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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Tenho muito orgulho do meu sobrinho!

 

Tenho uma grande admiração e um enorme orgulho do meu sobrinho!

Desde pequeno que sempre foi muito protegido pelos pais, principalmente, pela mãe. E, talvez por isso, nunca tenha tido aquela necessidade de se desenrascar sozinho, de "sair da sua casca" e da "protecção das asas da mãe".

Era daquelas pessoas que, se o deixassem, passava os dias em casa, agarrado a um computador ou a uma consola.

Quando passou para o 10º ano, veio aqui para Mafra estudar, e começou a fazer novas amizades e a viver a vida de qualquer adolescente, com mais alguma liberdade do que até então.

Findo o 12º ano, e sem possibilidades financeiras de ir para a faculdade e médias que dessem para tal, começou a ponderar as suas hipóteses - o que é que poderia fazer da sua vida?

Tentar subir as médias de algumas disciplinas, para voltar a tentar uma candidatura com bolsa, encontrar um emprego (e tentar tirar a carta de condução para ter mais oportunidades) ou enveredar pelo serviço militar.

Depois de muito ponderar, e dado que era a solução mais viável, optou por voluntariar-se ao serviço militar. Esteve alguns meses a treinar para as provas fisicas, e o meu marido chegou a ir ter com ele para lhe dar apoio e treinar com ele, puxando assim pelo melhor que ele podia dar.

A verdade é que o meu sobrinho acabou mesmo por passar nos testes, e foi colocado em Abrantes par a recruta. Ora, dado a vida que até então tinha levado, sabíamos que ia ser duro para ele, não só a nível psicológico (saudades de casa, da família, lidar com a pressão e bullying a que por vezes submetem os recrutas), mas também a nível físico.

Tínhamos algum receio que ele não aguentasse e desistisse pouco depois de lá estar mas, contra todas as expectativas, felizmente ele gostou e manteve-se firme, sem desistir!

Apesar das mazelas físicas, das árduas provas, das condições a que foi submetido, e da terrível semana de campo, à chuva e com o temporal que se fez sentir, e que lhe valeu um pé torcido, uma inflamação no olho, uma otite e umas quantas manchas negras do corpo, seguiu caminho até à sua nova morada.

E, mais uma vez, o desânimo inicial foi superado.

Para quem já passou por tudo o que passou até aqui, o caminho só pode ser para a frente, com a mesma coragem e, determinação que demonstrou até aqui, e a confiança de que tomou a decisão certa e terá um futuro sorridente à sua frente!

Está mesmo de parabéns, o meu sobrinho!

Tomar ou não banho na escola...

 

...heis a questão!

 

O professor de educação física não impôs, mas aconselhou a fazê-lo.

E, de facto, as suas razões são válidas.

Ao tomar banho na escola, está a poupar água em casa (é uma forma de aprenderem desde cedo a poupar).

Evitam constipações, porque não saem suados do ginásio para a rua.

Habituam-se a despir e vestir à frente dos colegas, sem complexos nem vergonha, o que mais tarde pode vir a ser útil.

E há ainda a questão da higiene, uma vez que, ao não tomarem banho, vão suados e com mau cheiro para as aulas seguintes.

Concordo com tudo isto.

 

Mas...há sempre um mas!

 

O intervalo que têm para despir, tomar banho, vestir e ir para a sala da próxima aula é de 10 minutos. Pode até ser uma forma de se habituarem a despachar rapidamente, mas nem eu, com a minha maior rapidez, conseguiria fazê-lo em tão pouco tempo.

A não ser que, como o professor disse, seja só passar o corpo por água, sem molhar o cabelo. Mesmo assim, duvido. E, a assim ser, teriam que tomar um banho em condições em casa, pelo que em vez de poupar, estariam a gastar duplamente.

Esse intervalo pode ser maior, se o professor entender deixá-los sair mais cedo, mas não há garantias.

E, por último, além da mochila com todo o material que é necessário para as outras aulas, e do saco de desporto com o equipamento para a aula de educação física, teriam que acrescentar toalha, chinelos, gel de banho e roupa interior para trocar.

Por tudo isto, e apesar de ter comprado tudo para o efeito, achei melhor a minha filha este ano não se aventurar nos banhos no ginásio.

Na tropa mandam desenrascar, e é isso que ela vai fazer. Num dos dias é a última aula da tarde, por isso vai para casa e toma banho em casa. No outro, só tem uma hora de educação física, por isso não acredito que o professor a deixe sair cedo, e com tão pouco tempo, já me dou por feliz se conseguir trocar de roupa. E até nisso vamos ser práticas. Sempre que o tempo o permitir, vai já com o equipamento vestido (ou pelo menos parte dele) e assim só tem que se calçar.

 

 

TPC's - Ajudar ou não ajudar os filhos?

 

As opiniões divergem. Há aqueles que defendem que os pais devem ter um papel activo na vida escolar das crianças, o que inclui a tarefa dos trabalhos de casa, assim como há outros que consideram que "cada macaco deve estar no seu galho", ou seja, os professores devem ocupar-se com a vida escolar dos alunos, e os pais com a vida familiar.

E, acreditem, para mim seria muito mais fácil e menos stressante adoptar a filosofia desta última hipótese! Mas será que me sentiria bem comigo mesma se o fizesse? Não!

No início deste ano, a professora deixou-nos um "aviso" - haveria muita matéria a ser dada em pouco tempo, haveria menos trabalhos de casa porque a própria professora tem a sua vida familiar e não teria tempo para corrigi-los e, como tal, iria mandar com alguma frequência os cadernos dos alunos para nós vermos o que está a ser dado e ajudarmos os nossos filhos. Aconselhou-nos, de certa forma, a envolvermo-nos na vida escolar deles com vista a que, assim, eles consigam chegar a bom porto no final do ano lectivo.

Para mim, não foi novidade. Já no ano anterior, passei muitas horas a pesquisar sobre a matéria que ela estava a aprender, passei muitas horas a inventar exercícios para ela treinar para as fichas de avaliação e, claro, no meio de tudo isso, passei por momentos de stress, desespero e irritação. 

Porque apesar de a minha filha esperar que eu chegue a casa para fazer os trabalhos (acha sempre que não sabe fazê-los e precisa de ajuda), e apesar de saber que se eu insisto ou massacro um bocadinho mais é para o bem dela, nem sempre está "para aí virada", por vezes inventa tudo para não fazer nada, finge que não percebe, ou faz-se desentendida. Outras vezes, depois de pedir ajuda, prefere fazer as coisas à maneira dela mesmo sabendo que está mal. E isso mexe, sem dúvida com o meu sistema nervoso! Dá vontade, como já cheguei a fazer, de não a ajudar mais, de deixá-la desenrascar-se sozinha. Afinal, não sou eu que preciso de saber a matéria, de estudar, de ter boas notas, de passar de ano.

Mas a vontade de ajudar, depois de passada a "tempestade", é maior que a indiferença por algo que não é, à partida, da minha competência (será que não?).

E assim, além do encontro marcado com os trabalhos de casa todas as noites, quando chega a fase das fichas de avaliação, tenho trabalho extra - inventar exercícios das três disciplinas, ou procurar fichas que contenham a matéria dada por ela, para ver quais são as dificuldades e tentar ajudar a ultrapassá-las. É quase como se estivesse a estudar também, até porque, sem querer, acabo por saber algumas das coisas que ela aprende.

Como é óbvio, para o ano e daí em diante talvez as coisas mudem um pouco, porque são muito mais disciplinas, matéria que provavelmente nunca ouvi falar e, sem saber minimamente, não posso ajudar. Mas sempre que o puder, vou fazê-lo!

É normal que haja crianças com mais facilidade em estudar, em se organizar e preparar. É normal que, com crianças assim, os pais não tenham que se preocupar e aborrecer com a tarefa dos trabalhos de casa dos filhos, porque eles já trataram disso. É normal que muitos pais não façam nem ideia do que os filhos estão a aprender. Mas cada um sabe de si e faz aquilo que bem entende.

Eu, faço-o pela minha filha, porque sempre que estiver ao meu alcance não vou deixar de ajudá-la, e por mim, porque não me sentiria bem não o fazendo!

Sobre a arrogância de uns...

 

...e a persuasão de outros!

 

Como já aqui disse, não tenho por hábito dar dinheiro a ninguém que me venha pedi-lo, seja para que causa for. A minha resposta é sempre "não estou interessada". Ou, quase sempre!

 

No outro dia veio cá uma senhora que começou por afirmar estar a fazer um serviço social na zona. O serviço social revelou-se uma angariação de fundos para uma instituição de crianças e jovens em risco. Nesse sentido, começou por me dar uma caixa para a mão, que eu pensei que fosse algum perfume mas que, afinal, era um relógio para homem, que estavam a vender por € 10,00, com oferta de outro igual. Respondi-lhe que não estava interessada. Mas, como se costuma dizer, mulher prevenida vale por duas e esta, já a pensar naqueles que provavelmente rejeitariam o relógio, trazia outra alternativa na "manga", que é como quem diz, na pasta - livros infantis!

Na compra de um, por € 5,00, oferta de outro. E assim me conseguiu convencer! Comprei um livro com jogos e receitas, e ofereceram o do Shrek 2. Ficou a minha filha a ganhar, e eu fiz a boa acção do dia, ao contribuir para uma instituição.

 

Uns dias mais tarde, apareceu um senhor, com um ar convencido, que logo me desagradou. Em primeiro lugar, parecia que a última coisa que lhe apetecia era estar a fazer esse "serviço". Depois, partiu do princípio que nós, só de olharmos, adivinhamos o que quer. Como isso não aconteceu, lá deu, com muito custo, uma explicação do que fazia - pedir dinheiro para ajudar uma instituição que acolhe "sem abrigo". Como lhe respondi que não estava interessada em ajudar, começou a reclamar, embora em tom irónico mas, ainda assim, a reclamar, como se fosse nossa obrigação ajudar todos aqueles que nos pedem.

 

Pois eu até posso ter muita vontade de ajudar, mas se vierem todos com a mesma atitude deste senhor, comigo não se safam! Porque a arrogância não é, sem dúvida, o melhor caminho para o conseguirem!

Sobre as greves de fome

 

Não é de agora que as pessoas recorrem à greve de fome como forma de protesto ou reivindicação de algo que lhes é devido.

Mas será a melhor forma de o fazer? O que levará alguém a enveredar por este caminho para tentar levar a sua luta a bom porto?

E valerá a pena? 

 

Ricardo Cunha, guarda-redes de hóquei em patins dos "Limianos" - Associação Desportiva de Ponte de Lima - recorreu à greve de fome para que lhe fossem pagos salários em atraso.

Ao fim de 5 dias sem ingerir qualquer alimentação, foi hospitalizado. Segundo declarações do próprio, não podia continuar com a greve de fome, porque "os filhos precisam do pai em casa e com saúde".

E eu pergunto-me: não deveria ter pensado nisso antes?

Durante os cinco dias de protesto, o hoquista não recebeu qualquer contacto da direcção do clube.

E eu pergunto-me: valeu a pena? adiantou alguma coisa?

Embora estejamos a passar por uma crise e o mercado de trabalho esteja em decadência, quero acreditar que um homem de 33 anos conseguiria encontrar outras opções que não a greve de fome para resolver esta questão de salários em atraso.

Alguém que se queixa que já gastou muito dinheiro e lhe devem outro tanto, deve lutar para conseguir um novo trabalho e estabilizar a sua vida, ao invés de perder ainda mais tempo a prejudicar a sua saúde.

Não sou defensora desta forma de protesto, quando no mundo há tantas pessoas a morrer de fome, embora aceite que alguém desesperado e que não tenha nada a perder possa ver na greve de fome a solução para os seus problemas.

No entanto, penso que neste caso não se justificava, mas cada um sabe de si e faz aquilo que considera melhor.

 

 

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