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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Dia de Sorte: achei 55 cêntimos!

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Ontem pode-se dizer que foi um "Dia de Sorte"!

Descobri que a encomenda que estava à espera ia ser entregue nesse dia e, se viesse cedo, não estaria ninguém em casa mas, por sorte, só foi entregue à hora de almoço.

No caminho para casa, ao almoço, achei 5 cêntimos.

Num jogo, consegui arrecadar 10 diamantes, algo que raramente acontece.

No regresso a casa, à noite, achei mais 50 cêntimos.

Até disse à minha filha: ou o Universo está a compensar-me pelo início desastroso da semana, ou está a preparar-me para uma nova tempestade!

 

Quando recebemos a notícia de que a nossa mãe partiu

É curioso que, tendo já escrito tantas homenagens, não me saiam agora palavras para falar da minha mãe.

Talvez porque tudo o que eu disser será pouco. E porque aquilo que está cá dentro não caberia num só texto. Ou porque talvez seja mais difícil quando são os nossos.

 

Apesar de, nos últimos tempos, ter previsto este cenário por diversas vezes, é algo para o qual nunca estamos preparados, quando ele se confirma.

Quando acordei, esta manhã, estava confiante. Nada me preparou para o que aí vinha.

 

Um telefonema da médica, pouco depois das 9 da manhã. Pensei que fosse para me pôr ao corrente da evolução da minha mãe.

Nem quando me disse que a minha mãe tinha um quadro complicado, suspeitei. 

Nem mesmo, quando me perguntou se eu tinha mais alguém em casa. Pensei que fosse por ser necessário ir lá.

Só quando lhe perguntei o que iria ser feito, quais os passos seguintes, é que ela me informou que, infelizmente, a minha mãe tinha falecido.

Portanto, ela falou e fez-me falar, já em modo de preparação, para atenuar o choque da triste notícia.

E foi, de facto, um choque. Como, imagino, será para todos os que perdem familiares.

 

Posto isto, a principal preocupação foi como dar a notícia ao meu pai.

Porque teria que ser eu a dá-la, e não o poderia fazer no estado em que estava, para além de não saber como iria ele reagir.

 

Depois, avisar familiares, amigos e, a cada telefonema, ou mensagem, reviver as emoções, relembrar o choque, encarar e tomar consciência da realidade.

E tentar não pensar nisso, para não descambar.

Fazer piadas, ocupar com tarefas domésticas.

Momentos intercalados com lágrimas e lembranças.

Até as bichanas perceberam. A Amora veio dar-me turrinhas, como que a consolar-me.

Estava em casa apenas com a minha filha.

Não foi fácil.

 

Depois, momentos de decisões.

Autopsiar, ou não autopsiar? Para quê? De que adiantava agora  saber a causa da morte?

Calhou-me ligar para a médica, e dizer que não queríamos autópsia.

 

E, em seguida, ligar para a agência funerária, para dar início a todo o processo.

Escolher urnas.

Escolher flores.

Escolher cartões para o velório.

Escolher mensagem.

E aperceber, mais uma vez, da realidade.

É necessário. É uma homenagem. Mas quem é que tem cabeça para essas coisas num momento destes?

 

Desligar o interruptor.

Há uma filha, as gatas para tratar, o almoço para fazer.

O meu marido chegou entretanto. Tinha ido trabalhar mas, perante a situação, arranjaram alguém para o substituir.

O meu irmão viria também.

 

Afinal, ainda havia mais trâmites a tratar.

A escolha da roupa para vestir a minha mãe.

É horrível.

Sabemos que será essa a última imagem dela, e queremos dar-lhe a dignidade possível, ainda que nesta hora em que nos despedimos dela.

Mas é voltar tudo ao de cima, olhar para as coisas dela, e um milhão de pensamentos e lágrimas a misturar-se, e a deitar abaixo.

 

No entanto, é preciso levar a roupa.

Fazer compras.

Limpar a casa.

Desligar o interruptor, e tentar distrair-me é o melhor remédio.

E, se possível, tentar que não toquem no assunto.

 

A esta altura, final do dia D, em que a minha mãe completa 79 anos e meio, e nos deixa para sempre, já nem sei bem o que sinto. 

Mas sei que o pior ainda está por vir.

Amanhã.

 

Por mim, seria uma despedida rápida, só para nós, e acabava.

Mas sabemos que as pessoas querem dar apoio. Que também se querem despedir. Mesmo que cada palavra, dita com a melhor intenção e sentida, nos faça mais mal que bem. Que seja como um escarafunchar numa ferida que está em carne viva, e que assim não sara.

E, por muito que saiba que vai ser duro olhar para a minha mãe, ou para o que restou dela, sei que quero olhá-la uma última vez.

 

Não sou dada a religião, mas a minha mãe era católica e, por isso, pedi serviço religioso.

Que, também ele, vai ser duro. Faz parte. E se não aguentar, é sinónimo que sou humana.

 

E, por fim, o encerrar de tudo.

O momento em que percebemos, definitivamente, que é real, que não a veremos mais. Que, a partir dali, estará debaixo de terra.

Que, ao menos, o seu espírito encontre uma moradia melhor.

 

A nós, restam-nos dias duros, de mais burocracias que, também elas, são necessárias, e a esperança de que o tempo atenue a dor e o sofrimento dos que cá ficam, com a certeza de que a minha mãe, que partiu, já não sofre mais.

É a lei da vida. Calha a todos. Uns mais cedo. Outros mais tarde. Mas ninguém escapa.

Ainda assim, não deixa de ser sempre pior quando nos toca a nós, e aos nossos.

É tentar agarrar ao que de bom vivemos com ela, com plena noção de que não ficou nada por fazer, dizer ou demonstrar, no tempo que que estivemos com ela.

 

 

 

 

Novo confinamento geral: alguma (muita) coisa não está a resultar

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Estamos em Janeiro de 2021.

Desde que a pandemia atingiu Portugal, passaram-se 10 meses.

Na altura, em Março, com o confinamento geral para poupar o Serviço Nacional de Saúde, ficámos quase todos em casa.

Tudo era novo, e nem tudo funcionou da melhor forma.

Mas ficou a promessa de que, a vir a ser necessário, dali em diante estaríamos melhor preparados.

 

Não estamos!

Se possível, andamos ainda mais "às aranhas" do que antes.

O governo não teve tempo, nem meios, para reforçar os hospitais para as 2ª e terceira vagas que já sabiam, de antemão, que aí vinham?

O governo não teve tempo de fazer as devidas condições chegarem a todos os alunos para a eventualidade do ensino à distância ter que ser retomado?

Teve.

Mas não o fez.

Onde andam os hospitais de campanha, que estavam a postos nessa altura? Onde andam os médicos que iam contratar?

Onde andam os computadores e meios informáticos para os alunos que não os têm?

 

Porque, à semelhança do que previam, há um ano atrás, de que o vírus nem deveria cá chegar, acharam que a 2ª vaga, prevista para o Outono, só chegaria mais perto do Inverno. E que a 3ª vaga só viria quando? Para o Carnaval?

O que se vê, é que, ao contrário das réplicas que se seguem ao sismo principal, que são mais fracas, cada vaga da pandemia que enfrentamos é pior que a anterior.

A Covid-19 é uma inimiga que tem estado sempre vários passos à nossa frente, e não há forma de ultrapassá-la, quando nem perto dela conseguimos chegar.

 

Nos outros países não será diferente. 

As medidas têm sido semelhantes. Talvez mais apertadas que as nossas.

Mas os números portugueses estão a chegar perto dos de outros países e, com sorte, ainda os passamos.

 

Agora, aquilo que não podia voltar a acontecer, vai mesmo acontecer: novo confinamento geral!

Com excepções, claro!

Pagam os mesmos de sempre. Perdem os mesmos de sempre. Ganham os mesmos de sempre.

Porque duvido que seja num cabeleireiro, num restaurante, numa pequena loja de vestuário, ou outros do género, que surgem estes números assustores de infectados.

Acredito mais nos convívivio familiares, nos ajuntamentos (alguns provocados pelas próprias medidas), nas pessoas que vejo muitas vezes em pequenos grupos, na conversa na rua, sem máscara e sem distanciamento.

 

As escolas? Essas não fecham! Claro que não!

Porque aí é o sítio mais seguro para se estar.

Que é como quem diz: "não estamos preparados para retomar o ensino à distância porque nada mudou desde o desenrascanso do ano passado e continuaria a haver desigualdades", e "não há dinheiro para pagar aos pais que fiquem com os filhos em casa".

Por isso, bora lá mandar as crianças para a escola, onde até têm aulas com portas e janelas abertas, com o frio que está como há muito não se via no país e que pode agravar os sintomas de eventuais infectados, ou provocar outras doenças tão ou mais graves que a Covid-19.

Bora lá mandar as crianças apanhar transportes, onde até nem se juntam os alunos nas paragens.

Ou então, vão os pais levá-los, quebrando o confinamento para esse efeito.

Ah e tal, os jovens mesmo infectados apresentam sintomas leves. Certo. Mas transmitem. E se apanharem, vão transmitir aos pais, que estão em confinamento. Os que estão. Porque se forem filhos de pais que não são abrangidos pelo confinamento, lá vão os pais para o trabalho ajudar a transmitir por mais umas quantas pessoas.

 

Fechar as escolas não é um cenário de sonho, e definitivamente não é a melhor forma de ensino.

Mas, então, que tal testar os jovens, auxiliares e professores antes do início das aulas?

Que tal testar periodicamente para tentar contar as cadeias que aí surgem?

Primeiro, se um aluno estivesse infectado, ia a turma toda para casa. Depois, já não. Ia só o infectado. Agora, parece que já vai tudo outra vez.

 

E as eleições?!

Nem pensar em adiá-las!

Nesse dia há liberdade para todos. Para votar, claro!

E aproveitar para rever os familiares e amigos, e trocar dois dedos de conversa com conhecidos.

Por conta das eleições, até os idosos nos lares terão direito a visitas. Não dos familiares, que não vêem há meses, mas de equipas especialmente enviadas para recolher os votos.

 

Mas atenção, os portugueses também são responsáveis.

Porque não se faz pão sem farinha, nem omeleta sem ovos e, por muito que tudo o resto funcione, de nada adiantará se continuarmos a achar que só acontece aos outros, que é tudo uma invenção, e não cumprirmos com regras e medidas básicas, que não deveria ser preciso nenhum governo impôr.

 

Avizinham-se tempos duros pela frente...

Para quem achava que 2021 não poderia ser pior que 2020, começamos com "dois pés esquerdos".

 

Imagem: radiovaledominho

 

 

O que é demais nunca pode ser considerado normal

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Que bom seria se pudessemos escolher o tempo que faz, à nossa medida, e só para nós.

Mas, infelizmente, ainda não temos esse poder.

Vem o que vem, para todos, e ninguém pode fazer nada para o mudar.

 

Por isso, quando não nos agrada, e à falta de melhor que fazer, queixamo-nos.

Ora porque chove. Ora porque faz sol.

Ora porque está frio. Ora porque está calor.

Ora porque não corre uma aragem. Ora porque está vento.

 

No verão, por exemplo, quando está quente e oiço pessoas queixarem-se do calor, costumo dizer "estamos no verão, é normal".

No inverno, e sofrendo com o frio, sou eu que me queixo, e as pessoas que me respondem "é inverno, querias o quê?".

Sim, é normal que haja calor no verão, frio e chuva no inverno, e tempo ameno nas restantes estações. Ou era, porque há muito que as estações deixaram de ser "normais".

 

No entanto, por vezes é algo mais do que meras queixas nossas, de eternos insatisfeitos.

Tudo o que é demais, nunca pode ser considerado normal.

Temperaturas de 40º ou mais no verão não são normais.

Temperaturas de 0º ou menos no inverno, em quase todo o país, não são normais.

Pelo menos, não aqui em Portugal. Não nas nossas estações habituais. Não no sítio onde, por exemplo, eu vivo.

 

E, por isso mesmo, o nosso corpo não está preparado, nem tão pouco adaptado ou habituado a estes extremos.

Nem as nossas casas o estão. Ou as escolas. Ou muitos postos de trabalho. E, definitivamente, não as ruas.

Seja calor ou frio a mais, fenómenos extremos de vento ou chuva, ou quaisquer outros que nos apareçam pela frente.

 

Por muito que, noutras regiões, noutros países, noutro hemisfério, o cenário seja ainda mais duro e penoso, quem lá vive está acostumado e equipado para o efeito, porque é a norma.

Aqui, é a excepção.

Uma excepção a que não podemos fugir, mas que enfrentamos sem o mínimo de condições.

E que, a curto, médio ou longo prazo, terá repercussões na nossa saúde.

 

 

Porque não se deve deixar um trabalho para a última hora

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Em primeiro lugar, porque, quanto mais tempo deixamos passar, mais probabilidades há de que, o tema que queremos, já tenha sido escolhido, e nos tenhamos que contentar com os que restam, ou com sugestões dos professores.

A minha filha tinha que fazer um trabalho de análise de um poema de Camões, do manual, para este período. Não escolheu logo e, quando o fez, já todos estavam escolhidos.

É certo que os poemas do manual não chegavam para todos os alunos e, por isso, a professora disse que poderiam escolher outros.

Ela assim o fez mas, entretanto, quando marcou a sua apresentação e mostrou o poema, já estava escolhido também.

A apresentação estava marcada para ontem. Na sexta-feira à noite, ela enviou email à professora com o nome do novo poema escolhido e pediu, caso já estivesse a ser trabalhado, que a professora facultasse a lista dos poemas já escolhidos.

A professora respondeu-lhe no domingo, ao final da tarde, que o poema já estava escolhido também, e que veriam na aula outra opção.

Ou seja, já era o segundo trabalho feito, e "deitado ao lixo".

Tudo isto poderia ter sido evitado se, por um lado, ela tivesse pensado no trabalho mais cedo e, por outro, se a professora tivesse dado logo os poemas já escolhidos, para ela não andar a perder tempo em vão.

E foi assim que, às 19 horas da véspera da apresentação de um trabalho, ela teve que começá-lo e acabá-lo, sem qualquer preparação.

 

 

Ainda a propósito da escolha do tema, quanto mais cedo pensarmos nele, melhor e maior a pesquisa que podemos fazer, para nos ajudar à escolha, consoante a quantidade e qualidade de infornação existente para cada um dos temas, e que melhor poderá ser trabalhada e desenvolvida.

Se pesquisarmos, dentro do tema geral, ou do específico no qual tínhamos interesse, e percebermos que há muito para falar, podemos reservá-lo para nós com antecedência.

Já se deixarmos para o fim, e tivermos que ficar com "as sobras", arriscamo-nos a que, para o tema que nos calhou, não haja informação suficiente ou importante, e não consigamos fazer um trabalho tão bom.

 

 

Em terceiro lugar porque, caso tenha que haver alterações nas datas de entrega ou apresentação, e estas sejam adiantadas, não corremos o risco de o trabalho não estar pronto, adiantado ou sequer começado.

Por vezes, apesar de haver uma data específica para entrega/ apresentação dos trabalhos, os professores podem, por diversos motivos, adiar a mesma ou, como já chegou a acontecer, adiantá-la.

Nesses casos, se o trabalho já estiver feito ou quase, facilita-nos muito a vida. Já se estiver ainda no início, ou se ainda não tivermos, sequer, pegado nele, arriscamo-nos a fazê-lo à pressa, e a não ficar no seu melhor, prejudicando a nota.

 

 

Se for preciso escolhermos uma data para entrega/ apresentação da mesma, quanto mais cedo o fizermos, melhor garantimos a reserva desse tempo que iremos ocupar, não nos arriscando a que, por qualquer motivo, o tempo fique todo ocupado e não haja vaga para nós.

Quanto mais cedo escolhermos uma data, mais hipóteses temos de reservar o dia que nos dá mais jeito, e de nos organizarmos.

Caso deixemos para mais tarde, podemos não ter hipótese de escolha, e ter que ficar com a vaga que sobra, numa semana/ dia que já tenhamos também outras apresentações ou testes.

Por outro lado, embora os professores tenham que dar a mesma oportunidade a todos os alunos, e a contabilizar o tempo/ número de aulas que irão dispender com as apresentações de todos, pode acontecer, pelos mais variados motivos, o tempo disponível não chegar para todos e, quem chega por último, arrisca-se a não conseguir apresentar o seu trabalho, ficando penalizado.

 

 

Por último, quanto mais cedo o trabalho estiver feito, mais tempo nos sobra para preparar a apresentação ou, caso seja só para entrega, para nos dedicarmos a outros trabalhos ou, simplesmente, aproveitar o tempo livre, sem stress!