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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Devaneios

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Todos lhe diziam que deveria aproveitar a vida.

Viver cada dia como se fosse o último.

 

No entanto, os dias repetiam-se. Um após o outro.

Por semanas. Por meses.

As mesmas pessoas. Os mesmos lugares.

As mesmas responsabilidades e obrigações.

 

Começara, aos poucos, a perder o entusiasmo.

A garra. A inspiração.

 

Ansiava por algo novo.

Que lhe desse um novo alento.

Que lhe despertasse, novamente, o prazer pelas pequenas coisas.

 

Sabia que lhe faria bem uma mudança.

Sair dali. Nem que fosse por uns dias.

Sabia, também, que nunca o faria.

 

Eram, apenas, devaneios.

Pensamentos que lhe vinham à mente para fugir ao marasmo da sua vida.

Como quem se apresenta, de malas aviadas, na estação, mas limita-se ver o comboio partir, sem nunca entrar nele.

Quem sabe se na esperança de que, apenas por estar ali, algo mudasse.

E a magia acontecesse.

 

Talvez lhe bastasse a ilusão.

Talvez lhe faltasse a coragem.

Talvez ainda não fosse o momento.

Ou, talvez, já o tivesse deixado passar.

 

 

 

 

Navegar no desconhecido, no mesmo mar de sempre

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Há momentos, na nossa vida, em que nos sentimos a navegar no desconhecido, ainda que no mesmo mar de sempre.

Faz sentido?

Talvez.

Até porque, lá está, o mar pode ser o mesmo de sempre, mas tudo nele pode mudar de um momento para o outro.

As correntes, as marés, a agitação.

O mar não é estático. Ainda que seja sempre mar, água, ondas.

Da mesma forma, por muito que tudo pareça igual, por mais que acreditemos que determinado conhecimento é uma vantagem, nem sempre assim é.

Porque existem sempre condicionantes novas, com as quais nunca antes lidámos.

O desconhecido, no meio daquilo que julgávamos conhecer.

Por outro lado, também nós mudamos.

E, quando tudo, e todos, mudam, o que fica daquilo que, um dia, foi?

E o que nos espera daquilo que nem sabemos o que será?

 

 

Chegou Setembro!

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Chegou Setembro!

Mês de regressos.

Mês de recomeços.

 

De transformação. E mudança.

De despedida. E de boas vindas.

Alegre para uns. Triste para outros.

 

Tudo é novo.

E, ao mesmo tempo, tudo é o mesmo de sempre.

O que, antes, voltou, parte. 

O que tinha partido, volta.

 

É apenas um mês.

Pequeno, por sinal.

Mas é daqueles que, ou se ama, ou se odeia.

 

Setembro não é de meios termos.

É um estado de espírito.

E cabe, a cada um de nós, vivê-lo como assim o decidirmos.

Porque nos boicotamos a nós próprios?

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Como já tenho dito várias vezes, o ser humano é um "bicho" complicado.

Não é, pois, de admirar, que dessa complicação faça parte uma, provavelmente, irracional ou inconsciente tentativa de boicote a si próprio, e à sua felicidade.

A verdade é que toda a gente almeja estar de bem com a vida, sentir-se bem e feliz mas, quando isso acontece, irreflectidamente, as pessoas têm uma tendência a, por si mesmas, estragar esses momentos.

 

Como se tivessem necessidade de deixar de estar bem.

Talvez porque acreditem que não são merecedoras. 

Ou, talvez, porque não sabem viver assim...

Porque estão mais habituadas a momentos de tensão e, como tal, estranham a calmaria.

 

Outras vezes, porque tudo o que sabem que lhes faz bem, leva tempo.

Dá trabalho.

E fá-las sair da zona de conforto. 

Enfrentar mudanças.

Contornar receios.

Abrir portas ao desconhecido.

 

Então, mesmo sabendo que pode valer a pena, preferem boicotar-se.

Ficar com aquilo a que já estão habituados.

Que já conhecem, e do qual sabem o que esperar. 

Porque até podem, em teoria, saber tudo o que precisam de fazer.

Mas daí a pôr em prática, parece haver sempre um travão invisível que leva a melhor.

Seguir caminho

(1 Foto, 1 Texto #64)

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Já era noite.

O céu estava escuro. Ainda mais escuro, pelas nuvens, que o encobriam.

Um pingo ou outro caía, ameaçando tornar-se cada vez menos espaçados, e mais fortes.

Mas, por enquanto, parecia favorável.

 

E, assim, lá ia ela, solitária, percorrendo o seu caminho.

Não indo muito depressa, também não parava.

Por um instante, o vento mostrou-se mais forte, e virou-a.

Mas ficar ali parada, rendida, não era opção.

 

Ainda havia um longo caminho a seguir.

Por isso, como uma guerreira, voltou a endireitar-se.

Não havia tempo a perder.

Ergueu-se, e fez-se, novamente, à estrada.

 

Quem sabe o que a esperava.

Ou quem a esperava.

Ou talvez nada a esperasse.

Mas isso não a impediu de ir.

 

Talvez seja apenas a sua natureza.

Talvez disso dependa a sua vida.

Talvez já nada a prenda ao lugar de onde veio.

E siga em frente, esperançosa de uma mudança.

 

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto