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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Do Dia dos Namorados...

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Não sou tão fã, como em tempo fui, de celebrar este dia.

Longe vão os tempos em que comprava peluches, cartões amorosos, e recebia flores e chocolates.

Em que planeávamos almoços ou jantares, passeios românticos.

Em que tirávamos o dia, só para o casal.

 

Não sou contra, embora já não interprete o seu significado e importância da mesma forma.

Com o avançar da idade, das relações, e das celebrações, percebemos que algumas atitudes e gestos são apenas "o que se espera", o que é suposto fazer-se, o que é suposto acontecer. Nem sempre o sentimento está verdadeiramente presente.

 

Tão pouco vou entrar numa de "ah e tal, o dia dos namorados deve ser quando quisermos".

Porque é. Ou deveria ser... 

 

Mas, mais do que um dia, que uma data, que um presente, que uma tradição, muitas vezes falta aquilo que deveria ser o mais importante entre um casal.

Para mim, um casal em que cada um tem plena confiança no outro, um casal que se compreende, um casal em que cada um sabe ler o outro, ainda que sem palavras, um casal que se complementa, que se respeita, um casal em que existe amizade e amor, tem todos os motivos para celebrar esta data.

 

Se virmos bem, poucos são os que terão verdadeiros motivos para celebrar.

Todos os outros, é só mesmo porque sim.

Para mim, foi apenas um dia normal.

Quando decidimos e/ou agimos pelos motivos e com os objectivos errados

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Tomar decisões ou agir pelos motivos, e/ou com objectivos errados nem sempre leva ao resultado que esperamos.

Fazêmo-lo, achando que é uma porta aberta para a felicidade, para a realização pessoal ou profissional, para preencher o vazio que se instalou em nós mas, por vezes, essa felicidade é passageira. E depressa lhe sucede uma tristeza, uma sensação de vazio ainda maior, mal passamos a porta.

Muitas vezes, gera mesmo frustração.

 

Há quem faça as coisas em busca de reconhecimento. E se ele não vem? Ou não vem na medida em que se imaginou?

Há quem faça as coisas à espera de um retorno, que pode tardar, ou nunca chegar.

Há quem aja para afogar as mágoas, para fintar a tristeza. Mas, e se as nossas acções tiverem um efeito inverso, e ainda pior?

Há quem tome decisões no calor do momento, por impulso, baseadas na raiva, na dor. Mas, serão as mais correctas? Não nos iremos arrepender depois, quando a "poeira" assentar? 

 

Fazemos as coisas porque realmente queremos? Ou para agradar alguém?

Porque nos satisfaz, ou porque queremos daí tirar vantagens?

Porque é algo que nos dá prazer, ou porque é aquilo que se espera de nós?

 

Quantas vezes não nos enganamos com a ilusão de que são honestos os motivos e objectivos pelos quais agimos mas, ainda que inconscientemente, não são os certos, e podem não resultar da forma como imaginámos.

E, ainda que resultem, deveriam ter outra base, que não aquela em que nos apoiámos.

Da ascensão meteórica à queda abrupta de Bruno Lage

A BOLA - As razões para a queda inesperada de Bruno Lage (Benfica)

 

A história repete-se?

Há cerca de um ano, e após um conjunto de maus resultados para o Benfica, sob o comando de Rui Vitória que, outrora, tinha sido um grande treinador e trazido ao clube várias vitórias, Bruno Lage, técnico ao comando da equipa B, assumia o cargo de treinador principal, para o que restava da época.

De repente, os jogadores que, até ali, não jogavam nada, deram o seu melhor. A equipa, que já dava o campeonato por perdido, recuperou e sagrou-se campeã.

E Bruno Lage, um homem humilde e simples, sem grandes pretensões, tornou-se o herói encarnado, ao conseguir o quase impossível, em tão pouco tempo, e com resultados extraordinários, que fizeram dele um treinador muito desejado.

Dizia-se, na altura, que os jogadores estavam fartos de Rui Vitória, e fizeram tudo para ele sair. 

 

Após um final de época como o de 2018/2019, não se esperava menos desta em que nos encontramos, dos jogadores que por lá continuaram, e do treinador que tinha dado provas do seu valor.

Só que, da mesma forma que se deu a ascensão meteórica de Bruno Lage, também a sua queda foi abrupta.

Bruno Lage conseguiu o melhor, e o pior.

E se, no final da época passada, Bruno Lage estava na mó de cima, no topo, hoje, sai pela "porta dos fundos" de uma equipa e de um clube no qual já não consegue fazer mais.

 

Mas, será a culpa, unicamente, de Bruno Lage?

O que mudou no treinador de há uns meses, para este que hoje vemos?

A sua tática esgotou-se? 

Será que os jogadores também quiseram "fazer-lhe a cama" para o mandar embora?

 

E os jogadores?

O que mudou nos jogadores que o ano passado davam tudo, para este ano, em que parecem não saber o que fazer em campo?

Perderam-se?

Acreditava-se, antes da paragem forçada, que estariam cansados pelas sucessivas competições e jogos.

Então, e agora?

Foi por falta de treino e preparação? Por descanso a mais?

 

É certo que há anos bons, e anos menos bons. E que vitórias, derrotas e empates fazem parte do jogo. Mas é estranho uma equipa passar do 8 para o 80 e, opostamente, do 80 para o 8, em tão pouco tempo.

 

Com a saída de Bruno Lage, assume o cargo, novamente, o técnico ao comando da equipa B, desta vez, Renato Paiva. 

Mas, para Renato, não sobrará muito tempo para grandes feitos, uma vez que chega quase em final de época.

Resta saber quanto tempo lá ficará. E quem será o próximo...

 

Imagem: abola

Privacidade: um direito inviolável ou a chave para salvar alguém?

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A privacidade é um direito que nos assiste, e que ninguém tem permissão para invadir, ou violar.

Por norma, quando alguém o faz, é quase sempre para fins menos dignos, por motivos pouco altruístas, mas por puro egoísmo, curiosidade, desconfiança, lucro, ou outros igualmente condenáveis.

Mas, e se essa invasão for essencial, não para benefício próprio, mas para ajudar a salvar alguém? Justificar-se-ia invadir a privacidade, violar esse direito?

 

Quando uma mãe, após o suicídio do seu filho, lê o diário escrito por este, e percebe que estava ali a possível chave, que poderia ter, quem sabe, evitado o que veio a acontecer, o que pensa ela?

Que a resposta esteve sempre ali.

 

Mas ela não queria estar a invadir a privacidade do filho e, por isso, nunca leu o diário, nunca soube como ele se sentia, nem o que o atormentava e, como tal, não conseguiu ajudá-lo a ponto de evitar o pior.

Deveria ela ter quebrado a confiança?

Deveria ela ter invadido a privacidade?

Agradecer-lhe-ia, o filho, por tê-lo feito?

Seria garantido que essa invasão seria útil, e impediria o suicídio?

Não sabe... Mas sabe que, não o tendo feito, pode ter contribuído para o desfecho, pela inação.

 

Parece-me a mim que, nos dias que correm, a privacidade é muitas vezes violada sem motivos válidos e, poucas vezes, invadida por razões que o justifiquem.

O que levanta outra questão: existem razões ou motivos que justifiquem essa invasão?

Ou é, imperiosamente, um direito inviolável?

 

Por 13 Razões

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Já muito se escreveu sobre esta série da Netflix, que tanto deu que falar pelo seu tema controverso - o suicídio na adolescência.

Ouvi opiniões favoráveis e críticas negativas, houve quem adorasse a série, e quem a detestasse.

 

Chegou a minha vez de ver a série, e tirar as minhas próprias conclusões.

Em primeiro lugar, como diz o ditado "quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro", e só quem passa por determinadas situações saberá se teria motivos para cometer suicídio ou não. Não devemos julgar ou condenar ninguém por ter tomado essa decisão. Mas isso não significa que estejamos de acordo.

De qualquer forma, essa é uma decisão da própria pessoa, pela qual não se deve tentar culpar terceiros. Algumas pessoas podem contribuir para debilitar o nosso estado emocional, podem até ter cometido crimes contra nós, mas o suicídio é sempre uma decisão pessoal, pela qual somos os únicos responsáveis.

 

Confesso que comecei a ver a série, e desisti no fim do terceiro episódio!

Até compreendo que a ideia seja mostrar ao público tudo o que levou uma adolescente a tomar a decisão de se suicidar, vendo aí a única solução para os seus problemas.

E até percebo que ela quisesse enviar as cassetes para alguém da sua confiança.

O que não compreendo, é o joguinho das cassetes a circularem por entre todos os colegas. Qual era o objectivo? Que se sentissem culpados? Que se responsabilizassem pela decisão dela? Que confessassem o que tinha feito, quando seria a palavra deles, contra a de alguém que já morreu?

Tal como não compreendo porque não entregou o Tony, guardião das cassetes, de imediato, as mesmas à mãe da Hanna, que queria descobrir a verdade, e esperou quase até ao final para perceber que não deveria guardar os segredos da amiga.

Até porque, se a Hanna queria guardar os seus segredos, não faria sentido enviar as cassetes para os colegas, esperando tudo o que viria a seguir.

 

Recomecei a ver a partir do episódio 8, tendo-me o meu marido contado o que entretanto se passou. Não vi ali nada que justificasse uma decisão tão drástica, até esse ponto. Mais motivos teria a Jessica, se se lembrasse (será que não se lembrava mesmo?), para o fazer, e mesmo assim não penso que fosse essa a solução.

Quem não sofreu, em algum momento, bullying na escola? Quem não passou anos do seu percurso escolar sem grandes amigos? A perder namorados para amigas, a perder amizades por causa de rapazes?

 

Posto isto, o que mais me chamou a atenção nesta série foi o facto de, por mais que queiramos  e tentemos, conhecer bem os nossos filhos, ou controlar o que lhes acontece, isso é impossível. Podemos dar o nosso melhor, coisa que não me parece que os pais da Hanna tenham feito, mas ainda assim pode não ser o suficiente.

De nada adiantará os pais andarem agora, paranóicos, em cima dos filhos, porque isso pode ter o efeito contrário, e levá-los para o caminho de onde os querem desviar.

E as escolas, sabendo ou não o que se passa nas suas barbas tentam, na maioria das vezes, ignorar, esconder, camuflar, e nem sequer estão habilitados para ajudar quando um aluno pede ajuda.

 

Tudo o resto, não é novidade, porque já andámos na escola e sabemos bem como funciona. Até mesmo na idade adulta, nos locais de trabalho, acontecem situações dessas. Os grafitis na casa de banho, as listas, as amigas da onça, as drogas, os gabarolas, os cabrões e meninos dos papás que acham que o dinheiro paga e apaga tudo, e que são impunes, enfim...

 

Qual foi, afinal, o objectivo das cassetes?

Os pais da Hanna ficaram a par da verdade, tal como a escola, e os colegas da Hanna, incluindo o Clay. De que é que serviu essa verdade?

A única pessoa que cometeu os maiores crimes, continuou impune. Um dos colegas da Hanna, tentou também o suicídio. Valeu a pena?

 

Claro que isso será, provavelmente, respondido numa segunda temporada. Que eu não sei se vou ter paciência para ver, porque esta já me pareceu demasiado longa, para a história que conta, quanto mais voltar ao mesmo tema, com mais uma dúzia de episódios.

 

Relativamente ao Justin, sim, é um parvalhão, cometeu erros (não crimes) mas tem toda uma história por detrás, que não o ajuda e, embora essa história não justifique os seus actos, não consigo considerá-lo culpado.

 

Se há um culpado, é o Bryce. Muitos podem ter contribuído para a bola de neve de acontecimentos que foram decisivos para o suicídio, incluindo a indiferença dos pais, mas este é o único que consigo ver como culpado.

Ainda assim, tal como a Hanna, também a Jessica foi violada, e seguiu em frente.

Confesso que já vi documentários em que a situação justificaria mais um suicídio, que a vida da Hanna. Mas, lá está, só ela saberia como se sentia, e se esta era a melhor solução.

 

De qualquer forma, esperava mais desta série, e fiquei dececionada com a forma como foi conduzida ao longo de 13 episódios.