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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Mais de 3 horas para lavar roupa?!

Ilustração Dos Desenhos Animados De Máquina De Lavar Roupa | Máquinas de lavar  roupa, Máquina de lavar, Serviço de lavanderia

 

Em 2015 comprei uma máquina de lavar roupa.

Da marca Samsung. E foi amor à primeira vista.

Desde então, estou habituada a roupa lavada em menos de hora e meia, o que era óptimo porque, por exemplo, pondo roupa a lavar quando me levanto, poderia ainda estendê-la antes de ir trabalhar.

E ao fim de semana, sobretudo agora que os dias começam a ser mais curtos, poderia lavar 2 ou 3 máquinas de roupa, no período da manhã.

Não sei se estava mal habituada, ou se isto é coisa de outros tempos.

 

Ontem estreámos a máquina nova.

O meu marido pô-la a lavar e, quando eu cheguei a casa, ainda estava. Mais de duas horas.

Eu andei a ver os vários programas no manual. 

Tirando o programa rápido, de 30 minutos, todos os outros passam das 2 horas, sendo que, no que costumamos utilizar, aparece uma duração de mais de 3 horas e, um deles, ultrapassa as 4 horas.

Será que isto é normal?

Será que as máquinas novas são mesmo assim, mais lentas?

 

O mais engraçado é que o meu marido diz que conhecia estas máquinas, porque onde trabalhava havia umas parecidas, e que o tempo de duração do programa era 40-60 minutos.

E, quando questionei a funcionária da Worten, ela reafirmou o mesmo.

Deve perceber tanto de máquinas como eu. Ou pior. Porque a mim mais me parecia que aquele 40-60 se referia a temperatura. E assim era.

 

A necessidade leva-nos a tomar decisões imediatas e, por vezes, precipitadas. Se não precisássemos mesmo da máquina, se tivéssemos como nos desenrascar temporariamente, mais valia termos mandado arranjar a que já tínhamos.

Não gosto desta máquina. 

Minha rica Samsung, que ainda ontem se foi, e já sinto falta dela!

 

Pontanto, agora é gerir o tempo.

Do género, se quiser estender roupa às 8.30h, tenho que a pôr a lavar lá para as 5h da manhã!

E ao fim de semana só dará para um máximo de 2 máquinas diárias, se quiser estender a roupa na rua.

Vai ser bonito, vai!

 

Burocracias

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Todos queremos fugir delas, mas nem sempre as podemos evitar.

E esta semana tem sido de burocracias. Necessárias, é certo.  Mas que dispensaria de bom grado.

 

- Tratar com a agência do subsídio de funeral e percentagem da reforma da minha mãe

- Abrir uma nova conta, só em nome do meu pai, para receber o dito subsídio e pensão

- Passar pelo centro de saúde, para comunicar à médica de família o óbito e deixar um agradecimento

- Ligar para as instituições de apoio domiciliário a que tínhamos ficado de dar resposta, para informar que não será mais necessário

- Marcar com o hospital o levantamento do espólio da minha mãe, o que fizemos ontem, mas só veio metade, pelo que lá teremos que ir novamente

- Fazer reclamação no hospital, das duas médicas que, da primeira vez, a enviaram para casa, embora saiba que não vai produzir qualquer efeito, mas não poderia deixar de fazer

- Ligar para a protecção civil, para ver o que era preciso para devolver a cama, que não chegou a ser utilizada

- Começar a reunir a documentação para participação às Finanças do óbito e relação de bens

 

Há coisas que terão que ficar para as férias.

É tempo de regresso ao trabalho e os poucos dias a que temos direito não dão para tudo.

 

No entanto, no meio de todas estas burocracias, surgiu a ideia.

Se aquilo que de melhor faço, por esta altura, é escrever, porque não fazê-lo também, em forma de homenagem?

E, assim, estou a tentar dar forma a um livro, intitulado "Memórias de uma eterna guerreira", porque foi isso que a minha mãe foi a vida toda - uma guerreira!

 

Sentimentos ambivalentes que as "despedidas" me provocam

Sobre despedidas e o partir... | ACESSA.com - Saúde

 

Existem pessoas que são avessas a despedidas. E as evitam a todo o custo.

E outras que fazem questão de as viver, que ampliam o seu significado, e as tornam ainda mais difíceis.

Eu tenho sentimentos ambivalentes em relação às despedidas.

 

Por um lado, quero-as.

Considero-as necessárias, importantes.

Faz-me sentir que, dessa forma, nada fica por fazer, ou dizer. 

É uma espécie de conclusão de um ciclo.

Um andar para a frente, e seguir o curso natural das coisas.

O deixar ir, partir, o apoiar e dizer que estamos lá, apesar de tudo.

 

Mas, por outro lado, deixam-me a sofrer antecipamente.

Deixam-me melancólica, saudosista.

A pensar no que passou, e já não volta, ou poderá não voltar.

 

É uma felicidade, ensombrada por uma tristeza, de certa forma, egoísta.

É um adeus, disfarçado de um "até breve" quando, muitas vezes, sabemos que nunca haverá essa brevidade.

 

É uma mistura de risos, com lágrimas.

De coragem, com fraqueza.

De suspensão, ou corte definitivo, com renovação, e recomeço.

 

É uma espécie de tormenta, que acreditamos que nos traz paz. Ou uma paz momentânea, que sabemos que se irá transformar em tormenta.

É uma espécie de "estou mal", mas vou ficar bem". Ou de "estou bem, mas logo me vou sentir mal".

 

Comovo-me sempre.

Com as minhas despedidas, e as dos outros.

Com as reais, e as fictícias.

Com as despedidas de pessoas, de animais, de momentos, de locais, até de livros ou séries que gosto!

 

Poderia evitar tudo isso.

Mas não quero.

As despedidas fazem parte da vida e, se é para vivê-la na sua plenitude, então que se experimente tudo o que ela traz consigo.

Incluindo, as despedidas.

Porque, para mim, abdicar delas, far-me-ia sentir ainda pior, do que viver o tubilhão de emoções com que elas me brindam.

 

Deixar os outros confortáveis, deixa-nos confortáveis também?

Como Impedir as pessoas de te manipularem emocionalmente

 

Ao longo da vida, vamo-nos deparando com situações em que parece que destoamos, que não nos encaixamos. Ou as pessoas assim nos fazem crer.

Então, para que sejamos aceites, para que possamos "encaixar", moldamo-nos àquilo que é esperado de nós. Ou fazemos ainda mais, mudando a nossa forma de ser, para nos podermos integrar, e seguirmos o caminho que escolhemos.

No fundo, tentamos deixar os outros confortáveis com a nossa presença, para que não nos criem obstáculos, e tenhamos a vida um pouco mais facilitada ou, pelo menos, mais calma, sem levantar ondas, tentando passar o mais despercebidos possível.

 

Mas, até que ponto, agir de forma a que os outros, ao nosso redor, se sintam confortáveis com a nossa presença, faz-nos sentir mais confortáveis?

Será mesmo verdade que é conforto que nós sentimos? Lidamos bem com isso? Fazemo-lo sem esforço?

Sentimo-nos realmente bem com isso?

Ou será apenas uma ilusão? Um alívio por não termos que estar constantemente a lutar? Um atenuante? Uma pausa que nos deixa mais confortáveis, durante aquele período de tempo?

 

Será uma trégua temporária em relação aos outros, ou o início de uma luta interior entre aquilo que somos e pensamos, e aquilo que "somos obrigados a ser e pensar", enquanto não chegamos à meta?

 

Num dos episódios de The Good Doctor, Claire afirmava que, em toda a sua vida, tinha tentado deixar os outros confortáveis com a sua presença. E que, ainda agora, depois de se formar como médica, o continuava a fazer.

E às tantas, dizia ela para o colega "Mas tínhamos que o fazer, não tínhamos? Para chegar até aqui?"

 

Talvez...

Mas torna-se cansativo. 

E a verdade é que, como já percebemos, não conseguimos agradar a todos.

No fundo, é como se nos anulássemos. 

Deixamos de ser nós. E como é que, deixando de ser nós, isso nos fará sentir confortáveis?

Amarras...

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Não gosto de amarras...

Pelo menos, não daquelas que nos são impostas. Que me fazem sentir presa. 

Prefiro as que me são permitidas escolher, e que me dão a liberdade para permanecer, ou para soltar a corda invisível, quando quiser.

E, ainda assim, raramente sinto necessidade de me soltar dela...

 

Não gosto de âncoras...

E, no entanto, quando atraco, tenho tendência a ficar por longos períodos, até uma vida inteira, sem necessidade de partir para outro destino...