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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

À Beira do Colapso, de B. A. Paris

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Pequenos esquecimentos...

Pequenas confusões...

Pequenos mal entendidos...

São coisas normais que podem acontecer a qualquer um, não são?

 

Algum stress, receio, instabilidade emocional, quando se sabe que uma amiga foi assassinada bem perto da nossa casa, e que o assassino continua à solta, é normal, não é?

 

Ficar em pânico quando se recebe chamadas anónimas constantes, sem que ninguém fale, é normal, não é?

 

Cass achava que sim, até perceber que poderia estar a mostrar sinais da mesma doença de que a mãe sofreu - demência.

Ela já tinha reparado em pequenos incidentes, mas atribuíu-os à falta de descanso, que seria brevemente compensado, com as férias que iria gozar.

Mas depois...

 

Depois, veio aquela noite de tempestade, em que ela conduziu numa estrada deserta e perigosa, sem rede, viu por ali um carro parado, com uma mulher lá dentro e, apesar da hesitação, de uma breve paragem, não arriscou sair do carro, não se fosse dar o caso de ser um esquema para a atacar e, não vendo sinais da outra parte de que precisasse de ajuda, achou mais seguro seguir para casa.

 

A partir do momento em que soube que essa mulher que ela tinha visto, que até conhecia e com quem tinha travado uma amizade recente, tinha sido assassinada nessa mesma noite, Cass nunca mais foi a mesma.

A culpa, a tristeza e o medo de que o assassino a tivesse visto, juntamente com a dúvida que que pudesse ter herdado a doença da mãe, levaram Cass a um tal estado, que todos à sua volta se mostraram preocupados.

O que é real, e o que é imaginação? 

Estará ela assim tão louca, a ponto de já não saber fazer as coisas mais simples? De não se lembrar das coisas que faz? Das decisões que toma? Dos compromissos que assume?

Onde fica a linha que separa aquilo que faz sentido, da paranoia?

 

Quem está do seu lado, e quem está contra ela?

Quem a apoia, e quem deseja o seu mal?

E se, afinal, ela não estiver a perder a sua sanidade mental, mas haja alguém a fazer de tudo para assim o parecer, ou levá-la a acreditar que está?

 

Confesso que, a determinado ponto, começa a ser exagerado tudo aquilo que está a acontecer a Cass, e tão constantemente.

Ninguém se engana assim tantas vezes. Ninguém se esquece assim tanto, ou perde a noção daquilo que faz.

Ou será que sim?

 

Esta é uma história que nos põe, automaticamente, a pensar em situações tão básicas pelas quais passamos, como aquela vez em que jurávamos que tinhamos deixado o carro num determinado sítio do estacionamento e, depois, andamos à procura dele que nem loucos. Ou quando jurávamos que tínhamos deixado algo num determinado sítio, e depois aparece noutro.

Há coisas que parecem não ter explicação. Ou até têm...

 

Desde que li, em tempos, que os crimes têm sempre um de três motivos para ocorrerem - inveja, sexo, dinheiro - ou, até, a junção de mais do que um, que tenho vindo a constatar que, nestas últimas histórias, bate certo. 

 

Matthew é um marido perfeito, compreensivo, condescendente, mas Cass não sabe quanto tempo mais ele vai aguentar estar casado com ela, com tudo o que está a acontecer, e que afecta o seu casamento.

Rachel é a amiga que todas desejariam ter. Está lá para minimizar as coisas, dar-lhe força e animá-la. Mas já anda a perder a paciência.

John, um colega de trabalho que esteve, em tempos, interessado em Cass, também parece preocupar-se com ela, e ela sente-se bem quando está com ele.

Já aquele homem da empresa de alarmes, ou o vizinho que se acabou de mudar para o bairro, não lhe inspiram confiança, e parecem muito suspeitos.

 

Mas a pergunta que se coloca, no meio de tudo isto, é: Quem matou Jane, e porquê?

E, sabendo essa resposta, saberemos de que forma tudo está, ou não, relacionado com a súbita manifestação de demência de Cass que poderá, em último caso, levá-la ao inevitável internamento, sem nunca de lá mais sair, ou algo pior...

 

No fim, fica a dica:

Confia, desconfiando...

Acredita, confirmando...

Aceita, questionando...

 

Só assim saberemos quem é o nosso amigo, e o nosso inimigo.

Só assim conseguiremos munir-nos para uma luta desigual, da qual só poderemos sair vencedores ou vencidos.

E porque só assim se descobrirá a verdade.

 

 

Sinopse
 

"Cass vive momentos difíceis desde o dia em que viu aquela mulher dentro de um carro estacionado no bosque. Agora sabe que a mulher foi assassinada e que ela nada fez para ajudar. Tenta afastar o caso da sua mente, mas o que poderia ela ter feito? Se tivesse parado, teria provavelmente acabado também por ser uma vítima.
Mas, desde então, Cass anda perturbada, esquece-se das coisas mais básicas: Onde deixou o carro? Tomou a medicação? Qual o código do alarme de casa? Consumida por um profundo sentimento de culpa, a única coisa que não consegue esquecer é a imagem daquela mulher dentro do carro. e há ainda as chamadas telefónicas anónimas e a sensação de que alguém anda a observá-la. Mas quem poderá estar por detrás disso?"

 

 

 

 

"O Intruso", de Tana French

Intruso, Tana French - Livro - Bertrand

 

Sinopse:

"Uma jovem é morta em casa. Não há sinal de arrombamento e a mesa está posta para um jantar romântico. As pistas apontam para mais um caso de violência doméstica. Mas algo não bate certo. Um dos detetives reconhece aquela rapariga e o instinto diz lhes que há algo mais por trás daquele crime. Talvez tenha razão..."

 

Este caso não deveria ser para eles. 

Steve e Antionette estavam no turno da noite. Iam para casa. Alguém do turno da manhã poderia ficar com ele. 

Era só mais um caso. Ou talvez não...

Seria este, finalmente, "o caso"? Aquele que os tiraria dos habituais casos de violência doméstica, que ficavam sempre para os mais fracos, para dar um outro rumo à sua carreira?

Ou seria mais uma falsa esperança?

Seja como for, o caso foi-lhes entregue e, à medida que vão investigando, vão formulando teorias que os afastam do que é mais óbvio, levando-os para uma conspiração que pode ser fruto da sua imaginação, e lhes arruinar a reputação, colocando em risco as suas carreiras, ou que pode estar bem perto da verdade. Ainda que, nem sempre, a verdade possa ser revelada, sem iguais consequências.

 

O mistério vai adensando, assim como a dúvida sobre quem, realmente, matou aquela jovem, cuja vida e objectivos vamos conhecendo, com o desenrolar da história.

Quem mente, e quem fala a verdade?

Quem esconde o quê, e porquê?

O que não é suposto descobrir-se?

E porquê a pressa em acusar alguém que, apesar da falta de provas, é o maior suspeito? Será por isso mesmo? Ou para desviar as atenções do verdadeiro culpado?

 

Devo dizer que fiquei muito curiosa com o livro e, apesar de recente, o passei à frente de outros que já tinha há mais tempo na lista. 

Não foi mau, mas também não foi extraordinário. Esperava mais.

Sonhos que davam filme

Agente Secreto Maria Treinamento Espião Aventura Ação Jogo ...

 

Marta tinha sido colocada a trabalhar, como agente infiltrada, numa empresa suspeita de negócios ilegais.

A sua missão era recuperar o dinheiro que esta empresa havia roubado, e que escondia naquele escritório.

Parecia ser um dos seus primeiros trabalhos, e não estar muito confortável com o mesmo.

 

Quando surgiu a oportunidade, Marta conseguiu retirar de lá o dinheiro.

A empresa deu conta do desaparecimento, e começou a investigar. 

A agência para a qual Marta trabalhava achou melhor tirá-la de lá, antes que a descobrissem.

Até porque alguém filmou Marta durante a operação, e a denunciou.

 

Nessa altura, Marta já escapou de lá, e entra no carro onde estão os seus parceiros, Gustavo e Sandra. O próximo passo é depositar o dinheiro na conta a que pertence. Marta percebe que, sem máscara, não podem entrar no banco para o fazer, por isso, Gustavo procura o multibanco mais afastado, para que possam fazer a operação, sem serem vistos.

Marta leva o dinheiro. Sandra, os códigos das contas.

Mas ainda antes de fazer o que quer que seja, percebem que estão a ficar cercadas por pessoas que não têm a melhor das intenções e, mais uma vez, vêem-se obrigadas a entrar rapidamente no carro, para fugir dali.

Marta entra e tranca a porta, aconselhando os companheiros a fazerem o mesmo.

Gustavo arranca com o carro mas, como estão a ser perseguidos, considera que a melhor solução é atirarem-se, no carro, para o rio. 

Marta fica em pânico, tem medo de morrer afogada e agora, com a porta trancada, pode correr o risco de nem sequer conseguir sair, e de o seu maior receio se concretizar.

Vale-lhe Sandra, que a ajuda e a traz para a superfície, incentivando-a a continuar, enquanto vai ver onde está Gustavo, que ficou para traz.

 

Marta nada e consegue sair daquilo que julgavam ser um rio mas que, afinal era um tanque e que, à volta, tem apenas um corredor do qual não conseguem sair. E quem anda atrás deles, continua, e está pronto a matá-los.

Marta percebe que a sua única hipótese de viver, é fugir para o mato, que rodeia o tanque, correndo o mais depressa que pode, e escondendo-se entre os arbustos, enquanto os assassinos, a cavalo, andam por ali a ver se a encontram.

Correr no meio de ervas e plantas não é fácil, sobretudo quando não se tem a roupa adequada e, no caso de Marta, aquele casaco está a dificultar-lhe a vida, sempre a prender, e a travar-lhe os movimentos.

Mas não desiste. Pelo caminho, vai vendo umas cabanas mas, com receio de que a denunciem em vez de a ajudar, prefere continuar sozinha, por sua conta.

Depois de achar que nunca vai conseguir sair daquela floresta, que parece não ter fim, Marta avista finalmente um edifício, que lhe parece familiar, e onde pensa já ter estado antes.

 

Percebe que está numa fronteira, e só tem que correr mais uns metros para passar para o lado de lá, sem que lhe possam fazer mal.

Nessa última tentativa, mais uma vez, o casaco prende, e Marta teme não conseguir dar o passo final mas, por fim, é bem sucedida.

 

Nesse momento, surge Gustavo, que passa também a fronteira, ao mesmo tempo que Marta, sem forças devido à fuga e em choque, cai ao chão.

Gustavo corre até ela, baixa-se e diz-lhe:

"Fizeste um bom trabalho, Marta. Conseguiste. Tiveste muito bem, para quem não está habituada a ests coisas. Pena que tenha que te levar de volta para lá."

Marta, que apenas tinha simulado o desmaio, percebe assim quem é Gustavo:

"És tu o traidor!"

 

Quando tudo parecia perdido, Gustavo é baleado por Sandra, que entretanto os tinha seguido. É a segunda vez que Sandra salva Marta.

E é assim que ambas sobem as escadas do dito edifício, para chegar ao carro que as espera, e que as levará, sãs e salvas, de volta a casa, como se nada de mais tivesse acontecido.

 

 

Nota: tendo em conta que isto foi um sonho, e nos sonhos nem sempre existe lógica, não tentem perceber o porquê de determinadas acções, ou falta delas, e das situações em si

A Primeira Regra, de Jeff Abbott

Wook.pt - A Primeira Regra

 

Até que ponto conhecemos mesmo as pessoas que nos rodeiam? As pessoas que amamos? A nossa família?
Será que a primeira regra ainda se aplica, quando todas as outras foram quebradas?
Sam está mais perto que nunca de encontrar o seu irmão, mas talvez este não deseje ser encontrado.

E se Danny não é mais o irmão que ele um dia conheceu? E será que algum dia o conheceu verdadeiramente? 

 

 

Por outro lado, temos Jimmy, marido de Mila. Já no último livro nos tínhamos apercebido de que havia qualquer coisa que ele escondia. Um segredo que nem Mila, a sua mulher, sabia.

A liderar uma organização que, aparentemente, faz o bem e ajuda quem não tem mais para onde se virar, será que ele é mesmo esse benfeitor que nos é dado a conhecer?

E até que ponto ele ama Mila, e o que fará para afastar Sam dela, e protegê-la do que aí vem?

Podemos estar casados com alguém e, ainda assim, não fazer a mínima ideia da pessoa que temos ao nosso lado, nem sequer a sua verdadeira identidade?

 

 

E quando temos que escolher entre ajudar alguém que parecemos não conhecer, e alguém que já consideramos amigo? Quando ajudar um, significa trair o outro? Quando lutar por um, significa perder para sempre o outro?

 

 
Um livro que põe em causa tudo aquilo em que acreditamos, que nos leva a desconfiar de tudo e todos, mas também a agarrar as segundas oportunidades que surgem na vida!

 

 

Confesso que, depois de acompanhar a história de Sam Capra e da sua amiga Mila, ao terminar este livro fiquei com a sensação de que o autor não deveria deixar tudo por aqui.

Ainda havia coisas que nós, leitores, gostaríamos de saber e ler sobre as personagens principais, depois desta nova oportunidade de vida para todos eles.

O Livreiro, de Mark Pryor

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Este livro foi-me oferecido pela Wook, na compra de um outro que nem sei qual foi, e era mais um que já nem me lembrava que tinha por lá, guardado numa caixa.

Como estou a tentar poupar na compra de livros e, ao mesmo tempo, ler os que ainda tenho lá por casa em fila de espera, peguei nele, decidida a reduzir a lista.

 

A história começa com Hugo, chefe de segurança da embaixada americana, em Paris, a tentar comprar alguns livros a Max, um “bouquiniste” seu conhecido que já considera um amigo, e que vende, à semelhança de outras pessoas, livros, torres e outros brindes junto ao rio.

Depois de ver uma outra bouquiniste ser agredida, e o receio no olhar de Max, Hugo teme que também tenham ameaçado o seu amigo. E as suas suspeitas confirmam-se quando, mais tarde, Max é levado sob ameaça, sem que Hugo o possa evitar, ainda que tenha tentado.

Sem saber o que aconteceu ao seu amigo, mas vendo que a polícia francesa não está muito interessada em agir, arquivando o caso por falta de indícios e com base em testemunhos que afirmam que Max entrou na embarcação de livre vontade, Hugo começa a sua própria investigação, com a ajuda de Emma, sua secretária, e Tom, um amigo e agente da CIA com quem trabalhou em tempos.

E, à medida que vai fazendo perguntas inconvenientes, e incomodando pessoas que não deve, sobretudo quando descobre que, para além de Max, outros bouquinistes apareceram mortos, a sua vida, e a daqueles que lhe estão próximos, fica em risco.

Na busca pela verdade, Hugo depara-se com o passado de Max, sobrevivente do holocausto e, posteriormente, caçador de nazis, e alguns livros valiosos e com informação explosiva, que podem estar na origem destes crimes.

Ou serão os livros uma mera distração, escondendo algo muito pior, e planeado em grande escala?

Rodeado de possíveis suspeitos, incluindo a jornalista Cláudia, com quem se envolve, conseguirá Hugo chegar ao assassino, antes que este chegue até si?

 

Confesso que este livro foi uma boa surpresa. Não é um daqueles livros que, de tão bom, se lê num ápice sem lhe tomar o verdadeiro sabor. É um livro para se ir lendo, que prende sem nos apressar, com uma história que promete.

E é aí que falha. Promete, mas acaba por não cumprir como poderia, com algumas surpresas e suspense, mas com uma ligação que nada tem a ver com aquilo que sugere, e que deveria ter sido melhor explorado e aproveitado.

O final é um pouco rocambolesco para o meu gosto. É como se, ao saborear uma sobremesa, estivéssemos à espera daquele toque sublime no final, e percebêssemos que a parte melhor já nós comemos, e ficou apenas o banal para o fim.

 

Ainda assim, gostei do livro.