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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Silêncios...

 

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Há silêncios que estão cheios de palavras. E silêncios que são ocos.

Há silêncios que existem, porque não é necessário pronunciar, o que quer que seja, para que os outros nos entendam. E silêncios que existem porque não há nada para dizer.

Há silêncios que são um livro aberto. E outros, que são um mensagem indecifrável, que ninguém consegue descodificar.

Há silêncios que dizem tudo. E outros, que não dizem nada.

Há silêncios que tranquilizam. E outros, que incomodam.

Há silêncios que transmitem paz. E outros, que escondem guerras.

Há silêncios que libertam. E silêncios que aprisionam.

Há silêncios que nos dão vida. E silêncios que matam.

Como lidar com alguém que tem cancro?

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O cancro é uma doença bastante conhecida e, atrevo-me a dizer, muito temida e odiada por todos nós.

Ela é responsável por levar muita gente desta vida. Familiares, amigos, conhecidos...

E, se é verdade que nem sempre mata, e é possível vencê-la, uma vez, e outra, se for preciso, também é verdade que, por vezes, leva a melhor. E quando não é ela própria, é o "rastro" que ela deixa. Como se costuma dizer, muitas vezes, não se morre da doença, mas da cura.

 

Claro que, quando uma pessoa recebe um diagnóstico destes, muita coisa lhe passa pela cabeça. Acredito que deva ser uma mistura de sentimentos contraditórios. Por um lado, quer lutar e acredita que pode vencer. Por outro, só a palavra por si só é suficiente para a pessoa achar que está condenada, e nem lhe apetecer lutar, numa guerra que já está perdida, à partida.

Acredito que, da mesma forma que a pessoa vai buscar forças que nem imaginava que tinha, também se vai depressa abaixo, noutros momentos.

Além disso, suponho que tenha dois pesos em cima de si. O de ganhar coragem para a sua luta, e o de transmitir coragem a quem a rodeia. Mostrar, muitas vezes, aquilo que os outros esperam. 

 

Mas, pergunto-me, o que será que uma pessoa diagnosticada com cancro espera de quem a rodeia? De quem está ao seu lado? 

Lembro-me de ir visitar a minha tia. De lhe dizer que não podia estar a pensar de forma negativa. Que não deveria pensar que ia deixar as filhas, os netos. Porque é o que se espera que digamos. E porque queremos que assim seja. Mas, não estaremos a enganar-nos, a nós, e à pessoa?

Lembro-me de a ver chorar, resignada, por aquilo que sabia que a esperava, embora fosse suposto nós dizermos o contrário, e ela ter que mostrar que sentia o contrário, para não nos incomodar, e deixar ainda mais tristes. Mas, no fundo, ela sabia. E partiu pouco tempo depois.

Uma vizinha nossa, também a lutar contra um cancro, sempre que a via, estava com um ar abatido, de lágrimas nos olhos, ciente do seu destino. Os médicos diziam que era tratável, que tinha cura. Pois... mas a medicação excessiva para essa cura acabou por lhe tirar a vida. 

Ainda que cada uma das pessoas que falasse com ela lhe desse força, lhe quisesse tirar os pensamentos negativos da mente, e acreditar que tudo iria correr bem.

No fundo, parece que estamos a enganar a pessoa, a dar-lhe falsas esperanças. A dizer e mostrar algo em que nem nós acreditamos. Portanto, uma farsa.

 

Assim, de que forma nós, que estamos do outro lado, devemos lidar com pessoas com cancro? 

Com positivismo? Com realismo? Com fingimento? Com sinceridade?

A pessoa diagnosticada preferirá frases feitas, ainda que quem as pronuncia não acredite muito nelas? 

Preferirá verdade?

De que forma podemos ou devemos apoiá-la, sem pintar um quadro negro derrotista, mas também sem mascarar a situação, enchendo-a de uma cor que não tem?

Ainda que encaremos, pra nós, a situação de uma forma realista, devemo-la expôr? Ou ficar em silêncio?

Devemos andar ali com "paninhos quentes", e "pezinhos de lã"? Ou mostrar que a batalha é dura, poderá não ser ganha, mas estamos ali, para o que for?

 

A frase que mais se adequa à minha forma de pensar, e que me vem logo à mente, é "Always expect the best, prepared for the worst...", ou seja, esperar sempre o melhor, mas estando, ao mesmo tempo, preparado para o pior.

Quer quem está a passar pela doença, quer para quem está do outro lado.

 

Mas só quem já passou por isso, ou quem está a passar, poderá dizer aquilo que, verdadeiramente, quer e espera de quem está ao seu redor.

 

 

A eterna luta entre a vida e a morte

Morte e vida severina Archives - CENPEC

 

É uma luta desigual, e inglória.

Uma luta em que já sabemos quem, no final, levará a melhor. Tudo aquilo que nasce, mais cedo ou mais tarde, morre.

 

Podemos, de certa forma, ter uma palavra a dizer sobre a vida. Decidir quem (o que) nasce, e até programar quando nasce. Mas, sobre a morte, não temos qualquer poder. Não sabemos quando nem como chega. Só sabemos que é certa.

 

Por isso, embora estejamos cansados de ouvir dizer que, por ser curta, devemos aproveitar a vida ao máximo, a verdade é que é o melhor que podemos fazer. Porque nunca sabemos quando ela nos vai ser tirada.

Por vezes, recebemos sinais de que devemos abrandar. Parar. Avisos de que a vida não estará cá sempre para nós, e que devemos valorizá-la e aproveitá-la mais.

Avisos em forma de cansaço, de doença, de acidente, de pandemia, como a que estamos a viver este ano. Ou outros.

 

Mas os avisos, nem sempre serão apenas isso. Avisos. 

Muitas vezes, são o início da contagem descrescente. O prenúncio do que não podemos evitar.

 

Por essa razão, antes que os "avisos" nos cheguem à porta, mais vale fazê-lo por nós mesmos, pela nossa vida, pelo nosso bem estar.

Abramos os olhos para a vida enquanto podemos, antes que a morte os feche de vez!

Pedro Lima...

...e o que está para lá do que se vê

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Sábado à tarde, vou a casa da minha mãe e ela diz-me "Olha, morreu mais um actor. O Pedro Lima."

Fiquei atónita. Parece que, de repente, os actores se lembraram de partir novos. Ainda há pouco tempo tinha sido o Filipe Duarte.

Fui para casa a pensar nisso e, mal cheguei, fui pesquisar mais, momento em que percebi que não tinha sido por doença, ou acidente. Pedro Lima tinha-se suicidado.

Ao que parece, a mulher já estaria a desconfiar que algo de grave se poderia passar o que, a juntar às mensagens que terá enviado nessa madrugada a alguns amigos, terá levado à rápida (mas não a ponto de impedir o pior) descoberta do corpo do actor, confirmando-se a morte.

 

É-nos difícil compreender como uma pessoa como o Pedro Lima que, aparentemente, tinha "tudo" - trabalho, dinheiro, uma família bonita, amigos verdadeiros, sucesso e por aí fora - se tenha suicidado.

Que motivos teria?

Não havia nada, à nossa vista, que nos pudesse levar a pensar que ele não estivesse bem. Não havia escândalos, falta de trabalho, problemas financeiros ou familiares, nada.

O que o levaria a tal acto de desespero, quando há tanta gente em pior situação, que não o faz.

Mas os problemas, fossem eles quais fossem, estavam lá. Ainda que não se vissem a olho nu.

 

 

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Diz-se que Pedro Lima sofria de depressão. Como assim?

Se estava sempre animado, bem disposto, de bom humor, de sorriso aberto?

Estas pessoas são, por norma, as que representam mais risco. Porque escondem aquilo que sentem. Porque guardam para si. Porque não querem incomodar os outros, levá-los para os problemas que têm. Porque sofrem em silêncio, e em solidão.

Já não seria a primeira vez que lidava com a depressão quando, para todos nós, era parecia sempre um homem feliz e realizado.

E, agora, lá estava ela outra vez. Ainda que Pedro Lima desse a mão a todos, pareceu recusar-se a pedir a quem quer que fosse, que lhe desse a mão. Provavelmente, não queria incomodar. Provavelmente, achava que era algo que só a ele dizia respeito, e só ele poderia resolver.

Mas a depressão estava lá, enraizada, profunda, a dominá-lo, a puxá-lo como um polvo embora, para quem o visse, parecesse um homem liberto.

 

Diz-se que Pedro Lima tinha problemas de autoestima. 

E nós pensamos: "Problemas de autoestima? O Pedro Lima?"

Parece impossível.

Mas esta morte que tanto nos chocou, só vem provar que, por vezes, o "tudo" que achamos que as pessoas têm, não é nada do que elas precisam.

Que, por mais que os outros nos elogiem ou nos atribuam qualidades, se nós mesmos não as virmos, é como se não existissem.

Choca-nos, mas só ele saberia o que sentia, e como queria livrar-se desse sentimento. Daquilo que o ensombrava. Que o aprisionava.

 

Talvez pudesse ser ajudado. Talvez não...

Por Pedro Lima, resta desejar que tenha encontrado a paz que lhe faltava, e que esteja melhor do que neste mundo, de onde partiu.

Mas, por tantas outras pessoas, é bom que percebamos que nem tudo é o que parece. Que um sorriso pode esconder uma tristeza profunda. Que a boa disposição pode ser a camuflagem para a dor insuportável.

É uma chamada de atenção, para aquilo que, muitas veses, está para além do que se vê, ou do que nos é dado a ver.

 

 

Gato Bob: por vezes, esquecemo-nos que os animais não são eternos!

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Morreu o Gato Bob.

E eu não pude deixar de me sentir triste, pela morte de um gato que não conheço, com o qual nunca convivi, mas cuja história nos inspirou a todos.

E chocada: "Como assim o Bob morreu?"

Como se tal não fosse possível.

É nessa altura que tomamos consciência de que, ao contrário do que a nossa cabeça imagina, nem mesmo aquelas personalidades que idolatramos, que seguimos, que conhecemos pela fama que alcançaram, e história que partilharam, incluindo os animais, como o Gato Bob, são eternos.

Porque a morte não chega só para os desconhecidos. Mas a esses, ninguém liga, porque são isso mesmo - desconhecidos.

Também chega àqueles que, de alguma forma, através da música, da escrita, da arte, ou outra qualquer, se tornaram conhecidos de todos nós e passaram, de alguma forma, ainda que à distância, e indirectamente, a fazer parte da nossa vida.

 

Muitos de nós já perdemos entes queridos, animais que faziam parte da nossa família, e sabemos como doeu, o que nos custou superar essas perdas.

Não imagino sequer como James se esteja a sentir neste momento, ao perder o gato que lhe mudou a vida, e a quem ele mudou a vida.

Espero que todo o percurso e ensinamentos até este dia lhe sirvam agora para não perder o rumo, e para continuar no caminho da protecção dos animais, para que muitos tenham a sorte que Bob teve, e muitas histórias para contar, tal como ele.

E para que James não dê por perdido tudo o que viveu com Bob, ao longo dos anos em que estiveram lá um para o outro.

Até sempre, Bob!