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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Escolhas

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Escolhas…

As escolhas fazem parte da vida.

 

Muitas vezes, é-nos dado esse poder. E que bom é ter a liberdade de fazê-las.

Ainda que nem sempre, de forma consciente, pensada, estudada, acertada.

Ainda que, por vezes, de forma impulsiva, apressada, inesperada.

São as nossas escolhas, o rumo que traçamos para seguir.

Somos os únicos responsáveis por elas.

Escolher implica opções, alternativas, hipóteses, oportunidades. 

Significa que, querendo, podemos sempre tentar mudar de direcção. Fazer novas escolhas.

 

Outras vezes, alguém as toma por nós.

Seja porque nos deixamos levar. Seja porque deixamos que o façam. Seja porque não queremos, ou não podemos, escolher.

Por vezes, essa hipótese de escolha surge como um "presente envenenado", que não queremos aceitar, mas que outros não se importam de receber.

Ainda assim, a qualquer momento, podemos pegar na rédea que entregámos a outras mãos, e passar a comandá-la nós mesmos.

 

E outras vezes, não há qualquer hipótese de escolha...

A Sereia de Brighton, de Dorothy Koomson

Bertrand.pt - A Sereia de Brighton

 

É o segundo livro que leio, desta autora.

Não o conhecia, até que alguém aqui no Sapo, falou sobre ele, e me despertou a curiosidade em lê-lo.

Não fazia ideia do que esperar, mas foi uma boa decisão tê-lo pedido como prenda de Natal!

 

Acho que, pela primeira vez, assim tão explicitamente, li uma história em que as protagonistas são negras, tal como a primeira mulher assassinada, que deu o nome à história e que ficou conhecida, à falta de conhecimento sobre a sua identidade,  como a "sereia de Brighton".

A trama alterna entre a actualidade, e os acontecimentos ocorridos ao longo do tempo, desde há 25 anos atrás, numa noite em que duas adolescentes, Nell e Jude, que não deveriam andar na rua àquela hora, dão de caras com um cadáver, na praia.

Após comunicarem às autoridades o sucedido, as duas adolescentes que, à partida, poderiam ser consideradas como testemunhas, são tratadas como culpadas, como "galderiazinhas", pela polícia, que as tenta intimidar e fazê-las confessar o que quer que estejam a esconder.

 

Racismo, violência física e psicológica, discriminação, bullying, abuso de autoridade. Tudo isto ocorre a partir de então, com Nell e toda a sua família, destruindo-lhes a vida.

Entretanto, Jude desaparece misteriosamente. Vão surgindo muitas outras mulheres assassinadas, mas nenhuma delas é Jude. O que lhe terá acontecido?

 

No ano em que se celebra o 25º aniversário sobre a morte da "sereia de Brighton", Nell está entre a espada e a parede, com o tempo contado para descobrir o que realmente aconteceu, sob pena de a vida da sua família, entretanto refeita, poder vir a desmoronar-se novamente.

Por outro lado, há quem não queira ver o mistério resolvido, e esteja disposto a tudo para que Nell fracasse nessa missão, eliminando todos os que, de alguma forma, puderem contribuir para a descoberta da verdade.

 

Uma história cheia de surpresas, de segredos, de mistério, numa contagem decrescente para a grande revelação, se chegar a acontecer...

 

Mais uma vez, este enredo prova que até as pessoas mais próximas de nós podem esconder-nos segredos, e que nunca chegamos a conhecer, verdadeiramente, algumas delas.

 

 

 

 

 

 

Quando o poder está nas nossas mãos

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De nada adianta termos um determinado poder nas nossas mãos, se nada de útil e benéfico fizermos com ele.

Há quem o tenha, e não o saiba usar.

Ou tenha medo de o usar.

E quem não o queira usar para outros fins que não sejam os seus próprios interesses.

 

Depois, há os que gostariam de mudar, de melhorar, de marcar pela diferença. Mas não têm poder para tal.

No entanto, se, e quando, esse poder lhes vai parar às mãos, cabe-lhes dar uso ao mesmo, e agir.

Um poder estagnado, ou mal usado, é um poder desperdiçado, que nunca trará a tão desejada mudança.

 

Perdida - a série, na Netflix

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Há treze anos atrás, Soledad, uma menina de 5 anos, desapareceu na praia onde estava com os pais e familiares, em Espanha, sem deixar rasto.

A única coisa que sabem, é que foi levada por um homem tatuado, e só com um olho.

A polícia não consegue descobrir nada, e o caso é esquecido.

Antonio e Inmaculada, os pais da menina, não superam a perda e separam-se.

 

Treze anos depois, Antonio, o pai, é preso no aeroporto da Colômbia, por transportar drogas no estômago, como "mula".

O objectivo: ir para a mesma prisão onde está o homem que raptou a sua filha, e pedir-lhe informações sobre esta.

Antonio está disposto a tudo para não perder, novamente, a filha, nem que para isso tenha que perder a vida.

Com tudo planeado ao pormenor, Antonio vai desencadear revelações surpreendentes, e o ódio de muita gente que não hesitará em tirá-lo, e a todos os que forem necessários, do caminho, incluindo aqueles que, de alguma forma, estiveram envolvidos nos acontecimentos do passado.

Antonio terá ainda que lidar com os dois grupos rivais existentes dentro de La Brecha, a prisão onde cumprirá a pena, na Colômbia.

 

Ao saber que o ex marido está na Colômbia atrás da filha, Inma segue também para lá, para perceber o que Antonio sabe, e o que descobriu.

 

E a verdade é que Soledad está viva, e de perfeita saúde, com os seus novos pais, uma actriz famosa e o rei do narcotráfico da região, super protegida, não vá alguém querer levá-la, da mesma forma que estes a raptaram. Mas o que percebemos é que Soledad, a menina que Antonio e Inma adoptaram (sim, era adoptada e não biológica) é mesmo filha de Milena.

 

O que nos leva a um dilema.

O que é menos aceitável: que uma filha seja retirada à sua mãe biológica, e vendida por gente sem carácter, a um casal que só queria adoptar uma criança para lhe dar amor, e não fazia ideia das circunstâncias da adopção (embora desconfiassem), ou que uma filha seja raptada e retirada aos seus pais adoptivos, que a criaram até aos 5 anos, para ser devolvida à mãe biológica, que sempre a procurou?

Quem tem mais direitos sobre esta criança? Quem a quer mais? Quem a ama mais? 

 

A diferença, é que Milena e Quitombo, o seu marido, estão dispostos a tudo, para que Soledad fique com eles, inclusivé, matar os pais adoptivos.

Mas falta ainda outra das partes interessadas: o verdadeiro pai de Soledad. Quem é? E como reagirá quando souber que tem uma filha e nunca soube?

 

Uma série sobre corrupção, tráfico de crianças, drogas, poder mas, também, de amor.

Um amor que deu origem a toda a história, e ao nascimento de Soledade.

Um amor que fez um casal adoptá-la e criá-la como sua.

Um amor que levou uma mãe a ordenar o rapto da sua própria filha.

Um amor de um pai, que quer pedir perdão à filha por não a ter protegido, e que engendrou um plano para a descobrir, que o fará passar os próximos anos na cadeia.

Um amor de uma mãe, que volta a ter esperança de encontrar a sua filha desaparecida, e que também irá arriscar tudo, para tê-la de volta.

Um amor de um homem que aceitou a menina, e a ama como se fosse do seu sangue, por amor à mulher.

 

E será esse amor a ditar o destino de Soledad, que tem agora com 18 anos, idade para tomar as suas próprias decisões que, quem a amar, respeitará e aceitará.

Mas não sem, antes, se perderem várias vidas, pelo caminho.

For Life: viver num mundo movido por interesses e alimentado pelo poder

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Vivemos num mundo movido, maioritariamente, por interesses, e nem sempre interesses colectivos mas, muitas vezes, individuais.

E para eles contribui, quase sempre, o poder daqueles que os podem satisfazer, concretizar, levar a cabo. Ou para os travar, aniquilar, impedir.

Se uns têm a sorte de o poder estar do seu lado, outros, têm-no constantemente contra si. Sobretudo, se os interesses de uns, chocam com os de outros. Quando não podem coexistir.

Quando assim é, por muito que tentemos quebrar esse ciclo, mudar o rumo dos acontecimentos, inverter as situações, torna-se complicado.

É difícil vencer qualquer batalha que seja e, quando achamos que, por uma vez que seja, a vitória nos coube, logo a vida se encarrega de mostrar que não ganhámos coisa nenhuma.

 

For Life conta a história de um homem condenado injustamente, por um crime que não cometeu, a prisão perpétua. Porque não quis assinar nenhum acordo, em que se desse como culpado, sabendo que era inocente.

Obstinação? Ingenuidade? Coragem? Quem sabe…

Foi usado como “bode expiatório”, como “exemplo” de justiça, com fins e interesses políticos de uns, e pessoais, de outros. Não é que tivessem, particularmente, algo em concreto contra a sua pessoa, mas era preciso arranjar um culpado, e ele estava mesmo ali a jeito.

Ao longo dos anos em que esteve preso, Aaron Wallace viu a mulher trocá-lo pelo seu melhor amigo e a filha engravidar. Ainda assim, manteve o seu foco em formar-se em direito e ir ajudando os seus colegas de prisão, com o objectivo final de pedir um novo julgamento para si mesmo e provar a sua inocência, derrubando o responsável por tê-lo colocado lá dentro, e recuperando a família.

 

Sabemos que a vida na prisão não é fácil. Grupos rivais, rixas e, lá está, mais uma vez, interesses, podem ser um factor a favor, ou contra. Nem sempre a imparcialidade é bem vista, ou aceite. Algumas vezes, se não estamos do lado de alguém, então é porque estamos contra.

Depois, há todo um sistema paralelo, em que nem os guardas e os directores não gostam de se meter, ou interferir.

Os que se atrevem, angariam inimizades, e há sempre quem aguarde, na plateia, o momento em que cometam erros, em que caiam, em que fracassem, em que as circunstâncias os derrubem. Nem que seja preciso dar um empurrãozinho.

 

De qualquer forma, contra tudo e todos, umas vezes com sucesso, outras nem tanto, Wallace vai superando os desafios, as contrariedades, levantando-se depois das rasteiras que, volta e meia, o atiram ao chão, e seguindo rumo ao objectivo.

Para isso, conta com a ajuda de alguns colegas da prisão, da mulher, que ainda o ama, da filha, que quer ver o pai fora da cadeia, da directora da prisão, e de um antigo promotor público, agora seu mentor jurídico e amigo.

No entanto, há quem não tenha interesse em que Aaron consiga alcançar aquilo a que se propôs, e se empenhe ao máximo para mantê-lo para sempre atrás das grades. De cada vez que Aaron acende um fósforo, logo alguém se encarrega de apagá-lo.

Ainda assim, ele consegue mesmo acender a fogueira!

Só que, lá está. Nem tudo corre como queremos e, agora, Aaron terá de escolher entre manter a fogueira acesa, correndo o risco de queimar todos aqueles que ama, ou apagá-la ele mesmo, perdendo tudo aquilo pelo qual lutou, e resignando-se ao que sempre recusou.

O poder, por mais voltas que se dê, uma vez contra nós, sempre contra nós.