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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Portugal é um país onde tudo é permitido?

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Dizem que Portugal é um país de brandos costumes, onde as regras e as leis pouco se cumprem, onde os infractores, na maioria das vezes, ficam impunes.

Também dizem que somos um povo acolhedor, que sabe receber bem, quem vem de fora.

 

 

Não sei se será por isso que alguns estrangeiros deduzem que podem chegar cá e fazer tudo o que lhes apetecer, porque nós aceitamos na boa, sem stress.

Sabendo nós como são rígidos outros países, no que respeita ao cumprimento de determinadas regras de convivência em sociedade, na exigência de determinados comportamentos, para com os outros, para com os espaços públicos, para com o ambiente, não se percebe como, chegando a Portugal, não agem de igual forma.

Talvez, para eles, o seu próprio país seja uma espécie de "escola", onde todos têm que ser bem comportados, e Portugal o "recreio", onde podem descontrair e descompensar.

 

 

Por vezes, até me pergunto se, por exemplo, os sinais e regras de trânsito em Portugal serão diferentes dos outros países? E, já agora, as boas maneiras?

Ainda ontem vinha uma família de estrangeiros numa rua em sentido proíbido, como se nada fosse.

No outro dia, na fila para o autocarro, puseram-se à frente de quem já lá estava, como se fosse algo absolutamente normal, até que lhes chamaram a atenção de que aquilo era uma fila por ordem de chegada, e tinham que ir para trás.

Nas esplanadas, é vê-los à vontade, com os pés em cima das cadeiras, como se estivessem no sofá, nas suas casas.

 

 

Será, Portugal, um país onde tudo é permitido?

O (mau) serviço público em Portugal

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E como os contribuintes "pagam" pelas guerrinhas entre funcionários!

 

No final de 2018, com vários prazos a terminar, a eminência de greve nas semanas seguintes e as festividades de Natal à porta, na minha primeira tentativa de entrega de um processo, foi-me dito que, como o prazo terminava apenas em Janeiro, seria melhor entregar em 2019.

De qualquer forma, bastava levar tudo o que ali estava, e não era preciso mais nada.

 

No início de 2019, na segunda tentativa de entrega, a funcionária não estava por dentro do assunto, e ficou com os documentos, para falar com a chefe, que mais tarde disse que era melhor entregar a outra funcionária, mais habilitada.

 

Terceira tentativa de entrega, com a dita funcionária, num dia em que, devido ao elevado tempo de atendimento e porque estava na hora de encerrar, me disse para ir lá na semana seguinte. Nessa semana, essa mesma funcionária estaria de férias.

 

Quarta tentativa de entrega, com outra funcionária, que começou logo a reclamar que a colega tinha querido livrar-se daquilo, e por isso nos tinha mandado lá ir na semana em que não estava. Ficaram, mais uma vez, com os documentos, para depois ligarem a dizer que teríamos que esperar que a colega viesse de férias, para ser ela a tratar do assunto.

 

A colega, chegada das férias, liga-nos a pedir informações, porque as colegas não lhe explicaram nada. Mas avisa que, provavelmente, vamos ter que preencher impressos. E para termos atenção ao prazo, que está a terminar!

 

Vou novamente buscar o processo, preencho os respectivos impressos, que nunca antes foram mencionados, e levo novamente. 

Atende-me outra funcionária que, de imediato, chama a colega que tinha pedido os impressos. Esta, por sua vez, diz que não é obrigatório entregar com ela, e que podia ser a colega a receber, mas lá acede e verifica tudo.

Diz para irmos lá na semana seguinte, para assinar e trazer o comprovativo.

 

E eis que, esta semana, quase no final de janeiro, ao ir ao dito serviço, achando que, finalmente, tudo estaria resolvido, a funcionária diz que se esqueceu! E pede para a relembrarmos no dia seguinte!

Ter filhos em Portugal...

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...não é justo, não compensa, faz cada vez menos sentido, e é cada vez mais impensável.

Portugal é um país com população, maioritariamente envelhecida, e a tendência é para continuar.

Cada vez mais, por incrível ou absurdo que possa parecer, as pessoas optam por ter animais de estimação, em substituição dos filhos que um dia desejaram, ou não, ter.

 

Porquê?

 

Vivemos num país em que a maioria de nós não tem o seu emprego de sonho, nem tão pouco um emprego razoável, com horas decentes de trabalho, e um ordenado que lhes permita grande coisa, além da sobrevivência. Trabalhamos horas a mais, num único trabalho ou na soma de vários para conseguir ganhar um salário mediano, na esperança de que, depois de assegurado o essencial, ainda sobrem uns tostões para alguma eventualidade que surja.

Ora, se passamos o dia todo (ou a noite, para os que trabalham nesse horário) fora de casa e, quando chegamos, só queremos é descanso, paz e sossego, que tempo sobra para dedicar a um filho? 

 

Criam-se creches, apoios ao estudo, centros de actividades de tempos livres, actividades extra curriculares, prolongamentos, e horários escolares que ocupem o maior número de horas possível durante o dia, para que os pais possam trabalhar descansados, entrar cedo e sair tarde, sem preocupações. 

Quando se deveria, isso sim, criar condições para que os pais pudessem passar parte desse tempo com os filhos.

Se os pais não têm tempo para estar com os seus filhos, para quê trazê-los ao mundo? 

Para descartá-los em casa dos avós para que cuidem deles? Para deixá-los entregues a amas ou outros que tomam conta deles no nosso lugar? Unicamente para alimentá-los, dar banho e pô-los a dormir? Para os ver uns minutos por dia? Não faz sentido.

 

Esta semana, a minha filha trouxe trabalhos de casa na terça-feira, de 3 disciplinas. Um dos trabalhos era para a próxima semana mas, como no fim de semana tem que estudar para os testes da semana seguinte, fê-lo naquele dia, juntamente com outro. Deitámo-nos cerca das 23 horas, já sem paciência e cheios de sono, para no outro dia acordar cedo.

Quarta-feira, trouxe novamente trabalhos mas, como tinha teste no dia seguinte, dedicou-se ao estudo, e deixou os trabalhos para quinta. Novamente, deitámo-nos por volta das 23 horas.

Quinta-feira, tinha obrigatoriamente que fazer os trabalhos de duas disciplinas, para hoje. Entre tentar perceber o que era pedido, cálculos, pesquisas, e responder a tudo, porque levar uma resposta por fazer pode equivaler a ter falta como se não tivesse feito nada, já eram quase 23.30 horas quando fomos dormir.

Para hoje ter que acordar cedo novamente.

Ora, no meio de jantares, banhos e TPC's sem fim, onde fica o tempo para estarmos juntos enquanto família? Para desanuviar de um dia de trabalho e de aulas?

Porque é que, em vez de sobrecarregarem os horários dos alunos com mais de 10 disciplinas, não criam um tempo em que eles façam os TPC's na escola, e esclareçam as dúvidas na hora, com quem mais os pode ajudar, tirando essa carga dos pais?

Se não há tempo para convívio e actividades divertidas com os filhos, muitas vezes nem aos fins de semana, para quê trazê-los ao mundo?

 

Basicamente, temos filhos para os entregar, desde cedo, a outras pessoas que irão cuidar deles enquanto passamos a maior parte do dia fora de casa, e que depois os avós irão buscar e cuidar até que os pais cheguem a casa, para dali a 5 minutos estarem na cama e, no dia seguinte, e no seguinte, repetir toda a rotina. 

É justo para nós, pais? Será justo, acima de tudo, para estas crianças crescerem desta forma?

Final da Eurovisão: do pódio para o último lugar

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Que não iríamos vencer novamente este ano, já sabíamos. 

Mas que passaríamos directamente da glória, e de um mundo rendido à nossa música, para o último lugar da tabela, ninguém imaginaria. Ainda assim, não merecendo mais o último lugar, que outros países a concurso, não me parece que tenha sido uma grande injustiça.

 

 

 

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Tenho a certeza que, de todas as actuações da noite, aquela que mais fez vibrar todos os que ali se encontravam na Altice Arena foi, novamente, a do Salvador Sobral, primeiro com o seu novo tema "Mano a Mano", e depois recordando a música vencedora do ano passado "Amar Pelos Dois", com Caetano Veloso.

 

 

 

No que respeita às votações, benditos votos do público, para salvar esta final porque, se dependesse apenas do júri, aí sim, teria havido uma grande injustiça para com as músicas apresentadas.

Depois de semanas a ouvir todo o tipo de notícias sobre as grandes favoritas, fossem pela diferença, pelo ritmo, pela música ou pela mensagem, ver ali nos primeiros lugares, e prestes a vencer, a música da Suécia, que não valia nada, ou a da Áustria, que até não era má, mas tão pouco seria uma justa vencedora, enquanto as favoritas nem sequer disputavam o pódio, fez-me acreditar que, ou os jurados não ouviram o mesmo que nós, ou devem ser internados!

 

Felizmente, os votos do público trocaram as voltas à votação existente até esse momento, que já tinha sido renhida desde o início, para repôr, de certa forma, a ordem das coisas, com o duelo final entre Israel e Chipre, do qual saiu vencedora a Netta, com o seu "Toy".

E, mais uma vez, se prova que não existem fórmulas vencedoras, nem receitas que resultem duas vezes da mesma forma.

 

 

 

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Ainda assim, Portugal está de parabéns pelo grande espetáculo que organizou, pela forma como as apresentadoras o conduziram, pela forma como receberam as delegações dos vários países, e pela promoção que fizeram do nosso país e da nossa cultura.

 

 

 

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Apenas um incidente, rapidamente resolvido, assombrou por momentos o espetáculo, com um rapper a invadir o palco durante a actuação do Reino Unido, e a tirar o microfone à artista. Ao que parece, ela já teria vindo a ser ameaçada, e estaria com protecção reforçada, tal como algumas outras delegações.

 

 

 

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Pedro Fernandes dizia, no momento em que entregava os votos do júri português, que da próxima vez que Portugal vencesse, seriam quatro homens, no lugar das apresentadoras.

Esperemos que não sejam precisos mais 53 anos para isso acontecer!

 

 

Imagens SAPO Magwww.jm-madeira.ptwww.cmjornal.pthttps://observador.pt/ e Caras - Sapo

 

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