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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Também fomos "atacados" pela Via Livre

Vialivre

 

A recepção da carta

Na nossa caixa de correio encontro hoje um aviso para levantar nos CTT uma carta, cujo remetente era a Via Livre, destinada ao meu marido. Nunca tinha ouvido falar da mesma, e não fazia a mínima ideia do que poderia ser.

O meu marido foi pesquisar na net, e percebeu que tinha a ver com cobranças ilegais de portagens, nas quais a maioria dos visados nunca tinha passado!

De qualquer forma, disse-lhe que o melhor era ele ir levantar a carta e ver do que se tratava.

E, lá está, era o que ele suspeitava! Uma carta para cobrança de portagem, ocorrida em setembro de 2016, com entrada em Faro!

Ora, escusado será dizer que nunca estivemos em Faro, logo esta cobrança é indevida.

Na dita carta, era-nos dado um prazo para pagamento, sob pena de a cobrança se converter num processo judicial. Era também mencionado que, caso não recebessemos a carta, seria enviada uma nova, desta vez, simples, e que o prazo se contaria a partir da recepção dessa, considerando-se entregue.

Pedia também, na eventualidade de não ser o meu marido o condutor da viatura nessa altura, que identificássemos o mesmo. Ora, não tendo emprestado o carro a ninguém, e já estando em nosso poder nessa altura, só poderia ser o meu marido o condutor.

 

O que fazer, então?

Não pagar, e reclamar?

Gastar para não pagar, ou pagar para não gastar?

O valor era de pouco mais de 3 euros. 

Enviar uma carta registada com aviso de recepção ficaria por esse valor. Compensaria?

O meu marido decidiu pagar, para não ter mais problemas, e porque o valor era pequeno. Mas se o valor fosse maior, já pensava duas vezes.

Ainda assim, estamos a ponderar se não valerá a pena responder e pedir a devolução. 

 

Mais alguém por aí foi atingido?

Ao que parece, e pelo que vimos na net, já é uma prática recorrente, e são várias as vítimas que se queixam destas cartinhas, e de burlas que as mesmas envolvem, a maior parte delas com referência à A22.

Quando feitos pedidos de esclarecimento, recusam-se a dar informação que, segundo dizem, não são obrigados a dar.

Outras vezes, as respostas tardam a chegar, ou nem sequer vêm.

Já passaram por alguma situação destas?

Evereste - desafiar a vida compensa?

 

Este fim-de-semana estivemos a ver o filme "Evereste", que o meu marido tinha gravado.

Ele dizia que era um bom filme, e que eu iria gostar de certeza.

 

Evereste mostra a jornada de várias expedições, que têm por objectivo alcançar o ponto mais alto do mundo!

Será, sem dúvida, um feito único. Mais ainda para quem faz do alpinismo o seu hobbie ou a sua vida. É a derradeira etapa a superar, a mais importante, quem sabe a mais bela.

 

Mas, pergunto-me eu? Desafiar a natureza dessa maneira compensa? Desafiar a própria vida compensa?

 

Alguém tornou o Monte Evereste uma atracção turística, alguém transformou a sua subida numa espécie de passeio turístico e vislumbrou o lucro que daí poderia advir.

Todos os anos chegam novos interessados, determinados em partir à aventura.

 

O que os leva até lá? 

 

Querem gastar o dinheiro e não sabem como?

Sim, porque esta brincadeira não é para todas as carteiras. Paga-se bem caro para passar meia dúzia de minutos perto do céu! E, se chegar ao topo já é uma tarefa demasiado difícil, mais complicado se torna o regresso. Muitos, não chegam a regressar. Como eu digo ao meu marido, estas pessoas estão a "pagar" a sua morte.

 

Querem provar a alguém que são corajosos e determinados?

Muitas vezes sai-lhes bem cara essa teimosia, disfarçada de coragem.

 

Fazem-no porque não têm mais nada a perder? Ou porque não dão valor à vida? 

 

Ou fazem-no, simplesmente, por paixão pela natureza, pelos obstáculos que ela impõe, pela beleza do que irão encontrar em cada montanha escalada, pelos vários sentimentos que os invadem durante todo o percurso e naqueles escassos minutos em que lhes é permitido estar lá em cima?

 

Qualquer que seja o motivo, é preciso perceber que uma subida destas exige adaptação, treino, técnica, condições físicas, espírito de equipa e entreajuda, respeito por quem está a comandar a expedição.

É preciso coragem, determinação, persistência. Mas também bom senso. Saber parar, saber perder, saber aceitar. Nem todos conseguem ser bem sucedidos numa primeira tentativa. Ainda assim, há muitos que se tentam armar em espertos e valentes, e pagam com a vida esse atrevimento.

 

Uma coisa é certa: se todos pensassem como eu e ficassem quietinhos em casa, não haveriam feitos históricos como os que se têm visto por este mundo fora!

Mas, para acidentes catastróficos, já bastam aqueles que não podemos, de todo, prever. Penso que nunca arriscaria a minha vida, sabendo de antemão todos os perigos que correria, e sabendo que poderia não voltar.

 

 

 

E que não se pense que estar na companhia de bons profissionais nos garante uma expedição livre de perigos, e um regresso sãos e salvos. Até mesmo os melhores podem lá ficar!

 

Evereste é um filme baseado em factos verídicos, que mostra o grande desastre em que se transformou a temporada de escalada de 1996.

Nessa altura, 19 pessoas morreram durante a tentativa de chegar ao cume, sendo o maior número de mortes, em um único ano, na história do Everest. Uma tempestade impossibilitou muitos alpinistas, que estavam próximos ao cume (no escalão Hillary), de descer, matando oito pessoas num único dia.

Entre eles, estavam os experientes alpinistas Rob Hall e Scott Fisher, os líderes das expedições, respectivamente, das empresas Adventure Consultants e Mountain Madness. Um dos erros apontados para a tragédia foi o facto de ambos quererem levar avante a subida, o que levou a complicações e mais tempo perdido no trajecto, do qual nenhum deles quis abdicar.

Ainda assim, não deixaram os companheiros para trás. E, por isso, não só não conseguiram salvá-los, como ainda pagaram com a vida.

 

Para quem tiver interesse em saber mais sobre esta escoalada, deixo-vos aqui este link - http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-se-escala-o-everest.

 

 

deixado-para-morrer-1

 

Este foi um dos livros que serviu de base ao filme - escrito por Beck Weathers, um dos escaladores que sobreviveu, com consequências que nunca esperou - teve parte de seu braço direito amputado pouco abaixo do cotovelo, assim como todos os dedos de sua mão esquerda e partes de ambos os pés. O seu nariz foi amputado, e posteriormente reconstruído com tecidos de duas orelhas e testa.

 

 

Também John Krakauer, convidado pela revista Outsider a escrever um artigo sobre o crescimento de pessoas inexperientes que se aventuravam a escalar o Everest, escreveu o livro "No Ar Rarefeito", onde denuncia a ganância que move a maioria dos promotores de expedições ao Everest, a montanha mais alta e mítica do planeta.

A saúde não tem preço, mas pagamos caro por ela!

É verdade que a saúde não tem preço? É!

E que não se compra? Sim!

Ainda assim, pagamos tão caro por ela!

Mas o que seria daqueles que investem em pessoal especializado e em laboratórios para que sejam levadas a cabo pesquisas e buscas por curas ou tratamentos de doenças, até agora desconhecidos?

O que seria das farmacêuticas se não obtivessem algum lucro com os medicamentos "milagrosos"?

O que seria das farmácias se os medicamentos nos fossem oferecidos?

A saúde não tem preço, mas tem custos para quem dela carece!

A saúde não se compra nem se vende, mas faz parte de um grande mercado onde é negociada como quem negoceia raridades valiosas! A necessidade dela faz funcionar uma indústria de milhões.

Quanto custam determinadas cirurgias? Quanto custam determinados tratamentos? Quanto custam determinados medicamentos? E quem consegue, em termos financeiros, ter acesso aos mesmos?

Vejamos, por exemplo, o actual caso da hepatite C. São, à partida, 150 os escolhidos pelo Ministério da Saúde para beneficiarem do novo tratamento com um medicamento inovador contra a doença - o Sofosbuvir - que garante taxas de cura superiores a 90%. O custo deste medicamento anda entre os 45 mil e 150 mil euros.

Disse o ministro da Saúde (e concordam os profissionais) que "se a todos os pacientes de hepatite C fosse ministrada esta cura, gastar-se-ia mais de 80 por cento do orçamento do Serviço Nacional de Saúde".  Já Emília Rodrigues, do SOS Hepatites, contrapõe que “É triste alguém ter que estar em pré-morte para que lhe seja dada esta medicação”.

Exceptuando aqueles que, com ajuda, milagre ou condição financeira conseguem ter acesso a determinado tipo de medicamento ou tratamento, e usufruir de meios de diagnóstico modernos e tecnologia avançada, a grande maioria nem sequer tem dinheiro para pagar uma taxa moderadora que, misericordiosamente, decidiram baixar este ano em 5 cêntimos!

A maioria, não tem dinheiro para se submeter àquela cirurgia que tanto necessita. Nem para pagar os exames que tem que fazer. Ou o internamento a que, involuntariamente, terá que ser sujeito.

E quando tem, nem sempre é tratada de forma digna e humana nos serviços de saúde públicos, ainda que tenha que pagar da mesma forma. 

No fundo, não estamos a falar exatamente de saúde, mas de cuidados de saúde, dizem os entendidos no assunto. Mas bem lá no fundo, todos sabemos que, ainda que os "caminhos" sejam diferentes, ambos levam à mesma e única questão - o limbo entre a saúde e a doença, entre a vida e a morte!



 

 

 

Pagar, pagar, pagar...e só depois receber! Se receber!

 

Isto é uma vergonha!

Uma pessoa está sossegada na sua vida e tem o azar de lhe baterem no carro. Além do carro danificado, sofre danos corporais e é levado para o hospital.

Como não pode chamar a assistência em viagem numa ambulância, tem que outro reboque levar o carro. Para poder levantar o carro e levá-lo à oficina, tem que pagar o dito serviço de reboque.

Ao fim de mais de uma semana, é-lhe então devolvido o valor com desconto de 1 cêntimo - ou seja, nem o valor certo pagaram.

Enquanto não lhe é fornecido veículo de substituição, tem que pagar transportes à sua conta, correndo o risco de essas despesas não lhe serem assumidas pela companhia de seguros. O que significa que podemos ficar com o prejuízo, ou então recorremos ao tribunal, mas nesse caso, teremos que pagar para iniciar o processo!

A não ser que a pessoa opte pelo que a companhia sugere - alugar um carro. Mas para isso é preciso dinheiro! Ou ter um cartão de crédito!

Se o valor do arranjo passar de um determinado montante, não arranjam. Dão-nos uma percentagem do valor. O que quer dizer que nos arriscamos a ficar sem carro, e com pouco dinheiro para ir buscar outro.

Para levantar o veículo de substituição, temos que deixar uma caução que só nos é devolvida quando o entregarmos.

Relatórios médicos, temos que ser nós a pedir, para o caso de termos que apresentar na peritagem de danos corporais. Despesas hospitalares, nomeadamente, taxas moderadoras, mesmo que o hospital envie para a companhia, esta não paga.

Temos que ser nós a pagar a conta, e enviar os respectivos comprovativos para a companhia, para esta depois nos devolver esse dinheiro.

É certo que, à partida, tudo nos será devolvido. É certo que o carro, mesmo à tangente, foi reparado.

Mas fico com a sensação de que, quem bate, não tem metade das preocupações, nem que se ver confrontado com tantas burocracias, como quem foi prejudicado pela sua distracção!

E mais uma vez se confirma que as companhias de seguros só trazem vantagens no momento em que querem angariar clientes. Depois, tentam descartar-se ao máximo!

 

 

 

 

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