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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Temos, todos, de ter um dom?

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Todos temos um dom?

Ainda que não saibamos qual é?

Ainda que não o tenhamos descoberto?

Há que diga que sim. Mas...

 

Temos, todos, obrigatoriamente, de ter um dom? Um talento especial?

Temos, necessariamente, de ser bons, ou melhores, em algo em particular?

Será assim tão errado não nos destacarmos em nada específico?

Não irá gerar, essa espécie de busca, uma pressão e insegurança desnecessárias?

 

 

 

Acabou. Finalmente!

Ilustração de logotipo de máscara de cirurgia | Vetor Premium | Logo  illustration, Mask drawing, Gas mask art

É caso para dizer que já posso, literalmente, respirar de alívio!

Nunca escondi a minha aversão ao uso das máscaras, reduzindo-o ao obrigatório, e pelo menor tempo possível.

O que já era muito. 

 

Agora, é um voltar à liberdade.

Sabe bem não ter que andar sempre a pensar se tenho máscara, porque aqui ou ali ainda é preciso.

Sabe bem entrar numa clínica, ou num hospital, e não ter que a usar.

Ontem, na incerteza, ainda a levei posta mas, assim que vi que a médica não a tinha, tirei a minha.

E soube tão bem.

 

Foi oficialmente decretado o fim das máscaras!

A "polémica" disciplina de Cidadania

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Ainda me lembro quando, há alguns anos, vi umas letras estranhas "ETC" no horário da minha filha, e não fazia a mínima ideia do que aquilo significava.

Depois, lá explicaram que era uma nova disciplina "Ética e Cidadania". Não contava para nota, mas era de frequência obrigatória.

Como era leccionada pela directora de turma, o que acontecia muitas vezes era tratar-se, nessa aula, de assuntos relacionados com a turma.

Fora isso, o que foi abordado passou muito pelo respeito pelos outros, igualdade, bullying, preservação do ambiente, e por aí fora.

 

É por isso que me faz alguma confusão toda esta polémica que se está a gerar à volta de disciplina, agora apelidada de Cidadania e Desenvolvimento, que teve início quando uns pais decidiram proibir os filhos de frequentá-la, com o argumento do direito de objecção de consciência.

Apesar de, na minha opinião, a disciplina abordar diversos temas pertinentes e úteis, e poder ser um complemento à educação parental, estes pais consideram que a educação para a cidadania é uma competência deles, e mostram preocupação com dois módulos em específico - "Educação para a igualdade de género" e "Educação para a saúde e sexualidade" - que fazem parte da disciplina em questão, entendendo que a educação sexual e de género têm cariz moral, e não competem à escola. Como tal, defendem que ela deveria ser facultativa, tal como a Educação Moral e Religiosa.

 

O caso tem tomado tais proporções, que já existe um processo de promoção e protecção para estes jovens e, neste momento, o Ministério Público pretende mesmo que estes alunos fiquem à guarda da escola durante o ano lectivo.

A discussão faz-se no Tribunal, e fora dele, com vozes a favor e contra.

 

Para mim, a disciplina deveria ser facultativa. É o mais lógico.

Não sendo, não vejo qualquer problema nos conteúdos que aborda, embora admita que nem todos os pais o vejam dessa forma, e se sintam confortáveis com os mesmos, e com a forma como é ministrada a disciplina.

No entanto, o que vejo aqui, são dois polos extremistas.

Os pais querem proibir os filhos de frequentar a disciplina. A escola quer obrigar os alunos a frequentar.

Nenhum dos dois está bem.

Nenhum dos dois está a considerar a liberdade, a vontade e o futuro de quem acaba por ser mais prejudicado, no meio desta "guerra".

Já alguém perguntou, a esses mesmo alunos, se querem frequentar a disciplina? 

Já alguém pensou em chegar a um consenso?

Parece aqueles casais que usam os filhos como arma de arremesso e chantagem, um contra ao outro, em vez de, juntos, zelarem pelo interesse dos filhos, que é o que realmente importa.

 

Não podemos pensar que os jovens serão, automaticamente, influenciados apenas pelo que ouvem na escola, ignorando tudo o que lhes foi incutido e passado pela educação dos pais. 

Por outro lado, acho saudável que os filhos tenham várias visões distintas, que questionem, que debatam, que decidam por si, que lhes seja dada essa liberdade.

E se, agora, os pais começarem a achar que determinadas matérias vão contra os seus princípios, e educação que querem dar aos filhos, vão proibi-los de frequentar essas disciplinas também?

Isso iria tornar-se uma rebaldaria sem sentido. 

 

Agora, não me parece que a escola seja um espaço onde uma seita tenta fazer uma lavagem cerebral aos alunos, levando-os a situações de surtos de ansiedade, pânico,  ou crises de identidade.

Da mesma forma, não me parece que o facto de os alunos não frequentarem a disciplina consituia um perigo e prejudique os alunos, a ponto de considerar que é do "superior interesse dos jovens e com potencial a, definitivamente, afastar situação de perigo existencial dos mesmos" obrigá-los a tal.

Considerar que os pais põem em perigo a formação, educação e desenvolvimento dos filhos, e afirmar que há perigo de os jovens sofrerem maus-tratos psíquicos, só pelo facto de não frequentarem a dita disciplina, é esticar muito a corda. Parece-me um exagero, que não entra na cabeça de ninguém.

Preocupassem-se antes com quem está, realmente, em risco e precisa de olhos mais abertos e atentos, e não ocorreriam metade das situações que, infelizmente, acontecem, porque foram ignoradas ou desvalorizadas.

 

Vamos ver qual será o desfecho desta "novela", sem pés nem cabeça.

No entanto, gostaria de ouvir mais opiniões, não só de pais, cujos filhos frequentaram ou frequentam a disciplina, mas também de professores, quer leccionem ou não a mesma, para ver se conseguia perceber o que levou uma simples disciplina a esta discussão dantesca e que, para mim, não faz sentido.

 

Máscaras: obrigatoriedade e liberdade

Vetores de Emoji De Sorriso Usando Uma Máscara Cirúrgica Protetora Ícone  Para Surto De Coronavírus e mais imagens de Amarelo - iStock
"A liberdade consiste em fazer-se o que se deve e não o que se quer. Liberdade significa responsabilidade, é por isso que tanta gente tem medo dela."

Bernard Shaw

 

Quem me conhece, sabe que evitei ao máximo o uso da máscara.

Nunca usei quando era facultativo.

Comecei a usar nos espaços em que era obrigatório, continuando a evitar o seu uso onde ainda era permitido respirar ar puro.

 

E agora? 

Continuo a considerar que o uso da máscara não é a solução por si só, nem um factor determinante para o controlo da pandemia.

Continuo a pensar que pode trazer outros problemas associados ao uso contínuo.

Continuo a não me sentir bem com ela posta.

E é por isso que, sempre que não tenho pessoas perto de mim, na rua, continuo a não usá-la.

 

Mas, a minha liberdade termina onde começa a do outro. 

Por isso, sempre que estou a passar por locais onde estão outras pessoas, ainda que seja de passagem, por alguns segundos, coloco-a.

Porque eu posso não querer usá-la, mas não tenho o direito de prejudicar os outros. Mesmo que eu não acredite muito na sua eficácia, há quem acredite que a máscara protege, e a use para proteger os demais, para me proteger.

Por isso, é meu dever, retribuir esse cuidado.

 

Ainda hoje, li esta passagem d'"Os Maias", e faz tanto sentido no dias que correm:

"Aí está por que em Portugal nunca se faz nada em termos! É por que ninguém quer concorrer para que as coisas saiam bem... Assim não é possível! Eu cá entendo isto: que num país, cada pessoa deve contribuir, quanto possa, para a civilização."

 

Não só pelo uso das máscaras, mas por todos os comportamentos que o bom senso deveria ditar, mas que acabam por ficam perdidos nas intenções, ou regulados pelo egoísmo de cada um.

Os "fiscais" da comunidade

Vigiar e produzir - Época Negócios | Inteligência

 

Existem pessoas que vivem a sua vida.

E outras, que se dedicam a fiscalizar a vida dos outros.

 

Desde que chegou até nós a pandemia, são vários os "polícias comunitários" que estão atentos ao que os restantes fazem, ou deixam de fazer, que criticam, que afiam a língua, à falta de melhor entretenimento. 

Porque fulano saiu sem máscara, porque saiu à rua quando devia estar em casa, porque sicrano foi ao café.

E que querem, à força, interferir com a liberdade dos outros.

 

Ontem, vinha eu dos correios para o trabalho quando, em sentido inverso, se aproxima uma idosa, de máscara e, às tantas, diz ela:

 

"Estas senhoras é que fazem bem. Não é preciso cá máscaras nenhumas. Isto é só uma fantasia. Elas é que sabem."

 

Ao mesmo tempo em que dizia isto, que me pareceu a mim uma crítica, a mim e a quem mais vinha na rua sem máscara, tocava ela própria na máscara, com as mãos, chegando mesmo a baixá-la, talvez para que a ouvíssemos melhor.

 

Não liguei, nem respondi.

Não valia a pena explicar à senhora que não é obrigatório usar máscara na rua e que, mais importante que isso, é manter a distância.

 

Nem tão pouco dizer que, nem há dois minutos atrás, tinha estado quase meia hora, com a máscara colocada, nos correios, depois de outra meia hora, na Câmara Municipal, locais onde se deve usá-la, e que o que mais queria naquele momento, era respirar livremente onde, e quando podia.

 

E menos ainda que, em vez de estar a criticar, e baixar a máscara para falar, ou tocar nela onde não é suposto, devia ter seguido o seu caminho, com a máscara colocada, como ela aprecia, e evitar colocar-se a si, e aos outros, no perigo em que não quer que os outros a coloquem!