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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A pandemia entorpeceu as pessoas

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Dizem que a pandemia veio alertar as pessoas para terem mais calma.

Para desacelerarem. Para moderarem o ritmo.

Mas isso não deveria ser levado tão à letra.

 

Sinto, de uma forma geral, que a pandemia entorpeceu as pessoas.

Que lhes limitou as suas capacidades.

Que lhes roubou energia e vivacidade.

Que as "drogou" com inércia e apatia.

Que lhes prendeu os movimentos.

Que lhes toldou o cérebro, os pensamentos e as acções.

Que as tornou mais desligadas, desconectadas.

 

Ou, então, serviu de desculpa para fazer o mínimo, sem ser penalizado por isso.

Para pôr em prática medidas que lhes facilitam a vida, mas complicam a de todos os outros.

 

Se é verdade que há serviços que se tornaram mais rápidos, eficazes e descomplicados, com outros, aconteceu o oposto.

Em muitos deles, o facto de não terem o espaço interior ocupado pelos clientes, que esperam na rua, foi suficiente para lhes aliviar a "pressão", e fazer o atendimento de cada um, com mais tempo, sem pressas, e com direito a pausas entre o cliente que sai, e o outro que está à espera para entrar.

E como lá fora não se ouve e, muitas vezes, não se vê que número está a ser chamado, pode ser que muitos percam a vez, e desistam de estar na fila.

 

Noutros, a pressão foi diminuída através dos atendimentos por marcação. Agora, atendem quem querem, quando querem (claro que não é bem assim mas...), sem terem junto a si as várias pessoas em espera que costumavam ocupar a sala.

 

E depois, há serviços onde as limitações impostas ao atendimento presencial, que nem colmatado pelas máquinas pode ser, porque também as retiraram, levam a um acumular de pessoas à espera, e tempo perdido, em coisas que, por norma, seriam tão simples.

 

Estranhos tempos estes que, num mesmo contexto, levam a formas tão distintas de agir, e de estar na vida...

 

Relatos da quarentena, de Gabe Brandão

Relatos da Quarentena

 

A quarentena forçada pela Covid 19, descrita por um jovem de 18 anos, residente no outro lado do Atlântico, num relato que mostra que, no fundo, apesar de estarmos em pontos diferentes, esta foi vivida, em muitos aspectos, da mesma forma, e gerando sentimentos muito semelhantes.

 

Acredito que a quarentena foi encarada, tal como acontece com algo que é novo e não nos importamos de experimentar, como uma situação que até poderia ser benéfica, uma pausa na correria do dia a dia, uma chamada de atenção para darmos mais importância à família, ao nosso corpo, ao descanso, aos pequenos momentos, e para valorizarmos mais aquilo que temos por, nesse período, muito nos ser vetado.

 

No caso deste jovem, e como terá, certamente, acontecido em muitas casas, a convivência obrigatória entre os vários membros da família, e algumas com membros extra que por ali montaram a tenda, com diferentes funções, a convivência, em vez de se tornar um momento de união familiar, transformou-se num caos, que viram ser arrastado no tempo.

As coisas mais pequenas ganham proporções gigantes. Os nervos vão-se acumulando, gera-se um outro tipo de stress, tudo aquilo que sentimos de menos bom é ampliado e, a qualquer momento, as pessoas podem explodir.

Veio ao de cima o melhor, e o pior das pessoas. A generosidade, mas também o egoísmo. O bom senso, mas também o falso moralismo.

 

Por outro lado, o facto de ficarmos isolados, enclausurados, limitados na convivência com os demais, e nos movimentos e momentos de lazer, que nos distraíam a mente e serviam de escape aos "monstros" que, volta e meia, nos assombram, fá-los ganhar mais força, e faz-nos ter que encará-los de novo, sem hipótese de fuga.

Assim, aquilo que no início até era bom, e fazia falta, porque o julgávamos temporário, acaba por se tornar indesejável, mau, saturante, quando prolongado por tempo indeterminado, sem fim à vista, e só queremos voltar à "normalidade".

Aquilo que víamos como entusiasmante, único, histórico, um transformar da ficção em realidade, como se estivéssemos dentro do filme e fossemos as personagens, torna-se um pesadelo do qual só queremos acordar o mais rapidamente possível, e esquecer que o tivémos.

Queremos a nossa vida de volta. As nossas rotinas.

Até a solidão, tantas vezes desejada quando no dia a dia nos vemos rodeados de gente, se torna difícil de suportar, e só queremos ver gente de novo.

Quando, antes, arranjávamos desculpas para ficar em casa, com a pandemia, passaram-se a arranjar desculpas para sair de casa.

Pessoas inactivas começaram a correr e caminhar. Os cães nunca foram tantas vezes passeados. Nunca precisámos de fazer tantas compras na vida!

 

Ainda assim, ficou tanto por viver.

Tantas pessoas por ver.

Tantos acontecimentos por experienciar.

Tantas despedidas por fazer.

 

Depois, pouco a pouco, começou o desconfinamento.

Vieram uma infinidade de regras, de regulamentos, de restrições, de limitações, mas que nos permitiam, aprendido o básico e tentando não esquecer ou confundir algumas delas, regressar a uma nova normalidade.

Reviram-se familiares, amigos, conhecidos.

Reabriram o comércio e os serviços.

Ainda que a medo, voltámos aos beijos e abraços.

Às celebrações contidas. Às reuniões antes evitadas.

Voltámos ao trabalho. Às idas ao restaurante. Ao cafezinho ou cerveja na esplanada.

As férias, e as viagens.

Reatámos relações em suspenso.

 

Havia esperança, e expectativas para o novo ano que em breve chegaria.

Mal sabia Gabe que, após escrever estes relatos, tudo se voltaria a repetir, em 2021.

Cada pessoa encarou esta realidade da pandemia de forma distinta.

"Relatos da quarentena" foi o resultado da vivência de Gabe Brandão, compilada em episódios que misturam ficção e realidade, sempre com uma pitada de humor.

 

Sinopse

A realidade e a ficção se confundem em 2020. Quem poderia imaginar que aquele ano seria tão caótico? Ninguém. Nunca a humanidade usou tanto álcool em gel, ficou tanto em casa e sofreu tanto de tédio quanto neste ano. O que passa na cabeça de um jovem confinado? Lembranças, frustrações, devaneios e opiniões. Gabe Brandão apresenta, entre vivências, opiniões e sarcasmos, tudo de forma bem humorada, o que a sociedade viveu naquele ano.

 

Autor: Gabe Brandão

Data de publicação: Dezembro de 2020

Número de páginas: 260

ISBN: 978-989-52-9081-9

Colecção: Palavras Soltas

Idioma: Português/BR

 

 

Retrato antagónico de uma sociedade pandémica

(em alguns casos exagerado, mas nem por isso menos real)

Sociedade: o que é, tipos, sociedade X comunidade - Brasil Escola

 

Antes: Vai tudo correr bem.

Agora: Nada vai ficar bem.

 

Antes: Finalmente vou poder ficar em casa.

Agora: Estou farto(a) de estar em casa.

 

Antes: Finalmente vou alimentar-me mais saudavelmente com refeições caseiras.

Agora: Engordei na quarentena à custa de tanto fazer e comer bolos!

 

Antes: Vai ser tão bom estar sozinho(a).

Agora: Estou farto(a) de estar sozinho(a).

 

Antes: Agora temos desculpa para para não ver quem não queremos.

Agora: Só queremos ver gente!

 

Antes: Vai tu passear o cão que estou cansado(a)

Agora: Deixa-te estar, que eu levo o cão à rua!

 

Antes: Detesto fazer exercício físico. 

Agora: Acho que vou correr, ou fazer uma caminhada.

 

Antes: Vou ter mais tempo.

Agora: Tenho ainda menos tempo.

 

Antes: Vou poder descansar mais.

Agora: Estou de rastos.

 

Antes: É tão bom estarmos todos juntos em casa.

Agora: Já não nos aguentamos uns aos outros!

 

Antes: Não preciso de comprar nada.

Agora: Preciso de comprar isto, e aquilo...

 

Antes: Teletrabalho é o melhor que há.

Agora: Deixem-me voltar ao trabalho presencial!

 

Antes: O ser humano vai-se tornar melhor.

Agora: O ser humano ficou ainda pior.

 

Antes: A poluição reduziu e a natureza sai a ganhar.

Agora: É só máscaras e luvas no chão.

 

Antes: Ai, estou com uma dorzinha, é melhor ir ao médico.

Agora: Estou cheio(a) de dores, mas aguento-me. Não convém ir ao médico.

 

Antes: Devíamos confinar.

Agora: Já está na hora de desconfinar.

 

Antes: Não quero levar vacina nenhuma.

Agora: Quando é que chega a minha vez de ser vacinado(a)?

Aprovação da eutanásia em plena pandemia é contraditório? Não!

Parlamento aprova Lei da Eutanásia - Mais Guimarães

 

A eutanásia foi hoje aprovada no parlamento.

Em plena pandemia.

E logo inúmeras vozes contestaram que era um absurdo. 

Que, na situação em que estamos, com a quantidade de pessoas que morrem todos os dias, devíamos lutar pela vida, e não por ainda mais mortes.

Que andamos todos a apregoar aos quatro ventos que queremos salvar os velhinhos, mas depois aprovamos uma lei que os "condena" à morte.

 

Acho que estão a confundir um pouco as águas.

Como se costuma dizer, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa!

Cada um é livre de ser a favor ou contra a eutanásia.

Mas, sendo contra, utilizem-se argumentos válidos. Aqueles a que já se recorria antes da pandemia. Sem necessidade de, numa derradeira tentativa de boicotar a aprovação, se servirem dela para apoiar e suportar as opiniões.

 

Na pandemia, ninguém tem a possibilidade de escolher se quer viver ou morrer, morre quem não resiste ao vírus. Se calhar, se pudessem escolher, a maioria viveria...

Na eutanásia, só morre aquele que assim o desejar, e se as cisrcunstâncias permitirem tornar válido esse desejo. 

Na pandemia, morrem todos, independentemente de terem terem problemas de saúde ou serem pessoas saudáveis.

Na eutanásia, estamos a falar de um grupo muito restrito de pessoas, muitas apenas à espera da morte,  para as quais já não existe tratamento, que estão a sofrer sem que existam condições que apaziguem esse sofrimento, para as quais já não faz sentido a vida.

"A lei prevê, nomeadamente, que só podem pedir a morte medicamente assistida, através de um médico, pessoas maiores de 18 anos, sem problemas ou doenças mentais, em situação de sofrimento e com doença incurável."

No fundo, na pandemia, a morte não depende de nós.

Com a eutanásia, sim.

 

Sim, é importante proteger todos, inclusive os idosos, desta pandemia, porque nem todos querem morrer.

E sim, é igualmente importante que, aqueles que assim o queiram, possam ter essa possibilidade de escolha e decisão sobre algo que só a si diz respeito, e que não prejudica mais ninguém.

 

 

Imagem: maisguimaraes

 

Estreou a 4ª temporada de The Good Doctor

e os dois primeiros episódios foram dedicados à Covid-19

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Sim, ando alguns meses atrasada!

A verdade é que a 4ª temporada da série The Good Doctor já estreou em Novembro, no AXN.

Mas só este fim de semana, e por mero acaso, enquanto me preparava para ver uma outra série (também ela descoberta com atraso), é que me apercebi que já tinha cerca de 8 episódios desta nova temporada gravados! 

 

E não poderia ter começado da melhor forma, com os dois primeiros episódios a abordar a pandemia que vivemos na vida real - a Covid-19.

Sim, já estamos fartos da pandemia. A nossa vida já está toda virada do avesso por conta dela. Já temos o suficiente, para ainda termos que levar com ela na ficção.

Mas, talvez através da ficção, algumas pessoas tomem outra consciência do que a pandemia provoca, não só a quem está deste lado, mas também através dos médicos e enfermeiros que estão do lado de lá.

 

Esta foi a primeira produção de ficção que vejo a abordar o tema. Não sei se já existem outras.

Na série, a pandemia parece ultrapassada (ou pelo menos controlada), ao fim de menos de 20 semanas.  Infelizmente, a realidade é muito diferente, e já devemos ter passado as 52 semanas, sem previsões de melhorias.

Apesar das várias medidas implementadas naquele hospital, pareceu-me que, ainda assim, andava tudo ainda relativamente descontraído, até mesmo em questões simples como o uso da máscara que, em vários momentos, tiravam para falar com os familiares dos doentes. Não me parece que a realidade seja assim.

 

Foram apenas dois episódios. Que bastaram para passar a mensagem, e deixar o apoio e apelo ao respeito por todos os profissionais de saúde, e outros que se mantêm a zelar para que os restantes possam ficar protegidos.

Vemos a facilidade com que um simples gesto, do dia a dia, pode contribuir para disseminar o vírus. O desconhecimento sobre a doença, ao início, e a facilidade com que se fazem falsos diagnósticos e triagem, podendo colocar outras pessoas em perigo.

Vemos o receio, a impotência. O stress pela distância dos que amamos, para sua protecção. O stress pela proximidade forçada a que as pessoas não estavam habituadas, e os estragos que podem fazer nas relações.

Vemos pacientes ligados a ventiladores. Quase sempre, precedidos da morte. A despedida das famílias por telemóvel.

Pessoas que, aliadas à Covid-19, têm outras doenças que complicam todo o quadro, e a recuperação.

Mas também vemos doentes que recuperam, que se salvam, que saem do hospital, sob aplausos que celebram a vitória sobre o vírus.

Vemos esperança!

 

A série questiona "How do you heal a world turned upside down?", ou seja, como curamos um mundo virado do avesso?

Fazendo a nossa parte. E deixando os outros fazerem a sua parte. Penso que ainda estamos a aprender, a cada dia, como fazê-lo. 

E, tal como um médico não desiste de tentar tudo o que for possível para curar um paciente, ainda que o resultado, no fim, seja a sua morte, também nós não podemos desistir de tentar "curar" este nosso mundo, que neste momento está de pernas para o ar, a piorar em vez de melhorar, mas que sem a nossa luta, provavelmente, nunca se restabelecerá.

 

Voltando à série, e ultrapassando a pandemia, vamos continuar a ter tudo aquilo a que mesma já nos habitou: ultrapassar o passado, lidar com o presente, manter a pensamento positivo, e fazer a vida valer a pena.

Com decisões difíceis de tomar, novos membros na equipa para ajudar, e para ser ajudados, e as mesmas "disputas" de sempre entre os mais antigos.

Com inseguranças, com aceitação, com escolhas.

 

E, para quem, como eu, ficou chateada com a morte de Neil Melendez, ele vai aparecer no início desta temporada, em modo "fantasma", para uma despedida a sério, de todos nós, e de Claire!