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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Nevoeiro

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Nevoeiro...

O que escondes atrás de ti?

O que estará para além de ti?

Porque nos roubas a nitidez?

Porque nos impedes de ver com clareza?

Porque crias essa barreira? 

 

Porque nos envolves na incerteza, na dúvida?

Porque nos desorientas, nos deixas sem norte, e sem chão?

Porque é que a tua luz, e a tua brancura, nos cegam, nos deixam na escuridão?

 

O que, de tão misterioso, encerras em ti próprio?

 

Como está o tempo por aí?

 

Aqui em Mafra, há três dias que não sabemos o que é sol.

Amanhece e anoitece com chuva, vento e muito nevoeiro. A única coisa que distingue o dia da noite é, de facto, um pouco mais de claridade.

Andamos na rua e só se vê branco à nossa volta. Tudo o que num dia normal se consegue ver, está escondido pelo nevoeiro.

Está um tempo péssimo para os condutores, e propício a acidentes. 

Está um tempo péssimo para passeios, para sair à rua, e até para trabalhar.

E tão pouco, ao contrário do que costumamos ver nas comédias românticas, e apesar de se aproximar o Dia dos Namorados, convida ao romance.

E desse lado, estão com mais sorte que eu, ou o tempo anda igual por todo o país?

 

Velha rotina, novos hábitos

 

Manhã do primeiro dia de aulas:

O despertador toca às às 06.20h. Levanto-me, com pouca vontade. O meu marido continua na cama. A Tica, continua na cama. 

Está frio. Tenho que vestir um casaco, e abotoá-lo até ao pescoço, porque a Tica ficou em cima do roupão.

Puxo as persianas da janela da sala para cima, Abro as cortinas da janela da cozinha. Ainda é de noite! A Tica, que entretanto já se levantou, põe-se em cima da máquina de secar para que eu a leve à rua.

Estranha estar tão escuro lá fora. Não é costume. Vai ter que esperar que clareie, e não acha muita piada à ideia. Até porque o vaso da ervas também está no quintal e está na hora do pequeno almoço.

Pequeno almoço que, quanto a mim, parece que, a estas horas, nem cai bem. 

Tenho roupa para estender, mas não me apetece nada ir lá para fora quando ainda nem sequer amanheceu.

Às 7h, chamo a minha filha. Diz-me que parece que o tempo está cinzento. Está habituada a acordar depois de o sol nascer!

Vestimo-nos a pensar que o dia vai estar quente como ontem. Pura ilusão! Está nevoeiro e um ar gélido. Esperamos que o sol venha depressa, ou arriscamo-nos a piorar da constipação.

A caminho da escola, deparamo-nos com a fila de carros em hora de ponte! Que saudades que eu tinha destas confusões (claro que não)! O que vale é que vamos a pé. E até encontramos conhecidos pelo caminho.

A escola está cheia de crianças no átrio. A minha filha entra. Agora, com o novo sistema de cartões.

Vai para dentro e eu, com tempo de sobra, dirijo-me para o trabalho, onde devo chegar meia hora mais cedo. Mas também não valia a pena voltar a casa.

E assim regressámos à velha rotina, com alguns hábitos novos aos quais ainda nos estamos a tentar adaptar!