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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Surpresa, expectativa, obrigação, aversão, mudança...

Para onde vamos?

 

Quando fazemos algo bom, por nossa vontade, uma ou outra vez, sem que a outra pessoa esteja a contar, acabamos por supreendê-la pela positiva.

E como o objectivo de surpreender até foi conseguido, por vezes, atrevemo-nos a fazê-lo mais vezes, mas...

 

Às tantas, do outro lado, gera-se uma expectativa. A outra pessoa começa a habituar-se a esperar uma acção nossa.

E isso leva-nos, de certa forma, a sentir uma "obrigação" de continuar, mesmo que já não seja supresa nenhuma, apenas para não defraudar as expectativas das pessoas.

 

Inevitavelmente, chegaremos a um ponto em que a nossa vontade é não fazer nada, porque criámos aversão àquele tipo de acções. Como se estivessemos numa espécie de "prisão".

 

No entanto, se por algum motivo, se gerar uma mudança que altere essa dinâmica, e nos devolva a liberdade, é provável que se volte a ganhar o gosto pela surpresa.

Mas com cuidado, não vá o ciclo voltar a repetir-se, e cairmos no mesmo erro.

Confinamento não é sinónimo de ficar em casa por obrigação

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No outro dia, dizia-me o meu marido "Deves ser das poucas pessoas que cumpre à risca o confinamento, não sais de casa!".

Dito assim parece que vivo enclausurada! Não é o caso.

Todos os dias vou para o trabalho, faço 4 caminhadas diárias no percurso casa-trabalho-casa.

Quando não vou às compras à sexta-feira ao almoço, vou ao sábado.

Por isso saio, caminho, faço o que tenho a fazer.

 

Já chegou a acontecer estar em casa, e ter que sair para apanhar ar.

Da mesma forma, se estou bem em casa, porquê sair?

 

Não é uma questão de cumprir o confinamento, ou de ter receio de apanhar o vírus.

É mesmo porque me sinto bem e não me faz falta andar por aí na rua só para não estar em casa.

 

Sim, é verdade que, desde que a pandemia surgiu, nunca mais almocei fora, por exemplo. Ou estivemos numa esplanada. Mas eu também não sou mulher disso. À excepção de uma ou outra ocasião especial, é sempre o meu marido que me convence e convida a almoçar fora.

Não sou mulher de andar por aí a tomar o pequeno almoço ou lanche. Normalmente, faço-o em casa. Ou levo de casa.

Não sou mulher de querer sair todos os fins de semana e andar a passear, até porque há muito para fazer em casa, e em tempo de aulas mais ainda.

E se já ando na rua, e farto-me de andar durante a semana, que sentido faz, quando posso estar descansada em casa, andar a cansar-me na rua.

Para fazer os mesmos passeios de sempre? Onde já andámos mil vezes?

 

Portanto, não me estou a privar de nada, nem a obrigar a nada. 

Estou a agir conforma já agia.

Não fico em casa por obrigação. Porque é confinamento.

Fico em casa se, quando, e porque me apetece.

 

 

Finalmente, a substituição do contador da electricidade mas...

(vamos ver se não tem "fava!")

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No início deste ano, recebi uma carta da EDP a informar que iriam proceder à substituição do contador da electricidade.

Agendei para hoje de manhã.

 

Há uns dias, o senhorio perguntou-me se tinha recebido alguma coisa. E que ele também tinha recebido mas, como já tinha novos, não precisava de fazer nada. Voltou a dizer que, provavelmente, iriam passar o contador para o exterior. 

 

Conforme combinado, hoje vieram cá.

E alertaram logo que íamos ter problemas, que provavelmente iríamos ter que pagar coimas, porque alguém tinha andado a mexer no contador e este estava desselado.

Está explicada a conversa e perseguição de que falei aqui aqui, feita pelo senhorio, e pelo electricista que ele contratou, para fazer asneira onde não devia.

Nessa altura, o senhorio pediu-me para deixar o electricista ver qualquer coisa, e medir um cabo qualquer para o local onde queriam instalar o contador novo.

Uma pessoa, achando que estão a agir de boa fé, deixa.

No fim, o que o electricista fez foi tirar um cabo, e desselar o contador, sendo que, apesar de o poder fazer,  tinha a obrigação de comunicar e, a seguir, pedir à EDP que viesse selar novamente, o que não fez.

Daí a conversa dele das multas, de a EDP poder achar que estávamos a roubar electricidade. Não era por o contador estar em casa, e não na rua. Era pela asneira que tinha feito.

 

Nessa altura, desconfiámos que algo poderia não estar bem. Mas, confesso, não consegui perceber se o contador estava desselado ou não. E quis acreditar que um técnico creditado não faria nada que pudesse não estar de acordo com a lei.

 

Então e agora, se realmente entenderem mandar uma coima, quem é responsável, e quem a irá pagar?

O senhorio, que foi quem me pediu para deixar o electricista lá ir?

O electricista, que fez asneira?

Ou eu, que sou a detentora do contador e do contrato, e deixei que lá mexessem?

Pois...

 

Já disse ao meu marido, no contador novo, ninguém mais toca.

E só para perderem a mania, o contador não foi para o exterior, como eles queriam desde o início, mantendo-se dentro de casa.

Agora, é esperar que a EDP perceba que não adulterámos os consumos, e não nos mande um "presente" para casa. 

 

Quando o prazer se torna obrigação, perde-se a paixão

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No outro dia, perguntava-me o meu marido: "Se te pagassem para escrever um artigo todas as semanas, aceitavas?".

E eu respondi-lhe "Não!". "Não", porque gosto de escrever quando estou inspirada, quando tenho algo para dizer, quando um assunto surge e me interessa. E isso não tem dia e hora marcada para acontecer.

Tudo é que acontece de forma natural e espontânea, sai melhor. É feito com gosto, por prazer, e deixa-nos felizes.

Mas, se começarmos a transformar esse prazer em obrigação, a paixão perde-se, muitas vezes, pelo caminho e, às tantas, já não queremos fazer aquilo, já sentimos o peso da pressão, da necessidade de apresentar aquilo para o que nos pagam, e com o qual estão a contar. 

 

Estou a imaginar, por exemplo, alguém que adora cozinhar, para a família, para um grupo de amigos, ou sozinho, inventando receitas, fazendo experiências. Que leva o seu tempo a apurar, a ornamentar os pratos, que preza a apresentação.

Se, de repente, tiver que cozinhar para um regimento, sem tempo para grandes invenções, e com o relógio a contar, a pessoa acaba por não conseguir dar aquilo que mais gostava, e cozinhar torna-se cansativo e sem graça.

 

Imagino que também os escritores passem um pouco por isso, quando têm prazos para entregar as suas obras, e não lhes saem as palavras ou, quando saem, não são as que deveriam.

Ou os artistas plásticos.

E, um pouco, todos nós, naquelas pequenas coisas que, normalmente, fazemos por prazer, e lazer.

A obrigação, é meio caminho andado para tornar a paixão, em aversão, e levar ao abandono daquilo que, um dia, gostámos de fazer. 

 

 

 

A minha aversão ao álcool gel

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Tal como as máscaras, álcool gel nunca fez parte do meu dia a dia.

A última vez que tive contacto com ele, foi por altura da Gripe A, já lá vão uns aninhos. E não era nada como se vê agora.

 

Agora, em qualquer espaço que se entre, lá está ele, a lembrar-nos que devemos utilizá-lo, antes de qualquer outra coisa.

E eu, confesso, uso porque as medidas assim o obrigam. Mas não sou fã.

 

Primeiro porque, à excepção de um ou outro, a maioria deles tem um odor que não me agrada. Ainda no outro dia utilizei um e, quando fui cheirar as mãos, ia vomitando com o cheiro. Depois desse episódio, parecia que o odor me perseguia, mesmo que nem houvesse alcool gel por perto!

Depois porque, muito sinceramente, não sinto que as minhas mãos estejam mais limpas ao usar alcool gel. Pelo contrário. Sinto-as sujas, pegajosas, e não vejo a hora de lavá-las com água e sabão, para realmente as sentir limpas.

 

Mas pronto, eu também sou pessoa a quem faz confusão cremes ou base na cara, e que não aguenta muito tempo batom nos lábios sem ter vontade de limpar a boca para o tirar todo!

Pancadas minhas, portanto.

 

E por aí, como se dão com o álcool gel?