Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quantos mais jovens terão que morrer...

 

...para se pôr um ponto final nas praxes estúpidas e sem sentido que todos os anos se repetem?

Sim, todos os anos, por esta altura, se fala das praxes. E todos os anos, se ouvem vozes que defendem as praxes, vozes que defendem que certos comportamentos não podem ser considerados praxe, e vozes contra qualquer tipo de comportamento que provoque danos, sejam eles praxe ou não mas, curiosamente (coincidência ou não), sempre envolvendo caloiros e veteranos das universidades.

Ah e tal, são uma forma saudável de integrar os caloiros na vida universitária. Sim, algumas podem até ser. Todas aquelas que contribuam para a formação cívica dos caloiros, para a sua real integração no ambiente de uma universidade, para um espírito de equipa, entreajuda e solidariedade.

Mas não me parece que humilhar, subjugar, mandar, agredir, ameaçar ou maltratar, se enquadrem nessa categoria.

Não me parece que obrigar estudantes a enterrarem-se na areia e beber álcool sem parar, se enquadre num tipo de praxe útil para alguém, que não mentes perversas e sem qualquer carácter.

A tragédia do Meco resultou na morte de vários jovens, sem que se tenha apurado qualquer culpado. A culpa morreu, literalmente, na praia.

Melhor sorte teve a jovem de Faro, que foi levada para o hospital em coma alcoólico. Mas podia ter corrido muito mal.

E não me venham dizer que ninguém foi para lá obrigado, e que só participa quem quer. O problema não está em quem participa, de livre vontade ou não. O problema está em quem teve a ideia de praticar tais actos!

Até quando isto vai continuar a acontecer?

Até quando vão permitir que isto aconteça?

Quantos mais acidentes resultantes das praxes serão necessários?

Quantos mais jovens terão que morrer?

 

imagem www.dn.pt

 

 

Surfistas salvadores

 

Com vista a reduzir o número de acidentes e mortes nas praias, o Instituto de Socorros a Náufragos vai avançar com acções de formação para surfistas, sobre salvamento e suporte básico de vida a banhistas, ao longo de toda a costa.

O projecto, intitulado “Surf Salva” é feito em parceria com a Federação Portuguesa de Surf, e pretende dotar, sobretudo, muitas das praias não vigiadas, de vigilância eficaz e mais mãos para salvar.

Acho muito bem que se façam estas acções, e que os surfistas, na presença de possíveis vítimas e estando no local, possam agir rapidamente e fazer a diferença entre salvar uma vida ou perdê-la.

Mas não deveriam, ao mesmo tempo, contratar e formar nadadores salvadores para essas mesmas praias não vigiadas, e para reforçar as vigiadas?

Claro que isso iria implicar despesas. E, numa altura em que contenção e despedimentos são as palavras de ordem, não fazia sentido formar e pagar a profissionais, quando temos ali os nossos amigos surfistas, que estão sempre na crista da onda, dispostos a fazer o mesmo serviço de borla!  

Nek Nomination (ou como transformar um jogo parvo numa iniciativa inteligente)

 

Nek Nomination é um jogo viral nas redes sociais que, no seu conceito original, consiste em que o primeiro participante se filme a beber um litro de uma bebida alcoólica (geralmente cerveja), de uma só vez. O vídeo é depois colocado online, normalmente no YouTube, e o participante desafia duas novas pessoas a fazer o mesmo. Os nomeados (neknominees) têm de completar a tarefa em 24 horas. E assim sucessivamente.
Com o aumento da popularidade do jogo, os desafios são cada vez mais bizarros e perigosos, podendo envolver armas, máquinas, lagos ou rios, bebidas fortes, mistura de bebidas e drogas, etc. E causar a morte.
São várias as mortes associadas a este jogo, entre elas as de Isaac Richardson, Stephen Brooks, Jonny Byrne e Ross Cummins. Stephen Brookes, depois de ter sido filmado a beber um litro de vodka. Isaac Richardson, após ter sido filmado a beber uma mistura de vinho, vodka, whiskey e cerveja.
Há quem diga que este fenómeno teve origem em Cambridge, em 2008, quando um grupo de amigos criou a competição, mas outras versões apontam para que tenha nascido na Austrália.
Mas há quem tenha tido o bom senso de dar a volta ao jogo, transformando uma "nek nomination" numa "smart nomination"! Respostas inteligentes que estão a fazer a diferença!
Um desses exemplos é a distribuição de alimentos e água aos sem abrigo, bem como outras acções de solidariedade, para as quais, à semelhança do jogo original, são posteriomente nomeadas três pessoas, que devem fazer o mesmo em 24 horas.
De facto, se se perdesse menos tempo a inventar ideias parvas, e mais a criar iniciativas destas, o mundo seria muito melhor! 

 

 

 

 

 

De quem é a culpa?

 

Quando tudo corre bem, é maravilhoso! Quando corre mal, alguém é responsável!

Li no outro dia, a propósito da morte daquele estudante em Lloret del Mar, um artigo em que, de certa forma, se responsabilizavam os pais dos estudantes, que os autorizam a participar nessas viagens de finalistas.

Achei completamente injusta essa constatação.

Ora, por exemplo, naquele caso do acidente de autocarro na Suíça, quem poderia ser responsabilizado pela morte de todas aquelas crianças que seguiam no autocarro? Eram crianças, não podemos imputar-lhes a responsabilidade. Será o condutor? É o responsável mais óbvio. Mas, não seriam os pais também responsáveis, uma vez que foram eles que permitiram que as crianças viajassem?
De qualquer forma, de nada adianta agora andarmos a acusar uns e outros pelas mortes. Simplesmente, nada disso lhes trará de novo a vida. Nem a daquelas crianças, nem a deste rapaz.

Terão uma quota parte de responsabilidade os pais, porque na sua boa fé o deixaram ir, terá uma quota parte de responsabilidade o filho, que não deveria ter estado na varanda, terão uma quota parte os amigos que poderiam, quem sabe, ter evitado, terá uma quota parte o hotel, que deveria ter maiores medidas de segurança? Talvez...ou talvez não...
Aconteceu. Foi, provavelmente, um acidente como poderia ter sido outro qualquer, perto ou longe de casa. Quantos acidentes não ocorrem, por vezes, até à nossa frente.

Não digo que não se devam apurar responsabilidades, se as houver, porque de facto deve ser feito. Mas deixemos isso para quem o poderá fazer melhor e com base em factos concretos.
Para este caso como o de Lloret del Mar, e outros, nada tem a ver o conhecer-se bem os filhos até porque, muitas vezes, eles agem de uma maneira à nossa frente, e quando não estamos por perto de outra. Até nós, na nossa adolescência, fomos um pouco assim!

E se as probabilidades de este tipo de acidentes ocorrer com estudantes irresponsáveis, que não sabem tomar conta de si próprios e se metem em sarilhos, são grandes, não significa que não possam acontecer até com aqueles mais sossegados, certinhos e responsáveis.

Anda tudo doido?

 

 

 

Enquanto lamentamos as mortes, causadas pela vaga de frio, na Ucrânia e na Polónia, alguém decide obrigar o filho a andar semi-nu pelas ruas de Nova Iorque, cobertas de neve, para "reforçar" o seu carácter e a sua saúde! Andará tudo doido?

 

Um pouco por toda a Europa, principalmente no centro e leste, o frio parece não dar tréguas às populações, sendo a Ucrânia um dos países mais afectados, embora esta camada de ar polar se espalhe igualmente por outros países como a Bósnia, a Sérvia, a Hungria, a Bulgária, a Itália, a França ou a Suiça. Até mesmo em Portugal, estamos a sentir os seus efeitos.

E depois ficamos estupefactos quando somos confrontados com notícias como esta: a colocação, na Internet, de um vídeo que mostra um menino de quatro anos, forçado pelos pais a correr semi-nu (apenas cuecas e um par de ténis), pelas ruas cheias de neve, em Nova Iorque.

A justificação para tal acto é, no mínimo, bizarra - "a extrema necessidade de reforçar o caráter e a saúde do seu filho"!

Apesar de chorar e tiritar de frio, enquanto percorre as calçadas cobertas de neve, e de pedir colo aos pais, estes parecem imunes à sua súplica. Pelo contrário, até o incentivam a deitar-se sobre a neve. Afinal, parece que desde muito pequeno foi submetido a um duro treino que fortalecesse a sua saúde, uma vez que tinha nascido prematuro. Como tal, esta seria apenas mais uma etapa desse rigoroso treino.

Eu só me pergunto, depois de ter assistido a estas duas realidades tão distintas, se andará tudo doido?!

Será uma questão de frieza, ou terá sido a corrente polar a gelar o cérebro, e o coração, de tais pessoas?...

  • Blogs Portugal

  • BP