Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Um Estranho Caso de Culpa", na Netflix

Um Estranho Caso de Culpa | Site oficial da Netflix

 

Comecei a ver esta série o ano passado, num dia em que, à falta de melhor, assisti ao primeiro episódio.

Não achei nada de especial, e fiquei por ali.

Há uma semana, o meu marido disse que ia começar a ver. Acabei por ver com ele. Já não me lembrava bem do que tinha visto, por isso, vimos aquele episódio como se fosse a primeira vez, e cativou-me logo!

Na altura não deu para ver mais nada, mas fui pesquisar sobre a série. 

Foi, então, que percebi que o episódio que tínhamos visto, por engano, era o segundo, e não o primeiro.

E não conseguia perceber qual a relação entre um e outro, porque pareciam episódios de duas séries completamente diferentes!

 

No primeiro episódio, um rapaz - Mat - é condenado por, acidentalmente, ter matado outro, cumpre pena de prisão, sai, e volta a refazer a vida, ao lado de Olívia. Entretanto, a mulher desaparece misteriosamente, e Mat não sabe o que pensar, nem o que fazer, pedindo ajuda a uma amiga, para descobrir onde Olívia está.

No segundo episódio, vemos a história de Lorena, uma orfã criada num colégio de freiras, que se torna inspectora da polícia e que, agora, é chamada ao colégio para investigar a morte de uma das freiras. Uma freira que, como percebemos, se calhar não é bem o que aparenta ser, e na qual muita gente parece ter um interesse suspeito.

Portanto, nada a ver!

 

Só com a continuação começamos, então, a perceber a ligação entre ambos os episódios, e entre as várias personagens.

À medida que os episódios avançam, percebemos que o Mat é, na verdade, uma personagem dispensável, porque tudo poderia acontecer sem ele. Acabou por ser apenas um "bode expiatório", para nos desviar do verdadeiro elo de ligação.

 

Emma, a freira conhecida como Maria, vem-se a descobrir, foi uma prostituta que trabalhou, em tempos, para Aníbal Ledesma e que, por algum motivo, se escondeu no colégio para recomeçar a sua vida, levando com ela um "seguro de vida".

Com ela trabalharam Kimmy, de quem ninguém sabe. Lavanda, que um cliente acabou por matar. Cassandra. E Candance, também assassinada.

 

A inspectora Lorena suspeita de Mat, e tenta a todo custo encontrar provas da sua culpa, ao mesmo tempo que os investigadores da UDE a querem afastar do caso, e chegar primeiro à informação. Porquê?

 

Em cada episódio, é desvendado o passado das personagens: quem eram, o que faziam, o que escondem, em quem se tornaram, e que segredos guardam consigo.

E qual o motivo para o passado voltar a bater à porta, quando achavam que o tinham deixado encerrado lá atrás.

O que andam à procura? O que levou à morte de Emma?

O que esconde Olívia?

E quem mais morrerá para que a verdade não venha à tona?

 

Uma série a não perder.

E não desistam no fim do primeiro episódio, como eu tinha feito, porque vale mesmo a pena continuar!

 

 

 

"Uma Mãe Perfeita", na Netflix

Avis et audience Une mère parfaite (TF1) avec Julie Gayet et Tomer Sisley |  Actualité TV | Nouveautes-Tele.com 

 

São os nossos filhos que esperam que nós sejamos "mães perfeitas"?

Somos nós, mães, que acreditamos que eles esperam isso de nós?

Ou somos nós que, estupidamente, o exigimos a nós mesmas?

Como se menos do que isso, não fosse digno de uma mãe?

 

 

Não existem pessoas perfeitas.

Como tal, não existem filhos perfeitos.

E, tão pouco, mães perfeitas.

Quem acreditar no contrário, está apenas a iludir-se.

 

Enquanto mães, fazemos o melhor que podemos, e conseguimos.

Fazemos o que achamos que é correcto.

Por vezes, tentamos ser o tipo de mãe que nós mesmas tivemos.

Outras vezes, pelo contrário, tentamos nunca seguir o exemplo das nossas mães.

A verdade é que nem nós somos elas, nem os nossos filhos são nós.

 

Hélène é uma mãe que fugiu da sua própria mãe.

Agora, é mãe. E tenta ser a mãe que ela própria gostaria de ter tido.

Em nome de uma família unida e perfeita, tentando ser uma mãe perfeita.

No entanto, tudo isso desmorona quando a sua filha é detida, por suspeita de assassinato.

 

Anya diz-se inocente. Hélène, como é óbvio, acredita nela.

Afinal, a sua filha foi voluntariamente à polícia. Isso significa que não tem nada a temer.

Anya deveria estar em Paris, a estudar na universidade.

A verdade é outra. Ela não estuda. Trabalha, sim, num centro que ajuda mulheres vítimas de violência doméstica.

Hélène começa a perceber que a sua filha lhe escondeu algumas coisas, e que está a tornar-se uma estranha.

 

No entanto, Anya é, também ela, uma vítima.

Na noite do crime, ela foi violada pelo rapaz que morreu.

 

Mais, Anya foi para Paris, precisamente, para fugir de um namorado agressivo, que a violou também.

Apenas o seu irmão sabia.

Ela não quis contar aos pais.

Acusa-os de viver uma farsa. De pressionarem os filhos para serem perfeitos. De serem egoístas.

Acusa a mãe de fazer vista grossa ao mundo real, e ao que de mau nele acontece.

De ter uma vida boa, e não se preocupar com mais nada à sua volta.

 

Percebe-se, também, que nem o casamento de Hélène e Matthias está bem. 

Até porque Hélène tem uma história pendente com Vincent, o advogado que escolheu para ajudar a sua filha.

E é nisso que Hélène vai concentrar as suas forças: provar a inocência da filha, e descobrir a verdade sobre o assassinato de Damien.

Ainda que perceba que, no fundo, está longe de ser uma mãe perfeita, até onde estará Hélène disposta a ir, para ajudar a sua filha?

E que preço pagará por isso?

 

Uma série de 4 episódios que não nos deixa parar de ver até ao final.

E que nos faz questionar qual o nosso papel, enquanto pais.

O quanto sabemos dos nossos filhos.

O quanto eles precisam de nós, ou nós deles. 

Quão pouco controlo temos sobre as suas atitudes, comportamentos e decisões.

E quão pouco podemos fazer, para os proteger, ainda que seja o que mais queremos na vida.

 

 

 

 

"Uma Combinação Perfeita", na Netflix

Uma-Combinacao-Perfeita.jpg 

 

Ontem vi este filme na Netflix.

Uma comédia romântica que tem, como pano de fundo, as paisagens australianas.

Decididamente, eu não seria a melhor pessoa para viver na Austrália, já que sou incompatível com toda aquela bicharada que eles lá têm e que, para quem lá vive, já é habitual, como tarântulas, cobras, e afins.

 

Por falar em cobras, há umas que são mesmo humanas e que, aqui, se disfarçam de chefe, e de amiga, que de amiga não tem muito, porque é a primeira a dar uma facada, quando ela própria está em apuros, para ficar bem vista.

Continuando numa de animais, também há os cães que ladram muito, mas não mordem, e são inofensivos.

É o caso de Hazel, com quem Lola vai tentar fazer uma parceria, apesar de parecer impossível. E das suas novas colegas de trabalho, que lhe dificultam a vida nos primeiros dias, mas até são boa gente, e acabam por aceitá-la e integrá-la.

 

Quem fica esponsável por lhe explicar o trabalho é Max que, no início, não se percebe bem que relação tem com Hazel, mas acaba por se apaixonar por Lola.

É caso para dizer que os opostos se atraem, já que Lola é uma mulher que arrisca tudo, sem medo, e Max é um homem que prefere jogar pelo seguro.

 

O que é que destaco deste filme? Os animais! Ora pois :)

Digam lá que não são tão fofos?!

 

 

20220527_104928.jpg

20220527_104743.jpg

20220527_104710.jpg

A ovelha Baaarbra, com quem Lola trava amizade, e que impede que a mesma se transforme no almoço de domingo, transformando-a na mascote da quinta e da companhia de vinhos.

 

 

20220527_104952.jpg

O cão Arlo, fiel companheiro de Max!

 

 

20220527_105426.jpg

20220527_105416.jpg

E um simpático e fotogénico canguru, ou não se passasse a acção na terra dos cangurus!

 

"Agora É Mesmo Demais Para Mim", na Netflix

É Mesmo Demais Para Mim | Site oficial da Netflix

 

Não poderia falar deste filme sem mencionar os anteriores: "Demais Para Mim" e "É Mesmo Demais Para Mim".

E sem falar na personagem principal - Marta - uma órfã que tem uma rara doença genética - fibrose cística ou mucoviscidose.

Apesar da sua condição, ela é uma pessoa extremamente positiva, e bem disposta, que não se deixa afectar pela doença, e que quer viver a vida ao máximo.

 

No primeiro filme, Marta vai tentar conquistar o rapaz que todas as mulheres desejam e que, provavelmente, nunca olharia para ela.

Nada de novo.

Mais um daqueles filmes com a típica história da mulher invisível e do homem que se apaixona, precisamente, por ela. Com a diferença que ela quer viver esse grande amor, antes de não ter mais tempo para tal.

 

No segundo filme, percebemos que as coisas com Arturo nao resultaram, e Marta namora agora com Gabriele, um artista que, para complicar o romance, vai trabalhar para Paris, aumentando as inseguranças e ciúmes em relação a Marta, que podem pôr em causa a relação. Também nada de novo.

Sendo um filme, até mais de meio, aborrecido e secante, foi mesmo mais para o fim que veio aquilo que vale a pena destacar:

A amizade genuína e tão difícil de encontrar nos dias que correm, entre Marta, Federica e Jacopo, desde a infância, até à actualidade. A forma como pessoas tão diferentes se complementam, e se dão tão bem. A forma como cuidam e protegem a Marta, sem o parecer, e sem a sufocar. A forma como estão sempre lá, uns para os outros, nos bons e nos maus momentos. A forma como discordam mas, ainda assim, se apoiam mutuamente.

E o momento em que Marta deixa cair a máscara e diz, pela primeira vez, tudo o que sente, os medos que tem, a revolta com a doença e com aquilo que tem sido a sua vida, e mostra toda a sua vulnerabilidade, fragilidade, tristeza e receio, por detrás da pessoa mais animada e divertida, que se forçou a ser, para lidar, ou esquecer, a doença e a sua gravidade.

 

Porque não temos que ser sempre fortes.

Que mostrar aos outros que está tudo bem, quando nada está bem. Sobretudo, àqueles que estão connosco e que sabemos que, mesmo que nos deixemos cair, estarão lá para minimizar ou impedir as mazelas.

 

Chegados ao último filme da trilogia, voltamos a uma história que não cativa, nem acrescenta nada de novo, à excepção, lá está, dos minutos finais, em que podemos perceber até que ponto a avó de Marta conseguirá, ou não, sair do seu pedestal e procurar a neta, e em que compreendemos que, desta vez, e após uma nova infecção grave, poderá ser mesmo demais para Marta.

 

Será o fim?

Terá Marta esgotado todas as suas forças, toda a sua alegria e vontade de viver, toda a sua força e optimismo, perante o inevitável?

O que lhe estará reservado?

 

Na minha opinião, o segundo filme é o melhor dos 3, ainda que nenhum deles encha as medidas. 

 

 

 

"Coração Marcado", na Netflix

Pôster Coração Marcado - Pôster 1 no 2 - AdoroCinema

 

Num dia, uma mulher vence a maratona, e celebra com os filhos e o marido.

Nesse mesmo dia, uma outra mulher está prestes a casar, quando é levada para o hospital, com um problema cardíaco.

Numa noite, uma mulher é atacada para lhe retirarem o coração.

Nessa mesma noite, uma outra mulher, cuja vida depende de um transplante urgente, recebe o coração que precisa.

 

Um homem tenta, a todo o custo, salvar a mulher que ama, mesmo que da pior forma possível.

Enquanto isso, outro homem perde a mulher que ama, e vai fazer de tudo para descobrir quem a matou, e vingar-se.

 

Vale tudo, por amor?

Poder-se-á recriminar Zacarias, por ter feito o que fez, para salvar Camila?

Será que esse acto desesperado foi mesmo um gesto de amor?

 

Poder-se-á recriminar Simón, por não compreender por que razão, para salvar uma desconhecida, teve que perder a sua própria mulher?

Será que a vida de uma, justifica a morte da outra?

 

E como se sentirá Camila, quando souber a origem do seu coração?

A atrocidade que foi cometida, para o conseguir?

Conseguirá ela lidar com a verdade? 

Deverá ela sentir-se grata? Sortuda? Revoltada? Culpada?

 

Como se tudo isto não bastasse, Zacarias arrisca-se mesmo, depois de tudo o que fez, a perder Camila que, desde que recebeu o novo coração, nunca mais foi a mesma e, por coincidência ou obra do destino, se aproxima de Simón, como se algo a atraísse para ele.

E como irá Simón, que entretanto se apaixona por Camila, encará-la, quando souber o que ela representa?

 

Por outro lado, a série aborda os meandros do tráfico de órgãos.

Onde, e de que forma, são escolhidos os "candidatos" a doadores.

Quem faz o "trabalho sujo", e quem mais lucra com o negócio.

E o quão perigoso pode ser entrar nesse mundo, e querer vingar-se de todos os que dele fazem parte.

 

Já para não falar que, quando se deixa de cuidar da família, nomeadamente, dos filhos, no momento em que mais precisam de apoio, em nome de uma vingança que não trará a mãe deles de volta, é meio caminho andado para eles se virarem para caminhos duvidosos, e colocar-se, também eles, em perigo.

E a paz de espírito, por se ter feito justiça, pode dar lugar a mais desespero, culpa, e sofrimento.

 

Conseguirão estas pessoas, algum dia, voltar a ser felizes?

Conseguirão voltar a ser família?

Que destino estará reservado para Camila, Zacarias e Simón?

 

Uma série de 14 episódios, a não perder, na Netflix!