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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Sentir-se bem consigo próprio(a)

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Recentemente, temos vindo a assistir a movimentos a favor da beleza natural, da aceitação, do gostar de si como é.

A favor de deixar de parte a maquilhagem.

De aceitar os cabelos brancos, sinal da passagem dos anos.

De aceitar o corpo, e os seus defeitos.

 

Acho muito bem.

Cada um é como é, e não tem que ser igual a nenhum outro.

Não devemos ir atrás de modas.

De corpos e belezas fictícias.

Não nos devemos deixar levar pelas opiniões dos outros.

E se gostarmos de nós, exactamente como somos, melhor.

 

Mas, e se, na verdade, não gostarmos?

Se nos sentirmos melhor com maquilhagem?

Se nos gostarmos mais de ver com aquelas gordurinhas a menos?

Se quisermos usar uma peruca? Ou pintar o cabelo?

Não podemos?

Ainda que isso nos faça sentir bem connosco próprios?

 

Que mal tem a vaidade, se ela só a nós nos disser respeito?

O que têm as outras pessoas a ver com isso?

 

Para mim, ambas as situações são válidas, e ninguém tem que criticar o outro pelas opções tomadas, ainda que não se enquadrem na sua forma de ser e estar.

 

 

Voltar à cor natural ao fim de 17 anos

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Sempre tive cabelos em tons de cantanho escuro.

Ou quase, se excluir os primeiros meses de vida em que era uma espécie de cor de caramelo.

E assim foi, até a minha filha nascer.

Esta deve ser das últimas fotos em que o meu cabelo ainda tinha a sua cor original. Aos 25 anos.

 

Depois, comecei a pintá-lo.

De acobreado. Também chamado de loiro escuro.

Que, por vezes, se transformava num loiro quase normal, ou em ruivo.

Ou numa mistura de castanho escuro, loiro, ruivo e branco, ultimamente, por conta do confinamento.

Mas, quando ainda tem cor, gosto de como fica quando o sol lhe bate. 

Gosto de me ver.

E já estava habituada.

 

No último fim de semana, fui pintá-lo. Estava a precisar.

Fui ao mesmo local onde costumava ir e, apesar de ter ficado sem a minha cabeleireira, ela deixou lá as fichas das clientes, por isso, estava descansada.

Quando me vi no espelho, depois de aplicada a tinta, estranhei aquele tom escuro, mas poderia ser efeito do produto., por ser de marca diferente.

Depois, achei que era por estar lá dentro, e quando chegasse à rua, já se notava mais.

Mas não. 

 

 

A verdade é que, sem eu estar à espera, voltei à minha cor natural. 

Castanho escuro.

E não sei se ainda me gosto de ver com ela.

Estranho muito não ter mais aqueles reflexos vermelhos e dourados.

Não sei se a cabeleireira achou que esta cor iria durar mais, se quis que ele ficasse uniformizado de acordo com o tom natural e as próprias sobrancelhas, ou se foi do reforço de tinta, por estar mesmo muito carecido dela.

Ele está bonito, bem pintado, e gostei muito do atendimento.

Mas...

 

Acho que, da próxima vez, vou pedir para mudar a cor!

E voltar ao meu acobreado dos últimos anos!

 

 

 

 

Decisões de mãe

 

Quando soube que estava grávida, pensei: “e agora, será que estou preparada?”

Se estava preparada ou não, não sei, mas tenho vindo ao longo destes oito anos a fazer aquilo que sei, que posso, e que o meu coração de mãe me diz para fazer.

Aquilo que penso ser o mais correcto, aquilo que considero mais natural.

Tenho uma única filha e, apesar de não ser de todo uma mãe perfeita, e de a minha opinião valer o que vale, de uma coisa já me convenci - não quero saber qual é a altura certa, o momento adequado, a hora recomendada. Não quero saber se há outras crianças que já fazem isto ou aquilo, ou são capazes de uma coisa ou outra. Cada criança é uma criança e a minha há-de fazer o mesmo que outras, tão bem ou melhor ainda, ou simplesmente à sua maneira, quando tiver que ser.

Os dentes costumam nascer numa determinada idade. As crianças costumam gatinhar, e começar a andar em tal mês. Deixam de mamar aos tantos meses. Dizem as primeiras palavras quando têm aqueles anos. Largam a fralda, começam a dormir sozinhos, e tantas outras coisas que nos fazem questão de informar e advertir como se, qualquer uma delas, ocorrida fora desses tempos predefinidos, fosse indicador de que alguma coisa não está bem, que não estamos a educar bem os nossos filhos ou a fazer o melhor por eles, pelo contrário, estamos a prejudicá-los.

Mas será mesmo assim?

Sempre considerei que a minha filha largaria a fralda quando estivesse preparada, e não à força. Se foi demasiado tarde? Talvez! Mas que importa isso? Deixou de a usar por iniciativa própria e não a prejudicou em nada.

Sempre considerei que era preferível ela dormir sozinha mas, depois de uma primeira fase em que se adaptou perfeitamente, veio aquela em que me venceu pelo cansaço. Habituámo-nos então a dormir juntas, até que, há cerca de um ano, combinámos fazer a experiência e dormir cada uma no seu quarto. Resultou. E não é que, depois de eu considerar que estas tinham sido duas pequenas vitórias no meu percurso de mãe, alguém me fez sentir como se não tivesse feito mais que a minha obrigação. Como se tivesse cometido erros gravíssimos e de tal forma prejudiciais, que já deveria ter corrigido há muito tempo atrás.

Qual não é o meu espanto quando me deparo com uma reportagem sobre o co-sleeping, e percebo que afinal até é uma prática mais comum do que se pensa!

Então, chega de me dizerem o que é normal e o que não é, o que devo fazer e o que não devo, o que é o melhor e o que não é, porque cada vez mais me convenço que o melhor que fazemos é seguir o nosso instinto maternal!