Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Novo confinamento geral: alguma (muita) coisa não está a resultar

eeeeee.jpg

 

Estamos em Janeiro de 2021.

Desde que a pandemia atingiu Portugal, passaram-se 10 meses.

Na altura, em Março, com o confinamento geral para poupar o Serviço Nacional de Saúde, ficámos quase todos em casa.

Tudo era novo, e nem tudo funcionou da melhor forma.

Mas ficou a promessa de que, a vir a ser necessário, dali em diante estaríamos melhor preparados.

 

Não estamos!

Se possível, andamos ainda mais "às aranhas" do que antes.

O governo não teve tempo, nem meios, para reforçar os hospitais para as 2ª e terceira vagas que já sabiam, de antemão, que aí vinham?

O governo não teve tempo de fazer as devidas condições chegarem a todos os alunos para a eventualidade do ensino à distância ter que ser retomado?

Teve.

Mas não o fez.

Onde andam os hospitais de campanha, que estavam a postos nessa altura? Onde andam os médicos que iam contratar?

Onde andam os computadores e meios informáticos para os alunos que não os têm?

 

Porque, à semelhança do que previam, há um ano atrás, de que o vírus nem deveria cá chegar, acharam que a 2ª vaga, prevista para o Outono, só chegaria mais perto do Inverno. E que a 3ª vaga só viria quando? Para o Carnaval?

O que se vê, é que, ao contrário das réplicas que se seguem ao sismo principal, que são mais fracas, cada vaga da pandemia que enfrentamos é pior que a anterior.

A Covid-19 é uma inimiga que tem estado sempre vários passos à nossa frente, e não há forma de ultrapassá-la, quando nem perto dela conseguimos chegar.

 

Nos outros países não será diferente. 

As medidas têm sido semelhantes. Talvez mais apertadas que as nossas.

Mas os números portugueses estão a chegar perto dos de outros países e, com sorte, ainda os passamos.

 

Agora, aquilo que não podia voltar a acontecer, vai mesmo acontecer: novo confinamento geral!

Com excepções, claro!

Pagam os mesmos de sempre. Perdem os mesmos de sempre. Ganham os mesmos de sempre.

Porque duvido que seja num cabeleireiro, num restaurante, numa pequena loja de vestuário, ou outros do género, que surgem estes números assustores de infectados.

Acredito mais nos convívivio familiares, nos ajuntamentos (alguns provocados pelas próprias medidas), nas pessoas que vejo muitas vezes em pequenos grupos, na conversa na rua, sem máscara e sem distanciamento.

 

As escolas? Essas não fecham! Claro que não!

Porque aí é o sítio mais seguro para se estar.

Que é como quem diz: "não estamos preparados para retomar o ensino à distância porque nada mudou desde o desenrascanso do ano passado e continuaria a haver desigualdades", e "não há dinheiro para pagar aos pais que fiquem com os filhos em casa".

Por isso, bora lá mandar as crianças para a escola, onde até têm aulas com portas e janelas abertas, com o frio que está como há muito não se via no país e que pode agravar os sintomas de eventuais infectados, ou provocar outras doenças tão ou mais graves que a Covid-19.

Bora lá mandar as crianças apanhar transportes, onde até nem se juntam os alunos nas paragens.

Ou então, vão os pais levá-los, quebrando o confinamento para esse efeito.

Ah e tal, os jovens mesmo infectados apresentam sintomas leves. Certo. Mas transmitem. E se apanharem, vão transmitir aos pais, que estão em confinamento. Os que estão. Porque se forem filhos de pais que não são abrangidos pelo confinamento, lá vão os pais para o trabalho ajudar a transmitir por mais umas quantas pessoas.

 

Fechar as escolas não é um cenário de sonho, e definitivamente não é a melhor forma de ensino.

Mas, então, que tal testar os jovens, auxiliares e professores antes do início das aulas?

Que tal testar periodicamente para tentar contar as cadeias que aí surgem?

Primeiro, se um aluno estivesse infectado, ia a turma toda para casa. Depois, já não. Ia só o infectado. Agora, parece que já vai tudo outra vez.

 

E as eleições?!

Nem pensar em adiá-las!

Nesse dia há liberdade para todos. Para votar, claro!

E aproveitar para rever os familiares e amigos, e trocar dois dedos de conversa com conhecidos.

Por conta das eleições, até os idosos nos lares terão direito a visitas. Não dos familiares, que não vêem há meses, mas de equipas especialmente enviadas para recolher os votos.

 

Mas atenção, os portugueses também são responsáveis.

Porque não se faz pão sem farinha, nem omeleta sem ovos e, por muito que tudo o resto funcione, de nada adiantará se continuarmos a achar que só acontece aos outros, que é tudo uma invenção, e não cumprirmos com regras e medidas básicas, que não deveria ser preciso nenhum governo impôr.

 

Avizinham-se tempos duros pela frente...

Para quem achava que 2021 não poderia ser pior que 2020, começamos com "dois pés esquerdos".

 

Imagem: radiovaledominho

 

 

2021 será um ano de "reconstrução" e não tanto de "salvação"

naom_5a2803fa695ae.jpg

 

Sabem quando uma tempestade ou catástrofe ocorre e, depois de passar, nos deixa a braços com os destroços?

Pois a pandemia não é muito diferente.

Ouço muitas pessoas falarem do ano 2021 como o ano em que tudo será melhor, tudo será diferente, em que, quem sabe, nos vamos ver livres, da pandemia.

Eu não o vejo assim.

Se 2020 foi o ano em que ela passou por nós e nos atingiu com mais severidade, 2021, com ela ainda presente, será o ano em que vamos estar a avaliar os estragos, a lidar com os destroços por ela deixados, a ver o que é possível salvar e o que tem que ser construído de raiz, feito de novo.

2021 é o ano em que lidamos com as consequências, como a ainda maior desigualdade social, com o desemprego no caso dos que ficaram sem trabalho, com as dívidas daqueles que viram os seus rendimentos afectados com cortes e medidas extremas, com todas as outras doenças e problemas de saúde que ficaram "pendentes", provavelmente, com uma crise económica, e sabe-se lá que mais.

Tal como, após uma tempestade, as pessoas lidam com a falta de água e luz, com as dificuldades de acesso, com problemas de saúde pública, dela decorrentes.

 

E, muitas vezes, esse "pós tempestade" é tão ou mais duro que a tempestade em si e, sem dúvida, mais duradouro.

É preciso coragem. Resiliência. Determinação. 

E sim, esperança, também.

Mas, da mesma forma, a noção de que não haverá nenhuma varinha mágica ou feitiço, que nos devolva em meros dias ou meses, aquilo de tínhamos antes.

Covid-19: Outubro, e o retrocesso no combate à pandemia

Coronavirus-covid-19-4-1024x576.jpg

 

A 18 de Março de 2020 foi decretado “estado de emergência” em Portugal. Nessa fase, início dos efeitos da pandemia no nosso país, o número de novos casos por dia era baixo – 194.

Desde então, o máximo de novos casos atingido foi em Abril (1516), valor só ultrapassado agora no mês de Outubro.

 

De uma forma geral, Outubro marca pelo aumento de novos casos, aumento dos internamentos, um aumento de óbitos por comparação com meses imediatamente anteriores.

Seis meses depois, encontramo-nos em “situação de calamidade”, por onde já andámos há uns meses atrás.

Iremos assistir a um retrocesso, a todos os “estados” ou “situações” em que já estivemos, mas no sentido inverso?

 

É consensual que não suportaríamos um novo confinamento, com as consequências que o mesmo acarreta, e que já antes, apesar dos apoios, causaram danos em muitas famílias.

Por isso, há que encarar a pandemia de frente.

 

Como já tenho dito, acredito que, mais cedo ou mais tarde, todos nós seremos contagiados, e lidaremos com o vírus.

A minha dúvida, no meio disto tudo, é se o vírus perdeu força, se se manifesta de forma menos grave, e se causa menos mortes, à medida que o tempo avança, ou se, entretanto, quem de direito está mais perto de conhecer o vírus, e lidar com ele, do que no início da pandemia, garantindo que, aconteça o que acontecer, nada será como teria sido nessa altura, se não houvesse confinamento.

Ou, pelo contrário, sabe-se tão pouco como no início, e qualquer cenário ou desfecho é uma incógnita.

 

É que, se virmos bem, logo no início (março), o governo quase nos colocou numa redoma, num bunker de onde poucos podiam sair, ou onde poucos podiam entrar. Ele foi estado de emergência, confinamento, uma mão cheia de medidas, para conter e dispersar o avanço da pandemia que, como vimos, resultou na altura. E, por isso, lentamente, foi-se abrindo uma porta, uma janela, até quase escancararmos a casa toda.

 

Agora, dizem que é impensável voltar ao bunker. Temos que fazer a vida normal. E se formos contagiados, paciência. Portanto, tudo aquilo que tentaram evitar, até ao verão, pode vir agora a dobrar, ou triplicar, pondo em causa todo o esforço, todas as dificuldades, todas as consequências sofridas.

De que serviram, então, os meses de clausura? Terão valido a pena? Ou terão sido em vão?

Fizeram sentido?

 

A pessoa que perdeu parte do rendimento, a que perdeu o seu negócio, a que perdeu o seu trabalho, a que quase perdeu a sua sanidade mental, a que perdeu em grande parte, a sua liberdade, para se proteger, pode agora vir a ser infectada, com o mesmo vírus do qual andou a fugir durante meses a fio.

Os alunos e professores, que durante meses tiveram que ir para casa, e se adaptar a uma nova forma de aprendizagem/ ensino, podem agora vir a ser infectados, porque fechar as escolas novamente está fora de questão.

 

O Serviço Nacional de Saúde, e os hospitais, que na altura não se queriam entupir e asfixiar, com um elevado número de casos, podem ver esse receio concretizado agora, em que, ao regresso à normalidade, se junta a época das constipações e gripes que, por si só, já costumam encher os serviços. Sem contar com todas as outras doenças que também precisam de ser tratadas e não se podem mais ignorar, fingir que não existem, ou que fizeram uma pausa temporária para deixar “brilhar” a Covid-19.

Faz sentido?

 

Para o governo, a solução para combater neste momento, a propagação do vírus e o aumento de casos, está no uso da máscara e numa aplicação. Num regresso à situação de calamidade, baseada em multas, e receita para o governo. Um governo, ele próprio, muito duvidoso a cumprir as regras e medidas que quer impor aos outros, ao género “façam aquilo que eu digo, mas não aquilo que eu faço”, com muito pouca credibilidade, que muda o discurso consoante lhe apetece.

Faz sentido?

 

O que é certo, é que há formas de tentar prevenir e evitar, que dependem de nós, e que nem sempre cumprimos.

Há comportamentos que cabem a nós pôr em prática, e que ainda tendemos a descuidar.

Mas existem outras tantas condicionantes, factores e situações que nos transcendem, e que contribuem para a evolução, positiva ou negativa, da pandemia, sem que possamos fazer o que quer que seja.

 

Porque, se nos mandam para a frente de combate, sabemos que tanto podemos sair ilesos, como feridos ou mortos. Que, apesar das armas que temos, estas podem não ser suficientes, ou eficazes, e deixar-nos desprotegidos. Que, enquanto nos defendemos de um lado, podem atacar-nos pelo outro.

E, ainda que evitemos ao máximo estar na linha de fogo, podemos sempre levar com uma bala perdida.

 

Por isso, ou o governo nos coloca de volta no bunker, ou nos dá ferramentas melhores, e exequíveis, de defesa, ou nos deixa enfrentar o inimigo, com as armas que temos, limitando-se a esperar pelos sobreviventes.

 

Se virmos bem, ainda não estamos naquilo a que chamam “o novo normal”. Aí, só estaremos quando a guerra acabar, e começarmos a reconstruir aquilo que sobrou, com aqueles que ficaram.

Mafrense: de que adianta ter um passe, se não há transporte?!

maxresdefault.jpg

 

Cerca de ano e meio depois de ter sido implementada a medida dos passes sociais, que provou ser uma excelente poupança ao final de cada mês, eis que a oferta de transportes, aqui na zona, está a piorar de dia para dia, ao ponto de deixar as pessoas nas paragens, à espera do próximo, ou a ter que usar o seu próprio veículo.

 

Passes sociais baratos, implicam mais passageiros a querer usufruir desses transportes.

No entanto, a frota de autocarros não aumentou. 

Lá uma vez por outra, vinha um segundo autocarro, em alguns horários, para fazer o "desdobramento".

 

A pandemia, por outro lado, veio limitar o número de passageiros, o que significa que estes não podem ter o autocarro cheio, como antigamente.

Como tal, a partir do momento em que o autocarro atinge a lotação permitida (e aqui depende muito do motorista que o leva, porque há uns que deixam entrar e outros não), quem estiver à espera, terá de continuar na paragem à espera.

Com a diferença de que não há "desdobramento". Não vem nenhum outro autocarro levar as pessoas que ficaram "penduradas" na paragem. E tão pouco haverá outro autocarro num curto espaço de tempo.

Normalmente, vêm de hora a hora.

 

Quem trabalha, e está a contar com o autocarro para de deslocar para o trabalho, vê-se impossibilitado de chegar a horas, sempre que não tiver lugar no autocarro que deveria apanhar. É impensável.

A alternativa será, para quem tem carro e pode, levá-lo e, com isso, gastar dinheiro em gasolina.

Ora, então, de que serve pagar um passe, se não há transporte?

De que serve poupar no passe, se depois, pra além do passe, tem que gastar em gasolina?

 

Enquanto a Mafrense não resolver estas situações (e outras como as do transbordo e ligação entre autocarros, em que muitas vezes os motoristas nem esperam), vai continuar a levar com reclamações constantes mas, no fundo, quem se lixa é quem precisa dos transportes e do dinheiro e, à falta dos primeiros, vê-se obrigado a gastar duplamente, o segundo.

Chegou Setembro

Setembro – O mês do regresso! – MaisOpinião

 

Chegou, num ápice, um daqueles meses que mais divide as pessoas: as que o adoram, e as que o detestam.

Chegou Setembro.

E, com ele, uma infinidade de dúvidas. De incertezas. De "ses".

 

Com a chegada de Setembro, chega também o outono.

O regresso ao trabalho da maioria de nós.

O regresso às aulas para os estudantes.

 

E tudo isso em cenário de pandemia, que está longe de nos deixar, e ameaça até voltar a trocar-nos as voltas.

Num país que não me parece disposto a recuar, face a um possível aumento de casos, parece-me que a solução será aprender a conviver com esse aumento, tentar fintar o vírus para que não nos bata à porta e esperar que a situação não descambe.

 

Há quem veja este mês como um recomeço.

Não me parece que vá ser um bom recomeço. Nem prevejo que as coisas se tornem mais fáceis daqui em diante.

Se, noutros anos, setembro já não me agradava, este ano, ainda menos me inspira.