Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Ter filhos em Portugal...

Imagem relacionada

 

...não é justo, não compensa, faz cada vez menos sentido, e é cada vez mais impensável.

Portugal é um país com população, maioritariamente envelhecida, e a tendência é para continuar.

Cada vez mais, por incrível ou absurdo que possa parecer, as pessoas optam por ter animais de estimação, em substituição dos filhos que um dia desejaram, ou não, ter.

 

Porquê?

 

Vivemos num país em que a maioria de nós não tem o seu emprego de sonho, nem tão pouco um emprego razoável, com horas decentes de trabalho, e um ordenado que lhes permita grande coisa, além da sobrevivência. Trabalhamos horas a mais, num único trabalho ou na soma de vários para conseguir ganhar um salário mediano, na esperança de que, depois de assegurado o essencial, ainda sobrem uns tostões para alguma eventualidade que surja.

Ora, se passamos o dia todo (ou a noite, para os que trabalham nesse horário) fora de casa e, quando chegamos, só queremos é descanso, paz e sossego, que tempo sobra para dedicar a um filho? 

 

Criam-se creches, apoios ao estudo, centros de actividades de tempos livres, actividades extra curriculares, prolongamentos, e horários escolares que ocupem o maior número de horas possível durante o dia, para que os pais possam trabalhar descansados, entrar cedo e sair tarde, sem preocupações. 

Quando se deveria, isso sim, criar condições para que os pais pudessem passar parte desse tempo com os filhos.

Se os pais não têm tempo para estar com os seus filhos, para quê trazê-los ao mundo? 

Para descartá-los em casa dos avós para que cuidem deles? Para deixá-los entregues a amas ou outros que tomam conta deles no nosso lugar? Unicamente para alimentá-los, dar banho e pô-los a dormir? Para os ver uns minutos por dia? Não faz sentido.

 

Esta semana, a minha filha trouxe trabalhos de casa na terça-feira, de 3 disciplinas. Um dos trabalhos era para a próxima semana mas, como no fim de semana tem que estudar para os testes da semana seguinte, fê-lo naquele dia, juntamente com outro. Deitámo-nos cerca das 23 horas, já sem paciência e cheios de sono, para no outro dia acordar cedo.

Quarta-feira, trouxe novamente trabalhos mas, como tinha teste no dia seguinte, dedicou-se ao estudo, e deixou os trabalhos para quinta. Novamente, deitámo-nos por volta das 23 horas.

Quinta-feira, tinha obrigatoriamente que fazer os trabalhos de duas disciplinas, para hoje. Entre tentar perceber o que era pedido, cálculos, pesquisas, e responder a tudo, porque levar uma resposta por fazer pode equivaler a ter falta como se não tivesse feito nada, já eram quase 23.30 horas quando fomos dormir.

Para hoje ter que acordar cedo novamente.

Ora, no meio de jantares, banhos e TPC's sem fim, onde fica o tempo para estarmos juntos enquanto família? Para desanuviar de um dia de trabalho e de aulas?

Porque é que, em vez de sobrecarregarem os horários dos alunos com mais de 10 disciplinas, não criam um tempo em que eles façam os TPC's na escola, e esclareçam as dúvidas na hora, com quem mais os pode ajudar, tirando essa carga dos pais?

Se não há tempo para convívio e actividades divertidas com os filhos, muitas vezes nem aos fins de semana, para quê trazê-los ao mundo?

 

Basicamente, temos filhos para os entregar, desde cedo, a outras pessoas que irão cuidar deles enquanto passamos a maior parte do dia fora de casa, e que depois os avós irão buscar e cuidar até que os pais cheguem a casa, para dali a 5 minutos estarem na cama e, no dia seguinte, e no seguinte, repetir toda a rotina. 

É justo para nós, pais? Será justo, acima de tudo, para estas crianças crescerem desta forma?

Muito além da estatística...

Será a diminuição da natalidade uma questão meramente financeira? Ou uma mudança nas actuais prioridades dos casais?

Ser mãe/pai, acarreta muitas responsabilidades, muita entrega, muita dedicação e muitas abdicações. É um trabalho contínuo, sem folgas nem períodos de descanso. Ao mesmo tempo, por mais que tentem mostrar o contrário, é dispendioso em termos financeiros...

 

 

Saiba mais neste artigo do blog Consultaclick que poderá ler na íntegra em 

 



 

Natalidade - nas nossas mãos?

 

Ser mãe...é algo indescritível! Algo que não se explica, mas que se sente.

Ser mãe faz-nos crescer, faz-nos rever a nossa forma de ver, e viver a vida. Faz-nos criar novas prioridades, torna-nos fortes, protectoras, verdadeiras "leoas" no que se refere ao bem-estar das nossas crias.

É um ser tão pequeno e indefeso que depende de nós! Há uma ligação muito forte desde o momento em que se começa a gerar até ao fim da vida.

Ser mãe traz-nos alegrias infinitas, proporciona-nos momentos únicos...

E eu tive o privilégio de experimentar tudo isso! 

Hoje, quando vejo outras mulheres grávidas, quando a minha filha pede uma irmã, quando o meu namorado me fala em filhos, não posso deixar de pensar que gostava de ser mãe novamente.

Mas, ser mãe, acarreta muitas responsabilidades, muita entrega, muita dedicação e muitas abdicações. Ser mãe é um trabalho contínuo, sem folgas nem períodos de descanso. Ser mãe, por mais que tentem mostrar o contrário, é dispendioso em termos financeiros.

Hoje, quando olho para a minha filha, não posso igualmente deixar de pensar que tão depressa não quero ser mãe.

São sentimentos contraditórios, é verdade.

Mas ninguém quer fazer de um filho mais um número para estatística. Ninguém quer ter um filho se não tiver condições físicas e psicológicas para o fazer. Ninguém quer trazer ao mundo uma criança para ficar entregue aos cuidados de amas, avós e afins, e vê-la uma hora por dia. Ninguém vai arriscar uma gravidez, se souber que esse bebé que aí vem corre o risco de passar necessidades e dificuldades.

Cada vez mais, a natalidade é uma opção nossa. E já nem é só uma questão financeira. Embora o nosso governo não contribua em nada para ver a natalidade aumentar em Portugal, o que, de facto, limita grande parte das mulheres/ casais que querem ter filhos, essa não é a única causa da baixa natalidade no país.

Mesmo havendo condições financeiras, há muitos outros factores a ter em consideração - a vida profissional, a disponibilidade de tempo, o instinto maternal/ paternal, a vontade de assumir essa enorme responsabilidade que é a maternidade/ paternidade.  

Há quem diga que custa mais educar um filho, que criá-lo! Eu penso que os dois lados da balança estão equilibrados. Dependem um do outro, tal como um bebé depende dos seus pais. 

Por isso mesmo, é uma decisão que está, acima de tudo, nas nossas mãos!