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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O grilo-de-sela-de-Coruche

(1 Foto, 1 Texto #97)

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Não é que conviva muito com grilos (embora os oiça muitas vezes), mas sempre achei que teriam um aspecto diferente.

Por isso, quando vi este insecto, não fazia a mínima ideia do que era.

Curiosa, não quis deixar passar a oportunidade de lhe tirar uma fotografia.

Primeiro, mais à distância, até porque ele poderia escapar a qualquer momento.

No entanto, ao ver que ele não tinha pressa, atrevi-me a aproximar mais um pouco, entre a vontade de tirar uma foto mais mais de perto, e o receio de que o dito cujo começasse a andar e me pregasse um susto!

Depois, fui pesquisar, e fiquei a saber que este menino era um grilo-de-sela-de-Coruche, uma espécie exclusiva da Península Ibérica, encontrando-se grande parte da sua população da região centro de Portugal.

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

Primeira semifinal da Eurovisão

(e Portugal lá se apurou para a final!)

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Decorreu ontem, em Basileia, Suiça, a primeira semifinal do Festival Eurovisão da Canção, na qual actuaram 15 países, entre os quais o nosso.

Com lugar para apenas 10 finalistas, o desfile começou com cada representante a dar o seu melhor.

Eu ainda não conhecia nenhuma das músicas. Nem sequer me lembrava de como era a nossa (nunca foi música que cativasse ou ficasse no ouvido).

Para mim, não houve nenhuma que pudesse dizer "Uau, esta sim!".

A da Islândia foi uma das minhas escolhidas para passar, e é finalista.

A da Polónia era, como dizia Salvador Sobral, muito "fogo de artifício". Mais do mesmo. Mas passou.

A Eslovénia, com uma música calma, inspirada na doença da mulher do artista, era outra das que eu não me importava que passasse, mas ficou pelo caminho.

Já a Estónia, não sei se passou por aquela coreografia complicada com as pernas, ou se pelos apreciadores de um bom espresso macchiato, que votaram em massa para esta canção se apurar.

 

Irritou-me um pouco os comentários relativamente à Ucrânia: "Ah e tal, a Ucrânia tem de passar. Foi sempre apurada. Não é pela guerra, é mesmo pela música."

Tretas!

A música não era nada de especial. Foi apurada sim, por causa da guerra. E não, para mim não se fez justiça.

 

A Suécia é uma das favoritas a vencer o festival (vale o que vale). O refrão é o que safa a música porque, de facto, é contagiante. Está na final. 

Tal como a Noruega, talvez a melhor desta primeira semifinal.

 

E Portugal

Pois... Apurou-se para a final!

E foi uma bofetada de luva branca para todos os que diziam que ficava já pelo caminho (eu incluída).

Só tive pena de não ter sido ontem a final. Podia ser que um outro milagre de Nossa Senhora de Fátima ocorresse, e nos desse uma surpresa. Assim, conseguimos só uma parte do milagre. Já não é mau.

Parabéns, Napa!

 

San Marino e Albânia, outras que eu escolheria para a final, e que conseguiram passar. Gostei do ritmo da primeira, e da força da segunda.

Já os Países Baixos, passaram, quem sabe, por questões que nada terão a ver com música. Porque a mesma era fraquinha.

E Chipre, que também tinha uma música convidativa, ficou pelo caminho, com pena minha.

 

Espero que na quinta-feira, na segunda semifinal, consiga encontrar "aquela música". Ainda que não vença. Mas que me marque pela positiva.

 

Quanto ao resto do programa, tenho a dizer que foi melhor a performance após as actuações dos concorrentes, do que todo o desfile das 15 canções!

E actuou a Iolanda, juntamente com outros 3 artistas que estiveram presentes no ano passado, a recriar o tema vencedor da Céline Dion "Ne Partez Pas Sans Mois", que venceu a Eurovisão em 1988.

 

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Imagens: EurovisionSongContest e eurovisionworld

 

Festival da Canção 2025 - primeira semifinal

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Decorreu, no passado sábado, em "Lisboa", a primeira semifinal do Festival da Canção 2025.

E, como já vem sendo hábito aqui n' "A Minha Casa", fui dando um olho às apostas deste ano.

Não conhecia nenhuma, ainda não as tinha ouvido antes, mas pareceu-me mais do mesmo.

O de sempre, ano após ano.

"Eu Sei Que o Amor", de muitos artistas portugueses, pelo festival é grande. Tal como a vontade de participar, nem que seja uma vez na vida, nesta festa da música. 

Mas "Ninguém" merece passar uma hora a ouvir música para dormir. A não ser que esteja com dificuldade em adormecer, e aproveite aquele momento para ver se ajuda a pegar no sono.

Tenho sempre aquela sensação de que encontrar a música perfeita, que fala "Sobre Nós", que nos representa da melhor forma, enquanto país, é um pouco como enfrentar o "Adamastor".

Uma pessoa ainda vai esperando que surja algo diferente, aquela música que nos toca, capaz de provocar um "Calafrio" ao ouvi-la.

Mas, "Ai Senhor", as canções que apresentam são todas de uma "Tristeza" tão grande que, por mais "Voltas" que dê à cabeça, não sou capaz de compreender porque insistem em bater no ceguinho, e apostar nessa fórmula.

Posto isto, das que passaram, vai um voto de confiança para a canção do Marco Rodrigues que, não fazendo minimamente o meu estilo, é bonita, outro para a do Bluay, pela mensagem, e o último para os Peculiar que, ao que parece, só se safaram graças ao público. 

Vamos ver o que nos traz a próxima semifinal!

 

 

Fonte da imagem: media.rtp.pt

 

A realidade dos nossos idosos

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Em Portugal, não existem respostas viáveis para a maior parte dos idosos. Sobretudo, quando começam a depender de terceiros para a sua rotina diária, para a sua mobilidade, para afastar a solidão.

 

Nestes últimos dias, o estado de saúde do meu pai sofreu alterações.

Principalmente, a nível mental. A demência a vir em grande, e nós sem sabermos como lidar com isso.

Falámos com a médica de família, que passou umas análises, para confirmar se este quadro se devia a alguma infecção.

E aconselhou-nos a pô-lo num centro de dia, onde estaria umas horas acompanhado e, vendo e conversando com outras pessoas, sentir-se menos só e estimular o cérebro.

 

No entanto, ele não precisava de vigilância apenas por umas horas, ele estava completamente desorientado, alienado da realidade (com apenas alguns momentos de lucidez).

Ele não estava num estado propício à pura convivência. Uma pessoa consciente, que sabe que ali passaria umas horas com companhia de outros idosos, com quem conversar e interagir. 

Por muito que fosse uma solução, até porque tinham vagas, não me parecia suficiente.

 

Assim, continuávamos sem saber o que fazer.

Ele já se estava a colocar em risco. Um risco que corria a qualquer momento do dia, se lhe desse para isso.

Podíamos trancá-lo em casa, para evitar acidentes. Mas isso é crime. 

Podíamos deixá-lo à vontade, e arriscar encontrá-lo caído nos degraus, ou no meio da rua, morto. O que não deixaria de ser negligência.

 

Quem está de fora, diz aquilo que também nós sabemos: ele não podia estar sozinho!

Mas, e soluções? 

Onde se arranja, em tão curto espaço de tempo, uma pessoa de confiança e profissional, disposta a estar com ele 24 horas por dia? E que custos isso acarretaria?

 

Nem sempre os familiares têm disponibilidade para tomar conta. Para estar presentes.

Nem sempre os mais próximos têm a paciência necessária ou, sequer formação, ou ferramentas, para agir em casos destes.

E, a nível financeiro, quase nunca os apoios são suficientes, para quem decide ser cuidador informal.

 

Por outro lado, os lares residenciais estão sempre com enormes listas de espera. Quantas vezes, surge a vaga quando a pessoa já não precisa? Quando já não está mais entre nós?

Optar por lares particulares? É incomportável!

Pedi informações de um, deram-me valores acima de 4000 euros por mês.

 

Por outro lado, a nível físico, estava a deixar-se ir.

Já pouco comia.

Muito fraco.

Respiração ofegante. 

E diarreia.

 

Ontem de manhã, com muito custo, fez as análises ao sangue.

À tarde, recebi os resultados.

Do que vi, parece-me estar com problemas no fígado. Risco de AVC.

 

Entre "postas de pescada" e "não soluções", fiz o que achei que tinha de fazer.

Arrisquei ligar para a saúde 24.

A enfermeira que me atendeu não tinha jeitinho nenhum, deu-me nervos, mas lá me passou ao INEM, e veio uma ambulância dos Bombeiros de Mafra.

Duas meninas, impecáveis.

Não conseguiram medir a febre. Mas o oxigénio estava muito baixo.

Foi para o hospital.

 

E, confesso, foi um alívio!

Pode parecer, e quem sabe é mesmo, um pouco egoísta da minha parte.

Mas era eu que lidava com isto todos os dias. Que o via a definhar, sem saber como ajudar.

E a, eu própria, daqui a uns tempos, precisar de ajuda.

Ali, pelo menos , está vigiado, medicado, pode ser tratado.

Em casa, não sei se viveria muito mais tempo.

 

Há quem se queixe que os hospitais, para além do sobrelotamento a nível de doentes, está entupido com idosos, cujos familiares se recusam a ir buscar, por não terem condições para os ter em casa, ou em instituições para ricos.

Há quem se queixe que os hospitais têm, diariamente, custos com esses idosos, e recursos humanos "desperdiçados" com eles, que fazem falta a quem realmente precisa - os doentes mais urgentes.

Mas a verdade é que não há outras respostas, soluções, apoios para os nossos idosos e famílias.

 

Neste momento, está numa maca, com pulseira laranja, nas urgências do Santa Maria.

Provavelmente, ficará internado. Mas ainda não há vagas, por isso, tem de aguardar ali.

Provavelmente, terá de iniciar já a hemodiálise.

Ainda têm de ver o que vão fazer relativamente ao coração, e a nível neurológico.

Do fígado, não sabiam de nada.

Disseram ao meu irmão que, se quisesse, poderia levar as análises lá ao hospital!

 

Estou a aguardar o contacto da médica de família para ver se, também ela, entende que existe um problema no fígado, para comunicar então com o hospital.

Sinceramente, não estou muito optimista. O organismo dele está dar sinal de querer colapsar. Já começa a ser muita coisa junta.

Mas também é verdade que, felizmente, ele sempre me surpreendeu ao recuperar de todos os internamentos até aqui, ainda que com mazelas. 

 

Sei que ele não vai aguentar horas e horas de hemodiálise, por muito tempo.

No entanto, dado o estado dele, não terá poder de decisão, e sobrará para nós, filhos.

Mais uma vez, o dilema entre aquilo que seria o desejo dele, e aquilo que devemos fazer.

O deixá-lo morrer, ou mantê-lo vivo e em sofrimento.

Mas, enfim, um dia de cada vez.

 

E hoje, pelo menos, posso respirar um pouco, sem estar preocupada se ele vai sair de casa e perder-se, se vai cair e bater com a cabeça, se não vai comer porque eu não estou lá.

Amanhã, logo se verá...

 

 

Festival Eurovisão da Canção Júnior 2024

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Nunca liguei muito ao Festival Eurovisão da Canção Júnior.

Ia lendo uma notícia ou outra.

Já sabendo que Portugal nunca ganha estas coisas.

 

No entanto, este ano, as expectativas estavam altas.

Comecei a perceber que a nossa música, e a Victoria, era uma das favoritas à vitória.

Seria possível?

 

Entretanto, soube que o Festival seria transmitido, no sábado à tarde, pela RTP.

E, curiosa, fui ver.

 

Neste festival, consegue-se perceber meia dúzia de coisas:

- há crianças que já nasceram para brilhar, com um talento nato, a dar baile a muitos adultos que dizem que cantam

- há crianças que, pelo contrário, terão mais dificuldade em singrar nesse mundo, e precisam de uma maior aprendizagem (as representantes de San Marino foram um bom exemplo disso, tanto a nível vocal como de presença em palco)

- há crianças que começam desde cedo com tiques de vedeta, manias e gestos que os definem enquanto cantam

- há crianças que pisam o palco como tal, e outras que já querem parecer mais crescidas

 

As minhas favoritas, para além de Portugal, claro (que não o era só por ser Portugal, porque a música era bonita e a Victoria tem uma bela voz), eram as da Ucrânia, Macedónia do Norte e Malta.

Não vencendo Portugal, para mim, teria sido a Ucrânia a vencedora.

 

Pois nem uma, nem outra.

Apesar de, em termos de votos do público, Portugal ter sido o mais pontuado, foi a Geórgia que, somando a vitória da pontuação do júri à pontuação do público, levou o troféu.

Portugal conseguiu, ainda assim, o segundo lugar, melhor posição de sempre desde que participa.

 

 

 Imagem: junioreurovision