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Sempre tive cabelos em tons de cantanho escuro.
Ou quase, se excluir os primeiros meses de vida em que era uma espécie de cor de caramelo.
E assim foi, até a minha filha nascer.
Esta deve ser das últimas fotos em que o meu cabelo ainda tinha a sua cor original. Aos 25 anos.
Depois, comecei a pintá-lo.
De acobreado. Também chamado de loiro escuro.
Que, por vezes, se transformava num loiro quase normal, ou em ruivo.
Ou numa mistura de castanho escuro, loiro, ruivo e branco, ultimamente, por conta do confinamento.
Mas, quando ainda tem cor, gosto de como fica quando o sol lhe bate.
Gosto de me ver.
E já estava habituada.
No último fim de semana, fui pintá-lo. Estava a precisar.
Fui ao mesmo local onde costumava ir e, apesar de ter ficado sem a minha cabeleireira, ela deixou lá as fichas das clientes, por isso, estava descansada.
Quando me vi no espelho, depois de aplicada a tinta, estranhei aquele tom escuro, mas poderia ser efeito do produto., por ser de marca diferente.
Depois, achei que era por estar lá dentro, e quando chegasse à rua, já se notava mais.
Mas não.
A verdade é que, sem eu estar à espera, voltei à minha cor natural.
Castanho escuro.
E não sei se ainda me gosto de ver com ela.
Estranho muito não ter mais aqueles reflexos vermelhos e dourados.
Não sei se a cabeleireira achou que esta cor iria durar mais, se quis que ele ficasse uniformizado de acordo com o tom natural e as próprias sobrancelhas, ou se foi do reforço de tinta, por estar mesmo muito carecido dela.
Ele está bonito, bem pintado, e gostei muito do atendimento.
Mas...
Acho que, da próxima vez, vou pedir para mudar a cor!
E voltar ao meu acobreado dos últimos anos!