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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Oh não, outra vez os Lusíadas!

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Imaginem os alunos a ler 20 estrofes dos Lusíadas, e a ter que responder a diversas perguntas sobre aquilo que acabaram de ler, sem qualquer explicação ou orientação.

Não dará bom resultado, por certo.

Quando acabam de vir do Auto da Barca do Inferno, que é muito mais cativante, torna-se ainda mais difícil mostrar interesse nesta obra.

 

Eu já não me lembro muito bem do que falei na altura, quando era eu a aluna. Mas sei que, ontem, a olhar para aquelas estrofes que a minha filha tinha que ler, não percebi nada!

Tive que ler várias vezes, para conseguir retirar de lá umas "pingas", apesar de muito espremer.

Claro que, depois de ver a análise daquele excerto, tudo começa a fazer mais sentido.

 

Para mim, Lusíadas tem que ser dado em aula. Tem que ser uma obra analisada e explicada em conjunto por alunos e professores. Não se pode esperar que os alunos cheguem ali e percebam o que está lá escrito, implícito, o que é para reter e perceber, quando nem sequer a linguagem percebem.

 

Penso que, para a maioria dos estudantes, os Lusíadas continuam a ser o pesadelo da escola, na disciplina de português, e nos exames finais!

 

Deixo-vos aqui esta opinião sobre a inclusão do estudo desta obra nas escolas: https://www.publico.pt/2015/02/22/sociedade/opiniao/o-ensino-de-os-lusiadas-1686615

 

A Matemática foi destronada!

 

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Na reunião de pais do final do primeiro período escolar (que por acaso já ocorreu no início do segundo) tomámos conhecimento de que nesta turma, pela primeira vez, a Matemática não tinha sido a disciplina com mais negativas, à semelhança do habitual, tendo sido destronada pela...

 

Físico-Química!

 

Com mais de 50% dos alunos com negativa, seguida do Português, com 50%.

Tirem as vossas conclusões! 

 

A melhor música do Festival da Canção

Foto de RTP - Festival da Canção.

 

Para mim, é esta!

A única que tem tudo para chegar mais além. Presença em palco, estilo, bailarinos, música que fica logo no ouvido, inovadora porque é cantada em inglês.

E esteve quase para nem sequer chegar à final!

 

Depois do fiasco da primeira semifinal, estávamos todos na expectativa de ver a segunda semifinal, e o que ela nos traria. Foi melhor que a primeira, sem dúvida. 

Mas continuo sem compreender como é que, num programa em que falam tanto de inovação, continuam com os olhos postos no passado, a valorizar o saudosismo, a teimar em levar lá fora uma música cantada em português, a bater na mesma tecla e no mesmo estilo de música, que já vimos que não nos leva a lado nenhum.

 

Como bem sabemos, por razões que em muito ultrapassam a qualidade das músicas, mensagens e voz dos intérpretes, Portugal nunca será, provavelmente, um vencedor do Festival Eurovisão da Canção. Por isso, porque não levar algo inovador e, sim, cantado em inglês, como já têm vindo a fazer muitos outros países participantes? 

 

 

Porque é que o júri insiste em fórmulas perdedoras?

Como é que o júri dá uns míseros 4 pontos a esta música, e 10 pontos à canção da Lena d'Água?

Por favor! É por estas e por outras que nunca chegaremos a lado nenhum.

 

Felizmente, o público teve bom senso, e conseguiu reverter o painel das classificações, colocando o tema composto por João Pedro Coimbra e interpretado pelo Pedro Gonçalves entre as 4 selecionadas para a final, a par com duas das minhas favoritas - a da Celina da Piedade, e a do Jorge Benvinda. 

Só a Lena d'Água está a ocupar um lugar que não merecia, de todo, por culpa do juri.

 

O que vale é que, na final, o público é o único a ter direito de voto. Por isso, vamos lá votar na música do Pedro "Don't Walk Away"!

 

 

De entre as restantes, destaco, embora não para um festival, a música do João Só, que é totalmente a cara dele! E ficou muito bonita na voz da Helena Kendall. 

 

 

Imagem RTP - Festival da Canção

 

 

A minha filha tem os mesmos professores que eu!

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Mais de duas décadas separam os tempos em que eu andava no ciclo, dos dias de hoje, em que é a minha filha que lá está.

Ainda assim, mais de duas décadas depois, a minha filha vai ter como professora de português, a mesma que eu, naquela altura, também tive - a professora Ofélia! E como professor de história, o mesmo que já foi meu - Carlos Bernardo!

Sim, estes professores, à semelhança de outros que também foram meus professores na altura, continuam a dar aulas nesta mesma escola. 

Quando vou buscar ou levar a minha filha, vejo algumas vezes o meu professor de matemática do 5º ano, ou a minha professora de inglês. E estes professores, que já tinha comentado com a minha filha que tinha sido meus.

Agora, cerca de 25 anos depois, e numa coicidência que não deixa de ser engraçada, vai ser a minha filha a ter aulas com eles!

 

Aposta - The Bet, de Rosana Antonio

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Conforme prometido, aqui fica a minha opinião sobre este livro de Rosana Antonio, o primeiro que li dos três recebidos, mas não sem antes salientar a originalidade dos livros desta autora, que tornou cada uma das suas obras bilingues.

Este "Aposta" vem em português e, virando ao contrário, pode ser lido em inglês!

 

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Este livro traz-nos seis histórias de pessoas que tinham sonhos, desejos, ambições, e de todo o percurso que fizeram para os conseguir, ou não, concretizar.

Umas vezes ganha-se, outras vezes perde-se. Algumas vezes é preciso recuar e, noutras, arriscar, ainda que o receio esteja presente.

No entanto, tudo aquilo com que sonhamos deve ser conseguido de forma honesta, e não passando por cima de tudo e de todos.

Por vezes, o preço a pagar pela ambição desmedida é bem alto.

 

A primeira história fala-nos de Gengi e Huan, e das dificuldades por que passaram quando chegaram a Portugal, sendo durante bastante tempo explorados pela própria cunhada/irmã, até que conseguiram libertar-se desse pesadelo, e tomar as rédeas da sua própria vida. Em todo este processo, algo que nunca faltou foi o amor pelas suas filhas, e o desejo de terem a melhor educação e estudos, e a ajuda delas aos pais, mostrando uma união familiar rara de ser ver.

 

De Gengi, passamos a Jander, um menino com um talento especial para o desenho que queria muito ser tatuador, e que lutou muito para aprender a arte e montar o seu próprio negócio, enfrentando dificuldades financeiras, condições precárias, preconceito, e incompreensão.

 

Já Manolo partiu deixando para trás a mãe doente e internada, e uma irmã, para tentar a sua sorte em Londres, onde acaba por conhecer Lars, indo viver com este. 

Com várias empresas de compra e venda de ouro a seu cargo, nunca teve tanto dinheiro e poder, mas isso de nada lhe servirá quando a sua mãe falecer, a sua irmã for internada, e ele for acusado pelo homicídio do pai.

 

Temos ainda a história de Luciano e Marcela, que tentam entrar clandestinamente nos Estados Unidos,onde pretendem iniciar uma vida com melhores condições, mas que implica os mais variados riscos, o maior dos quais,perder a própria vida. Esta história fez-me lembrar de uma telenovela que passou há alguns anos "América", que mostrava as tentativas, muitas vezes goradas, de entrar clandestinamente num país, e também os últimos naufrágios e mortes de emigrantes no mediterrâneo.

Pela ténue possibilidade de uma vida melhor, ou a promessa de um paraíso à sua espera, estas pessoas dão o dinheiro que têm (e muitas vezes o que não têm), a quem lhes garanta a travessia para o lado de lá, sendo muitas vezes enganadas, ou apanhadas pela polícia. As consequências, para quem se aventura e arrisca, podem ir desde problemas de saúde a prisão e extradição, e até mesmo a morte por falta de água, comida ou cansaço extremo.

 

A história da Dona Ermelinda e do Sr. Rui foi uma das que mais me tocou, porque tem pontos muito semelhantes com os meus tios.

Tal como eles, também os meus tios sempre trabalharam duro para poder ter melhores condições de vida, e garantir o futuro das filhas. Montaram o seu próprio restaurante, quase nunca tinham férias, as filhas ajudavam sempre os pais quando podiam e, mais tarde, reformaram-se, achando que iam aproveitar agora a velhice juntos. Foi quando a minha tia descobriu que tinha cancro, e faleceu pouco tempo depois.

Neste caso, Linda e Rui foram os grandes responsáveis pelas Churrascarias Sabor Mineiro. Viviam felizes, e com o seu negócio de vento em popa, quando Linda foi apanhada na teia de um cancro no fígado, tendo falecido e deixado toda a família e funcionários devastados.

Coube a Rui reerguer-se, refazer a sua vida, e seguir em frente.

 

E, por último, temos a história de Aléssia, uma adolescente brasileira que sentia que não pertencia ali, e queria conhecer o mundo. Foi por isso que, logo que terminou o ensino secundário, pediu à mãe para a emancipar. E assim viajou à conquista do seu lugar que, acabaria por descobrir, ficava aqui no nosso Portugal, numa pequena vila piscatória, ao lado do seu marido e da sua filha!

 

Todas estas histórias são baseadas em factos reais, o que cativa ainda mais o leitor para cada uma delas. E é também um incentivo para, também nós, seguirmos os nossos sonhos, por muito difícil ou inalcançável que isso possa parecer! 

 

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