossum, um animal que está sempre a surgir na vida de Ted.

Embarcamos naquela teoria da conspiração, de que estão todos contra ele até que...

Ups, nada é o que pensámos ser até ali.

 

E é a partir da "Segunda Parte" que a trama ganha balanço, e começamos a querer descobrir tudo o que aconteceu para Ted chegar àquele ponto da sua vida em que agora se encontra, e onde e qual a chave que abre a porta para o que ele guarda na mente, e não consegue, de forma alguma, desbloquear.

Laura parece ter um papel fundamental, para fazê-lo sair de cada um dos ciclos em que se encontra, e partir para o próximo, num caminho em que não convém voltar atrás, mas que pode ser assustador, sabendo que, no fim do mesmo, está a verdade que o seu cérebro o fez esquecer.

E, ainda assim, aquela verdade que se descobre pode ser apenas "a verdade dele", que mascara a verdadeira realidade. 

 

O que é certo é que, atrás de cada fantasia criada pela nossa mente, pode existir uma base real, uma realidade que foi inconscientemente distorcida.

Ler este livro fez-me pensar naquelas pessoas que estão mentalmente aprisionadas, num estado de sofrimento por não se lembrarem de quem são, do que fizeram, sem capacidade para distinguir a realidade da ilusão, sem memórias dos seus últimos dias, num limbo entre a sanidade e a loucura. No tal círculo central, que separa as duas metades do campo, e no qual ninguém quer, nem pode, estar, eternamente.

Ted está no círculo, e precisa de sair dele. À medida que o tempo passa, mais perto fica da metade do campo que lhe trará a sanidade mental de volta.

Mas, conseguirá ele lidar com a verdade?

Conseguirá Laura olhar Ted da mesma forma, e continuar a querer o melhor para ele, depois de descobrir a verdade?

 

No labirinto que é a nossa mente, há apenas uma única saída, que temos que encontrar, para conseguirmos sair dele, sem ele nos prender para sempre, e nos perdermos para sempre.