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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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La Reina del Flow

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Foi através do P.P. que soube da existência desta série da Netflix e, com base naquilo que li, fiquei curiosa!

Depois de ter ficado totalmente viciada em ZOO, que já acabei de ver, é com surpresa que me vejo agora presa a La Reina del Flow, uma das séries mais vistas na Colombia nos últimos 5 anos, e que promete uma sequela para a história de Yeimi.

 

Os ingredientes para esta receita de sucesso são vários:

 

 

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A música

Dá o mote para a história, e está presente em toda a série. Cada um dos temas, ao estilo reggaeton, faz-nos querer cantar e dançar, e é fácil ficarmos com a letra na cabeça.

Das mais mexidas às mais calmas, conseguiram ter aqui uma excelente selecção musical.

Há concertos de veteranos, e batalhas de MC's para novos talentos.

Destaque ainda para personagens reais, como a de Sebastian Yatra, um cantor e compositor colombiano, que irá interpretar-se a si próprio.

E para o papel da música na vida das pessoas, sobretudo nestes bairros pobres e onde é fácil enveredar por caminhos perigosos e destruir a vida.

 

 

 

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As drogas

A Colombia é um dos maiores produtores e exportadores de droga.

Aqui na série, o negócio é gerido por Manín, tio de Charly, que também se dedica a cobrar aos residentes de Medellín uma espécie de pagamento para protecção, que mais não é que uma forma de lhes arrancar dinheiro sob ameaça disfarçada.

Mas será pelas drogas que Yeimi verá toda a sua vida virar do avesso, envolvida numa cilada que lhe armaram, presa por tráfico, identificada como uma das muitas "mulas" que transportam drogas para o peixe graúdo e, mais tarde, como agente infiltrada para tentar chegar a ele, e ajudar a capturá-lo.

As consequências das drogas serão também mostradas através de Vanesa, filha de Charly.

 

 

 

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Corrupção

Num mundo onde o dinheiro compra tudo, os criminosos continuam impunes, as vítimas sem justiça, e os crimes arquivados e esquecidos.

 

 

 

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Vingança

Uma boa história de vingança cativa qualquer um. Sobretudo quando o ódio em que assenta essa vingança, teve origem num grande amor e ilusão.

Mas não só. A vingança de Yeimi acaba por se estender à morte dos seus pais, da sua avó, e do seu filho, bem como à da sua melhor amiga e companheira da prisão.

 

 

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Pobreza e Insegurança

Medellín possui bairros pobres, em que o perigo espreita a cada esquina, seja assaltos, drogas, assassinatos.

No núcleo de Juancho, é bem visível o esforço que ele faz para que nada falte aos seus irmãos mais novos, depois do abandono da mãe, e a forma como luta para que ninguém os tire de si cedendo, por vezes, a chantagem ou a ações menos correctas para ganhar dinheiro para os criar.

No entanto, é também a prova de que, com vontade,  é possível mudar e sair dessa vida.

Por outro lado, nem todos os que vivem nesses bairros são bandidos, delinquentes, drogados. Há por lá muita gente honesta, solidária, muitos jovens atinados, e muitas formas de escapar à dura realidade, sem se perderem.

 

 

 

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Triângulos amorosos

Quando jovens, Juancho gosta de Yeimi, que só tem olhos para Charly, que gosta de todas e não gosta de nenhuma. Na verdade, ele só quer saber dele próprio, e de vencer no mundo da música e, como não tem talento como compositor, vai servir-se de Yeimi para atingir os seus fins.

Já adultos, Charly está casado com Gema, mas continua a envolver-se com todas as mulheres que pode, inclusive com Tammy, que ele nem desconfia que, na verdade, é Yeimi.

Catalina, melhor amiga de Yeimi, acaba por se apaixonar por Juancho, que continua a amar a Yeimi, enquanto esta é também disputada por Jack del Castillo.

 

 

 

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Transformação

A típica transformação da menina ingénua e inocente, na mulher poderosa e guerreira. De menina que só conhecia o seu bairro de Medellín e pouco mais, que viveu 17 anos numa prisão e pouco mais conhece além dessa realidade, para a mulher culta, empreendedora e com facilidade em movimentar-se em meios diferentes, junto com os tubarões.

 

 

 

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A efemeridade da fama

Pela mão de Charly Flow, que depois de uma subida vertiginosa e de tudo o que alcançou através da música, à custa de Yeimi, começa a ver o seu mundo descambar, quando a sua falta de talento e, sobretudo, de escrúpulos vêm à tona.

Um artista pode, hoje, ser adorado mas, amanhã, odiado na mesma medida.

 

 

 

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Os laços de sangue

Charly só ama duas pessoas, talvez três, na sua vida. A sua mãe, a sua filha, e a si próprio. E se a sua mãe ainda poderá ficar ao lado dele, apesar de tudo, já a sua filha será a principal pessoa a mostrar-lhe o que é perder o amor de alguém. Acabará Charly Flow sozinho?

Por outro lado, é inegável a empatia que desde logo se criou entre Yeimi e Erik, a afinidade, o mesmo gosto pela música, o mesmo talento para compôr, o mesmo à vontade com os habitantes do bairro e com o bairro em si, sem saberem que, na verdade, são mãe e filho.

 

 

 

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A libertação e o perdão

Por vezes estamos tão cegos pelo ódio, que arriscamos a não agir da melhor forma, a não ver com clareza, a não seguir em frente com a nossa vida e ficarmos eternamente presos nessa vingança.

Só há algo que nos pode impedir de continuar e cair no precipício, fazendo os outros cair, levando-nos com eles: libertando-nos desse sentimento, perdoando, e agarrando-nos ao que de valioso temos, que é mais importante que qualquer ódio ou vingança. 

 

 

 

 

A história:

Yeimi é uma talentosa compositora, que vive com os pais e a avó, e é apaixonada por Charly.

Charly é um músico sem talento que, junto com Juancho, quer vencer no mundo da música.

Os três juntam-se para formar uma banda, mas Yeimi viu e sabe coisas demais, e poderá dar problemas, por isso, Charly arranja forma de a tirar do caminho.

Ao chegar a Nova Iorque, Yeimi é apanhada com drogas na sua mala e, já na prisão, ameaçada por uma das reclusas para que não denuncie Charly, sob pena de lhe matarem a avó, acaba condenada a 17 anos de prisão.

Depois de dar à luz o seu filho com Charly, Yeimi entrega-o à avó para que cuide dele mas, mal chegam a casa, a avó é assassinada e o filho raptado. Yeimi fica convencida que o filho morreu junto com a avó, e passará o resto do tempo na prisão a pensar na vingança que fará quando sair.

Charly, entretanto, foi para Porto Rico e tornou-se um artista de sucesso. Casou com Gema e tem uma filha que adora.

Manín conseguiu convencer a mãe de Charly a casar-se consigo, e adoptaram o filho de Yeimi, sem Lígia saber a verdade.

Juancho, que sempre acreditou na inocência de Yeimi, continua apaixonado por ela, e a escrever-lhe cartas que ela nunca leu, até ao dia em que vê a notícia da sua morte na prisão, e decide seguir com a sua vida em frente, com Calatina, que era melhor amiga de Yeimi no passado.

No seu último dia na prisão, após um acordo com  a DEA, Yeimi quase morre envenenada, e a DEA aproveita para simular mesmo a sua morte, e fazê-la regressar como Tammy Andrade, para ajudar a capturar Manín.

Claro que Yeimi tem os seus próprios planos...

Que comece a vingança!

 

 

Lion - A Longa Estrada Para Casa

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Vi no fim de semana este filme,por insistência do meu marido, que já tinha visto uma parte e achou que o filme era bom.

Sei que, por ocasião dos Óscares de 2017, era um dos candidatos e reuniu várias críticas, algumas positivas, mas não me lembrava já do que se tinha falado ao certo sobre ele.

 

Na primeira parte do filme, foi possível constatar a miséria, a pobreza, as más condições em que vivia aquele povo, a forma como tinham que se desenrascar para sobreviver. Ainda assim, em família, o pouco que tinham era partilhado. Havia amor, havia união.

Quando Saroo é levado para Calcutá, voltamos a ver mais miséria, a forma como vivem os sem abrigo, muitas crianças nas ruas obrigadas a sobreviver a traficantes, pedófilos, e à própria polícia mas, ainda assim, na sua pobreza, solidários com aqueles que encontram em condições semelhantes.

Ali, todas aquelas crianças estavam em risco. E se, por cá, temos instituições e casas de acolhimento para estas crianças e jovens (ainda que algumas sejam pouco recomendáveis), duvidei que por ali houvesse algo do género.

No entanto, até havia! Mas o objectivo, por muito nobre que fosse tendo em conta o local e as condições, assemelhava-se mais a uma prisão, em que as crianças eram maltratadas e vítimas de abusos, pelo que acabamos por ficar na dúvida se teria sido preferível Saroo continuar nas ruas, ou ter sido levado para tal abrigo.

Destaco a assistente social que, ao contrário daquilo que poderíamos estar à espera - uma carrasca e sem coração - era a única pessoa decente, que viu que Saroo não poderia ficar ali muito tempo na instituição. Pena que as restantes crianças não tenham tido a mesma sorte.

E, assim, Saroo é adotado por uma família australiana, cheia de amor para lhe dar, e que acabou por ser a sua salvação. À semelhança do que fizeram com Saroo, adoptaram mais tarde outro menino indiano - Mantosh, mas este com marcas muito mais profundas, que lhe valeram o desenvolvimento de problemas mentais. E por aí percebemos que nem todas as adopções correm da melhor forma, e nem todas as crianças são iguais.

Mas estas duas adopções foram gestos de amor, de generosidade - abdicar de ter os próprios filhos, para dar uma vida melhor a crianças que mais precisam.

 

 

E saltamos agora para a segunda parte, em que ambos são adultos, para chegar a uma conclusão - embora seja dada a mesma oportunidade a duas pessoas diferentes, haverá sempre aquela que aproveita e tira partido dessa oportunidade, e aquela que a desperdiça e deita no lixo.

Haverá sempre aquela com quem se consegue trabalhar e levar a bom porto, e aquela que nenhuma ajuda poderá alterar o seu destino. E é, também, por isso, que nem sempre é gratificante e compensador trabalhar com crianças e jovens em risco. Porque no meio de muitas, poucas são as que fazem valer a pena todo o trabalho que se desenvolveu com elas.

Claro que haverá muito mais na história de Mantosh, para além do que nos é mostrado, e as coisas podem não ser assim tão lineares e tão "preto no branco". Mas isso ficará,quem sabe, para outro filme.

 

A determinada altura, Saroo começa a querer procurar a sua família verdadeira, e torna esse desejo uma obsessão. Não acho que ele esteja a ser ingrato para com os pais adotivos. Considero apenas que algumas das suas atitudes, erradas e parvas, são resultado de uma mente em extrema confusão, de um homem perdido entre o passado e o presente, sem conseguir encontrar o seu caminho.

Por vezes, até os filhos mais certinhos saem da casca e agem como perfeitos idiotas.

 

 

Achei o filme demasiado longo, com cenas que eram escusadas e que em nada contribuiram para valorizá-lo. Poderia ter sido dada outra dinânica a esta segunda parte em que Saroo tenta descobrir de onde veio, e se a sua família ainda estará viva. Houve também um pormenor que talvez me tenha escapado, ou delirei, mas fiquei com a sensação de que, no início do filme, eram quatro irmãos: Guddu, Saroo, Kallu e Shekila. No entanto, no final, quando se reencontram, não fazem referência a Kallu, como se nunca tivesse existido.

Embora tenha sido um filme que deu origem ao debate de alguns temas, lá por casa, e que o meu marido adorou, confesso que não é daqueles filmes que tenha vontade de ver uma segunda vez, ou me tenha tocado como outros o fizeram. 

 

 

Os Migrantes, os Refugiados, e nós!

 

 

“Devemos estar conscientes da distinção entre imigrantes económicos, que estão a tentar escapar da pobreza extrema, e refugiados, que fogem de bombas, armas químicas, perseguição, estupro e massacres, de uma ameaça imediata às suas vidas”, por Angelina Jolie. 

 

Não sei se, com esta afirmação, Angelina quis apenas distinguir duas realidades, ou alertar para a necessidade de dar prioridade à questão dos refugiados, em detrimento dos migrantes. No entanto, tanto uns como outros têm em comum o facto de partirem em busca de um país seguro, onde possam viver em melhores condições, e sonhar com um futuro pacífico e próspero.

Se é verdade que a guerra representa um perigo de vida mais imediato, também é verdade que a pobreza e determinadas condições de vida desumanas, a médio e longo prazo, também o são.

No entanto, em conversa com o meu marido há uns dias, discutíamos dois pontos de vista legítimos, não sobre qual destes grupos deve ser ajudado primeiramente, mas sim sobre os objectivos de ambos os grupos, e a sua entrada nos países para os quais empreenderam viagens perigosas, arriscando muitas vezes a própria vida. Mais concretamente, se devemos deixá-los, ou não, entrar, e o que isso vai implicar para o nosso país, e para nós.

É verdade que sempre houve emigração e imigração, tal como sempre houve aceitação de refugiados em Portugal e noutros países. Mas agora têm sido centenas de milhares de pessoas, vindas do Oriente Médio, África e Ásia, a fazê-lo todos os dias, e cada vez mais e em maior número.

Alguns países adoptaram políticas de proibição de entrada destes migrantes e refugiados, fazendo alterações à lei em vigor até agora. A polícia patrulha as fronteiras e não hesitam em recorrer a gás, e violência física, se necessário for. 

Dizia o meu marido que estes migrantes e refugiados fazem aquilo que qualquer um de nós faria se estivesse no lugar deles, e que estão no seu direito de fugir da guerra e da pobreza. Concordo. Mas os países procurados também estão no seu direito de não os querer receber, e tomar medida para tal, sob pena de se tornar uma situação incontrolável.

Sim, se eu estivesse no lugar de qualquer um deles também gostaria de ser recebida e ajudada. É isso que eles esperam de nós.

Mas, pergunto-me eu, como é que um país que ainda está a sofrer os efeitos da crise, tem condições de receber estas pessoas? Como é que um governo que aconselha o seu povo, principalmente os jovens que são o futuro do país, a emigrar para outros países, pode agora receber povos de outros países?

Que condições é que o nosso país tem para oferecer a esses refugiados e migrantes, quando não as tem para oferecer aos portugueses?

Se não há emprego para nós, haverá para outros? Se existem tanta gente em portugal a viver em condições desumanas, como é que pode oferecer diferentes condições a quem vem de fora?

Se não existe dinheiro para proporcionar saúde e educação gratuita às nossas crianças, para oferecer melhores reformas aos nossos idosos, onde irão buscá-lo para ajudar os milhares de refugiados que vamos receber?

É óbvio que, mais uma vez, vale a bondade e o esforço da população portuguesa que, mesmo não tendo muito, ainda assim está sempre pronta a ajudar o próximo, porque o governo, apesar de "obrigado" a receber estas pessoas, pouco fará, na prática, para os ajudar e integrar.

E mais, quem nos garante que, ao aceitarmos essas pessoas cá, não estaremos a piorar ainda mais a situação que vivemos actualmente? Quem nos garante que não nos estaremos a envolver, embora sem intenção, em guerras que não são nossas?

Não tenho nada contra os migrantes e refugiados. Como disse, no seu lugar faria o mesmo. Mas, tendo em conta todos os sacrifícios a que o governo nos obrigou a fazer, por causa da crise, é justo pensar também em nós, e nas implicações que isso nos trará. 

 

Ricos de Portugal (e não só), vamos lá ser solidários!

Uma pessoa necessitada bate à porta de uma família pobre. Uma família que trabalha de sol a sol mas que, ainda assim, não tem muito para dar. Que vive com o pouco que tem, conseguido pelo seu esforço e luta. Essa família, convida a pessoa necessitada a entrar e fá-la sentar à mesa, dividindo com ela o pouco que tem. Quer seja algo para comer ou matar a sede, um abrigo para passar a noite, uma roupa mais quente ou meia dúzia de moedas, essa família trata essa pessoa como igual, acolhe-a, é solidária dentro das suas possibilidades e ajuda o próximo. Agora, o que aconteceria se essa mesma pessoa batesse à porta de uma família abastada? Talvez chamassem os seguranças para a tirar dali. Ou talvez não. Talvez lhe dessem os restos da refeição, ou as mesmas moedas que lhe tinha dado a família pobre…

No que a determinados serviços diz respeito, aqueles com menos dinheiro, que a eles recorrem, tentam pagar como podem e, se não podem pagar em dinheiro, querem pagar muitas vezes em géneros. Os que podem pagar fazem-se, algumas vezes, esquecidos e só se lembram quando são, de alguma forma, advertidos para tal.

A maioria da população portuguesa não é propriamente rica. Na verdade, estamos cada vez mais pobres. Mas, sempre que se fazem campanhas, programas ou outro género de angariação de fundos para as mais variadas causas, estamos lá, e damos o nosso pequeno contributo. Nem que seja com uma simples chamada. O que fazem, nessas alturas, os milionários de Portugal?

Estes são apenas alguns exemplos e, como é óbvio, há excepções. Mas um estudo, realizado pela Universidade Católica e pelo Instituto Luso-Ilírio para o Desenvolvimento Humano, revela que os portugueses com mais habilitações e mais dinheiro são, de uma forma geral, os menos solidários. Que “os que mais têm materialmente, são os menos disponíveis para ajudar os outros ou lutar por uma causa nobre”. Quanto mais instrução têm, mais propensos são os jovens a ocupar lugares de liderança, a serem apenas activos e competentes. É essa a educação que lhes é transmitida. E, muitas vezes, acomodados ao seu crescente bem-estar e sucesso, têm dificuldade em partilhar.

Mas, como diz, e muito bem, Xavier de Carvalho “Não podemos educar apenas bons técnicos. Arriscamo-nos a ter ladrões competentes”.

O estudo revela ainda, curiosamente, que as pessoas mais infelizes são as que ganham menos de 500 euros e as que ganham mais de 4500 euros, o que nos leva a pensar que, talvez, se os segundos - mais ricos e, logo, menos solidários – partilhassem mais com os primeiros, seriam todos mais felizes!

Por isso, ricos de Portugal, em nome da felicidade, vamos lá ser solidários com quem mais precisa de vós!

 

 

Hoje em dia, "tudo se compra e tudo se vende"...

 

...incluindo seres humanos.

 

Já antes tinha escrito um texto sobre este tema aqui, mas nunca será demais falar sobre uma realidade que parece aumentar a cada dia e que acontece, por vezes, mesmo "debaixo do nosso nariz".

A reportagem que a SIC transmitiu, na passada 2ª feira, mostra bem o que sofrem aqueles que, de um momento para o outro, se vêem enredados nesta teia sem saber como dela sair.

A pobreza, a miséria e a esperança de encontrar melhores condições de vida são os principais impulsionadores para que alguém caia na rede.

Tal como se diz na reportagem, hoje em dia "tudo se compra e tudo se vende". E o tráfico de seres humanos é um dos maiores negócios ilícitos da actualidade. Até mesmo, em Portugal! De facto, parece que o nosso país não só está na rota como intermediário entre o país de origem e o de destino, como também actua esses dois papéis - emissor e receptor. A procura faz a oferta.

A escravatura foi, há muito, abolida. Mas não extinta. Apenas sofreu uma metamorfose. Hoje não são os negros que são escravos. Qualquer um se pode tornar. Difícil será sair. Muitas vezes sem alternativas, sem documentos, com medo do que lhes possa acontecer ou à família, e quando, depois de tentarem como podem, pedir ajuda, são ignorados, acabam por "aceitar" a situação.

No livro do Jeff Abbott, O Último Minuto, faz-se uma abordagem sobre o tráfico de mulheres para a prostituição. Nesse caso, uma mulher era levada. Para se ver livre a sua família teria que, em troca, enviar 2 ou 3 outras mulheres como moeda de troca. Mesmo que essas mulheres fossem amigas, vizinhas, conhecidas. É a lei da sobrevivência, e não olha a meios para atingir os fins. É também assim no mundo real.

Outras vezes, pedem dinheiro para pagamento da dívida que, alegam os traficantes, as vítimas contraíram para com eles. Como não o têm, as vítimas vêem-se obrigadas a trabalhar para estas pessoas como forma de pagamento, sem direito a nada.

E se por acaso tentam denunciar e têm o azar de serem descobertas, são eliminadas.

É triste, mas é a verdade nua e crua da realidade do século XXI - o ser humano reduzido à condição de mercadoria... 

 

 

 

 

 

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