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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Enola Holmes, na Netflix

Enola Holmes (2020) | Crítica - Vamos Falar de Cinema!

 

Gostei do filme.

Gostei da interacção da protagonista com o público.

Gostei de conhecer mais sobre a família da personagem Sherlock Holmes, nomeadamente, um irmão chamado Mycroft, e uma irmã, Enola, cujo nome ao contrário pode ler-se "Alone".

 

Confesso que este Sherlock está fora da imagem que sempre tive em mente, para esta personagem. Já Mycroft, é dispensável. É o típico nobre preocupado com a opinião pública, frio, calculista.

Quanto a Enola, tem tudo para ser uma dama, se assim o quiser, mas também uma mulher que luta, que tem os seus próprios ideais, inteligente, desenrascada.

Logo no início, não gostei do jovem Tewkesbury. Pareceu-me um palerma convencido. Mas, ao longo da história, ele vai mostrar que é melhor que isso e que, também ele, quer seguir o seu próprio caminho, desafiando a família.

Enola, por sua vez, fica sozinha quando a sua mãe desaparece misteriosamente. Sendo os irmãos bem mais velhos, saíram de casa quando ela era pequena, e Enola sempre viveu e foi educada e preparada para a vida, pela mãe.

Agora, vê-se forçada a ir para uma escola aprender regras de etiqueta para se tornar uma dama já que, aos olhos do irmão Mycroft, ela parece uma selvagem indomável.

Conseguirá ela escapar, e traçar o seu próprio destino?

 

E Tewkesbury, porque correrá ele perigo de vida? Qual a sua importância na história, e porque se cruzou o seu caminho, com o de Enola?

 

O filme entretém, prende, passa rápido, e queríamos que continuasse, para saber mais sobre como seguiriam as vidas deles, se haveria romance, se haveria mais aventuras com Enola e Tewkesbury, e como seria a futura relação de Enola com a mãe e com os irmãos.

Emily in Paris, na Netflix

Emily in Paris - Just Breathe.

 

A nova série da Netflix, "Emily in Paris", traz-nos uma história leve, descontraída, por vezes cómica e surreal.

Não tem grandes mistérios, nem muito "sumo", mas o que é certo é que, por vezes, também precisamos dessa leveza na vida. Nem tudo tem que ser pesado, dramático, intenso.

 

Quando ouvi falar da série fiquei com algum receio porque, por exemplo, Betty Feia em Nova Iorque, além de demasiado longa, não me prendeu muito. Tornou-se cansativa, e perdeu o interesse. Então, pensei que talvez esta série, apesar de mais curta, fosse no mesmo sentido. Mas não.

 

Vê-se num ápice, com episódios curtos, e já devorava uma segunda temporada!

Ver "Emily em Paris" é como querer, por vezes, também nós, ter uma mudança na nossa vida, e vivê-la através das aventuras da protagonista embora saibamos, de antemão, que não seria assim tão cor de rosa!

É uma série que nos leva a sonhar, e a viajar, num momento em que é o que menos podemos fazer, e com a liberdade que gostaríamos. 

"AWAY", na Netflix

Away' now streaming on Netflix | Francine Brokaw | heraldextra.com

 

"Away" é uma série que conta a história de 5 astronautas, enviados numa missão a Marte, para descobrir se é possível habitar o planeta vermelho.

Se tudo correr como programado, a missão terá a duração de 3 anos, durante os quais cada um dos tripulantes estará longe da sua família, que deixou na Terra.

 

Emma Green é a comandante da missão, algo para o qual ela se preparou a vida toda, chegando mesmo a ponderar abortar, quando soube que estava grávida, com receio que um filho lhe estragasse o sonho de uma vida.

No entanto, a sua filha é agora uma adolescente, e Emma está a concretizar o sonho, ao contrário da sua amiga e colega, que abdicou da carreira para se dedicar à maternidade.

 

Em termos de missão, dificuldades técnicas relativas à mesma, e acção desenvolvida à volta desse tema, a série não cativa muito. Não há grande acção, nem tão pouco adrenalina.

Também Emma, enquanto comandante, deixa muito a desejar, sem conseguir manter a autoridade, o respeito e, ao mesmo tempo, o consenso e a empatia, relativamente aos companheiros, ao longo da viagem.

Tal como enquanto mulher, e mãe. Se, por um lado, quer ir em missão, por outro, muito cedo mostra o desejo de querer voltar para casa.

Acho até que, das várias personagens de Hilary Swank, esta terá sido a menos bem conseguida.

 

Assim, no que respeita às personagens presentes na nave Atlas, talvez Misha seja a mais interessante. Um homem que, após prometer à filha que não voltaria ao espaço, acabou por se refugiar nesse mundo, após a morte da mulher, deixando a filha a cargo de uma tia, que a criou. 

No entanto, Misha quer a todo o custo obter o perdão da filha, que o rejeita e, agora que esta pode ser, efectivamente, a sua última missão, dado o risco e a perda de visão que está a sofrer, é por esse objectivo que luta.

Começa a série como um russo arrogante e com a mania que é melhor que os outros, mas acaba por mostrar o seu verdadeiro eu: um companheiro leal, um avô babado, um professor bondoso, um ser humano sensível.

 

Lu, a chinesa escolhida para ser a primeira a pisar Marte e tirar a foto da praxe, parece a antítese de Emma, no que se refere a questões familiares. Lu está focada na missão, que quer levar até ao fim, nem que para isso tenha que se sacrificar, e mentalizou-se de que, durante aquela missão, o filho só terá o pai, e ela não se deve desviar ou deixar-se levar pelas emoções, que podem comprometer todo o trabalho.

No entanto, o que não falta dentro de Lu são sentimentos oprimidos que, com o tempo, acabarão por extravasar, e mostrar uma outra faceta da mesma pessoa.

 

Kwesi destaca-se porque, a partir de determinado momento ele, que era o estreante nestas viagens espaciais, parece ser o que mais sensatez, espírito de equipa e de liderança apresenta, e sempre com as palavras certas, no momento certo.

 

Já em Terra, o destaque vai para Alexis, filha de Emma que, como seria de esperar, vive em permamente ansiedade pelo tempo que vai estar longe da mãe, e pela possibilidade de ela morrer.

Como se isso não bastasse, o pai sofre um AVC, terá que fazer fisioterapia e pode não voltar a andar. Em último caso, devido à sua doença, pode ter a vida em risco.

E ela própria vive na dúvida se não terá herdado o gene da doença do pai.

Assim, na ausência dos pais, ela acaba por encontrar o seu refúgio junto de Melissa, a filha desta e Isaac, que virá a ser o seu primeiro amor.

Só que, entre tantas incertezas e sem os pais presentes para a guiarem, ela acaba por ter algumas atitudes irreflectidas sem, contudo, deixar de ser a menina que sempre foi. Mas já sabemos que, quanto mais se proibe, mais se incentiva a fazer e as palavras têm, muitas vezes, o efeito contrário daquele que se pretendia.

 

Ou seja, a série vale pelas relações pessoais entre as personagens, e não tanto pelo tema principal - a viagem a Marte.

E confesso que, para mim, seria imensamente claustrofóbico passar tanto tempo numa nave, em pleno espaço. Acho que daria em louca, e me acabaria por atirar, num acesso de loucura, para o buraco negro do universo!

 

Somewhere Between, na Netflix

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Algures, entre o passado e o futuro…

Entre o sonho, e a realidade…

Entre a verdade, e a mentira…

Entre a vida, e a morte…

 

Algures aí pelo meio…

Uma mulher terá oito dias para evitar a morte da filha.
Um homem terá oito dias para evitar a morte do irmão.


O assassino anda à solta, e só os dois juntos poderão evitar os dois crimes.
Com a vantagem de que já viveram aquela semana uma vez, e sabem o que vai acontecer, e quando.
Conseguirão eles alterar o destino?

Haverá forma de mudar a história, salvando as duas vidas?

E se, para alguém viver, alguém tiver que morrer?

 

Há muitos anos atrás, uma mulher foi brutalmente assassinada.

Um homem foi condenado por esse, e outros crimes. Preso até agora, a sua pena de morte torna-se realidade, com dia e hora marcada. Mas, ele é inocente…

E o verdadeiro culpado anda à solta.

O mesmo que agora, sem se saber bem porquê, rapta uma criança e a mata, levando à separação dos pais, e ao suicídio da mãe, no rio.

Na mesma altura, o irmão do condenado é atirado ao rio, por um marido ciumento, para morrer.

Este consegue soltar-se, e salvar a mãe da criança.

Só que, é como se tivessem voltado atrás no tempo. Mais precisamente, uma semana antes de tudo acontecer.

 

É a oportunidade que têm de mudar o rumo dos acontecimentos, com as informações que agora possuem mas, quem irá acreditar neles?

Quem acreditará que não perderam a sanidade mental?

O tempo está a passar, e cada minuto é precioso.

Não podem desperdiçar o poder que lhes foi dado, sob pena de verem tornar-se real aquilo que, num primeiro instante, terá sido apenas um pesadelo.

 

E é aí, algures, que a verdade vem à tona, os segredos são descobertos, e todo o seu mundo se vira de pernas para o ar.

 

"Somewhere Between" é uma série de 10 episódios que alia uma espécie de máquina do tempo ou realidade paralela, ou temas bem actuais e reais, como o poder, a ambição, a chantagem, os interesses políticos, a infidelidade, o poder de decisão e a força daqueles que lutam, e estão dispostos a tudo, para salvar quem mais amam.

 

 

 

 

 

Gran Hotel, na Netflix

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Gran Hotel é uma série espanhola que, apesar de ter sido transmitida entre 2011 e 2013, só agora tive oposrtunidade de ver, na Netflix.

 

O Gran Hotel é propriedade da família Alarcón, cuja matriarca é D. Teresa.

Ela fez, e fará tudo para que o Gran Hotel continue a pertencer à família e, por isso, a primeira decisão com que somos confrontados, por parte dela, é o casamento arranjado da sua filha Alícia, com Diego, seu aliado e gerente do hotel.

Mas, ao longo da trama, vamos descobrir muitas mais atitudes condenáveis por parte de D. Teresa. Por muito que, em alguns momentos, a tenham mostrado como uma vítima, ou pelas raras boas ações que a sua consciência a levou a tomar, não consigo entender, justificar ou desculpar.

 

Alícia é a filha mais nova, e não verá com bons olhos o seu casamento com Diego, sobretudo depois de conhecer e se apaixonar pelo camareiro Julio, um romance proibido entre classes distintas que poderá acabar de forma trágica, para qualquer um deles, ou para ambos.

 

Julio chega a Cantaloa para visitar a irmã, Cristina Olmedo, uma criada que trabalhava no Gran Hotel e que terá desaparecido misteriosamente.

Ao mesmo tempo que Julio tenta descobrir o que aconteceu à sua irmã, com a ajuda de Alícia e do seu amigo Andrés, vai-se descobrindo os segredos que esconde a família Alarcón, que mostram que nada é o que parece, e ninguém é aquilo que aparentava ser.

E entre estes mistérios, vários crimes serão cometidos, levando à chamada de um detective conceituado à região, que marcará pela diferença.

 

 

Entre as personagens mais marcantes da série, destaco:

Julio - Tem uma capacidade inata para conquistar as pessoas à sua volta, e das as meter em sarilhos também, mas é amigo do seu amigo, e lutará pelo seu amor até ao fim.

Belén - Acho que foi a que mais nervos me deu, apesar de haver muitas outras tão ruins como ela. É daquelas que não perde uma oportunidade de fazer mal aos outros, para conseguir o que quer, e assim será até quase ao fim.

Detective Ayala - Juntamente com Hernando, proporciona muitos dos momentos cómicos da série mas, por si só, é alguém que está disposto a descobrir a verdade nem que, por vezes, tenha que contornar um pouco a lei, que só atrapalha.

Ângela - A governanta que se mostra uma mulher exigente e austera mas que, com o tempo, irá amolecer um pouco e, no fundo, é uma boa pessoa para aqueles que o merecem. No início muito submissa e leal a D. Teresa, pelo passado e pelos segredos que escondem, Ângela irá acabar por enfrentar a sua patroa, quando tiver que ajudar o filho.

Javier - Nunca vi uma pessoa meter-se em tantos problemas, e escapar a todos eles com vida, como este playboy, que só quer boa vida e mulheres, para desespero da mãe. É como os gatos, que têm sete vidas!

Maite - Amiga de Alícia, virá na terceira temporada visitá-la. Uma mulher independente, culta, avançada para a sua época, e advogada. É a primeira mulher que ali veremos a usar calças.

Lady - Uma senhora idosa, amiga da família, divertida, que adora conversar e é exímia em contar a todos, aquilo que deveria guardar para si. No entanto, também sabe guardar segredos, e entrar nas farsas, sem maldade.

D. Teresa - Diz que tudo o que faz é pelos filhos, mas a nós parece-nos que o faz por si própria, pela necessidade de manter-se como dona do Gran Hotel, sem olhar a meios, para atingir os seus fins. D. Teresa tão depressa está do lado de uns, como muda para o lado de outros, consoante os seus interesses. Não faz nada sem segundas intenções. É uma pessoa fria, que acabará por perder a confiança e o amor dos filhos, enganada por aqueles em quem mais confiava.

Andrés - O rapaz mais ingénuo e puro dali, que acredita sempre no lado bom das pessoas. Está sempre pronto a ajudar e a sacrificar-se pelo bem dos outros. Suspeito de matar a sua mulher, ele não hesitará em entregar-se às autoridades, condenando-se à morte.

 

O engraçado desta série é que, à medida que a vamos vendo, vamos encontrando actores que já vimos noutras séries ou filmes, como o Detective Ayala e o Javier (Alta Mar), Eugénia (Vis a Vis), Alícia (filme Perdida) e Diego (La Casa de Papel - confesso que este não reconheci de imediato).

 

 

A história inicia-se no ano 1905, ou seja, início do século XX. No entanto, entre a sociedade existente naquela época, e a sociedade actual, existem características que se mantêm.

 

As aparências

Tal como hoje, ainda muitas pessoas insistem em viver por conta das aparências, em mostrar aquilo que não são, e não têm, ou aquilo que não fazem, só para ficar bem na fotografia, também naquela época era uma das coisas mais importantes a manter, aos olhos dos restantes.

 

A diferença entre classes e estratos sociais

A forma como os “senhores” tratavam os “criados”, com as devidas excepções, não era muito diferente da forma como, hoje, muitos trabalhadores são tratados pelos patrões, bem como o lugar que cada um deve ocupar, e a pouca importância que lhes é dada, ainda que sejam um elo fundamental.

 

A descartabilidade humana

No seguimento do ponto anterior, naquela época, os funcionários eram descartados como objectos que já não servem o seu propósito ou deixaram de ter interesse. Tal como hoje em dia.

Mas não eram só os funcionários. Até mesmo aqueles que, num momento, consideram aliados, no momento seguinte, consoante os seus interesses, podem ser postos de parte, ou mesmo tramados, de forma traiçoeira.

 

A importância do dinheiro e da riqueza

Por dinheiro, enganava-se, “vendia-se” os filhos a quem pagasse o melhor dote ou significasse uma maior aliança, roubava-se, matava-se. Tudo o que fosse necessário, sem olhar a meios, para alcançar os fins.

 

Os segredos

Por norma, quanto mais altas e poderosas as classes sociais, mais segredos e mistérios essas famílias escondem, que não querem que venham à tona. Desde adultério, a filhos ilegítimos, de negócios obscuros a crimes e assassinatos, há de tudo um pouco.

 

A corrupção

Infelizmente, a corrupção não é uma modernice.

Haja dinheiro, poder, influência, e pode-se comprar um pouco de tudo: silêncios, falsas declarações, testemunhas, provas fictícias, aliados, lealdade, e por aí fora.

 

Injustiça

Acaba por ser uma consequência da anterior, sobretudo quando estão em causa as vidas das pessoas, ou quando se condenam à morte inocentes.

Também naquela época, nem sempre as leis estavam do lado da verdade. Mas, da mesma forma, muitas vezes se agia por conta própria, fazendo aquilo que quem de direito deveria fazer, mas não se mostrava muito interessado em fazer.

 

Ganância

"Quem tudo quer, tudo perde", diz o ditado. 

E isso foi visível muitas vezes, ao longo da série, quer com a personagem Cristina, como com Belén ou até mesmo Diego.

 

Vingança

Diz-se que "a vingança é um prato que se serve frio", e houve alguém que levou o ditado à letra e deixou o fogo arrefecer durante mais de 10 anos, para regressar agora, e vingar-se por todo o mal que lhe causaram.

 

Amores proibidos

Entre Alícia e Júlio, uma senhora e um camareiro, Ângela e D. Carlos, uma governanta e um senhor, Sofía e Padre Grau, uma senhora e um padre, são alguns exemplos.