Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando um livro desvenda o mistério nas primeiras páginas

house-of-warfare-livro-de-couro-com-chave.jpg

 

 

Já aqui confessei que sou muito curiosa e batoteira e, muitas vezes, espreito o final dos livros para saber como acabam as histórias, sem que isso me faça pô-lo de parte e deixar de o ler, por já saber de antemão como vai terminar.

Pelo contrário, na maioria das vezes aguça-me o apetite para ler tudo e perceber como chegou àquele culminar. Até porque, já me aconteceu, ao não seguir a história, não perceber muito bem, ou interpretar de forma errada as últimas cenas, e só na leitura que faço em seguida, encontro o sentido.  

 

 

Mas, e quando um livro desvenda, ele próprio, o mistério nas primeiras páginas?

 

 

Será que nos leva a perder o interesse na história?

Aconteceu-me com a minha última leitura e, confesso, coloquei de parte o livro por alguns dias, porque já sabia o segredo, e já tinha percebido onde a história iria chegar.

Ainda assim, retomei a leitura uns dias depois, e terminei-a com nota positiva. Claro que o principal já se sabia e, logo aí, não houve grande volta a dar, nem grandes surpresas, mas não dei por desperdiçado o tempo que lhe dediquei, ou o dinheiro que gastei, como pensei logo no início.

 

 

E por aí, já vos aconteceu?

Quando assim é, continuam a ler,  ou colocam de parte e passam ao próximo?

Como perder ou ganhar um cliente num minuto

Image

(O Lapa - Imagem Pedro Almeida)

 

 

Ontem fomos dar um passeio aqui pela zona, e parámos na praia de S. Julião.

Fomos até ao café que ali há. Não tinham serviço de mesa, pelo que fomos ao balcão, onde um rapaz nos deu a ementa para vermos o que tinham. Entretanto, foi uma mulher que nos atendeu e recebeu o pedido. O meu marido pediu uma tosta, um sumo e um café.

Depois de avisar alguém na cozinha para fazer a tosta, coloca o sumo e o café no tabuleiro.

O meu marido diz que o café era só para beber depois.

 

A mulher, do alto da sua arrogância, pergunta: "Disse-me alguma coisa?"

Responde o meu marido: "Tem razão. Peço desculpa. Também não lhe disse nada. Podia ter dito." 

E ela continua: Se não me disse nada, como quer que eu adivinhe."

O meu marido: Pois. Mas é que o café era mesmo para depois da tosta."

A mulher: "Então e eu adivinho?!

O meu marido: "Pensei que deduzisse que primeiro comia a tosra, e só depois bebia o café."

A mulher, a gozar connosco: "Então, mas quer que guarde aqui o café?"

O meu marido, já passado: "Olhe, deixe estar. Já não quero nada!" 

 

E saímos de lá para fora.

A senhora não queria perder o dinheiro do café, nem servir outro depois. Acabou por perdê-lo na mesma, e perdeu o resto do dinheiro que ainda poderia fazer!

É assim que se perde um cliente, num minuto.

 

 

Continuámos caminho, e parámos num outro café - O Lapa - que por ali havia. Não tinham caracóis.

O senhor, muito simpático, indicou-nos um outro café, mais à frente, que servia, e explicou-nos como lá chegar. Também nos deu indicações sobre onde ficava o lago dos patos que andávamos à procura.

Agradecemos e saímos. Comentei com o meu marido a diferença entre um atendimento e outro, e que o senhor não tinha obrigação nenhuma de nos ter dito nada, sabendo que ia perder dinheiro para outro. 

O meu marido decidiu voltar atrás, esquecer os caracóis, e comer um belo prego no pão, muito bem servido!

E, assim, com simpatia, e sem ganância, se ganha um cliente num minuto!

 

O "não" está sempre garantido!

eb85ee749a01c0e372b7629759898966.jpg

 

Se não lutarmos por aquilo que queremos, quem o fará?

Sempre fui mulher para ficar quieta no meu canto, e não me aventurar em certas coisas porque o mais provável era não resultar, o mais certo era ouvir um "não" como resposta.

Mas, de há uns tempos para cá, tenho agido de forma diferente. 

É verdade que o "não" está sempre garantido. Mas também pode vir um talvez ou, quem sabe, um sim. E nunca saberemos se isso acontecerá se não arriscarmos, se não tentarmos. Quem não arrisca, não petisca!

Afinal, o que temos a perder? Nada.

Mas podemos vir a ganhar!

 

Sim, por vezes (muitas vezes) é mesmo o tão esperado "não" que chega, isto quando chega alguma coisa. E sim, desanimo. Queria que tivesse dado certo. Não consegui. E dá vontade de voltar a ficar quietinha e não perder tempo com mais nada.

Mas a vida é mesmo assim. Ouvimos muitos "nãos", e ainda havemos de ouvir muitos mais.

Passado o desânimo, está na hora de levantar novamente os braços e continuar a lutar pelos objectivos. 

Se der, melhor. Se não der, paciência!

 

 

 

A magia por detrás de um presente...

...que se perdeu no tempo.

 

 

Hoje senti...

Senti aquele cheirinho, do qual quase não me lembrava. Aquele cheiro a papel de embrulho, que há mais de 20 anos utilizavam para embrulhar os presentes.

Não um papel qualquer, que se pode cortar e levar para casa, retirado do hipermercado, nem tão pouco aqueles rolos que hoje encontramos em qualquer superfície comercial. Não aquele papel fraquinho, que se rasga ao mínimo descuido, mas um grosso e resistente, que se tentava poupar ao máximo.

Veio-me à memória as vezes em que eu ia, com a minha mãe, à mercearia da vila, e a dona da loja embrulhava uma prenda que tivessemos comprado, com um papel cheio de bonecos, se fosse para criança, ou com outro mais sóbrio, se fosse para adulto. Tinha o mesmo cheiro que senti hoje!

Até mesmo os laços eram mais bonitos, elaborados com mais dedicação, e não feitos à pressão e sem qualquer pingo de originalidade.

Resultado de imagem para presente

 

Antigamente, havia toda uma magia por detrás de um presente.

Desde o momento em que o recebíamos, até descobrirmos o que ele escondia. Tentávamos desembrulhar com o máximo cuidado, para não rasgar o papel, que depois guardávamos como se de um tesouro se tratasse.

Cada presente era um mistério que ansiávamos desvendar. Lembro-me bem, por exemplo, de ver os presentes de Natal debaixo da árvore, e tentar adivinhar o que estaria lá dentro. Seria algo que tinha pedido? Que eu iria gostar? Ou seria uma decepção? E, quantas vezes, não íamos tentar espreitar, às escondidas dos pais, o que lá estava, tentando abrir com cuidado numa das pontas, e voltar a colocar a fita-cola no sítio, para ninguém perceber o que tínhamos feito.

Passado o Natal, só voltávamos a ver presentes por ocasião do aniversário, o que constituía outro momento mágico e solene!

 

 

Hoje em dia, oferecemos e recebemos presentes em qualquer altura do ano. Muitas vezes, os mesmos são comprados por obrigação, só porque é suposto. São comprados à pressa, sem nos preocuparmos sequer se é algo que irão gostar, ou que dará jeito. São uma forma de exibição do dinheiro e poder que se tem.

Hoje em dia, na maior parte das vezes, já sabemos o que nos vão oferecer, e aqueles a quem oferecemos já sabem o que vão receber. Os nossos filhos são os primeiros a pedir isto e aquilo. Muitas vezes, recebem antes do tempo.

Hoje em dia, por ser mais prático, compramos saquinhos para colocar as prendas dentro, aproveitamos um qualquer papel que temos lá por casa, ou utilizamos os ditos rolos, comprados para ter em casa, para quando der jeito. 

Os presenteados já não dão importância ao simples acto de dar ou receber um presente, e tudo o que ele envolve. Toda essa magia se perdeu...  

  • Blogs Portugal

  • BP