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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Fugitiva - a série

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Fugitiva é uma série (mais uma) espanhola, protagonizada pela conhecida actriz Paz Vega, que aborda a violência doméstica, entre as classes mais abastadas da sociedade.

É uma série que prende, que nos faz sempre querer ver o próximo episódio, que nos aguça a curiosidade, tanto pelo que aconteceu no passado, como pelo que irá acontecer no presente e futuro.

 

 

 

 

Se tivesse que definir esta série em duas palavras, seriam - confiança e medo.

 

Quando estamos sozinhos, e precisamos de ajuda, somos obrigados a confiar em alguém.

Por vezes, alguém que pouco ou nada conhecemos. E que tanto pode estar, de facto, do nosso lado, como nos tramar a qualquer momento. Mas, afinal, não o fazem, da mesma forma, aqueles que conhecemos bem, e em quem sempre confiámos?

Confiar em alguém torna-se ainda mais difícil, quando existe muito dinheiro envolvido, interesses, necessidades ocultas, chantagem ou qualquer outra razão para alguém mudar de lado, consoante lhe der na gana, e lhe for mais útil ou vantajoso.

 

 

Por outro lado, está o medo.

Mais forte ainda, quando associado ao poder, à manipulação, a ameaças, a violência contínua.

Como evitar o medo? Como ultrapassá-lo? Como ganhar força e coragem para nadar num mar de "tubarões", sem ser aniquilado por eles? 

Será que o medo nos limita, nos trava, nos impede de lutar ou, pelo contrário, pode ser o combustível, o impulso, a chave para mudar a nossa vida?

 

 

 

 

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Fugitiva é uma série sobre um mundo dominado pelos homens, em que eles mandam e desmandam, em que só eles são levados a sério, em que só a eles é destinado o poder. E sobre violência contra as mulheres. Ainda assim, essa tentativa de afirmação do feminismo, não é o que mais se destaca.

Como sempre, tento analisar as várias envolventes da história e, em Fugitiva, há muito mais a explorar.

 

 

Começando pela personagem Alejandro, homem de negócios, influente, poderoso, machista, sem escrúpulos. Alejandro tem uma personalidade muito complexa que junta, numa mesma pessoa, um pai que ama os seus filhos, mas desligado, e que pouco está com eles, um homem apaixonado e carinhoso que, ao mesmo tempo, é um agressor violento, um homem capaz de matar, que se serve das mulheres a seu bel prazer mas, ao mesmo tempo, alguém que é capaz de defender uma prostituta do seu chulo. Um homem frio que, ao mesmo tempo, parece ter coração. Um macho que, no fundo, vive agarrado às saias da mãe.

Confesso que, a forma como os episódios e a informação é apresentada, aliada a esta personalidade tão confusa, me levou algumas vezes, apesar de todas as evidências, a suspeitar se, na verdade, a sua mulher não teria imaginado ou inventado tudo aquilo.

 

Depois, temos Magda, mulher de Alejandro. A vítima. Ao longo de 20 anos, sofreu maus tratos, violência física e psicológica, mas manteve-se junto ao marido pelos filhos de ambos.

Até ao dia em que, por culpa dos actos do marido, no que respeita a negócios, vê os seus filhos ameaçados de morte. 

Aí, ela vai dar o primeiro passo, e livrar-se do marido, ao mesmo tempo que tenta proteger os filhos. Mas, como poderá uma mulher que sempre foi submissa, e que pouco conhece do mundo, levar até ao fim o seu plano, sem ser enganada, ou apanhada?

 

 

 

 

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Por fim, os filhos.

Tanto que há para dizer sobre eles.

 

Em primeiro lugar, como esperar que adolescentes obedeçam às ordens de uma mãe, sem as questionar, desafiar, contrariar?

Como esperar que filhos, que sempre foram protegidos da verdade em relação ao pai, se coloquem, de um momento para o outro, do lado da mãe, e contra o pai? A determinado momento, a avó diz para uma das netas "Nesta história, só há um monstro, e uma vítima. E vais ter que escolher um dos lados. Não podes ficar do lado dos dois ao mesmo tempo".

Como pensar que os filhos iriam aceitar uma fuga, sem ouvir o outro lado, sem explicar ao pai que estão bem, sem se revoltarem com os erros de ambos os pais, dos quais não têm culpa mas que, por eles, estão agora a pagar, ficando sem as suas vidas?

 

Como imaginar que três jovens, depois de um suposto sequestro, e ao se verem num paraíso, sem a segurança a que estão habituados, nem alguém a controlar os seus passos, fiquem presos num quarto de hotel, quando tudo está a acontecer lá fora?

Como esperar que adolescentes mimados, que sempre tiveram tudo na vida, saibam o quanto custa viver sem mordomias?

Como pensar que jovens que sempre viveram numa redoma, saberão agora enfrentar os perigos, livrar-se deles, defender-se sozinhos?

 

Entre a filha mais nova, campeã de ténis de mesa, o filho surdo na sequência de um acidente causado pela mãe, e a filha mais velha, mimada e que só faz o que lhe apetece, desafiando a mãe de todas as formas e colocando-se, várias vezes, na boca do lobo, vamos assistir a um despertar para a realidade, de cada um deles, da pior forma.

 

 

Lançadas as cartas, cabe a Magda a próxima jogada e, se no início, tudo se conjugava para uma vida de fugitiva, uma reviravolta pode levá-la a deixar de ser "a caça" e passar a ser "o caçador". Mas não é só o marido que Magda deve temer. Há alguém que a quer afastar, e aos filhos, de tudo, e alguém que quer que eles parem de se esconder, e possam viver livremente, sem temer mais ninguém.

Será esse o plano perfeito? Haverá algum plano perfeito? Ou pagarão todos bem caro pela impulsividade e coragem de Magda, com a própria vida?

 

Machismo, Desrespeito, Sexismo, Egocentrismo...

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...poderíamos resumir a estas quatro atitudes a caracterização da sociedade actual, e as principais causas para os fracassos das relações de hoje em dia.

Homens que pararam no tempo, e ainda acham que as mulheres é que têm obrigação de fazer as tarefas domésticas e servi-los sempre que o desejarem;

Mulheres que confundem frontalidade com falta de educação e total desrespeito pelas pessoas que têm ao seu lado, excedendo largamente os limites do razoável;

Homens que vêem as mulheres como objectos sexuais, que estão ali para satisfazer os seus desejos e fantasias, esquecendo-se que as mulheres não são só um corpo tonificado e bem definido;

Homens e mulheres que pensam que o outro tem que estar o tempo todo disponível para si, que travam batalhas com ameaças e inimigos imaginários, que só pensam nas suas próprias vontades e desejos, naquilo que gostam e precisam, sem se preocuparem com o que o outro quer, gosta e também precisa.

Homens e mulheres que se anulam, que deixam de ter vontade própria, que escondem aquilo que sentem para não incomodar ou chatear o outro, e que fingem estar sempre tudo bem, mesmo quando está tudo mal.

 

Hoje em dia, falta comunicação, falta verdadeiro compromisso, falta responsabilidade, falta entrega, falta paciência, faltam muitas coisas. E não é só nas relações amorosas. 

  

De Amor e Sangue, de Lesley Pearse

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Lesley Pearse escreve sobre mulheres, isso já não é segredo!

E esta história não poderia deixar de ter a sua protagonista feminina - Hope.

 

Confesso que começo a ficar um bocadinho farta das mesmas temáticas nas histórias desta autora. Gostava que ela apresentasse uma história diferente, e que surpreendesse.

Estava a ler este livro e a pensar: ainda há pouco tempo li um livro em que a mulher tinha trabalhado como enfermeira, ajudado a lutar contra doenças e a melhorar as condições dos doentes. E, depois, lembrei-me - foi noutro livro da Lesley Pearse!

Da mesma forma, as guerras, os feridos, e a assistência a estes, estão quase sempre presentes. Admito que se torna maçador, em cada livro que lemos, estarmos a levar com o mesmo assunto.

Em quase todas as obras da autora se poderia aplicar o ditado "Deus escreve certo por linhas tortas" porque, se não fosse todo um passado de tormento, não haveria agora um presente e futuro tão feliz.

 

O que torna, então, esta história interessante, e uma boa leitura?

Hope é filha de Lady Harvey e do seu amante, o capitão Pettigrew. Como tal, não é desejada pela mãe, porque provocaria um escândalo saber-se que tinha traído o seu marido, e tido uma filha fora do matrimónio. O destino era matá-la, mal nascesse.

Mas Nell levou a menina para ser criada pela sua família, como se fosse sua irmã. Apenas Bridie e Nell sabiam a verdade.

Enquanto Hope cresceu junto de uma família pobre, mas que lhe deu todo o amor que podia, Rufus, o herdeiro dos Harvey, foi criado com tudo a que tinha direito, mas sem amigos, e com pais ausentes, sempre em discussões. Da infância até ao presente, ficou a amizade entre Hope e Rufus, mesmo sem sequer desconfiarem que eram irmãos.

 

Esta história aborda a forma como a homossexualidade era encarada naquela altura; a obediência e dever de permanecer casada com o marido, independentemente de ser um homem autoritário e violento, mesmo que isso implique o afastamento da restante família; o egoísmo e egocentrismo da alta sociedade,que só pensa em futilidades e no seu próprio sofrimento, sem se preocupar com quem esteve sempre ao seu lado.

E mostra como, apesar de tudo, por vezes, os valores e a preocupação com uma sociedade mais justa se sobrepõem, em algumas das pessoas nascidas em berço de ouro, à forma como foram educados para desprezar a criadagem e classes mais pobres.

Podemos também ver aqui uma abordagem à depressão pós parto, à depressão, e de certa forma, à loucura.

E como, para salvar aqueles que mais amamos, vamos buscar forças e coragem que nem sabíamos que as tínhamos.

 

Hope diz, mais para o fim, em resposta ao comentário do seu pai, que afirmou que tudo poderia ter sido diferente, se tivesse sabido que ela existia "se tivesses sabido, eu teria sido criada por uma ama, porque tu estarias sempre fora, nas guerras, e não teria tido todo o amor de uma família, como tive, e não seria a mulher que hoje sou".

 

De Amor e Sangue acompanha Hope, desde o seu nascimento, até à idade adulta, e todo o percurso que teve que fazer, até se voltar a juntar à família que a criou, e à que apenas mais tarde descobriu que tinha.

 

Body Revolution Movement

Foto de Body Revolution Movement.

 

Conheci a Marta Romero no início deste ano, e foi um prazer.

A Marta é a mentora deste movimento, que pretende revolucionar a forma como vemos o nosso corpo, e realçar a beleza que existe dentro, e fora, de cada um de nós.

 

"Body Revolution Movement nasce na perspetiva criar uma mudança de paradigmas e redefinir conceitos de Beleza. A Beleza existe em todos os corpos, tamanhos, formas e medidas. 
Aceitar um corpo que é rejeitado pelos demais ou que não se enquadra nos parâmetros definidos pela sociedade atual passa pela confiança. Uma confiança que não nasce quando outros nos aceitam, mas sim quando nos sentimos bem com o nosso corpo, mesmo quando os outros não o vêm da mesma forma."


Os principais objectivos do movimento são:

Incentivar a Aceitação

Trabalhar o Positivismo

Ressaltar a Sensualidade 

Ter confiança

Obter uma linguagem positiva

Potenciar a capacidade de sentir amor

 

E, ao mesmo tempo, ensinar:

 

A viver sem juízos sobre a nossa imagem 

A amar o nosso corpo 

Habilidades que irão tornar as pessoas resistentes e inabaláveis em qualquer um dos objetivos 

A não comparar-nos com os outros constantemente

Que p corpo não é um ornamento

A ser saudável em cada peso fomentando  o emagrecimento como algo meramente relacionado com a saúde e não com a estética.

 

Ontem à tarde, e no seguimento deste Body Revolution Body, a Marta apresentou o Calendário Body Revolution 2018, que considera "uma das ações mais reivindicatórias e altruístas do movimento", composto por mulheres corajosas que posam completamente nuas, transmitindo uma mensagem clara de positivismo do seu físico, ressaltando as suas diferenças individuais.

Ao mesmo tempo, o calendário pretende ensinar e inspirar as mulheres a aceitar o seu corpo, durante os 365 dias do ano.

 

O calendário tem o valor de 8 euros. O valor angariado será revertido na totalidade para ajudar a causa do Movimento Body Revolution.

 

Mais informação em http://www.bodyrevolutions.net/body-revolution/ ou Body Revolution Movement

 

 

Na recente entrevista que deu à RCM (rádio de Mafra), a Marta afirmou que 91% das mulheres não estão satisfeitas com o seu corpo.

E deixo aqui o desafio, não só para as mulheres que seguem este blogue, como também para os homens:

 

O que menos gostam no vosso corpo, que gostariam de mudar? E o que não gostavam, mas já aprenderam a aceitar?

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